8.12.17

ONDE CONCENTRAR A MENTE – Swami Sivananda


Concentre-se gentilmente no lótus do coração (Anahata Chakra) ou no espaço entre as duas sobrancelhas (Ajna Chakra). Feche os olhos. A sede da mente é o Ajna Chakra. A mente pode ser facilmente controlada se você se concentrar em Ajna Chakra.

Devotos devem se concentrar no coração. Yogues e jñanis devem se concentrar em Ajna Chakra. Persevere num centro de concentração. Se você se concentrar no coração permaneça nele. Nunca mude.

Sente-se confortavelmente, com a espinha ereta, em seu quarto de meditação e pratique suavemente esse olhar fixo, com os olhos voltados para Ajna Chakra, de meio minuto a meia hora (de acordo com a capacidade de cada um). Não deve haver o menor abuso nesse exercício. Aos poucos aumente a duração do tempo.

Essa prática elimina a inquietação da mente e desenvolve a concentração. O Senhor Krishna ensina essa prática no Gita: “Excluídos os contatos externos e com o olhar fixo entre as sobrancelhas.” Algumas pessoas veem a luz durante a concentração nessa região.

Um devoto deve se concentrar no coração, a sede das emoções e sentimentos. Quem se concentrar no coração recebe grande Ananda (bem-aventurança). Quem quiser adquirir Ananda deve concentrar-se no coração.

Quanto mais sua mente se concentrar interiormente, maior será a força que você adquirirá. Maior concentração significa mais energia. A concentração abre as portas internas do amor ou do reino da eternidade. A concentração é a chave básica para abrir a câmara da consciência.

Concentre-se. Medite. Desenvolva os poderes da meditação e da concentração profundas. Muitos pontos obscuros se esclarecerão. Você receberá as respostas e as soluções do íntimo.

No início você terá que persuadir sua mente com agrados, da mesma maneira que se persuade uma criança. A mente é como uma criança ignorante. Dia a ela: “Ó mente, por que você persegue coisas falsas, sem valor e perecíveis? Você passará por inúmeros sofrimentos. Concentre-se no Atman, a divindade interior. Você obterá felicidade duradoura.”

Tão logo você se sente para a meditação cante OM de três a seis vezes. Isso desviará os pensamentos mundanos da mente e removerá a inquietude. Você tem de estar sempre alegre e tranquilo. Só assim obterá a concentração da mente. A prática de amizade com pessoas afins, compaixão com pessoas subalternas ou infelizes, complacência com pessoas virtuosas ou superiores e indiferença com pessoas pecadoras ou corrompidas resultará em serenidade mental e destruirá o rancor e a antipatia.

Se você achar difícil concentrar sua mente dentro de um quarto, saia e sente-se num espaço aberto, ou na margem de um rio, ou num recanto tranquilo de um jardim. Você terá boa concentração.

Você aperta o botão e a luz se acende num piscar de olhos. Da mesma forma, o yogue se concentra e aperta o botão do Ajna Chakra e a luz divina se esparrama imediatamente.
__________________


Nota: para ajudar a concentração na prática da meditação, pode ser feito inicialmente um pranayama leve, como o pranayama alternado, sem retenção, durante um minuto.

Resultado de imagem para alternate pranayama

3.12.17

AS MULHERES E A CONTINÊNCIA SEXUAL - Swami Sivananda

Indulgência no ato sexual é exaustiva ao sistema feminino e esgota a vitalidade, como no homem. A tensão nervosa que isto impõe sobre o sistema é realmente muito grande.

As gônadas femininas, os ovários que correspondem aos testículos no homem, produzem, desenvolvem e amadurecem preciosa força vital igual ao sêmen. Isto é o óvulo. Embora a mulher na verdade não perca o óvulo saindo do corpo, como no caso do sêmen no homem, ainda assim, devido ao ato sexual, ele deixa o ovário e é tomado no processo de concepção do embrião. E é bem sabido que tensão e esgotamento a gravidez traz à mulher. Repetida perda desta força e o esgotamento que a gravidez traz destroem a saúde das senhoras, assim como sua força, beleza, graça, juventude e poder mental. Os olhos perdem o brilho que indica as forças internas.

A intensa excitação sensual do ato despedaça o sistema nervoso e causa debilidade também. Seu sistema sendo mais delicado e afinado, as mulheres são frequentemente mais afetadas que os homens.



As mulheres devem preservar sua preciosa força vital. O óvulo e os hormônios secretados pelos ovários são muito essenciais para o máximo bem-estar físico e mental das mulheres. Através da devoção, podem facilmente destruir a paixão, porque por natureza elas são devocionais.

Misturando-se livremente com os homens, a mulher perde sua dignidade, modéstia, graça feminina e a santidade de sua pessoa e caráter. Uma mulher que se mistura livremente com os homens não pode preservar sua castidade por muito tempo. O que há na vida de uma mulher se sua pureza se perder? Ela é apenas um cadáver vivente se não houver pureza, embora ela possa rolar na riqueza e se mover em altos círculos da sociedade. Suas roupas não devem ser muito apertadas ou reveladoras. Abandonem a maquiagem.

Dizem que conhecimento é poder. Mas eu afirmo que caráter é poder e que caráter é muito superior ao conhecimento.

Quando o estudante alcança a maturidade, certas mudanças acontecem no corpo físico. A voz muda. Novas emoções e sentimentos surgem. Naturalmente o jovem se torna curioso e consulta os garotos de rua. Assim fica mal aconselhado. Arruína sua saúde devido a hábitos vis. Um conhecimento claro da saúde sexual, higiene e Brahmacharya, de como controlar a paixão, deve ser dado a ele.

Conversas suaves com os garotos e garotas são muito necessárias quando entram na puberdade. As matérias relativas ao sexo não devem ser mantidas ocultas. O silêncio apenas excitará a curiosidade do adolescente. Por outro lado, se ele entender estas coisas claramente no devido tempo, seguramente não será desencaminhado por más companhias.

Tem havido mais sofrimento causado pela ignorância dessas matérias que por qualquer outra coisa. Os professores e pais devem observar a conduta dos jovens e imprimir claramente em sua mente a importância vital de brahmacharya. Panfletos sobre Brahmacharya devem ser livremente distribuídos a eles.

Os professores devem explicar aos adolescentes a importância de Brahmacharya e instruí-los nos vários métodos pelos quais eles podem preservar o sêmen, a força-da-alma que está escondida neles.

O CONVÍVIO COM VIVEKANANDA - H. Mitra

Certo dia perguntei a Swami Vivekananda, "Por que os Sannyasins desperdiçam seu tempo desse jeito? Por que dependem da caridade de outros? Por que não realizam algum trabalho útil para a sociedade?"
Swamiji disse, "Agora, olhe aqui. Você está ganhando seu dinheiro com tanta luta, do qual apenas uma pequena porção gasta consigo mesmo, e outra porção gasta com outros que você pensa que lhe pertencem. Mas eles não são gratos pelo que você faz por eles, nem ficam satisfeitos com o que conseguem. O que você guarda, nunca vai desfrutar. Quando morrer, outra pessoa vai gastá-lo, e talvez falará mal de você por não ter acumulado mais. Essa é sua condição. Por outro lado, eu nada faço. Quando sinto fome, faço gestos para que outros saibam que quero comida; e como qualquer coisa que conseguir. Nem luto para ganhar, nem guardo. Agora, diga-me quem de nós dois é mais sábio: você ou eu?"
Fiquei perplexo, pois até aquele momento ninguém ousara falar comigo de modo tão corajoso e franco.
A conversa continuou. Ele me contou de suas muitas aventuras durante suas viagens pela Índia, sem tocar em dinheiro. Percebi o quanto deve ter sido difícil sua jornada, e mesmo assim, ele relatava suas aventuras com um sorriso, como se fosse uma grande diversão!
Às vezes, ficava sem comer. Em alguns lugares, o mandavam embora dizendo "Sannyasins não têm lugar aqui." Algumas vezes era observado por espiões do governo. Muitos outros incidentes ele relatou alegremente, mas que fizeram meu sangue coagular.
Por alguma razão, eu não estava me dando bem com meus superiores no escritório em que trabalhava. Qualquer pequena observação vinda deles era o suficiente para me desequilibrar. Embora eu tivesse um bom emprego, não podia ser feliz nem mesmo por um dia.

Resultado de imagem para vivekananda  Vivekananda

Quando contei a Swamiji sobre minha dificuldade, ele observou, "Por que você trabalha? Não é pelo salário? Você o tem regularmente todo mês, então por que ficar aborrecido? Você é livre para pedir demissão a qualquer momento que quiser e ninguém o impedirá disso. Então por que criar dificuldades pensando que é um escravo? Outra coisa: além de fazer seu trabalho, já fez algo para agradar seus superiores? Nunca fez, e ainda assim fica irado com eles porque não estão satisfeitos com você. Isso é sábio de sua parte? As idéias que você tem dos outros se expressam em sua conduta. E mesmo que não as expressemos em palavras, as pessoas reagem de acordo. Vemos no mundo exterior a mesma imagem que carregamos no coração: ninguém percebe como é verdadeiro o ditado que diz 'O mundo é bom quando eu sou bom'. A partir de hoje, tente se libertar do hábito de achar faltas nos outros, e verá que as atitudes e reações dos outros mudará também."
É desnecessário dizer que, a partir daquele dia, libertei-me do hábito de encontrar faltas nos outros, e um novo capítulo em minha vida se abriu.


Certa vez lhe perguntei, "Swamiji, a crença no mantra é verdadeira?" Ele replicou, "Não vejo razão para que não seja. Você fica satisfeito quando alguém se dirige a você com palavras doces e suaves, e fica irado quando alguém lhe diz palavras duras. Então por que as deidades que presidem diferentes partes da natureza não deveriam ficar satisfeitas com uma doce invocação?"

O OBJETIVO DA VIDA – Swami Sivananda


Não há limite para o poder da mente humana. Quanto mais concentrada a mente estiver, tanto maior o poder a ser colocado em qualquer assunto. Você nasceu para recolher as radiações da mente dispersas pelas coisas materiais, concentrando-a em Deus. Esse é seu dever mais importante. Você se esquece desse dever por causa do apego à família, filhos, dinheiro, poder, posição, renome e fama.

A concentração é contrária aos desejos sensuais, é contrária à agitação e à preocupação. Enquanto os pensamentos de alguém não forem eliminados completamente através da prática persistente, não poderá concentrar sua mente numa verdade por vez. Para a remoção da divagação da mente deve ser exercitada a prática da concentração num tema único.

Coloque uma imagem de seu mestre preferido em sua frente. Sente-se na posição meditativa preferida. Concentre-se gentilmente na imagem com os olhos abertos, até as lágrimas rolarem por seu rosto. Pense em sua aura espiritual, pense em seus atributos divinos tais como o amor, a magnanimidade e a misericórdia.

Concentre a mente no Atman interno. Traga-a sempre de volta quando ela fugir e torne a concentrá-la. Não permita que a mente crie centenas de formas-pensamentos. Não permita que a mente gaste em vão suas energias nos pensamentos infrutíferos, nas vãs preocupações, na imaginação sem valor, no temor e nos presságios infundados.

Faça com que a mente se mantenha concentrada por meia hora numa forma-pensamento, através da prática constante.

Não lute com a mente durante a meditação. Isso é um erro grave. Muitos neófitos o cometem. Essa é a razão pela qual logo se cansam e ficam com dor de cabeça. Sente-se confortavelmente com a espinha ereta, descontraia os músculos, os nervos e o cérebro. Acalme o pensamento objetivo. Feche os olhos. Comece a meditação às 4 da manhã. Não lute com a mente. Mantenha-a tranquila e calma.

Os prazeres mundanos intensificam o desejo de gozar de maiores prazeres. Em consequência, a mente das pessoas mundanas é muito irrequieta. Não há satisfação nem paz mental. A mente nunca se satisfaz, seja qual for o acúmulo de prazer que se possa proporcionar a ela. Assim as pessoas ficam extremamente atormentadas e importunadas por seus próprios pensamentos. Elas estão cansadas de seus pensamentos.

Por causa disso, os rishis acharam que era melhor privar a mente dos prazeres sensuais a fim de remover essas perturbações. Quando a mente se concentra, a pessoa começa a desfrutar da verdadeira paz.

7 dicas para você começar a meditar ainda hoje

Os poderes da mente são como os raios dispersos da luz. Seus raios são desviados para diversas coisas. Você terá que reuni-los, pacientemente, através da renúncia aos desejos e das práticas espirituais. A iluminação começa quando os raios mentais estão concentrados.
Remova o rajas (atividade) e o tamas (inércia) que envolvem o sattva (harmonia) da mente através de pranayama, mantra, vichara ou devoção. Então a mente se torna apta para a concentração. Saiba que você está progredindo no yoga e que o sattva está aumentando quando você estiver sempre animado, quando sua mente for constante e concentrada.

Se você acha difícil concentrar-se no coração ou no terceiro olho (com Shambhavi mudra), você pode se concentrar em qualquer objeto exterior. Pode se concentrar no céu azul, na luz do Sol, no ar que tudo envolve, ou no Sol, na Lua ou nas estrelas.

SHAMBHAVI MUDRA - Meditation with Half-Open Eyes
  Shambhavi mudra deve ser praticado com os olhos fechados

Se tiver dor de cabeça ao concentrar em ajna chakra (terceiro olho) por volver os olhos para cima, concentre-se no coração.

Muitos aspirantes abandonam a prática da concentração por acharem-na difícil. Mas cometem um grave erro. Ao iniciar a prática, é difícil e incômodo. As emoções e os pensamentos são abundantes. Ao praticar durante três anos, a mente será fria, pura e forte. Você obterá uma grande alegria. A soma total dos prazeres do mundo não representará nada comparada à felicidade proveniente da meditação.

De maneira nenhuma desista da prática. Trabalhe, persevere. Tenha paciência e alegria. Ao final terá êxito, nunca se desespere. Não se preocupe se mesmo durante a prática de meditação sua mente divagar. Permita que ela flua. Vagarosamente, traga-a de volta para seu centro de concentração. Pela prática constante, a mente finalmente ficará firme no Atman, o Morador de seu coração, a meta final da vida.
______________________________


Nota: Shambhavi mudra é uma técnica de concentração mental muito efetiva, que foi utilizada e recomendada por Swami Sivananda. Aos iniciantes recomenda-se fazer a prática suavemente, sem forçar demais os olhos em direção ao terceiro olho. Enquanto se pratica Shambhavi mudra, pode-se repetir um mantra ou uma frase qualquer que tenha fundo espiritual.

COMO APRENDI O ESSENCIAL DA VIDA - Emil Nykvist


Todo mundo no bloco de apartamentos em que eu morava sabia quem era o “Feio”. Feio era o gato sem dono que vivia por ali. Feio amava três coisas neste mundo: brigar, comer as sobras das latas de lixo e, vamos dizer, namorar.

A combinação destas coisas com uma vida vivida em liberdade teve um efeito em Feio. Para começar, ele tinha apenas um olho e no lugar do outro olho havia um buraco. Também não tinha uma orelha, sua pata esquerda parecia ter sido quebrada no passado, o que o deixou com um andar desajeitado.

O rabo ele o tinha perdido há muito tempo, deixando apenas um pequeno pedaço, que ele constantemente mexia. Feio era cinza escuro, malhado e listrado, exceto nas cicatrizes de feridas que cobriam sua cabeça e pescoço.

Toda vez que alguém encontrava o Feio, a reação era a mesma: “Aquele é o gato Feio!” Todas as crianças eram avisadas para não tocá-lo, os adultos jogavam pedras e água quando ele se aproximava de suas casas, ou o espantavam para longe quando ele não se afastava.

Feio sempre tinha a mesma reação. Se você lhe jogasse água com a mangueira, ele ficava ali, se encharcando até que você parasse e o deixasse em paz. Se você jogasse pedras, ele enrolava o corpo como que perdoando.

Quando ele via crianças, vinha correndo e miando, e esfregava a cabeça em suas mãos, suplicando amor e querendo ser acariciado. Se você o pegasse, começava a lamber seu rosto e ronronar.




Um dia Feio resolveu partilhar seu amor com dois cães da vizinhança. Mas eles não o trataram com gentileza e Feio ficou muito machucado. De meu apartamento podia ouvir seus gritos e gemidos, e então corri para socorrê-lo. Quando cheguei lá, ele estava deitado no chão, e ficou evidente que a triste vida de Feio estava chegando ao fim.

Suas costelas tinham marcas de mordidas. Quando o peguei e tentei leva-lo para casa, podia ouvir seu chiado e respiração ofegante, e podia senti-lo lutando pela vida. Devia estar terrivelmente ferido.

Então senti uma leve lambida em minha orelha: Feio, mesmo sofrendo terrivelmente e à beira da morte, estava tentando me agradar, lambendo meu rosto e ronronando. Puxei-o mais para perto de mim e ele esfregou a cabeça na palma de minha mão.

Mesmo na maior dor, aquele gato feio e marcado pelas batalhas da sobrevivência estava pedindo apenas um pouco de afeto, talvez alguma compaixão. Naquele momento pensei que Feio era a criatura mais bela e amável que já tinha visto. Em nenhum momento ele tentou me morder ou unhar, nem mesmo fugir de mim. Feio apenas me olhava com perfeita confiança para que lhe aliviasse a dor.

Feio morreu em meus braços antes que eu pudesse entrar em casa, mas sentei-me ali e fiquei segurando-o por um longo tempo, pensando como um gato cheio de cicatrizes e deformado podia mudar minha visão sobre o que significa ter pureza de espírito para amar total e verdadeiramente.

Feio me ensinou mais sobre doar-me e ser compassivo que mil livros e palestras poderiam fazê-lo, e por causa disso serei sempre grato. Ele tinha cicatrizes por fora, mas eu as tinha por dentro, e para mim era hora de mudar e aprender a amar verdadeira e profundamente. Dar tudo de mim para aqueles por quem eu era responsável.

Muitas pessoas querem ser mais ricas, ter mais sucesso, ser mais apreciadas e belas, mas para mim sempre vou tentar ser como o gato Feio.





17.11.17

OS CENTROS INTERNOS DO HOMEM – G. de Purucker


O ser espiritual que é o homem verdadeiro toca o corpo físico assim como o músico toca um alaúde ou harpa. As cordas deste instrumento, esta forma física maravilhosamente construída, vão das mais grosseiras tripas de animais, que podem produzir sons pesados e sensuais, às cordas de prata e ouro, até as intangíveis cordas do espírito; e o músico toca estas cordas divinamente quando o permitimos.

Na maior parte, nós seres humanos evitamos tocar cordas mais nobres e elevadas, e tocamos apenas grosseiras tripas.

Nosso corpo é uma das maravilhas do universo. No presente não percebemos o que ele contém, seus poderes a serem desenvolvidos no futuro que o tempo revelará, cujo desenvolvimento podemos apressar agora.

Estes poderes do ser humano funcionam através dos sete principais centros de energias no corpo: sete órgãos ou glândulas, às vezes chamados chakras. Os chakras são órgãos astrais e suas funções específicas estão rodeadas de mistério.

Tudo sobre Chakras | Personare

Através de nossa vontade, pelo estudo, podemos tornar os chakras superiores bem mais ativos do que são atualmente, e assim nos tornar deuses entre os homens. Mas a maioria de nós não faz isso. Vivemos no mundo abaixo do diafragma humano, por assim dizer.

Ainda assim, apesar de nossos piores esforços para matar o deus dentro de nós, para destruir sua obra sagrada, as glândulas pineal e pituitária, bem como o coração, continuam funcionando da mesma forma. Somos protegidos contra nossa própria tolice.

O mais inferior destes chakras pode ser transformado num dos mais nobres mudando sua direção funcional para a espiritualidade criativa. Outros chakras no corpo humano podem ser utilizados para a produção dos mais poderosos e nobres trabalhos de um gênio. Mas quantos se lembram da santidade da criação espiritual?

No chakra do coração (aqui o autor se refere a hridaya, o coração espiritual do lado direito do peito, e não a anáhata, que é o chakra do coração) habita o deus interior; seus raios tocam o coração e o preenchem com sua luz áurica. Este lugar é o santo dos santos.  Ali mora a consciência, assim como o amor, a paz, a autoconfiança, a esperança e a sabedoria divina. A morada dessas qualidades é o coração místico, do qual o coração físico é o instrumento material.

O cérebro é o órgão da mente, o campo de atividade do raciocínio comum através do qual temos pensamentos ordinários e elevados. Conectadas ao cérebro estão a pineal e a pituitária. A glândula pineal é como uma janela que se abre ao mar infinito e aos horizontes de luz. É o órgão da inspiração, da intuição, da visão divina.

O coração (hridaya) é superior à mente, porque é o órgão da natureza espiritual do indivíduo. Quando o coração inflama a pineal e a põe a vibrar rapidamente, há um forte fluxo de força espiritual que o homem experimenta, a tal ponto que seu corpo fica como que revestido de uma aureola de glória. Sua cabeça fica envolvida por um halo, pois à medida que a pineal vibra rapidamente o olho interno se abre e vê o infinito; e o halo é o fluxo energético desta atividade da pineal.

A pituitária é o capitão que executa as ordens do rei pineal. É o órgão da vontade e do impulso. E quando a pineal põe a pituitária vibrando em sincronia com sua própria vibração, temos um homem divino, já que ali o intelecto encara o infinito.

Então a divindade no coração fala e vibra em sincronia com a pineal, e a pituitária assim inspirada trabalha através dos outros chakras e torna o homem uma harmonia de energias superiores!

Todos os grandes mestres espirituais do mundo todo, os grandes homens divinos da raça humana, nos disseram como aumentar a vibração da glândula pineal. A primeira regra é viver como um verdadeiro ser humano. Simples assim. A próxima regra é cultivar as qualidades superiores que o tornarão um homem superior. Seja justo, seja gentil, perdoe, seja compassivo. Aprenda a expressar a beleza do auto-sacrifício pelos outros; há algo de muito heroico nisso.

Mantenha essas ideias em seu coração; acredite que você tem intuição; viva em seu ser superior. Quando puder viver continuamente assim, então aproxima-se o tempo em que você se tornará um glorioso Buddha.

Quando uma pessoa tem um pressentimento, a pineal está começando a vibrar suavemente. Quando ela tem uma intuição ou uma inspiração, ou um súbito clarão de entendimento, a pineal está começando a vibrar mais fortemente, embora com suavidade. A pineal pode ser cultivada a fim de funcionar mais, se acreditarmos em nós mesmos e em nosso poder espiritual inato.



1.11.17

OS CENTO E DOZE CAMINHOS DE SHIVA (Vijnana Bhairava, texto do Shaivismo Tântrico)

(Sadhguru diz que todos os sistemas religiosos e filosóficos do mundo derivam e estão contidos nestes 112 caminhos, que foram revelados por Shiva a Párvati há mais de 30 mil anos, e que este texto é a ciência original da autorrealização, enquanto os demais sistemas são tecnologias derivadas dela)

Devi (a Deusa) diz:
Ó Shiva, qual é tua realidade?
O que é este universo cheio de maravilhas?
O que é a semente?
Quem põe no centro a roda universal?
O que é esta vida além das formas?
Como podemos ir além do espaço e tempo, nome e forma?
Esclarece minhas dúvidas!
Shiva responde:
1. Radiante mulher, esta experiência pode despontar entre duas respirações. Após o ar entrar e antes do ar sair – a beneficência.
2. Quando a respiração entra, até sair; e novamente quando a respiração entra – através desses giros, perceba.
3. Ou, sempre que a respiração que entra e a que sai se fundirem, neste instante toque o centro cheio de energia sem energia.
4. Ou, quando a respiração sai e para por si mesma, ou quando entra e para – nesta pausa universal o pequeno eu desaparece. Isso é difícil apenas para o impuro.
5. Considera tua essência como raios de luz subindo de chakra em chakra na coluna vertebral, assim desperta a vida em você.
6. Ou nos espaços entre eles, sente isso como relâmpago.
7. Devi, imagina as letras sânscritas nesses focos de consciência cheios de mel, primeiro como letras, depois mais sutilmente como sons, e então como os mais sutis sentimentos. Então colocando-os de lado seja livre.
8. Com a atenção entre as sobrancelhas, deixa a mente existir antes do pensamento. Deixa a forma enchê-la com a essência da respiração até o topo da cabeça e dali despeje como luz.
9. Ou imagina os círculos de cinco cores da pena do pavão como seus cinco sentidos num espaço ilimitado. Agora deixa sua beleza fundir-se dentro. Do mesmo modo, em qualquer ponto do espaço ou de uma parede, até que o ponto se dissolva. Então teu desejo de outro se realiza.
10. Com os olhos fechados, vê teu ser interior em detalhe. Vê assim tua verdadeira natureza.
11. Coloca toda tua atenção no nervo, delicado como um fio de lótus, no centro de tua coluna vertebral. Ali sê transformada.
12. Fechando as sete aberturas da cabeça com suas mãos, há um espaço entre teus olhos que inclui tudo.
 13. Tocando as bolas dos olhos levemente, a luz entre eles se abre e se transforma no coração e ali permeia o cosmo.
14. Banha-te no centro do som, como num som contínuo de uma cachoeira. Ou colocando os dedos nos ouvidos, ouve o som dos sons.
15. Entoa um som, como a-u-m, vagarosamente. Assim como o som entra na sensação, faz o mesmo.
16. No começo e com o gradual refinamento do som de qualquer letra, desperta.
17. Enquanto ouve instrumentos de corda, ouça seu som central; assim a onipresença.
18. Entoa um som de modo audível, em seguida menos e menos audível à medida que o sentimento se aprofunda nesta harmonia silenciosa.
19. Imagina o espírito simultaneamente dentro e em volta de ti, até que todo o universo se espiritualize.
20. Gentil Deusa, entra na presença etérica impregnando o que está acima e abaixo de tua forma.
21. Coloca tua mente em tal excelência inexpressível acima, abaixo e dentro de teu coração.
22. Considera qualquer área de tua forma presente como espaço ilimitado.
23. Sente tua substância, ossos, carne, sangue, saturados com essência cósmica.
24. Supõe que tua forma passiva seja um espaço vazio com paredes de pele - vazio.
25. Abençoada Deusa, assim como os sentidos são absorvidos no coração, alcança o chakra do lótus.
26. Desconsiderando a mente, mantém-te no meio - até.
27. Quando estiver em atividade mundana, mantém-te atenta entre duas respirações, e assim praticando, em poucos dias nasça novamente.
28. Concentra-te no fogo que sobe através de tua forma, vindo dos dedos do pé, até que teu corpo seja queimado até as cinzas, mas não tu.
29. Medita no mundo ilusório como se estivesse sendo queimado até as cinzas, e torna-te um ser além de humano.
30. Sente as excelentes qualidades criativas penetrando teu peito e assumindo delicadas configurações.
31. Com respiração sutil no ajna chakra, quando esta alcança o coração no momento do sono, tem controle sobre os sonhos e sobre a própria morte.
32. À medida que, subjetivamente, as letras se transformam em palavras e as palavras em sentenças, e à medida que, objetivamente, os círculos se transformam em mundos e mundos em princípios, descobre finalmente estes convergindo em nosso ser.
33. Graciosa mulher, o universo é uma concha vazia onde tua mente se diverte infinitamente.
34. Olha uma tigela sem ver os lados ou o material. Em poucos instantes torna-te consciente.
35. Permanece em algum espaço sem fim, livre de árvores, colinas, habitações. Daí vem o fim das pressões da mente.
36. Amada, medita no conhecimento e no não-conhecimento, no existir e no não-existir. Então deixa ambos de lado para que tu possas ser.
 37. Olha com amor algum objeto. Não olhes para outro objeto. Aqui, no meio deste objeto – a bênção.
38. Sente o cosmo como a brilhante presença sempre viva.
39. Com máxima devoção, concentra-te nas duas junções da respiração e conhece aquele que conhece.
40. Considera a totalidade como teu próprio corpo de bem-aventurança.
41. Enquanto és acariciada, doce princesa, entra na carícia como vida eterna.
42. Cerra as portas dos sentidos ao sentir como que formigas caminhando sobre o corpo. Então.
43. No começo da união sexual, mantém a atenção sobre o fogo no começo, e assim continuando, evita as brasas no fim.

44. Quando em tal abraço teus sentidos forem agitados como folhas, penetra esta agitação.
45. Mesmo recordando a união, sem o abraço, a transformação.
46. Ao ver com alegria um amigo ausente por longo tempo, penetra esta alegria.
47. Ao comer ou beber, torna-te o gosto da comida ou da bebida, e sê preenchida.
48. Ó mulher de olhos de lótus, de toque doce, ao cantar, ver, provar, sê consciente de quem tu és e descobre o sempre-vivente.
49. Onde quer que encontres satisfação, seja qual for o ato, realiza isto.
50. Ao dormir, quando o sono ainda não te dominou e a consciência externa desaparece, neste ponto o ser é revelado.
51. No verão, quando tu vires o céu infinitamente claro, entra nesta claridade.
52. Deita-te como morta. Envolvida pela ira, permaneça assim. Ou olha fixamente sem mover uma pestana. Ou sugue algo e torna-te a sucção.
 53. Sem apoios para os pés ou as mãos, senta-te apenas sobre as nádegas. De repente, a centralização.
54. Numa posição confortável gradualmente impregne uma área entre as axilas em grande paz.
55. Vê como se fosse pela primeira vez uma pessoa bela ou um objeto comum.
56. Com a boca levemente aberta, mantém a mente no meio da língua. Ou à medida que a respiração entra silenciosamente, sente o som HH (aspirado).
57. Sobre uma cama ou um assento, deixa-te tornar sem peso, além da mente.
58. Num veículo em movimento, oscilando ritmicamente, experimenta. Ou num veículo parado, deixa-te balançar em vagarosos círculos invisíveis.
 59. Simplesmente olhando o céu azul além das nuvens, a serenidade.
60. Shakti, vê todo o espaço como se já absorvido em tua própria cabeça no esplendor.
61. Despertar, dormir, sonhar, conhecer a ti mesma como luz.
62. Na chuva durante uma noite escura entra nesta escuridão como a forma das formas.
63. Quando não houver uma noite chuvosa e sem lua, fecha os olhos e encontra a escuridão ante ti. Abrindo os olhos, vê a escuridão. Assim os enganos desaparecem para sempre.
64. Assim como tens o impulso de fazer algo, para.
65. Concentra-te no som a-u-m sem nenhum a ou m.
66. Silenciosamente pronuncia uma palavra terminando em AH. Depois o  HH sem esforço, a espontaneidade.
67. Sente-te como penetrando todas as direções, longe, perto.
68. Fura uma parte de tua forma cheia de néctar com um alfinete, e gentilmente entra no furo.
69. Sente: meu pensamento, pensamento-eu, órgãos internos – eu.
70. Ilusões enganam. Cores limitam. Mesmo as coisas divisíveis são indivisíveis.
71. Quando algum desejo vier, pensa nele. Então subitamente, abandona-o.
72. Ante o desejo e ante o conhecimento, como posso dizer eu sou? Pensa nisso. Dissolve na beleza.
73. Com toda tua consciência já no começo do desejo, do conhecimento, conhece.
74. Ó Shakti, cada percepção particular é limitada, desaparecendo em onipotência.
75. Na verdade as formas são unas. Uno é o ser onipresente e tua própria forma. Realiza cada forma como feita desta consciência.
76. Em estados mentais de extremo desejo, fica indiferente.
77. Este assim chamado universo aparece como um espetáculo ilusório. Para ser feliz olha-o desta maneira.
78. Oh Amada, não coloques a atenção no prazer ou na dor, mas entre estes.
79. Lança de lado o apego ao corpo, realizando “Eu estou em toda parte”. Quem está em toda parte é feliz.
80. Objetos e desejos existem em mim assim como em outros. Aceitando isso, deixa-os ser transformados.
81. A apreciação do objetivo e do subjetivo é a mesma para o iluminado e para o não iluminado. O primeiro tem uma grandeza: ele permanece no estado subjetivo, não se perde nas coisas.
82. Sente a consciência de cada pessoa como tua própria consciência. Assim, deixando de lado a autopreocupação, torna-te cada ser.
83. Pensando em nada tornarás ilimitado o ser limitado.
84. Acredita onisciente, onipotente, onipresente.
85. Assim como ondas vêm com a água e flamas com o fogo, assim as ondas universais conosco.
86. Perambula por aí até exausta, e então, caindo no chão, neste cair sê a totalidade.
87. Supõe que tu estás gradualmente sendo privada de força ou de conhecimento. No instante da privação, transcende.
88. Ouve enquanto o ensinamento místico final é ensinado: olhos imóveis, sem piscar, imediatamente torna-te absolutamente livre.
89. Fecha os ouvidos pressionando-os e o reto contraindo-o, entra no som do som.
90. No fim de um poço profundo, olha firmemente em suas profundidades até que – a maravilha.
91. Quando tua mente vagar, internamente ou externamente, neste mesmo lugar - isto.
92. Quando vividamente consciente através de algum sentido em particular, mantém-te na consciência.
93. No começo de um espirro, durante o susto, na ansiedade, sobre um abismo, fugindo na batalha, na extrema curiosidade, no começo da fome, no fim da fome, esteja ininterruptamente consciente.
94. Deixa a atenção se fixar num lugar onde tu vês um acontecimento passado, e até mesmo tua forma, tendo perdido suas características presentes, é transformada.
95. Olha algum objeto, e então vagarosamente tira dele tua visão, então vagarosamente tira dele teu pensamento. Então.
96. A devoção liberta.
97. Sente um objeto à tua frente. Sente a ausência de todos os outros objetos, menos este. Então deixa de lado o sentimento do objeto e o sentimento da ausência, realiza.
98. A pureza de outros ensinamentos é uma impureza para nós. Na verdade, não conheças nada como puro ou impuro.
99. Esta consciência existe como cada ser, e nada mais existe.
100. Sê a mesma e indiferente para um amigo e para um estranho, na honra e na desonra.
101. Quando um pensamento contra alguém ou a favor de alguém aparecer, não o coloques sobre a pessoa em questão, mas permanece centrada.
102. Supõe que tu contemplas algo além da percepção, além da compreensão, além do não-ser, tu.
103. Entra no espaço, sem apoio, eterno, calmo.
104. Sempre que tua atenção acende, neste mesmo ponto, experiência.
105. Entra no som de teu nome, e através deste som, todos os sons.
106. Eu existo. Isto é meu. Isto é isto. Ó Amada, mesmo assim conhece ilimitadamente.
107. Esta consciência é o espírito que guia em cada um. Sê isto.
108. Aqui é uma esfera de mudança, mudança, mudança. Através da mudança, destrói a mudança.
109. Assim como uma galinha dá nascimento a seus pintinhos, dá nascimento a conhecimentos particulares, realizações particulares, na realidade.
110. Desde que, na verdade, cativeiro e liberdade são relativos, estas palavras são apenas para aqueles assustados com o universo. Este universo é um reflexo das mentes. Assim como tu vês muitos sóis na água refletidos de um sol, assim vê o cativeiro e a liberação.
111. Cada coisa é percebida através da cognição. O eu brilha no espaço através da cognição. Percebe o ser único como conhecedor e conhecido.
112. Amada, neste momento deixa a mente, a cognição, a respiração, a forma, serem incluídos.