Vi
muitos grandes homens em Hrishikesh. Um caso que me lembro é de um
homem que parecia ser louco. Ele vinha nu pela rua, com meninos
perseguindo-o e jogando pedras nele. Estava rindo e feliz, enquanto o
sangue corria de seu rosto e pescoço. Eu o levei e lavei suas
feridas, colocando cinzas para cessar o sangramento. E rindo o tempo
todo ele me contou da brincadeira que ele e os meninos tiveram,
jogando pedras. “Assim o Pai brinca”, ele disse.
Lembro,
quando garoto, de ouvir um missionário cristão pregando a uma
multidão na Índia. Entre outras coisas ele dizia que, se ele desse
uma pancada no ídolo dos ouvintes com sua bengala, o que este faria?
Um dos ouvintes respondeu, “E se eu ofender seu Deus, o que Ele
pode fazer?” Disse o pregador: “Você será punido quando
morrer.” E a isto respondeu o hindu: “Assim também meu ídolo o
punirá quando você morrer.”
Um
dia, na adolescência, após terminar a meditação, vi a maravilhosa
figura de um monge aparecer subitamente – de onde não sei – e
ficou parado à minha frente a uma certa distância, enchendo o
quarto com seu brilho divino. Ele estava vestido com roupas ocres e
tinha um kamandalu (pote de água) em sua mão. Sua face tinha uma
expressão tão calma e serena, nascida da indiferença a todas as
coisas, que fiquei admirado e me senti atraído a ele. Ele caminhou
vagarosamente ao meu encontro, com os olhos fixos em mim, como se
quisesse dizer alguma coisa. Mas fui dominado pelo medo e não pude
me manter parado. Levantei-me de meu assento, abri a porta e
rapidamente deixei o quarto. Um momento depois pensei, “Por que
este medo bobo?” Ganhei coragem e voltei ao quarto para ouvir o
monge, mas oh, ele não estava mais lá. Eu esperei muito tempo por
ele, mas em vão. Senti-me arrependido por ter sido estúpido de
fugir sem ouvi-lo. Já vi muitos monges, mas nunca vi uma expressão
tão extraordinária em qualquer outra face, e frequentemente penso
que tive a boa sorte de ver o Senhor Buddha naquele dia.
Um
dia Ramakrishna tentou instruir Naren (Swami Vivekananda) sobre a
identidade da alma individual com a Mente Universal (Atman e
Brahman). Narendra deixou a sala, e indo até onde estava um amigo
seu disse, "Como pode ser isto? Este jarro é Deus, este copo é
Deus e nós também somos Deus: nada pode ser mais absurdo!"
Ouvindo o riso de Naren, Ramakrishna, que estava em sua sala num
estado semiconsciente, saiu nu, com sua roupa embaixo do braço. Ele
disse sorrindo, "Olá, sobre o que estão conversando?" E
então tocou Narendra e entrou em êxtase (Samadhi). Naren contou
mais tarde o que aconteceu:
“O toque mágico do Mestre naquele dia imediatamente trouxe uma maravilhosa mudança em minha mente. Fiquei assombrado ao descobrir que na verdade nada havia no universo senão Deus! Eu vi isso claramente, mas mantive silêncio para ver se a impressão duraria; mas ela não diminuiu durante o dia. Voltei para casa, mas ali também, tudo que eu via era Brahman (a Mente Universal). Sentei-me para comer, mas vi que tudo – a comida, o prato, a pessoa que servia, e inclusive eu mesmo, tudo era Aquele. Comi um pouco e me sentei quieto. Fui surpreendido pelas palavras de minha mãe, "Por que se senta quieto? Termine sua refeição", e então comecei a comer novamente.
“O toque mágico do Mestre naquele dia imediatamente trouxe uma maravilhosa mudança em minha mente. Fiquei assombrado ao descobrir que na verdade nada havia no universo senão Deus! Eu vi isso claramente, mas mantive silêncio para ver se a impressão duraria; mas ela não diminuiu durante o dia. Voltei para casa, mas ali também, tudo que eu via era Brahman (a Mente Universal). Sentei-me para comer, mas vi que tudo – a comida, o prato, a pessoa que servia, e inclusive eu mesmo, tudo era Aquele. Comi um pouco e me sentei quieto. Fui surpreendido pelas palavras de minha mãe, "Por que se senta quieto? Termine sua refeição", e então comecei a comer novamente.
Mas
a todo momento, quer comendo ou deitado, ou indo ao colégio, eu
tinha a mesma experiência e me sentia numa espécie de êxtase.
Enquanto caminhava pelas ruas, percebi os carros passando, mas não
me senti inclinado a sair do caminho. Senti que os carros e eu éramos
um. Não havia sensação em meus membros, que pareciam estar
paralisados. Não me agradava comer, e sentia como se outra pessoa
estivesse comendo. Às vezes me deitava durante a refeição; e após
alguns minutos me levantava e recomeçava a comer. Minha mãe ficou
alarmada e disse que deveria haver algo errado comigo. Ela temia que
eu não vivesse por muito tempo. Quando houve uma pequena mudança
nesse estado, o mundo começou a parecer semelhante a um sonho. Ao
caminhar pela Praça Cornwallis, eu bati minha cabeça contra os
corrimãos de ferro para ver se eles eram reais ou apenas um sonho.
Este estado de coisas continuou por alguns dias. Quando voltei ao
normal novamente, percebi que devia ter tido um vislumbre do estado
de Advaita. Então percebi que as palavras das escrituras não eram
falsas. Daí em diante não pude negar as conclusões da filosofia
Advaita."
Nenhum comentário:
Postar um comentário