24.9.17

O CAMINHO DE SHIVA E O CAMINHO DE BUDDHA – Sadhguru


É muito fácil falar sobre o caminho de Buddha, porque é muito lógico, muito simples, na verdade. É um processo que leva um longo tempo. Os métodos que Gautama deu às pessoas são para serem completados em algumas vidas. Você pode claramente ver isso hoje, o Budismo está sempre falando sobre isso, particularmente o Budismo tibetano, que é o Budismo mais conhecido no mundo atualmente. Eles estão sempre falando nesse trabalho espiritual que deve durar algumas vidas.

Então, se você tiver paciência, se está disposto a um trabalho que dure algumas vidas, o caminho de Buddha é muito eficiente, pois é lógico, científico, um processo passo a passo que uma pessoa pode seguir, porque esse é um caminho do “estar consciente”.

O importante de seguir o caminho da consciência é que existem marcos à medida que você segue. Você conta: uma milha, duas milhas, três milhas... É um caminho que lhe diz onde você está. Este é o aspecto mais importante. Ele lhe diz que mesmo sem muita confiança ou devoção, você pode evoluir, porque tem um método ao qual se apegar. Um método que lhe diz: continue fazendo isto, fazendo aquilo... Ele claramente lhe mostra que está progredindo.

Mas com Shiva não existe esta garantia. Ele não fixa marcos no caminho, você não sabe se está seguindo adiante ou voltando. Mas está indo para algum lugar, isso é tudo que você sabe.

É como cair num abismo sem fundo. Isso soa assustador. Quero que entendam: um abismo sem fundo é o lugar mais seguro para se cair. Um abismo que tem fundo é perigoso, mas um abismo sem fundo é absolutamente seguro, você simplesmente cairá.

Não entenda a queda como algo negativo. A queda é algo muito bom. Só quando se atinge o fundo é que é ruim. Não há problema em cair num abismo sem fundo. Assim, Shiva é um abismo sem fundo. Seus métodos são muito diferentes, aos seus sete discípulos, os sete rishis antigos, ele ensinou sete caminhos básicos nos quais os seres humanos podem explorar sua consciência. Destes sete, em múltiplos de sete, eles se multiplicaram em 112 caminhos que Shiva explorou. E disse: “Isso é tudo”.

Assim Shiva expôs 112 caminhos pelos quais o ser humano pode alcançar seu máximo de desenvolvimento. E estes 112 caminhos correspondem aos 112 chakras do corpo. Existem 114 chakras, mas dois deles estão fora do corpo. Shiva deixou estes dois de lado e disse: “Cento e doze caminhos para a autorrealização, enquanto se está no corpo.”

Isso significa que cada chakra do corpo é um caminho particular de realização. Assim ele não deixou nada de fora, de modo que Buddha é uma pequena parte do trabalho de Shiva.
O próprio Buddha, nos oito anos de seu sádhana, ele os passou na companhia de vários mestres em toda a Índia. E todo esse processo espiritual do Budismo veio essencialmente de Shiva. Em qualquer lugar do mundo, a essência dos ensinamentos espirituais, que se apresentam sob tão diferentes formas, veio de um ou outro dos 112 caminhos ensinados por Shiva.

Por isso não é correto discutir a diferença entre Buddha e Shiva, mas sim qual aspecto de Shiva Buddha explorou. Buddha explorou o caminho do “estar consciente”, que é um dos aspectos dos ensinamentos de Shiva. Gautama é muito científico, clínico, seus ensinamentos apelam à mente lógica.

Resultado de imagem para buddha  Buddha

Mas Shiva é diferente. Muitas vezes se apresenta como asceta, outras como um louco, dançarino, bêbado, em todo tipo de estado mental, porque ele não se limita a qualquer dimensão particular. Ele simplesmente explora cada aspecto da vida.

Então o que chamamos caminho de Buddha é apenas um aspecto dos 112 caminhos de Shiva. E muitos outros mestres revelaram em seus ensinamentos outros aspectos desses 112 caminhos.

E dos sete discípulos de Shiva, os sete rishis, aquele que foi para o Sul da Índia, isto é, ao sul dos Himalayas, foi Agástya, e se tornou particularmente ativo ao sul das montanhas Vindhyas. Agástya se fez conhecido no sul de tal modo, que tocou cada habitação humana ali.

Em qualquer cidade que se vá dessa região, pode-se ouvir algo a respeito de Agástya Muni. Ele começou esse trabalho de rejuvenescimento rural, não deixou uma única habitação sem levar ali a espiritualidade e os processos espirituais.

Dizem que Agástya viveu quatro mil anos, não sabemos quantos anos ele viveu, mas definitivamente sua vida não teve uma duração normal. Ele teve uma vida extraordinariamente longa, uma vez que percorreu a pé vila por vila. Não sabemos se sua vida durou 400 ou 4.000 anos, mas é certo que tornou o processo espiritual uma realidade para as pessoas.

Ainda hoje estamos colhendo os benefícios de seu trabalho na Índia do Sul. Ele trouxe o yoga para a vida das pessoas, sem um rótulo de religião, sem um formato. Simplesmente como um processo de vida.

Se você observar cada processo de evolução espiritual, em qualquer lugar do planeta, verá que não está fora dos 112 caminhos de Shiva. Por isso não é possível comparar Gautama com Shiva. Tenho um grande respeito por Gautama. Sem dúvida, ele é um Grande Ser, seu trabalho é fantástico. Ele iniciou uma grande onda espiritual que ainda segue em frente após 2.500 anos.

Tudo que se pode dizer é: o trabalho de Shiva contém o trabalho de Gautama como um pequeno elemento que significa menos de 1%, porque dos 112 caminhos de Shiva Gautama explorou um.

Mas o importante é que Gautama o explorou com perfeição e fez com que milhões de pessoas tomassem esse caminho. Devemos propagar os ensinamentos de Shiva, embora Shiva não esteja preocupado em ser popular, ele não quer propaganda para si mesmo.

Shiva deu seus ensinamentos aos sete rishis há 40 ou 60 mil anos atrás, e após esses 60 mil anos Shiva ainda está presente e atuante na humanidade.

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