20.2.15

O SENTIMENTO SÁTVICO – Rolf Skarnitzl


A influência de sattva (as gunas da natureza são: sattva - harmonia, bondade e luz interior; rajas – atividade, desejo, cobiça; e tamas – indolência física, escuridão mental, crueldade) em sádhana (prática espiritual) é essencial, porque sattva abre o caminho para a iluminação. Por essa razão, o sádhaka (praticante) luta para manter sattva permanentemente em sua mente.

A guna rajas opera com mais frequência, uma vez que tendemos à extroversão, a voltar a mente para o exterior fascinados pelas coisas externas. A mente, nesse caso, se deleita com os objetos apresentados pelos sentidos. Por isso, rajas tende a ser a guna mais desenvolvida na maior parte das pessoas.

Se o sádhaka quer se livrar de suas tendências inferiores, ele deve estar atento à guna sattva e usá-la para “iluminar” sua personalidade. Ele deve empreender uma luta heróica contra o dragão (as tendências) que lança o veneno paralisante de tamas. O sucesso do sádhaka depende de como ele elimina a influência de tamas, uma vez que essa guna cobre a mente com sua escuridão.

Para isso, deve-se estar concentrado no interior de si mesmo. Para isso existem dois métodos: meditação e sentimento sátvico. A mente não pode estar permanentemente introvertida sem a prática regular de meditação. É necessário um esforço incessante; não é suficiente reservar alguns minutos para o sádhana e passar o resto do dia em autoindulgência.

A pessoa deve estar muito alerta e controlar a atividade dos fatores que exteriorizam a mente. Sempre que possível, ela deve ligar-se a pensamentos e sentimentos positivos e sátvicos. O sentimento sátvico é caracterizado por um sentimento de leveza, otimismo, luz interior, paz harmoniosa, entendimento sutil, ternura e emoções refinadas. O sentimento sátvico se manifesta quando encontramos as belezas da natureza, com suas flores e paisagens, quando admiramos a noite estrelada, quando vemos a ternura com que os pássaros alimentam seus filhotes, quando nos deparamos com uma obra de arte de imensa beleza ou quando ouvimos uma bela música.

Ele também surge quando experimentamos relacionamentos harmoniosos com outras pessoas, especialmente quando existe auxílio desinteressado de um para outro. Ou quando nos deparamos com uma sábia expressão da verdade, em que aspectos de verdade e justiça nos são revelados.

Mas surge principalmente quando avistamos a face de um ser sátvico ou estamos na presença de tal pessoa. Um forte estímulo sátvico também surge quando estudamos literatura espiritual ou as vidas de sábios e santos, que são expressão de seres sátvicos.

A oração é um modo muito bom de introduzir sentimento sátvico na mente. Sattva cresce na companhia de sádhakas avançados, e mais ainda na presença de santos e sábios. Com a prática fica mais fácil despertar o sentimento sátvico, e este começará a dominar o coração e mente do sádhaka. E isto é um sinal de maturidade.

Quanto mais o sádhaka desenvolve respeito, afeição, devotamento, compaixão e desejo de servir os seres humanos, mais sutil se torna sua personalidade e mais desapegado ele estará dos impulsos de rajas.

É importante lembrar-se constantemente da natureza do verdadeiro “Eu” da pessoa. O hábito de lembrar-se não é adquirido por mera decisão, mas sim o resultado de persistente esforço. O melhor método para se ganhar a consciência do supremo Eu é a autoindagação ensinada por Rámana Maharshi.

O sentimento sátvico contribui para a compreensão da Realidade, que é o objetivo da vida de todo sádhaka. Quando caminhamos pelo mundo e não desejamos ferir a ninguém, o sentimento sátvico é um guia simples e excelente para corrigir eventualmente o comportamento. Ele substitui vários volumes de livros que nos ensinam como agir em vários tipos de situações.

Se nossa mente está sintonizada com o sentimento sátvico, então o que fizermos estará em harmonia com a situação que vivenciamos. Esse equilíbrio emocional enche a personalidade com sentimentos de harmonia e paz.


*Nota: existem ainda outros métodos para desenvolver sattva, não citados pelo autor do artigo, quais sejam: pranayama, repetição de mantras, boas ações, ingestão de alimentos sátvicos (como frutas, leite e cereais) e abandono dos não-sátvicos (como por exemplo carne, álcool, drogas, alho, cebola), moderação e frugalidade na vida sexual, além de outras práticas de yoga.


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