As forças hostis existem e são conhecidas dos yogues desde os dias
dos antigos Vedas e de Zoroastro na Pérsia, além da Europa antiga. Essas coisas
não podem ser sentidas ou conhecidas enquanto a pessoa vive na mente comum, em
suas ideias e percepções.
Mas quando a pessoa começa a ter a visão interior, é diferente.
Ela começa a perceber que tudo é uma ação de forças, forças físicas e
psicológicas que influenciam sobre nossa natureza – e essas forças são
conscientes, ou sustentadas por uma consciência por trás delas.
Muitas vezes uma crise na vida pessoal é resultado de uma ação das
forças universais, e não meramente uma ação independente de sua própria
personalidade. A pessoa não está consciente dessa intervenção e pressão.
Aqueles que desenvolveram a visão interior das coisas do plano vital têm muita
experiência com as forças hostis. No entanto, não é necessário preocupar-se com
elas enquanto permanecerem desconhecidas.
*
Aqueles que têm uma fé viva e completa no Divino e uma natureza
sátvica não precisam se preocupar com as forças hostis, pois estas não podem
apossar-se de sua natureza e são repelidas.
Sri Aurobindo
O ensinamento sobre as forças hostis é necessário para aqueles que
têm uma consciência dividida ou um temperamento mais rajásico, pois se não
estiverem atentos podem cair sob o controle de forças indesejáveis do Desejo e
do Ego.
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As forças hostis têm seu próprio mundo, e se ali se mantivessem,
não haveria objeção a sua existência. Há um mundo que lhes é natural e tem seu
próprio ritmo, seu próprio dharma. Mas elas querem dominar a evolução e para
isso estabeleceram seus postos nos mundos vitais que influenciam a natureza
terrena e lhes dão materiais para a vida.
Elas foram criadas, ou melhor, manifestadas, como um tipo que
expressa algum estresse cósmico, alguma possibilidade no Infinito, a expressão
de um certo tipo de consciência e força.
Quando o trabalho que lhes é permitido fazer sobre a terra, o
trabalho de negação, perversão, estragos, estiver terminado, elas serão
destruídas aqui, mas poderão continuar a existir em seu próprio universo, fora
desse nosso sistema.
Pois sua presença é Adharma, uma perturbação da verdadeira harmonia
e evolução natural que deve existir no plano terreno; é uma intrusão e não uma
presença natural.
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Se não houvesse forças hostis na evolução terrena, poderia haver
ignorância, mas não perversidade na ignorância.
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Existem diferentes Forças no universo. Se uma Força trabalha para
purificar e abrir o Sistema, se traz consigo luz ou paz, ou prepara a mudança
de pensamentos, sentimentos, caráter no sentido de entrar em sintonia com uma
consciência superior, então é uma Força do bem. Mas se for obscura ou perturbar
o ser com sugestões rajásicas ou egoístas, ou que excitam a natureza inferior,
então é uma Força adversa.
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Os seres hostis possuem corpos, embora não corpos físicos. Eles
veem, mas com uma visão sutil que inclui não apenas corpos, mas movimentos de
forças, pensamentos, sentimentos.
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Muito grandes são os poderes ocultos dos seres hostis. São seus
poderes ocultos e seu conhecimento dos processos ocultos que os fazem fortes e
efetivos.
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As forças hostis são muito pragmáticas para se preocuparem com a
Verdade, elas querem apenas sucesso. Quanto mais inconsciente você for, quanto
mais for uma ferramenta automática, mais elas ficam satisfeitas, pois é a
inconsciência que lhes dá sua oportunidade.
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O universo é certamente, ou tem sido até agora, aparentemente um
duro jogo com as chances do dado maiores para os Poderes da escuridão, para os
Senhores da obscuridade, falsidade, morte e sofrimento. Mas temos que toma-lo
como é e descobrir o modo de vencer. A experiência espiritual mostra que por
trás das aparências existe um vasto campo de igualdade, calma, liberdade, onde
podemos ganhar o poder que conquista.
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As forças hostis são o Poder que mantém a ignorância e escuridão
no mundo, e só podem ser destruídas quando a humanidade não mais amar a
ignorância e a escuridão. Cada aspirante deve desarraigá-las de seu ser. Quando
se forem dele, então não haverá mais qualquer dificuldade séria em suas
práticas.
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As Forças hostis são Poderes da Escuridão que se revoltam contra a
Luz e a Verdade e querem manter esse mundo sob seu governo na escuridão e na
ignorância. Sempre que alguém deseja alcançar a Verdade, realizar o Divino,
elas se colocam em seu caminho o mais que podem.Mas são especialmente contra o
trabalho que eu e a Mãe estamos fazendo, trazer para baixo a Luz aqui na Terra
e estabelecer a Verdade – e isso significaria sua própria expulsão.
Desse modo, elas sempre tentam destruir o trabalho como um todo e
atrapalhar as práticas de cada buscador. Todos os aspirantes são atacados, uns
mais, outros menos, especialmente quando estão fazendo um grande progresso – é
aí que essas Forças tentam interferir.A única maneira de evita-lo é voltar-se
para a Mãe e recusar qualquer oportunidade a essas Forças.
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Os Asuras e Rakshasas etc. não pertencem à Terra, mas a mundos
suprafísicos; mas eles agem sobre a vida terrena e disputam o controle da vida
e ação humanas com os deuses. Eles são os Poderes da Escuridão que combatem os
Poderes da Luz.
Às vezes possuem os homens a fim de agir através deles, às vezes
nascem em um corpo humano. Quando sua utilidade no drama terreno acabar, eles
serão transformados, ou desaparecerão, ou não mais procurarão intervir nesse
drama.
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A tentação realizada por Apsaras (seres femininos do mundo vital)
é possível, mas não acontece com frequência – porque é difícil para os seres
dos mundos sutis se materializarem por muito tempo. Eles preferem agir
influenciando os seres humanos, usando-os como instrumentos ou tomando posse de
um corpo e mente humanos.
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Existem dois tipos de Asuras— um tipo era divino em sua origem, mas
caiu de sua divindade por vontade própria e por oposição à intenção do Divino.
Esse tipo é relatado nas escrituras hindus como os primeiros ou primitivos
deuses; eles podem ser convertidos e sua conversão é realmente necessária para
os propósitos finais do universo.
Mas o Asura comum não é assim, não é um ser que evolui, mas um ser
típico e representa um princípio fixo da criação que não evolui nem muda e não
pretende fazê-lo. Esses Asuras, assim como os outros seres hostis, Rakshasas,
Pisachas e outros, lembram os demônios da tradição cristã e se opõem à intenção
divina e ao propósito evolucionário do ser humano.
Eles não mudam o propósito pelo qual vivem, que é maligno, por
isso têm de ser destruídos assim como o mal. Esse Asura não tem alma, não tem um
ser psíquico que possa evoluir a um estado superior; ele tem apenas um ego, e
geralmente um ego muito poderoso; ele tem uma mente, às vezes uma mente
altamente intelectualizada; mas a base de seu pensamento e sentimento é vital e
não mental, a serviço de seu desejo e não da Verdade. Ele é uma formação
assumida pelo princípio vital para um tipo particular de trabalho e não uma
formação divina ou uma alma.
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Alguns tipos de Asuras são muito religiosos, muito fanáticos com sua
religião, muito estritos sobre as regras de conduta ética. Outros, logicamente,
são justamente o oposto. Existem outros que usam as ideias espirituais sem
acreditar nelas, a fim de enganar o buscador. Foi isso que Shakespeare descreveu
como o demônio citando as Escrituras para seu próprio propósito. No presente, o que eles mais estão fazendo é
tentar despertar a obscuridade e fraqueza das partes materiais, vitais e da
mente física a fim de impedir o progresso do buscador.
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Com relação aos Asuras, não muitos deles têm demonstrado sinais de
arrependimento ou possibilidade de conversão até agora. Não é de surpreender
que sejam poderosos num mundo de Ignorância, porque apenas têm de convencer as
pessoas a seguir a inclinação de sua natureza inferior, enquanto o Divino
sempre chama para uma mudança da natureza.
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Os Asuras são na verdade o lado escuro do plano mental, ou mais
estritamente, do plano mental-vital. Essa mente é o campo dos Asuras. Sua
principalmente característica é a força egoísta e a luta, que recusa a lei
superior. O Asura tem autocontrole, austeridade e inteligência, mas tudo isso
para beneficiar seu ego.
No plano vital inferior, as forças correspondentes são os Rakshasas,
que representam as paixões e influências violentas. Existem também outros tipos
de seres no plano vital que são chamados Pisachas e Pramathas. Eles se manifestam
mais ou menos no plano físico-vital.
No plano físico, as forças correspondentes são seres obscuros, mais
forças que seres, que os teosofistas chamam de elementais. Esses não são seres
fortemente individualizados como os Rakshasas e Asuras, mas são forças obscuras e
ignorantes trabalhando no plano físico sutil. O que chamamos em sânscrito de Bhutas em
sua maior parte está incluído nessa classe. Mas há dois tipos de elementais, um
tipo prejudicial e o outro não. Não existem Asuras nos planos superiores onde a
Verdade prevalece.
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Os Gandharvas são do plano vital, mas são deuses vitais, não Asuras.
Muitos Asuras são belos em aparência e podem até mesmo possuir uma luz à sua
volta. Os Rakshasas, Pisachas, etc. é que são feios em aparência.
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Alguns dos seres vitais são muito inteligentes – mas não querem a
luz, apenas tentam evitar a destruição e esperar que chegue sua hora de
desaparecer.
Poucos seres vitais nascem na Terra – eles preferem apossar-se de
seres humanos e fazê-los seus instrumentos. Eles não evoluem. Não possuem um
ser psíquico que evolui e temem encarnar justamente porque nesse caso seriam
obrigados a progredir.
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