27.4.16

CONTROLE DAS ENERGIAS SEXUAIS – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Um discípulo pergunta sobre continência sexual, e a Mãe responde:

MÃE: Isso é bem conhecido nas disciplinas yóguicas na Índia, quando a pessoa começa a se tornar consciente de suas energias e ter controle sobre elas.  Você conhece a teoria dos diferentes chakras onde as energias são concentradas? Geralmente se diz que existem cinco. Mas o verdadeiro número é sete ou mesmo doze. Esses chakras são centros de acumulação de energia, energias que podem controlar certas atividades.

Assim, existe uma acumulação de energia no centro sexual, uma grande acumulação de energia, e aqueles que têm controle sobre estas energias conseguem dominá-las e fazê-las subir, e as colocam aqui (a Mãe aponta para o chakra do peito). E aqui está o centro das energias do progresso. Esse é o que é chamado de assento de Agni (fogo) mas são as energias da evolução, a vontade de evoluir, que estão aqui.

Assim as energias concentradas no centro sexual são levadas para cima e colocadas aqui. E elas aumentam consideravelmente, de modo que o centro sexual se torna absolutamente calmo, imóvel.

Em vez de deixar as energias em lugares onde elas não são desejadas, a pessoa as leva para lugares onde são úteis, e as usa para sua evolução, sua transformação.

Tudo isso é o resultado de uma prática paciente, assídua; não é feito de qualquer modo, pensando em outras coisas ou brincando. Deve haver disciplinas. Naturalmente, quando a pessoa domina a obra, ela se torna muito interessante. 

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O ÁLCOOL E O TABACO – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Pergunta: Por que o tabaco e o álcool destroem a memória e a força de vontade?

MÃE: Por que? É um fato. Existe um veneno no álcool, existe um veneno no tabaco; e esse veneno chega até as células e as danifica. O álcool nunca é expelido; ele se acumula em certa parte do cérebro, e então, após a acumulação, essas células não mais funcionam. Algumas pessoas até enlouquecem por causa dele, o que é chamado de delirium tremens, o resultado de ter engolido tanto álcool que não é absorvido, mas permanece assim concentrado no cérebro. Conheci pessoas que por tomar muito vinho tiveram desordens cerebrais, o cérebro não funcionava mais.

E a nicotina é um veneno muito sério, que destrói as células. Quando a pessoa fuma pela primeira vez, ela fica doente. Isso é um aviso de que não se deve fumar. Mas as pessoas pensam que é uma fraqueza e continuam até se acostumarem ao veneno. E aí o corpo não mais reage, ele se permite ser destruído sem reagir: você se liberta da reação.

Acontece o mesmo moralmente. Quando você faz algo que não deveria fazer e sua consciência lhe diz em sua pequena voz para não fazê-lo, e mesmo assim você o faz, após um tempo não mais ouvirá a consciência, e não mais terá reações interiores em absoluto contra suas más ações, porque se recusou a ouvir a voz quando ela falava com você. E então, naturalmente, você vai de mal a pior e cai no buraco.

Bem, com o tabaco é a mesma coisa: na primeira vez o corpo reage violentamente, ele vomita e diz a você: “Não quero isso de jeito nenhum.” Você o obriga com sua estupidez mental, você o força a aceitar; e o corpo já não mais reage e se deixa ser envenenado gradualmente até decompor-se. O funcionamento se deteriora; os nervos são afetados; não mais transmitem a vontade. E por fim a pessoa começa a tremer, tem movimentos desordenados.

E ficam assim apenas porque cometeram excessos: beberam e fumaram. E quando levantam um objeto, suas mãos tremem. É isso o que conseguem com os vícios.

O QUE É DEUS – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




respondendo a uma pergunta feita por um discípulo, a Mãe diz:

Tudo depende do significado que você coloca na palavra “Deus”. É uma palavra que expressa “algo” que você não conhece, mas está tentando alcançar.

Se você recebeu uma educação religiosa, está acostumado a chamar isso de “Deus”. Se recebeu uma educação mais positivista e filosófica, está acostumado a chamar isto por todo tipo de nomes, e pode ter ao mesmo tempo a ideia de que é a suprema verdade.

A realidade é distante demais da nossa compreensão, e chamamos de Deus. Algumas religiões dão uma forma precisa à divindade; e às vezes dão várias formas e têm vários deuses; às vezes dão apenas uma forma e têm apenas um Deus; mas tudo isso é fabricação humana.

Existe “algo”, existe uma realidade que está além de todas as nossas expressões, mas que podemos contatar praticando uma disciplina. Podemos nos identificar com ela. Quando a pessoa se identifica com essa realidade, ela sabe o que é, mas não pode expressá-la, pois as palavras não podem dizê-la.

Portanto, se você usar um tipo de vocabulário, se tiver uma convicção mental particular, você usará o vocabulário correspondente àquela convicção. Se pertencer a outro grupo que tem outra maneira de falar, você falará e pensará sobre essa realidade daquele modo.

Existe algo que não pode ser apreendido pelo pensamento, mas que existe. Mas o nome que você dá a isso pouco importa, nada importa, esse “algo” existe. Assim, a única coisa a fazer é entrar em contato com isso – não dar um nome ou descrever. Na verdade não serve para nada dar um nome ou descrever. A pessoa deve entrar em contato, concentrar-se sobre esse “algo”, vivê-lo, e se tiver a experiência não importa o nome que se dá. Apenas a experiência importa.

E quando as pessoas associam a experiência com uma expressão particular – de um modo tão estreito, tão fechado em si mesmo – isso é uma inferioridade. A pessoa deve ser capaz de viver essa realidade através de todos os caminhos possíveis, todas as ocasiões; deve-se vivê-la, pois ela é o supremo bem, é todo-poderosa, é onisciente... Sim, você pode vivê-la, mas não pode falar sobre ela. E se falar, o que é dito não tem grande importância. É apenas uma maneira de expressão, eis tudo.

Existe uma linha de filósofos que substituíram a noção de Deus pela noção de um Absoluto impessoal ou pela noção da Verdade ou a noção de Justiça, ou até mesmo a noção de progresso – de algo eternamente progressivo; mas para quem tem a capacidade interior de identificar-se com aquilo, o que é dito não tem muita importância.

Às vezes a pessoa pode ler todo um livro de filosofia e não progredir nenhum passo. Às vezes a pessoa pode ser um fervoroso devoto de uma religião e não progredir. Há pessoas que passam muitas vidas sentados em contemplação e nada alcançam.

Há pessoas (e temos exemplos bem conhecidos) que costumavam fazer os mais modestos trabalhos manuais, como um sapateiro remendando sapatos velhos, e que tiveram a experiência.

Isso está totalmente além do que se pensa ou diz. É uma dádiva, eis tudo. E tudo que é necessário fazer é conseguir identificar-se com essa realidade e vivê-la. Às vezes você lê uma sentença num livro e ela te leva lá. Às vezes você lê livros inteiros de filosofia ou religião e esses livros não te levam a lugar algum.

Entretanto há pessoas para quem a leitura de livros de filosofia ajuda a seguir em frente. Mas todas essas coisas são secundárias. Existe apenas uma coisa que é importante: uma vontade sincera e persistente, pois essas coisas não acontecem num piscar de olhos. É preciso perseverar.

Quando alguém sente que não está avançando, não deve se desencorajar; deve tentar encontrar o que está se opondo na natureza, e então fazer o progresso necessário. E de repente se faz um progresso. E quando se chega ao final, você tem uma experiência.

E o que é impressionante é que pessoas que seguem diferentes caminhos, com construções mentais totalmente diferentes, do maior crente ao maior ateu, até mesmo materialistas, têm chegado a essa mesma experiência, ela é a mesma para cada um. Porque é o verdadeiro, porque é real, porque é a única realidade.

E é total e simplesmente “aquilo”. Nada mais posso dizer. Porque palavras não têm importância. O importante é seguir o caminho, seu caminho, não importa qual seja, para chegar lá.


22.4.16

RAMATIS - O governo e as ansiedades do povo

Pergunta: - Por que os sistemas de governo, do nosso mundo, não correspondem integralmente às ansiedades dos povos governados?
            Ramatís: - Conforme conceitua a Lei Espiritual, "a cada um será dado segundo as suas obras", assim, também justifica-se perfeitamente o velho refrão popular, de que "o povo tem o governo que merece"! A humanidade terrícola ainda é insatisfeita e turbulenta, dividida em agrupamentos nacionalistas adversos, doutrinas religiosas e credos separativistas, a defender interesses exclusivos em conflitos recíprocos.
            Os povos gritam e protestam contra os seus dirigentes, tachando-os de políticos ambiciosos, corruptos ou venais, porque eles não lhes satisfazem integralmente as pretensões pessoais! Mas esquecem-se de que são governados por homens da mesma fonte humana, ou gerados no meio-ambiente, os quais apenas refletem as idiossincrasias do todo que é governado. Os eleitores elegem os seus dirigentes por sua livre e espontânea vontade; no entanto, grande parte desse quadro eleitoral avilta-se nos conchavos, perfídias e estratagemas censuráveis a fim de eleger o seu candidato simpático, ou que fez as melhores promessas! Evidentemente, num clima de desonestidade, ambições e interesses de grupos, jamais surgirá um candidato isento de qualquer falha ou defeito, porque ele representa a síntese dos seus próprios eleitores!
            Os mandatários são produtos do próprio meio que governam, proporcionando os frutos segundo o tipo de adubo do terreno onde se nutrem!
           É de senso-comum que a saúde de um conjunto depende da saúde das partes; em conseqüência, o equilíbrio, a harmonia e a eficiência de um sistema político, social, cultural, religioso ou filosófico, terá de depender, fundamentalmente, das condições sadias das partes!
            Assim, os governados não podem criticar os seus governos, pois eles constituem-se na cobertura ou superestrutura dos valores positivos e negativos do próprio povo a que estão vinculados. Muitas vezes, os indivíduos de certo sistema político exigem um governo perfeito dentro de um ambiente em que praticam e consentem as mais censuráveis relações ilícitas de ordem comercial, política ou moral. Agiotas, proxenetas, ladravazes, mistificadores, hipócritas, prostitutas, avarentos, falsários, sonegadores, imorais, fanáticos, subversivos, homicidas, alcoólatras e outros viciados não se pejam de censurar e arrasar o governo a que deram o seu voto, exigindo um homem iluminado no seio da própria abominação!
            Há quem critica a administração pública junto à mesa regada a álcool dos ambientes prostituídos; aqui, o negociante acusa severamente a inescrupulosidade do governo, enquanto rouba furtivamente no peso da mercadoria comprada pelo freguês; ali, o cidadão se enfurece exigindo mais assistência pública, enquanto sonega o fisco e o imposto de renda; acolá, comenta-se a negociata dos representantes do governo, ouvindo-se o rádio adquirido de contrabando! Então exige-se dos responsáveis administrativos o máximo de perfeição, enquanto, sub-repticiamente, praticam-se atividades ilícitas e censuráveis pela moral comum!
            Evidentemente, pouco importa a natureza dos sistemas políticos e doutrinários do mundo que eles governam, sejam fascistas, democratas, capitalistas, nazistas, comunistas ou socialistas, caso os homens que os compõem ainda são ineptos, imorais, desonestos, agiotas, fanáticos, racistas. viciados e maldosos! Assim como o vinho azedo não se modifica para melhor qualidade pela simples troca de rótulo, o mundo jamais logrará o seu equilíbrio mudando de sistemas políticos, ou etiquetas "salvacionistas" que não melhoram o conteúdo humano! Daí a ascendência do sistema "Evangelho", fruto de uma vivência da maior fidelidade ao gênero humano, o qual é o denominador comum de um estado de espírito superior, como é o Amor, acima de qualquer interesse político ou doutrinário!