A primeira vez que vim à Índia, vim num navio
japonês. E neste navio japonês havia dois clérigos, isto é, pastores
protestantes, de diferentes seitas. Acho que um anglicano e o outro
presbiteriano. Então chegou o domingo, e deveria haver uma cerimônia no navio,
do contrário pareceríamos pagãos, como os japoneses! Mas quem faria a
cerimônia? O anglicano ou o presbiteriano?
Depois de discutirem, um deles deu-se por
vencido, acho que o anglicano, e o presbiteriano fez a cerimônia, que aconteceu
no salão do navio. Então todos os homens colocaram seus ternos, sapatos de
couro, chapéus, e seguiram com um livro embaixo do braço, quase em procissão
até o salão. As senhoras colocaram seus chapéus, algumas com guarda-sol, e elas
também com um livro sob o braço, um livro de orações. E encheram o salão.
O presbiteriano fez um sermão e todos ouviram
muito religiosamente. E quando tudo acabou, saíram com um ar de satisfação, de
alguém que tivesse cumprido seu dever. E cinco minutos depois estavam no bar
bebendo e jogando cartas, e sua cerimônia religiosa estava esquecida. Tinham
feito seu dever e nada mais tinham a dizer a respeito.
E o pastor veio e me perguntou, polidamente, por
que eu não havia comparecido.
Eu lhe disse: “Senhor, sinto muito, mas não
creio em religião.”
O pastor: “Oh, você é materialista?”
Eu: “Não, absolutamente.”
O pastor: “Então por que?”
Eu disse: “Se eu lhe dissesse, ficaria
desapontado, talvez seja melhor nada dizer”.
Mas ele insistiu tanto que finalmente eu disse,
“Não acho que vocês sejam sinceros, nem você nem seu rebanho. Vocês foram
apenas atender um dever e um costume social, mas não porque queriam realmente
entrar em comunhão com Deus.”
O pastor, “Entrar em comunhão com Deus! Mas não
podemos fazer isto! Tudo que podemos fazer é dizer algumas boas palavras, mas
não temos capacidade para entrar em comunhão com Deus.”
Então eu disse, “Mas é justo por causa disso que
não fui, não me interessa.”
Depois disso ele me fez muitas perguntas e
admitiu que estava indo para a China para converter os “pagãos”.
Então eu fiquei séria e disse a ele, “Ouça,
antes que sua religião surgisse, antes mesmo de dois mil anos atrás, os
chineses tinham uma elevada filosofia e conheciam o caminho que os leva ao
Divino; e quando eles pensam nos ocidentais, pensam neles como se fossem
bárbaros. E você está indo converter aqueles que sabem mais que você? O que
você vai ensiná-los? A serem insinceros, a realizar cerimônias vazias ao invés
de seguir uma profunda filosofia que os leva ao desapego e à consciência espiritual?
Não creio que seja uma boa coisa que você está indo fazer.”
Então, o pobre homem se sentiu tão sufocado; ele
me disse, “Acho que não posso ser convencido por suas palavras!”
“Oh!”, eu disse, “não estou tentando
convencê-lo, apenas descrevi a situação, e o motivo de não haver razão para
bárbaros quererem ir e ensinar a pessoas civilizadas aquilo que elas conhecem
há mais tempo que você. Apenas isso.”