Pergunta: - Por que
os sistemas de governo, do nosso mundo, não correspondem
integralmente às ansiedades dos povos governados?
Ramatís: -
Conforme conceitua a Lei Espiritual, "a cada um será dado
segundo as suas obras", assim, também justifica-se
perfeitamente o velho refrão popular, de que "o povo tem o
governo que merece"! A humanidade terrícola ainda é
insatisfeita e turbulenta, dividida em agrupamentos nacionalistas
adversos, doutrinas religiosas e credos separativistas, a defender
interesses exclusivos em conflitos recíprocos.
Os
povos gritam e protestam contra os seus dirigentes, tachando-os de
políticos ambiciosos, corruptos ou venais, porque eles não lhes
satisfazem integralmente as pretensões pessoais! Mas esquecem-se de
que são governados por homens da mesma fonte humana, ou gerados no
meio-ambiente, os quais apenas refletem as idiossincrasias do todo
que é governado. Os eleitores elegem os seus dirigentes por sua
livre e espontânea vontade; no entanto, grande parte desse quadro
eleitoral avilta-se nos conchavos, perfídias e estratagemas
censuráveis a fim de eleger o seu candidato simpático, ou que fez
as melhores promessas! Evidentemente, num clima de desonestidade,
ambições e interesses de grupos, jamais surgirá um candidato
isento de qualquer falha ou defeito, porque ele representa a síntese
dos seus próprios eleitores!
Os
mandatários são produtos do próprio meio que governam,
proporcionando os frutos segundo o tipo de adubo do terreno onde se
nutrem!
É de
senso-comum que a saúde de um conjunto depende da saúde das partes;
em conseqüência, o equilíbrio, a harmonia e a eficiência de um
sistema político, social, cultural, religioso ou filosófico, terá
de depender, fundamentalmente, das condições sadias das partes!
Assim, os governados não
podem criticar os seus governos, pois eles constituem-se na cobertura
ou superestrutura dos valores positivos e negativos do próprio povo
a que estão vinculados. Muitas vezes, os indivíduos de certo
sistema político exigem um governo perfeito dentro de um ambiente em
que praticam e consentem as mais censuráveis relações ilícitas de
ordem comercial, política ou moral. Agiotas, proxenetas, ladravazes, mistificadores, hipócritas, prostitutas, avarentos,
falsários, sonegadores, imorais, fanáticos, subversivos, homicidas,
alcoólatras e outros viciados não se pejam de censurar e arrasar o
governo a que deram o seu voto, exigindo um homem iluminado no seio
da própria abominação!
Há
quem critica a administração pública junto à mesa regada a álcool
dos ambientes prostituídos; aqui, o negociante acusa severamente a
inescrupulosidade do governo, enquanto rouba furtivamente no peso da
mercadoria comprada pelo freguês; ali, o cidadão se enfurece
exigindo mais assistência pública, enquanto sonega o fisco e o
imposto de renda; acolá, comenta-se a negociata dos representantes
do governo, ouvindo-se o rádio adquirido de contrabando! Então
exige-se dos responsáveis administrativos o máximo de perfeição,
enquanto, sub-repticiamente, praticam-se atividades ilícitas e
censuráveis pela moral comum!
Evidentemente, pouco
importa a natureza dos sistemas políticos e doutrinários do mundo
que eles governam, sejam fascistas, democratas, capitalistas,
nazistas, comunistas ou socialistas, caso os homens que os compõem
ainda são ineptos, imorais, desonestos, agiotas, fanáticos,
racistas. viciados e maldosos! Assim como o vinho azedo não se
modifica para melhor qualidade pela simples troca de rótulo, o mundo
jamais logrará o seu equilíbrio mudando de sistemas políticos, ou
etiquetas "salvacionistas" que não melhoram o conteúdo
humano! Daí a ascendência do sistema "Evangelho", fruto
de uma vivência da maior fidelidade ao gênero humano, o qual é o
denominador comum de um estado de espírito superior, como é o Amor,
acima de qualquer interesse político ou doutrinário!
Nenhum comentário:
Postar um comentário