24.3.20

SOBRE KRISHNAMURTI – Sadhguru



Jiddu Krishnamurti nasceu numa vila chamada Madanapale. Eu estive na casa onde ele nasceu e viveu. Um belo lugar. A casa é mantida hoje como um monumento dedicado a ele. No fim do século 19 e começo do século 20, a teosofia espalhou-se por todo o mundo. Esse movimento foi iniciado por Madame Blavatsky, que era uma mulher muito culta e mística.

Nessa época muitos britânicos e outros europeus, buscadores do misticismo, viajavam à Índia para explorar a vida mística, entre eles estava Max Muller, Paul Brunton e outros. Naquela época era uma aventura, você tinha que viajar a cavalo, tinha que pedir informações a pessoas, encontrar o guru adequado etc.

Madame Blavatsky foi ao Tibete, depois veio à Índia e finalmente estabeleceu a sede mundial da teosofia no Sul do país, em Adyar, e ali o sonho dos teósofos era produzir o ser perfeito. Os teósofos na Índia conseguiram organizar a mais fantástica biblioteca do mundo, onde juntaram todo tipo de livro sobre o ocultismo.

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Teósofos como Annie Besant e Leadbeater possuíam um brilhante intelecto, sem dúvida, no entanto não tinham realização interior. Então começaram a procurar um corpo apropriado que seria usado pelo Instrutor do Mundo (Maitreya), e puseram Krishnamurti num treinamento severo para prepara-lo, inclusive com técnicas de meditação, e ele se tornou um fantástico ser humano.

Quando Krishnamurti tinha 27 ou 28 anos, a Sociedade Teosófica decidiu anunciar ao mundo que nele se manifestaria o Instrutor Mundial, que o instrutor perfeito tinha chegado. As pessoas ficaram muito interessadas em Krishnamurti.

Krishnamurti então lhes disse: “Eu não sou o Instrutor do Mundo.” E com isso toda a Sociedade Teosófica desmoronou. Ele teve a coragem, o bom-senso e a sabedoria de dizer: “Eu não sou”. A grande maioria das pessoas diria: “Sou a reencarnação de Buddha, Jesus” e tudo o mais. Mas ele teve o bom-senso de dizer: “Não sou isso que estão tentando me tornar”.

Em seguida abandonou o movimento teosófico e começou a dar palestras, era um brilhante orador. Quando falava, encantava as pessoas. Falava de um modo completamente mágico.
Quando eu tinha 18 anos, alguém me convidou para assistir a algumas de suas palestras em vídeo. Era um grupo de estudos. As pessoas diziam: “Você tem que ler Krishnamurti”. Nos círculos intelectuais da Índia, se você não lesse Krishnamurti, Kirkegaard e Dostoievsky, era considerado uma pessoa sem cérebro. Era a moda.

Às segundas-feiras passavam vídeos de Krishnamurti, liam seus livros. Alguns amigos me convidaram e eu fui. Quando o vi, percebi imediatamente sua integridade, que era notável. Não li seus livros, apenas assisti aos vídeos. Na verdade eu não tinha tempo de ler as palavras de ninguém. A vida me chamava o tempo todo. Por isso não tinha tempo de ouvir meus pais, meus professores ou Krishnamurti. Então deixei o círculo de estudos e segui minha vida.

Frequentei esse grupo durante cinco segundas-feiras, durante uma hora e meia cada. Depois do vídeo, começavam a discutir seus ensinamentos, e tudo acabava numa grande confusão, porque ninguém entendia o que ele dizia. Ele se recusava a usar qualquer método, qualquer exemplo, qualquer parábola ou história, nada. Apenas análise, dissecação. Isto é chamado Jnana Marga, o caminho do intelecto.

Dos sete bilhões de pessoas desse planeta, se você encontrar dez mil pessoas que têm esse tipo de intelecto cortante e analítico, que pode seguir analisando cada coisa... eu creio que você não vai encontrar dez mil pessoas assim. Talvez você encontre mil pessoas, e essas mil talvez não estejam interessadas no processo espiritual, talvez estejam interessadas em usar seu intelecto em coisas materiais.

Ao redor de Krishnamurti todos podiam sentir que aquele homem era especial, mas ninguém entendia o que ele falava, porque ele se recusava a fazer o papel de guru, ele se recusava a iniciar alguém, se recusava a usar qualquer tipo de método, qualquer tipo de processo.

Ele disse: “De qualquer maneira a iluminação acontecerá”. É verdade. Ela acontecerá, mas talvez após um milhão de vidas. Então, se você tiver pressa, deve ter aquele tipo de intelecto, que é raro. Ou então deve usar seus outros instrumentos, que são o corpo, a energia, as emoções, todas essas coisas. Krishnamurti podia com seu intelecto chegar àquelas verdades, mas ninguém mais podia.

Ele era um fantástico ser humano. Enquanto estava nesse mundo, podia-se sentir a fragrância. Quando se foi, só ficaram os livros, porque não havia um processo vivo.

Um amigo meu disse sobre Krishnamurti: “Quando entrei na sala onde estava dando uma palestra, senti que adentrei um muro de amor. Esse sentimento bateu em minha face”.

As pessoas nunca associam Krishnamurti ao amor. Ele não era um homem que demonstrava seus sentimentos. Era rígido, sério, definitivamente não parecia amoroso, mas era amoroso, absolutamente compassivo. Suas palavras eram como facas: analisavam, dissecavam.

O próprio Krishnamurti não queria que as pessoas se apoiassem nele. Dizia que se se apoiassem ficariam presas. Se houvesse no mundo um milhão de mentes puramente racionais, esse método seria fabuloso para se seguir. Mas nesse mundo as pessoas ainda não estão preparadas para isso. É um belo processo espiritual, mas...

Krishnamurti era como uma flor. Sua fragrância foi sentida enquanto estava neste mundo. Suas palavras são boas se você quiser usa-las como um tipo de exercício intelectual. Se puder entender algo, elas são uteis, brilhantes.



13.3.20

TAPASYA: COMO QUEIMAR AS SEMENTES KÁRMICAS – Swami Nirmalananda



Tapasya é disciplina espiritual prática, que produz resultados. Literalmente significa a geração de calor ou energia, referindo-se à prática espiritual e seu efeito, especialmente à queima de sementes kármicas, a queima do karma. Também se refere ao calor necessário para chocar um ovo. Sem tapasya não existe progresso espiritual significativo. Portanto Krishna nos fala de três níveis de tapasya, assim como suas características.
Tapasya do corpo
“Reverência pelos devas, videntes, mestres e sábios; sinceridade, inofensividade, limpeza física e pureza sexual; estas são as virtudes cuja prática é chamada austeridade do corpo.” (Bhagavad Gita 17:14)
A reverência é interna, assim reverenciar uma autoridade espiritual não é bajular, arrastar-se ante ela, promove-la ou presenteá-la com dinheiro e outras coisas. Mas é sim aplicar seus ensinamentos com fé e seriedade. Krishna fala de quatro tipos de pessoas que merecem nossa reverência: devas, videntes, mestres e sábios.
Devas são deuses – não o Deus Supremo, mas seres altamente desenvolvidos que podem afetar nossa vida. Podemos pensar neles como anjos ou seres sem corpo que interagem com os seres humanos e os ajudam de muitas maneiras. Toda religião tem alguma forma de devas. Mas cuidado: é fácil fantasiar e acreditar que estamos em contato com elevados seres espirituais, e tudo não passar de uma projeção de nossas mentes. Pode até acontecer algo pior: podemos ser enganados por entidades conhecidas como “almas vagabundas” ou “lixo astral” que estão sempre prontas para se apresentar alegando ser desde nosso avô até Abraham Lincoln, Krishna, Buddha ou Jesus.

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Os videntes são aqueles que despertaram interiormente, cuja consciência foi despertada e continua a se expandir. Tais pessoas podem não ser perfeitamente iluminadas, mas se estão à nossa frente no caminho evolutivo, merecem nosso respeito e podem nos ajudar com sua experiência.
Os mestres têm ainda mais experiência e são qualificados para dar instrução espiritual e guiar seus estudantes em sua prática espiritual e desenvolvimento. Mas os melhores são os sábios, aqueles que estão totalmente despertos, totalmente conscientes, que conhecem a si mesmos e ao Absoluto. Estar com eles é estar com Deus. Encontrar um tal ser é uma grande sorte, se seus ensinamentos forem seguidos.
Tapasya da fala
“Falar sem jamais causar dor a outros, ser veraz, dizer sempre o que é benéfico e gentil, e estudar as escrituras regularmente: esta prática é chamada austeridade da fala.” (Bhagavad Gita 17:15)
Tapasya da mente
“A prática de serenidade, simpatia, meditação no Atman, retirar a mente dos objetos dos sentidos e integridade de motivos é chamada austeridade da mente.” (Bhagavad Gita 17:16)
O que Krishna descreve é um estado, uma condição da mente. Swami Sivananda colocou na parede da sala de reuniões a frase: “Seja bom, faça o bem”.


FORÇAS E SERES HOSTIS – Sri Aurobindo



As forças hostis existem e são conhecidas dos yogues desde os dias dos antigos Vedas e de Zoroastro na Pérsia, além da Europa antiga. Essas coisas não podem ser sentidas ou conhecidas enquanto a pessoa vive na mente comum, em suas ideias e percepções.

Mas quando a pessoa começa a ter a visão interior, é diferente. Ela começa a perceber que tudo é uma ação de forças, forças físicas e psicológicas que influenciam sobre nossa natureza – e essas forças são conscientes, ou sustentadas por uma consciência por trás delas.

Muitas vezes uma crise na vida pessoal é resultado de uma ação das forças universais, e não meramente uma ação independente de sua própria personalidade. A pessoa não está consciente dessa intervenção e pressão. Aqueles que desenvolveram a visão interior das coisas do plano vital têm muita experiência com as forças hostis. No entanto, não é necessário preocupar-se com elas enquanto permanecerem desconhecidas.
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Aqueles que têm uma fé viva e completa no Divino e uma natureza sátvica não precisam se preocupar com as forças hostis, pois estas não podem apossar-se de sua natureza e são repelidas.

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O ensinamento sobre as forças hostis é necessário para aqueles que têm uma consciência dividida ou um temperamento mais rajásico, pois se não estiverem atentos podem cair sob o controle de forças indesejáveis do Desejo e do Ego.
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As forças hostis têm seu próprio mundo, e se ali se mantivessem, não haveria objeção a sua existência. Há um mundo que lhes é natural e tem seu próprio ritmo, seu próprio dharma. Mas elas querem dominar a evolução e para isso estabeleceram seus postos nos mundos vitais que influenciam a natureza terrena e lhes dão materiais para a vida.

Elas foram criadas, ou melhor, manifestadas, como um tipo que expressa algum estresse cósmico, alguma possibilidade no Infinito, a expressão de um certo tipo de consciência e força.

Quando o trabalho que lhes é permitido fazer sobre a terra, o trabalho de negação, perversão, estragos, estiver terminado, elas serão destruídas aqui, mas poderão continuar a existir em seu próprio universo, fora desse nosso sistema.

Pois sua presença é Adharma, uma perturbação da verdadeira harmonia e evolução natural que deve existir no plano terreno; é uma intrusão e não uma presença natural.
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Se não houvesse forças hostis na evolução terrena, poderia haver ignorância, mas não perversidade na ignorância.
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Existem diferentes Forças no universo. Se uma Força trabalha para purificar e abrir o Sistema, se traz consigo luz ou paz, ou prepara a mudança de pensamentos, sentimentos, caráter no sentido de entrar em sintonia com uma consciência superior, então é uma Força do bem. Mas se for obscura ou perturbar o ser com sugestões rajásicas ou egoístas, ou que excitam a natureza inferior, então é uma Força adversa.
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Os seres hostis possuem corpos, embora não corpos físicos. Eles veem, mas com uma visão sutil que inclui não apenas corpos, mas movimentos de forças, pensamentos, sentimentos.
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Muito grandes são os poderes ocultos dos seres hostis. São seus poderes ocultos e seu conhecimento dos processos ocultos que os fazem fortes e efetivos.
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As forças hostis são muito pragmáticas para se preocuparem com a Verdade, elas querem apenas sucesso. Quanto mais inconsciente você for, quanto mais for uma ferramenta automática, mais elas ficam satisfeitas, pois é a inconsciência que lhes dá sua oportunidade.
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O universo é certamente, ou tem sido até agora, aparentemente um duro jogo com as chances do dado maiores para os Poderes da escuridão, para os Senhores da obscuridade, falsidade, morte e sofrimento. Mas temos que toma-lo como é e descobrir o modo de vencer. A experiência espiritual mostra que por trás das aparências existe um vasto campo de igualdade, calma, liberdade, onde podemos ganhar o poder que conquista.
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As forças hostis são o Poder que mantém a ignorância e escuridão no mundo, e só podem ser destruídas quando a humanidade não mais amar a ignorância e a escuridão. Cada aspirante deve desarraigá-las de seu ser. Quando se forem dele, então não haverá mais qualquer dificuldade séria em suas práticas.
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As Forças hostis são Poderes da Escuridão que se revoltam contra a Luz e a Verdade e querem manter esse mundo sob seu governo na escuridão e na ignorância. Sempre que alguém deseja alcançar a Verdade, realizar o Divino, elas se colocam em seu caminho o mais que podem.Mas são especialmente contra o trabalho que eu e a Mãe estamos fazendo, trazer para baixo a Luz aqui na Terra e estabelecer a Verdade – e isso significaria sua própria expulsão.

Desse modo, elas sempre tentam destruir o trabalho como um todo e atrapalhar as práticas de cada buscador. Todos os aspirantes são atacados, uns mais, outros menos, especialmente quando estão fazendo um grande progresso – é aí que essas Forças tentam interferir.A única maneira de evita-lo é voltar-se para a Mãe e recusar qualquer oportunidade a essas Forças.
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Os Asuras e Rakshasas etc. não pertencem à Terra, mas a mundos suprafísicos; mas eles agem sobre a vida terrena e disputam o controle da vida e ação humanas com os deuses. Eles são os Poderes da Escuridão que combatem os Poderes da Luz.

Às vezes possuem os homens a fim de agir através deles, às vezes nascem em um corpo humano. Quando sua utilidade no drama terreno acabar, eles serão transformados, ou desaparecerão, ou não mais procurarão intervir nesse drama.
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A tentação realizada por Apsaras (seres femininos do mundo vital) é possível, mas não acontece com frequência – porque é difícil para os seres dos mundos sutis se materializarem por muito tempo. Eles preferem agir influenciando os seres humanos, usando-os como instrumentos ou tomando posse de um corpo e mente humanos.
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Existem dois tipos de Asuras— um tipo era divino em sua origem, mas caiu de sua divindade por vontade própria e por oposição à intenção do Divino. Esse tipo é relatado nas escrituras hindus como os primeiros ou primitivos deuses; eles podem ser convertidos e sua conversão é realmente necessária para os propósitos finais do universo.

Mas o Asura comum não é assim, não é um ser que evolui, mas um ser típico e representa um princípio fixo da criação que não evolui nem muda e não pretende fazê-lo. Esses Asuras, assim como os outros seres hostis, Rakshasas, Pisachas e outros, lembram os demônios da tradição cristã e se opõem à intenção divina e ao propósito evolucionário do ser humano.

Eles não mudam o propósito pelo qual vivem, que é maligno, por isso têm de ser destruídos assim como o mal. Esse Asura não tem alma, não tem um ser psíquico que possa evoluir a um estado superior; ele tem apenas um ego, e geralmente um ego muito poderoso; ele tem uma mente, às vezes uma mente altamente intelectualizada; mas a base de seu pensamento e sentimento é vital e não mental, a serviço de seu desejo e não da Verdade. Ele é uma formação assumida pelo princípio vital para um tipo particular de trabalho e não uma formação divina ou uma alma.
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Alguns tipos de Asuras são muito religiosos, muito fanáticos com sua religião, muito estritos sobre as regras de conduta ética. Outros, logicamente, são justamente o oposto. Existem outros que usam as ideias espirituais sem acreditar nelas, a fim de enganar o buscador. Foi isso que Shakespeare descreveu como o demônio citando as Escrituras para seu próprio propósito.  No presente, o que eles mais estão fazendo é tentar despertar a obscuridade e fraqueza das partes materiais, vitais e da mente física a fim de impedir o progresso do buscador.
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Com relação aos Asuras, não muitos deles têm demonstrado sinais de arrependimento ou possibilidade de conversão até agora. Não é de surpreender que sejam poderosos num mundo de Ignorância, porque apenas têm de convencer as pessoas a seguir a inclinação de sua natureza inferior, enquanto o Divino sempre chama para uma mudança da natureza.
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Os Asuras são na verdade o lado escuro do plano mental, ou mais estritamente, do plano mental-vital. Essa mente é o campo dos Asuras. Sua principalmente característica é a força egoísta e a luta, que recusa a lei superior. O Asura tem autocontrole, austeridade e inteligência, mas tudo isso para beneficiar seu ego.

No plano vital inferior, as forças correspondentes são os Rakshasas, que representam as paixões e influências violentas. Existem também outros tipos de seres no plano vital que são chamados Pisachas e Pramathas. Eles se manifestam mais ou menos no plano físico-vital.

No plano físico, as forças correspondentes são seres obscuros, mais forças que seres, que os teosofistas chamam de elementais. Esses não são seres fortemente individualizados como os Rakshasas e Asuras, mas são forças obscuras e ignorantes trabalhando no plano físico sutil. O que chamamos em sânscrito de Bhutas em sua maior parte está incluído nessa classe. Mas há dois tipos de elementais, um tipo prejudicial e o outro não. Não existem Asuras nos planos superiores onde a Verdade prevalece.
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Os Gandharvas são do plano vital, mas são deuses vitais, não Asuras. Muitos Asuras são belos em aparência e podem até mesmo possuir uma luz à sua volta. Os Rakshasas, Pisachas, etc. é que são feios em aparência.
*
Alguns dos seres vitais são muito inteligentes – mas não querem a luz, apenas tentam evitar a destruição e esperar que chegue sua hora de desaparecer.
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Poucos seres vitais nascem na Terra – eles preferem apossar-se de seres humanos e fazê-los seus instrumentos. Eles não evoluem. Não possuem um ser psíquico que evolui e temem encarnar justamente porque nesse caso seriam obrigados a progredir.


MEDITAR PARA AGIR – Eros


Fascinado pela Realidade Transcendente, o asceta abandonou o mundo que lhe parecia hostil, e mergulhou em profunda meditação, no santuário da Natureza.

Direcionando o pensamento para a busca divina, logrou superar os condicionamentos corporais, passando a gozar da plenitude.

As viagens do desdobramento espiritual se lhe tornaram mais frequentes, e, atendido por discípulos emocionados, que passaram a acompanhá-lo, encarregando-se da manutenção de suas necessidades físicas, que se tornaram mínimas, ao retornar cada vez mais exaltava o transe, preconizando o desprezo pela Terra.

Longos dias passava em meditação, realizando o milagre de viver no mundo e conviver com os Mestres nas Altas Esferas, voltando sempre mais triste e mais amargo face aos seus limites humanos no reino da matéria.

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Num grande encontro espiritual defrontou venerando Mestre, que o esclareceu:

- Reencarnaste para viver no mundo e servir os homens. Recomeçaste a experiência para ajudar, daqui havendo partido com a tarefa de transformar o meio doente, no qual se movimentam as criaturas. Foste investido do dever de conduzir a esperança e acender as luzes da fé e do amor nos corações e mentes infelizes. Certamente, o reconforto que experimentas na Vida Espiritual é recompensa, que somente se logra após a ação praticada e a luta vencida. Fugir do mundo é entorpecer o sentimento e anestesiar a razão. Volta à convivência com os companheiros e dá-lhes o que tens conquistado. Ajuda-os a ascender. A meditação é um meio para alcançar-se a ação do bem, que é a finalidade superior da vida.

Após uma pausa, que se fez natural, o Mestre concluiu:

- Buscando a Realidade Transcendente, ama o teu irmão caído e levanta-o, a fim de que, juntos, se ergam aos cumes do Espírito.

O asceta caiu das Regiões Felizes, e, abrindo-se ao amor e à compaixão na Terra, tornou-se uma lição viva de caridade e fé, descendo aos homens para aprender a subir a Deus, porque somente na ação se revelam os propósitos de todo aquele que procura a espiritualidade.


TESTES E TENTAÇÕES DO ASPIRANTE – Paul Brunton



O buscador tem tentações e experiências especiais, diferentes das experiências comuns que acompanham as atividades humanas. Armadilhas elaboradas são colocadas em seu caminho, feitas de uma combinação de suas próprias fraquezas com pessoas ou eventos relacionados a elas. O buscador deve estar cauteloso para não cair na complacência, deve estar preparado para provas e tentações em variadas maneiras.

Nas camadas mais profundas de seu subconsciente existem tendências e lembranças más à espreita, que pertencem ao passado distante e que ainda não foram totalmente dissolvidas pelo renascimento espiritual.São essas tendências que sobem às camadas superficiais da mente e nos desafiam em momentos cruciais quando buscamos iniciação no Eu Superior, ou quando buscamos a aceitação de um Mestre.

Essas tendências foram chamadas pelos rosacruzes de “o morador do umbral”. Ninguém pode entrar em contato com seu Eu Superior ou estar em relação com um Mestre, a menos que desenvolva em si mesmo calma e força para vencer essas tendências, cujo caráter é marcado por extrema sensualidade, extrema astúcia ou extrema brutalidade, ou até mesmo uma combinação de duas ou três destas.

Existem ali crus remanescentes da violência selvagem que herdamos de reencarnações pré-humanas. Um emissário humano do elemento adverso da Natureza automaticamente aparecerá em momentos críticos e, consciente ou inconscientemente, procurará de modo hipnótico ou passivo desviar o buscador de seu caminho.

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O buscador, cedo ou tarde, descobrirá que essas forças se colocaram contra ele em sua jornada interior. Seu caminho será obstaculizado por circunstâncias externas que o enredarão em lutas desesperadas ou duras opressões e escravizações, ou por ataques físicos que terão como objetivo destruir sua busca e suas aspirações superiores.

Pessoas que convivem com o buscador podem ser usadas por essas forças para causar-lhe problemas, despertar-lhe ódio e incompreensão; amigos podem tornar-se traiçoeiros inimigos. Críticos públicos aparecerão procurando anular todo bem que ele realiza pela humanidade, ou impedir sua continuação.

O objetivo de tudo isso é evitar que se aproxime do Eu Superior, tornar a quietude mental impossível ou manter seu coração e mente voltado às coisas terrenas. Ele precisa sofrer tudo isso. No entanto, o poder e a duração desses acontecimentos podem ser diminuídos.

O caminho é obstruído não apenas pelas quedas que surgem de seus erros humanos, mas também por seres maus em forma humana que buscam destruir a fé através de falsidades e enfraquecer a confiança na orientação do Eu Superior através de desvios e armadilhas.

O místico que avança em seu caminho tem de sofrer tentações em certos pontos – tentações não diferentes daquela sofrida por Jesus para que se rendesse às glórias do mundo, ou daquela de Buddha para que se rendesse aos prazeres sensuais. A tentação pode vir através de astutos incitamentos de seus inimigos ou através de inocentes lisonjas de seus amigos. Ele deve precaver-se especialmente contra aqueles cuja fé excessiva o exaltam como sendo um ser especial. Deve estar em guarda contra as atrações do poder ou da sensualidade.

H.P. Blavatsky disse certa vez a um amigo: "Você força sua entrada na presença de um Mestre e toma as consequências das imensas forças que agem à volta dele. Se você tiver alguma fraqueza de caráter, os seguidores do Lado Escuro a utilizarão dirigindo as forças geradas para esse ponto, podendo causar sua ruína. Passe a fronteira que cerca o reino oculto, e novas forças, terríveis forças serão encontradas. Então, se você não for forte, pode tornar-se um fracasso durante esta vida. Este é o perigo. Esta é uma das razões por que os Mestres não aparecem e nem agem diretamente com frequência, mas sempre agem por graus intermediários."

Como também disse o grande yogue e filósofo Sri Aurobindo, que aqueles que estão trabalhando pela sobrevivência da Verdade num mundo onde reina a falsidade tornam-se alvo de poderosas forças da ira e falsidade. Quem quer que traga uma profunda mensagem espiritual para a humanidade, tem de sofrer a oposição do mal.

No entanto essas forças hostis ajudam ao mestre e seus discípulos. Elas testam a intuição e a agudeza dos discípulos. Se estes passarem por todos os testes, o mestre pode aceitá-los e começar neles o verdadeiro trabalho interior.

As coisas que dificultam o progresso espiritual do buscador são variadas, e embora possam desanimá-lo e desencorajá-lo, possam trazer impaciência e rebeldia, ele não precisa perder a esperança. As dificuldades existem, mas não devem nos tornar covardes.
Tempos de rápido progresso são geralmente seguidos de tempos de progresso lento ou ausente. O sucesso se alterna com o fracasso. O buscador deve seguir confiando que os obstáculos não duram para sempre, que as flutuações no caminho são inevitáveis e que suas próprias possibilidades divinas são a melhor garantia de se atingir o objetivo final. As provas do caminho são inevitáveis. Ele deve suportar as tribulações com a firme convicção de que um mundo mais brilhante o aguarda; a esperança e a fé o levarão a esse mundo.http://www.paulbrunton.org/notebooks-db/images/pixel_trans.gif


A PRÁTICA DE SOHAM YOGA – Swami Nirmalananda



1) Sente-se com a espinha ereta, confortável e relaxado, com suas mãos sobre seus joelhos ou coxas ou descansando, uma sobre a outra, em seu colo.

2) Volte seus olhos levemente para baixo e feche-os gentilmente. Durante a meditação deixe seus olhos se moverem para cima ou para baixo espontaneamente, mas comece com eles voltados levemente para baixo sem nenhum esforço.

3) Esteja consciente de sua respiração naturalmente, sem forçá-la, fluindo para dentro e para fora. Sua boca deve estar fechada para que toda a respiração seja feita pelo nariz. Mas embora a boca esteja fechada, os músculos da mandíbula devem estar relaxados para que os dentes superiores e inferiores não se toquem. Respire naturalmente, espontaneamente.

4) Então de modo muito quieto e gentil comece a entoar mentalmente Soham com sua respiração: entoe Soooooo na inalação e Haaammm na exalação. Ajuste as entoações à respiração, e não a respiração às entoações. Se a respiração for curta, então a entoação deve ser curta. Se a respiração for longa, a entoação deve ser longa. Não importa se as inalações e exalações não tiverem o mesmo comprimento. A respiração correta é a natural.

5) Durante toda a meditação continue entoando Soham e ouvindo o som mental.

6) Não se concentre em nenhum ponto particular do corpo, tal como o terceiro olho etc.

7) Soham nunca cessa. Nunca. Mesmo quando não se está meditando, esse som continua a ser produzido com a respiração.

8) A respiração, durante a meditação, pode se tornar sutil e refinada, e aquietar-se. Às vezes ela não é percebida como um movimento dos pulmões, mas como energia prânica sutil que causa a respiração física. Sua respiração pode se tornar tão leve que você parece não estar respirando em absoluto.

9) Pensamentos, impressões, lembranças, sensações interiores e coisas assim podem também aparecer durante a meditação. Esteja calmamente consciente de todas essas coisas de modo desapegado, mas mantenha sua atenção centrada nas entoações de Soham.Não são experiências que estamos buscando, mas os efeitos da meditação.

10) Se você se sentir inquieto, distraído, confuso, ansioso ou tenso, inspire e expire profundamente sentindo que está liberando todas as tensões, e continue a meditação.

Soham é o mantra da consciência nirvânica. É como uma semente que se coloca no solo, joga água e o sol faz o resto. Ao entoar So Ham com a respiração, estamos conectando nossa consciência à mente superconsciente.

Os dois yogues supremos da história da Índia, Matsyendranath e Gorakhnath, fizeram três afirmações muito importantes para o yogue, pois apresentam a essência de Soham Sádhana:

1) A inalação entra com o som sutil de So, e a exalação sai com o som sutil de Ham.
2) Não há conhecimento igual a esse, nem houve no passado, nem haverá no futuro.
3) Não há mantra igual a esse, nem houve no passado, nem haverá no futuro.

A natureza fundamental do Ser Supremo e do ser individual em cada um de nós é Soham. Soham Sádhana nos leva à consciência do eu individual e do Eu Supremo. Quando o yogue souber: “Eu sou Soham,” a Grande Obra estará completa.

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8.3.20

UMA PRÁTICA DE MEDITAÇÃO ZEN – Tai Sheridan




Sente-se em quietude.
Esta é a mais importante prática Zen.
É a sala de aula para viver uma vida sábia e gentil.
Sente-se em qualquer lugar e esteja quieto: sobre um colchão, uma cama, um banco, dentro, fora, encostado a uma árvore, ao lado de um lago, perto do oceano, num jardim, num avião, em sua cadeira de trabalho, sobre o solo, em seu carro.
Sente-se a qualquer hora: manhã, noite, um minuto, três anos.
Use a roupa com a qual já está vestido. Afrouxe sua cintura para que seu abdômen possa se mover com sua respiração.
Sente-se tão relaxado quanto for possível. Relaxe seus músculos ao começar e durante a meditação.
Sente-se com sua espinha ereta, mas não rígida. Mantenha alta sua cabeça alta.
Respeite suas condições de saúde. Apenas tome uma postura que puder. Todas as posturas são boas. Faça o que puder fazer.
Mantenha seus olhos levemente abertos e sem foco. Fechá-los vai deixar você sonolento. Deixá-los abertos vai manter você consciente.
Respire naturalmente através do nariz. Desfrute da respiração. Sinta sua respiração. Observe sua respiração. Torne-se sua respiração.
Esteja como um gato ronronando. Siga sua respiração como ondas do oceano entrando e saindo.
Quando se distrair, volte à mais simples e básica experiência de estar vivo, sua respiração.
É isso. Sem crença. Sem programa. Sem dogma. Você não precisa ser budista. Pode ser de qualquer fé, religião, raça, nacionalidade, gênero, estado civil ou capacidade.
Apenas sente-se quieto, conectado com sua respiração, e preste atenção no que acontece. Você vai aprender coisas.
Faça isso quando quiser. Você decide o quanto é suficiente para você. Se o fizer diariamente, isso entrará em seus ossos.
Por favor desfrute do sentar-se quieto!
A única maneira de aprender a sentar-se quieto é praticando.