É muito fácil falar
sobre o caminho de Buddha, porque é muito lógico, muito simples, na verdade. É um
processo que leva um longo tempo. Os métodos que Gautama deu às pessoas são
para serem completados em algumas vidas. Você pode claramente ver isso hoje, o
Budismo está sempre falando sobre isso, particularmente o Budismo tibetano, que
é o Budismo mais conhecido no mundo atualmente. Eles estão sempre falando nesse
trabalho espiritual que deve durar algumas vidas.
Então, se você tiver
paciência, se está disposto a um trabalho que dure algumas vidas, o caminho de
Buddha é muito eficiente, pois é lógico, científico, um processo passo a passo
que uma pessoa pode seguir, porque esse é um caminho do “estar consciente”.
O importante de
seguir o caminho da consciência é que existem marcos à medida que você segue. Você
conta: uma milha, duas milhas, três milhas... É um caminho que lhe diz onde
você está. Este é o aspecto mais importante. Ele lhe diz que mesmo sem muita
confiança ou devoção, você pode evoluir, porque tem um método ao qual se
apegar. Um método que lhe diz: continue fazendo isto, fazendo aquilo... Ele
claramente lhe mostra que está progredindo.
Mas com Shiva não
existe esta garantia. Ele não fixa marcos no caminho, você não sabe se está
seguindo adiante ou voltando. Mas está indo para algum lugar, isso é tudo que
você sabe.
É como cair num
abismo sem fundo. Isso soa assustador. Quero que entendam: um abismo sem fundo
é o lugar mais seguro para se cair. Um abismo que tem fundo é perigoso, mas um
abismo sem fundo é absolutamente seguro, você simplesmente cairá.
Não entenda a queda
como algo negativo. A queda é algo muito bom. Só quando se atinge o fundo é que
é ruim. Não há problema em cair num abismo sem fundo. Assim, Shiva é um abismo
sem fundo. Seus métodos são muito diferentes, aos seus sete discípulos, os sete
rishis antigos, ele ensinou sete caminhos básicos nos quais os seres humanos
podem explorar sua consciência. Destes sete, em múltiplos de sete, eles se
multiplicaram em 112 caminhos que Shiva explorou. E disse: “Isso é tudo”.
Assim Shiva expôs
112 caminhos pelos quais o ser humano pode alcançar seu máximo de
desenvolvimento. E estes 112 caminhos correspondem aos 112 chakras do corpo. Existem
114 chakras, mas dois deles estão fora do corpo. Shiva deixou estes dois de
lado e disse: “Cento e doze caminhos para a autorrealização, enquanto se está
no corpo.”
Isso significa que
cada chakra do corpo é um caminho particular de realização. Assim ele não
deixou nada de fora, de modo que Buddha é uma pequena parte do trabalho de
Shiva.
O próprio Buddha,
nos oito anos de seu sádhana, ele os passou na companhia de vários mestres em
toda a Índia. E todo esse processo espiritual do Budismo veio essencialmente de
Shiva. Em qualquer lugar do mundo, a essência dos ensinamentos espirituais, que
se apresentam sob tão diferentes formas, veio de um ou outro dos 112 caminhos
ensinados por Shiva.
Por isso não é
correto discutir a diferença entre Buddha e Shiva, mas sim qual aspecto de
Shiva Buddha explorou. Buddha explorou o caminho do “estar consciente”, que é
um dos aspectos dos ensinamentos de Shiva. Gautama é muito científico, clínico,
seus ensinamentos apelam à mente lógica.
Buddha
Mas Shiva é
diferente. Muitas vezes se apresenta como asceta, outras como um louco,
dançarino, bêbado, em todo tipo de estado mental, porque ele não se limita a
qualquer dimensão particular. Ele simplesmente explora cada aspecto da vida.
Então o que chamamos
caminho de Buddha é apenas um aspecto dos 112 caminhos de Shiva. E muitos
outros mestres revelaram em seus ensinamentos outros aspectos desses 112
caminhos.
E dos sete
discípulos de Shiva, os sete rishis, aquele que foi para o Sul da Índia, isto
é, ao sul dos Himalayas, foi Agástya, e se tornou particularmente ativo ao sul
das montanhas Vindhyas. Agástya se fez conhecido no sul de tal modo, que tocou
cada habitação humana ali.
Em qualquer cidade
que se vá dessa região, pode-se ouvir algo a respeito de Agástya Muni. Ele começou
esse trabalho de rejuvenescimento rural, não deixou uma única habitação sem
levar ali a espiritualidade e os processos espirituais.
Dizem que Agástya
viveu quatro mil anos, não sabemos quantos anos ele viveu, mas definitivamente
sua vida não teve uma duração normal. Ele teve uma vida extraordinariamente
longa, uma vez que percorreu a pé vila por vila. Não sabemos se sua vida durou
400 ou 4.000 anos, mas é certo que tornou o processo espiritual uma realidade
para as pessoas.
Ainda hoje estamos
colhendo os benefícios de seu trabalho na Índia do Sul. Ele trouxe o yoga para
a vida das pessoas, sem um rótulo de religião, sem um formato. Simplesmente como
um processo de vida.
Se você observar
cada processo de evolução espiritual, em qualquer lugar do planeta, verá que
não está fora dos 112 caminhos de Shiva. Por isso não é possível comparar
Gautama com Shiva. Tenho um grande respeito por Gautama. Sem dúvida, ele é um
Grande Ser, seu trabalho é fantástico. Ele iniciou uma grande onda espiritual
que ainda segue em frente após 2.500 anos.
Tudo que se pode
dizer é: o trabalho de Shiva contém o trabalho de Gautama como um pequeno
elemento que significa menos de 1%, porque dos 112 caminhos de Shiva Gautama
explorou um.
Mas o importante é
que Gautama o explorou com perfeição e fez com que milhões de pessoas tomassem
esse caminho. Devemos propagar os ensinamentos de Shiva, embora Shiva não
esteja preocupado em ser popular, ele não quer propaganda para si mesmo.
Shiva deu seus
ensinamentos aos sete rishis há 40 ou 60 mil anos atrás, e após esses 60 mil
anos Shiva ainda está presente e atuante na humanidade.
Sadhguru
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