Sob o
uso de muita proteína ou da ingestão indiscriminada de carne,
eleva-se a pressão arterial e, com o tempo, podem surgir a
arteriosclerose, o mal de Bright, assim como reduzir-se o calibre das
coronárias, com graves perturbações cardíacas e não raro fatais.
O
próprio canceroso, quando ingere muita carne, demonstra maior
virulência de seu mal. Alguns nutricionistas modernos e atenciosos
pesquisadores não vacilam em afirmar que, devido ao grande consumo
de carne por parte da humanidade, ainda grassam enfermidades como
apendicite, asma, congestão do fígado, gota, hemorróidas, prisão
de ventre, úlceras e excrescências no corpo, enquanto reconhecem
que a alimentação à base de frutas e vegetais contribui
admiravelmente para recuperar os elementos que favorecem o curso e a
flora no tubo intestinal.
Convém
notar que os venenos da carne são bastante nocivos ao fígado e o
obrigam a um trabalho fatigante, saturando-o de modo a dificultar-lhe
o processo delicado da filtração. Acresce ainda que o homem, pelo
seu hábito pernicioso de ainda acrescentar ao cozido ou assado
das vísceras animais a pimenta, o molho picante, a mostarda, o
cravo, o sal em excesso e toda sorte de condimentos excitantes,
efetuando as mais violentas combinações químicas com outros
condimentos, como a cebola, o alho e o vinagre, termina por aniquilar mais
cedo o seu organismo carnal.
Depois,
ele mesmo trata de imunizar-se contra os efeitos perniciosos que
lesam o seu organismo, socorrendo-se de toda sorte de medicamentos
heterogêneos da farmacologia pesada moderna, crente de poder
compensar a agressividade da química violenta e corrosiva, que fez
eclodir.
O uso
da carne ainda é acompanhado do molho picante, o que obriga os
órgãos físicos a um funcionamento intensivo e fatigante, a fim de
produzirem maior quantidade de fermentos, bílis, sucos e hormônios
que atendem às necessidades digestivas e proporcionam a filtração
dos venenos e sua expulsão para o exterior.
Sob o
excesso de alimentação imprudente, que produz a toxicose daninha,
os rins e o fígado fatigam-se e congestionam-se para atender ao
serviço de filtros vivos do corpo; o pâncreas esgota-se pela
hiperprodução de fermentos e as ilhotas de Langerhans atrofiam-se,
reduzindo o seu fornecimento de insulina e culminando na diabete
insolúvel.
As
vísceras animais vertem ainda outras toxinas nocivas, que perturbam
o movimento peristáltico do intestino, aumentam a viscosidade
sanguínea, concorrendo para a apoplexia, enquanto o ácido úrico
dissemina-se pelo sangue, causando o artritismo.
Não
vos deve ser desconhecido que os povos orientais, alimentados só com
arroz, frutas, legumes e feijão de soja, não padecem de
arteriosclerose, angina do peito, enfarte do miocárdio ou
hemorragias cerebrais,
enquanto no Ocidente essas doenças aumentam incontrolavelmente entre
os homens supernutridos pela carne, que é rica
de colesterol.
Em
certos povos ocidentais, o seu desjejum já é farto de presunto,
toucinho, chouriço ou carne enlatada, ainda em mistura com queijo,
manteiga, ovos, nata e leite que, embora aconselhados na boa
alimentação, ainda mais os saturam porque também são gorduras
animais.
Deste
modo, aumenta continuamente o número de atestados de óbitos que
lhes oficializam o falecimento sob a responsabilidade das moléstias
do sangue e das veias supersaturadas de proteínas!
Alguns
tipos de parasitas intestinais, de que o homem se torna hospedeiro,
procriam-se antes em forma larval no organismo dos animais; é o caso
da “Taenia saginata”, que vive sua primeira fase larval no boi; a
Taenia solium, que prefere o porco, ou o Bothriocephalus, a
solitária, cuja fase larval se processa entre certos peixes
da água doce e que, ao atingir a fase adulta no intestino do homem,
chega a alcançar até alguns metros de comprimento.
Alguns
outros parasitas pertencentes aos cestódios e vermes do grupo dos
helmintos, que podem ser examinados no seu ciclo de vida parasitária
no homem, têm a sua procedência larval em certos animais que também
são devorados famelicamente pelo homem, fazendo-o sofrer, depois, os
efeitos daninhos de sua própria insaciabilidade zoofágica!
A
carne é deficiente de vitaminas, pois o animal não as assimila com
tanta precisão como se desejaria; elas são abundantes nos frutos,
legumes, cereais e hortaliças, a verdadeira fonte natural de sua
vivência. Acresce, ainda, que as vitaminas da carne se consomem sob
a ação da fervedura ou do assado, agravando-se o seu poder maléfico
pela junção de outras substâncias corrosivas, que são fornecidas
pelos molhos picantes, pimenta e outros condimentos tóxicos.
A
prova mais evidente destas asserções está em que a humanidade
terrícola, quanto mais se entrega à alimentação carnívora,
principalmente com a facilidade atual da carne enlatada, tanto mais é
compelida a consumir maior quantidade de vitaminas artificiais.
Qualquer
compêndio ou manual de cozinha, que trate da qualidade da
alimentação, explica-vos que a carne magra, por exemplo, contém
quase dois terços de água, vinte por cento de proteína, cinco por
cento de gordura e três por cento de resíduos e matéria mineral,
contendo pouca vitamina A, B, e C.
As
carnes enlatadas ainda são vitaminicamente mais pobres porque,
submetidas a rigoroso processo de fervura industrial, volatizam
grande parte dos seus elementos energéticos e, mesmo quanto aos sais
minerais, ficam restando pouco sódio e cálcio; o próprio ferro ali
encontrado ainda é proveniente dos resíduos de sangue que ficam
retidos e coagulados nos tecidos musculares.
No
caso da doença do escorbuto, por exemplo, a Medicina explica que se
trata de uma “discrasia hemorrágica” proveniente da falta de
ingestão de vegetais ou frutas frescas, culminando em profunda
avitaminose. Antes de ser descoberta a carência vitamínica que
provocava escorbuto, os exércitos em campanhas, as caravanas de
longo percurso ou os marinheiros que passavam muito tempo no mar,
alimentados exclusivamente de carne, se dizimavam abatidos por essa
moléstia que lhes afetava a nutrição pela falta de vitamina C, a
qual só é pródiga nos frutos, legumes, cereais, tais como limão,
uvas, tomate, repolho cru, cebola ou espinafre.
É
evidente que, se a carne possuísse o teor vitamínico exato e
necessário ao organismo humano, o escorbuto não afetaria os
carnívoros, mas unicamente os vegetarianos. No entanto, o resultado
é diametralmente oposto, pois essa moléstia debela-se justamente
quando os doentes são tratados com frutas e vegetais frescos!
Não
há dúvida de que existem, principalmente entre os povos nômades da
Asia, pessoas que passam quase que exclusivamente a carne de
carneiro, cabrito ou caça selvagem; no entanto, eles são produtos
de um meio agreste, cuja vida é liberta do artificialismo da cozinha
das metrópoles; estão mais próximos da vida selvagem, que exige
nutrição mais primitiva, o que é mais uma prova de a alimentação
carnívora ser incompatível com o homem altamente civilizado ou de
sensibilidade espiritual.
É a
própria Medicina do vosso mundo que, após longas e exaustivas
pesquisas à procura dos elementos que produzem a fadiga no organismo
humano, firmou as conclusões que aconselham indiretamente ao homem o
abandono da carne.
Assim
é que se comprovou ser a fadiga produzida pelos venenos do corpo e
sob três causas distintas: a primeira, como um efeito das
modificações químicas que se processam nos músculos; a segunda,
conseqüente dos ácidos minerais e outras substâncias que exaurem o
homem e são ingeridos com a própria alimentação; a terceira,
conseqüente dos venenos excretados pelas bactérias proteolíticas,
que produzem a putrefação das proteínas não absorvidas pelo cólon
intestinal.
Ora, a
carne não é digerida completamente pelo homem numa porcentagem de
cinco a dez por cento, e se putrefaz acelerando o desenvolvimento da
amebíase, colite, irritações ou fístulas, porquanto nesse
processo de putrefação dominam o escatol e indol, como venenos
causadores da fadiga.
Os
alimentos carnívoros também sofrem grande perda de sua energia
vital durante a combustão interna, assim como acentuam a produção
de ácidos nocivos e que afetam o equilíbrio bioquímico intestinal,
fato do qual resulta a intoxicação de órgãos, tecidos e sangue,
com a presença do ácido úrico causador do artritismo.
A
alimentação vegetariana, portanto, é superior a qualquer regime
carnívoro, uma vez que os hidratos de carbono predominam nos
vegetais, constituindo-se em uma ótima fonte de energia para o bom
funcionamento dos músculos, principalmente com o uso da batata e
cereais, ou frutos doces, como a ameixa, uva, figo, pêra,
cana-de-açúcar, caqui, melancia e passas.
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