22.4.16

RAMATIS - O governo e as ansiedades do povo

Pergunta: - Por que os sistemas de governo, do nosso mundo, não correspondem integralmente às ansiedades dos povos governados?
            Ramatís: - Conforme conceitua a Lei Espiritual, "a cada um será dado segundo as suas obras", assim, também justifica-se perfeitamente o velho refrão popular, de que "o povo tem o governo que merece"! A humanidade terrícola ainda é insatisfeita e turbulenta, dividida em agrupamentos nacionalistas adversos, doutrinas religiosas e credos separativistas, a defender interesses exclusivos em conflitos recíprocos.
            Os povos gritam e protestam contra os seus dirigentes, tachando-os de políticos ambiciosos, corruptos ou venais, porque eles não lhes satisfazem integralmente as pretensões pessoais! Mas esquecem-se de que são governados por homens da mesma fonte humana, ou gerados no meio-ambiente, os quais apenas refletem as idiossincrasias do todo que é governado. Os eleitores elegem os seus dirigentes por sua livre e espontânea vontade; no entanto, grande parte desse quadro eleitoral avilta-se nos conchavos, perfídias e estratagemas censuráveis a fim de eleger o seu candidato simpático, ou que fez as melhores promessas! Evidentemente, num clima de desonestidade, ambições e interesses de grupos, jamais surgirá um candidato isento de qualquer falha ou defeito, porque ele representa a síntese dos seus próprios eleitores!
            Os mandatários são produtos do próprio meio que governam, proporcionando os frutos segundo o tipo de adubo do terreno onde se nutrem!
           É de senso-comum que a saúde de um conjunto depende da saúde das partes; em conseqüência, o equilíbrio, a harmonia e a eficiência de um sistema político, social, cultural, religioso ou filosófico, terá de depender, fundamentalmente, das condições sadias das partes!
            Assim, os governados não podem criticar os seus governos, pois eles constituem-se na cobertura ou superestrutura dos valores positivos e negativos do próprio povo a que estão vinculados. Muitas vezes, os indivíduos de certo sistema político exigem um governo perfeito dentro de um ambiente em que praticam e consentem as mais censuráveis relações ilícitas de ordem comercial, política ou moral. Agiotas, proxenetas, ladravazes, mistificadores, hipócritas, prostitutas, avarentos, falsários, sonegadores, imorais, fanáticos, subversivos, homicidas, alcoólatras e outros viciados não se pejam de censurar e arrasar o governo a que deram o seu voto, exigindo um homem iluminado no seio da própria abominação!
            Há quem critica a administração pública junto à mesa regada a álcool dos ambientes prostituídos; aqui, o negociante acusa severamente a inescrupulosidade do governo, enquanto rouba furtivamente no peso da mercadoria comprada pelo freguês; ali, o cidadão se enfurece exigindo mais assistência pública, enquanto sonega o fisco e o imposto de renda; acolá, comenta-se a negociata dos representantes do governo, ouvindo-se o rádio adquirido de contrabando! Então exige-se dos responsáveis administrativos o máximo de perfeição, enquanto, sub-repticiamente, praticam-se atividades ilícitas e censuráveis pela moral comum!
            Evidentemente, pouco importa a natureza dos sistemas políticos e doutrinários do mundo que eles governam, sejam fascistas, democratas, capitalistas, nazistas, comunistas ou socialistas, caso os homens que os compõem ainda são ineptos, imorais, desonestos, agiotas, fanáticos, racistas. viciados e maldosos! Assim como o vinho azedo não se modifica para melhor qualidade pela simples troca de rótulo, o mundo jamais logrará o seu equilíbrio mudando de sistemas políticos, ou etiquetas "salvacionistas" que não melhoram o conteúdo humano! Daí a ascendência do sistema "Evangelho", fruto de uma vivência da maior fidelidade ao gênero humano, o qual é o denominador comum de um estado de espírito superior, como é o Amor, acima de qualquer interesse político ou doutrinário!



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