A
influência de sattva
(as
gunas da natureza são: sattva
-
harmonia, bondade e luz interior; rajas
– atividade, desejo, cobiça; e tamas
– indolência física, escuridão mental, crueldade) em sádhana
(prática espiritual) é essencial, porque sattva abre o caminho para
a iluminação. Por essa razão, o sádhaka (praticante) luta para
manter sattva permanentemente em sua mente.
A guna
rajas opera com mais frequência, uma vez que tendemos à
extroversão, a voltar a mente para o exterior fascinados pelas
coisas externas. A mente, nesse caso, se deleita com os objetos
apresentados pelos sentidos. Por isso, rajas tende a ser a guna mais
desenvolvida na maior parte das pessoas.
Se o
sádhaka quer se livrar de suas tendências inferiores, ele deve
estar atento à guna sattva e usá-la para “iluminar” sua
personalidade. Ele deve empreender uma luta heróica contra o dragão
(as tendências) que lança o veneno paralisante de tamas. O sucesso
do sádhaka depende de como ele elimina a influência de tamas, uma
vez que essa guna cobre a mente com sua escuridão.
Para
isso, deve-se estar concentrado no interior de si mesmo. Para isso
existem dois métodos: meditação e sentimento sátvico. A mente não
pode estar permanentemente introvertida sem a prática regular de
meditação. É necessário um esforço incessante; não é
suficiente reservar alguns minutos para o sádhana e passar o resto
do dia em autoindulgência.
A
pessoa deve estar muito alerta e controlar a atividade dos fatores
que exteriorizam a mente. Sempre que possível, ela deve ligar-se a
pensamentos e sentimentos positivos e sátvicos. O sentimento sátvico
é caracterizado por um sentimento de leveza, otimismo, luz interior,
paz harmoniosa, entendimento sutil, ternura e emoções refinadas. O
sentimento sátvico se manifesta quando encontramos as belezas da
natureza, com suas flores e paisagens, quando admiramos a noite
estrelada, quando vemos a ternura com que os pássaros alimentam seus
filhotes, quando nos deparamos com uma obra de arte de imensa beleza
ou quando ouvimos uma bela música.
Ele
também surge quando experimentamos relacionamentos harmoniosos com
outras pessoas, especialmente quando existe auxílio desinteressado
de um para outro. Ou quando nos deparamos com uma sábia expressão
da verdade, em que aspectos de verdade e justiça nos são revelados.
Mas
surge principalmente quando avistamos a face de um ser sátvico ou
estamos na presença de tal pessoa. Um forte estímulo sátvico
também surge quando estudamos literatura espiritual ou as vidas de
sábios e santos, que são expressão de seres sátvicos.
A
oração é um modo muito bom de introduzir sentimento sátvico na
mente. Sattva cresce na companhia de sádhakas avançados, e mais
ainda na presença de santos e sábios. Com a prática fica mais
fácil despertar o sentimento sátvico, e este começará a dominar o
coração e mente do sádhaka. E isto é um sinal de maturidade.
Quanto
mais o sádhaka desenvolve respeito, afeição, devotamento,
compaixão e desejo de servir os seres humanos, mais sutil se torna
sua personalidade e mais desapegado ele estará dos impulsos de
rajas.
É
importante lembrar-se constantemente da natureza do verdadeiro “Eu”
da pessoa. O hábito de lembrar-se não é adquirido por mera
decisão, mas sim o resultado de persistente esforço. O melhor
método para se ganhar a consciência do supremo Eu é a
autoindagação ensinada por Rámana Maharshi.
O
sentimento sátvico contribui para a compreensão da Realidade, que é
o objetivo da vida de todo sádhaka. Quando caminhamos pelo mundo e
não desejamos ferir a ninguém, o sentimento sátvico é um guia
simples e excelente para corrigir eventualmente o comportamento. Ele
substitui vários volumes de livros que nos ensinam como agir em
vários tipos de situações.
Se
nossa mente está sintonizada com o sentimento sátvico, então o que
fizermos estará em harmonia com a situação que vivenciamos. Esse
equilíbrio emocional enche a personalidade com sentimentos de
harmonia e paz.
*Nota:
existem ainda outros métodos para desenvolver sattva, não citados
pelo autor do artigo, quais sejam: pranayama, repetição de mantras,
boas ações, ingestão de alimentos sátvicos (como frutas, leite e
cereais) e abandono dos não-sátvicos (como por exemplo carne, álcool, drogas,
alho, cebola), moderação e frugalidade na vida sexual, além de
outras práticas de yoga.
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