Num
certo vilarejo vivia um tecelão. Ele era uma alma muito devota.
Todos confiavam nele e o amavam. Ele costumava vender sua produção
no mercado da vila. Quando um freguês lhe perguntava o preço de uma
peça de roupa, o tecelão dizia: “Pela vontade de Rama (Rama é um
avatar) o preço da matéria-prima é cinco rúpias e o preço da
mão-de-obra é duas rúpias; pela vontade de Rama o lucro é uma
rúpia. O preço da roupa, pela vontade de Rama é oito rúpias.”
Tal
era a confiança no tecelão que o cliente imediatamente pagava o
preço e levava a roupa. O tecelão era um verdadeiro devoto de Rama.
Após terminar sua refeição da noite, ele passava longas horas em
sua sala de meditação meditando em Rama e repetindo seu mantra.
Certa
noite, o tecelão estava sem sono e ficou sentado no lado de fora de
sua casa, observando a noite. Um bando de ladrões passou por ali e,
como precisavam de alguém para carregar os bens que iriam roubar,
disseram ao tecelão: “Venha conosco”. Assim dizendo o pegaram
pela mão e levaram.
Após
roubarem uma residência, colocaram vários itens roubados sobre a
cabeça do tecelão, ordenando-lhe que os carregasse. De repente a
polícia chegou e os ladrões fugiram. Mas o tecelão com seu
carregamento foi preso. Ele foi mantido preso toda a noite.
No
dia seguinte foi levado ao juiz para interrogatório. Os moradores da
vila souberam o que tinha acontecido e foram à corte. Eles disseram
ao juiz: “Excelência, este homem não é um ladrão.”
Então
o juiz pediu ao tecelão que declarasse o que aconteceu. O tecelão
disse: “Excelência, pela vontade de Rama, terminei minha refeição
à noite. Então pela vontade de Rama eu estava sentado do lado de
fora da casa. Era noite avançada, pela vontade de Rama. Pela vontade
de Rama, eu estava pensando em Rama e cantando seu nome e suas
glórias, quando pela vontade de Rama passou por ali um bando de
ladrões. Pela vontade de Rama me arrastaram com eles; pela vontade
de Rama roubaram uma residência, e pela vontade de Rama colocaram as
coisas roubadas sobre minha cabeça. Naquele momento, pela vontade de
Rama, fui preso. Então pela vontade de Rama a polícia me manteve
preso durante a noite toda, e esta manhã pela vontade de Rama fui
trazido à presença de Vossa Excelência”.
O
juiz percebeu que o tecelão era um homem de fé e ordenou que o
libertassem. A caminho de casa, o tecelão disse a seus amigos: “Pela
vontade de Rama fui libertado”.
Sri Ramakrishna
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