4.2.15

A VONTADE DE RAMA – Sri Ramakrishna


Num certo vilarejo vivia um tecelão. Ele era uma alma muito devota. Todos confiavam nele e o amavam. Ele costumava vender sua produção no mercado da vila. Quando um freguês lhe perguntava o preço de uma peça de roupa, o tecelão dizia: “Pela vontade de Rama (Rama é um avatar) o preço da matéria-prima é cinco rúpias e o preço da mão-de-obra é duas rúpias; pela vontade de Rama o lucro é uma rúpia. O preço da roupa, pela vontade de Rama é oito rúpias.”

Tal era a confiança no tecelão que o cliente imediatamente pagava o preço e levava a roupa. O tecelão era um verdadeiro devoto de Rama. Após terminar sua refeição da noite, ele passava longas horas em sua sala de meditação meditando em Rama e repetindo seu mantra.

Certa noite, o tecelão estava sem sono e ficou sentado no lado de fora de sua casa, observando a noite. Um bando de ladrões passou por ali e, como precisavam de alguém para carregar os bens que iriam roubar, disseram ao tecelão: “Venha conosco”. Assim dizendo o pegaram pela mão e levaram.

Após roubarem uma residência, colocaram vários itens roubados sobre a cabeça do tecelão, ordenando-lhe que os carregasse. De repente a polícia chegou e os ladrões fugiram. Mas o tecelão com seu carregamento foi preso. Ele foi mantido preso toda a noite.

No dia seguinte foi levado ao juiz para interrogatório. Os moradores da vila souberam o que tinha acontecido e foram à corte. Eles disseram ao juiz: “Excelência, este homem não é um ladrão.”

Então o juiz pediu ao tecelão que declarasse o que aconteceu. O tecelão disse: “Excelência, pela vontade de Rama, terminei minha refeição à noite. Então pela vontade de Rama eu estava sentado do lado de fora da casa. Era noite avançada, pela vontade de Rama. Pela vontade de Rama, eu estava pensando em Rama e cantando seu nome e suas glórias, quando pela vontade de Rama passou por ali um bando de ladrões. Pela vontade de Rama me arrastaram com eles; pela vontade de Rama roubaram uma residência, e pela vontade de Rama colocaram as coisas roubadas sobre minha cabeça. Naquele momento, pela vontade de Rama, fui preso. Então pela vontade de Rama a polícia me manteve preso durante a noite toda, e esta manhã pela vontade de Rama fui trazido à presença de Vossa Excelência”.

O juiz percebeu que o tecelão era um homem de fé e ordenou que o libertassem. A caminho de casa, o tecelão disse a seus amigos: “Pela vontade de Rama fui libertado”.

   


  Sri Ramakrishna

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