11.3.18

O CONTENTAMENTO - Swami Sivananda

Esteja absolutamente satisfeito com aquilo que Deus lhe deu. Por que Deus me deu este tipo de nariz? Nunca pense nas coisas que não são suas. Fique alegre com as coisas que possui. Esse é o truque da mente para mantê-lo sempre na tristeza e necessidade.

Você sempre fica cismando sobre as coisas que não tem e sobre as coisas que os outros têm. O chefe de um território pensa em se tornar rei. Um rei pensa em se tornar imperador. Um imperador pensa em conquistar o mundo.

A indigência da mente nunca pode ser satisfeita. Um imperador mundial pensa que deve tornar-se o Senhor dos Céus – Indra. E depois disso vai pensar em algo mais. Assim, desde o mais elevado Brahma, que é o Senhor da criação, só existe insatisfação. Mas um homem vestido em trapos, se estiver contente, é feliz.

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Assim, esteja contente em qualquer posição que a vida o colocou. Quaisquer habilidades, quaisquer talentos que você possuir, qualquer coisa que obtiver para suas necessidades diárias, esteja contente. Assim terá a chave para a felicidade e a paz.

Outra coisa importante: quando você está feliz, toda rivalidade termina. Do contrário, você vai pensar, “Este homem tem o que eu não tenho”. Este tipo de inveja é criada em sua mente e se torna a causa de seu sofrimento. Mas quando existe contentamento, você é feliz. O espírito da rivalidade termina.

Da rivalidade vem a inveja, a competição, a hostilidade, e se você não puder ter o que outra pessoa tem, você no mínimo tentará privá-la do que ela tem e trazê-la a seu nível. A inveja humana é tal que, se você não puder chegar ao nível da outra pessoa, vai querer puxá-la para baixo. Tais pensamentos e ações se devem à ausência de contentamento.

Desse modo, o contentamento provoca um maravilhoso efeito purificador na mente. A mente se livra da hostilidade, da mesquinhez, e a reação que o contentamento produz sobre a mente tende a purificar a mente. Tenha serenidade, que é o pré-requisito essencial para pacificar a mente.



6.3.18

COMO ALIVIAR A DOR DE CABEÇA CAUSADA PELA MEDITAÇÃO – Human Being



O despertar espiritual às vezes é acompanhado de um sentimento físico de energia fluindo pelo corpo ou ao redor do terceiro olho e alto da cabeça. Esse sentimento é um dos sintomas mais comuns do despertar espiritual. Há pessoas que lutam com essa pressão durante longo tempo; é necessário descobrir como lidar com isso de maneira a se atualizar todo o corpo energético e preparar o sistema nervoso para canalizar mais energia que antes.
Por que sentimos essa pressão energética? Quando despertamos espiritualmente, os chakras superiores (alto da cabeça e terceiro olho) começam a se abrir, e isso faz com que a energia canalizada se acumule na cabeça, causando uma pressão muito forte que pode às vezes ser dolorosa.
Eventualmente o chakra da garganta e o do coração também começarão a se abrir, e isso poderá levar a sensações da energia estar fluindo através de seu coração ou garganta. A pressão sempre significa resistência; significa que sempre há algo que você não está permitindo ou alguma tensão física que você não está relaxando. Também pode significar que você está controlando sua vida em vez de permitir que ela flua e se desenvolva naturalmente.
Se isso acontece a você, aqui estão alguns exercícios que podem ajudar. Você pode ajustá-los a suas necessidades e sua experiência. Seja seu próprio juiz.
1- Sente-se numa posição confortável, sem ser perturbado, durante dez minutos.
2 – Respire 3 ou 4 vezes calma e profundamente. Sinta sua respiração à medida que entra e sai vagarosamente.
3 – Volte sua atenção para a pressão em sua cabeça, mas sem concentrar-se nela. Relaxe sua cabeça, seus lábios, seu queixo, sua testa e a parte de trás. Faça isso com suavidade, sem pressa.
4 – Sinta que a pressão está se movendo para baixo, para seu pescoço, muito devagar.
Termine sua meditação quando sentir que a pressão foi aliviada.
Outra maneira de aliviar a pressão energética é deitar-se de costas sobre uma cama firme, ou sobre um cobertor colocado no chão, mãos e pernas levemente abertos, e relaxar o corpo, permitindo que a energia se ajuste e se distribua pelo corpo todo. Na Hatha Yoga, esta posição é chamada Shavâsana (pose do cadáver). Pense: estou relaxando e deixando a energia fluir, encontrando seus caminhos no corpo. Faça isso até sentir-se equilibrado energeticamente. Adormecer durante esta prática é comum e benéfico.

Shavasana
 shavâsana

Outras sugestões, que podem ajudar como alternativas:
- Interrompa a meditação por uns dias e envolva-se em atividades físicas. Simplesmente sinta o sabor de viver e ignore a pressão, até que ela se vá.
- Faça algumas âsanas de hatha yoga.
- Tome uma ducha quando sentir que a pressão está intensa.
- Caminhe descalço sobre a terra ou a grama, a fim de estabelecer um fio-terra.
Se você puder lidar com a pressão ou não se incomodar com sua existência, então nada terá a temer, porque a seu devido tempo a energia encontrará seu caminho próprio, os chakras vão ser purificados e se abrirão por si mesmos, e a energia fluirá em equilíbrio.




O PAPEL DE BUDDHI – I. K. Taimni


A iluminação de Buddhi (corpo da intuição, corresponde ao Ajna Chakra) é necessária não apenas para evitar que nos desviemos na vida, ou que caiamos no mau caminho, mas também no campo da sádhana (práticas espirituais), quando embarcamos na divina aventura da auto-realização.

Muitas pessoas acreditam que tudo que têm a fazer para assegurar seu progresso espiritual é encontrar um guru adequado que as guiará em tudo e se tornará responsável por seu bem-estar espiritual.

A verdade, no entanto, é que nenhuma caminhada verdadeira na vida espiritual é possível até que o buscador tenha desenvolvido seu Buddhi suficientemente para encontrar dentro de si mesmo toda orientação que necessita para seu progresso espiritual.

O guru pode ajuda-lo nos pontos mais importantes ou em ocasiões especiais, mas ele não pode estar sempre junto ao discípulo para ajuda-lo em cada dificuldade ou provação. Na verdade, quanto mais o discípulo avança no caminho, mais tem de aprender a ser independente de seu guru. A luz no Caminho deve vir do interior.

Meditação - Wikiwand

Essa luz, que resulta de um funcionamento sadio da faculdade búdica, pode vir do interior apenas quando a mente está suficientemente purificada pelo reto viver e pela autodisciplina ióguica.

Essa luz o guia através de diferentes estágios da longa e difícil jornada, e o protege dos perigos e tentações de todo tipo. Desse modo, ele precisa de discriminação (Viveka) e intuição (Buddhi) desde o momento em que entra no caminho. Daí a importância de desenvolver Buddhi.

Os antigos rishis não esperavam que cada pessoa quisesse ou estivesse qualificada para trilhar a difícil senda da auto-realização, mas queriam que cada pessoa levasse uma vida de retidão, com sua face voltada para Deus.

Mesmo que a pessoa não fosse forte ou desenvolvida o suficiente para trilhar a difícil senda, esperava-se que vivesse de modo inteligente e buscasse a felicidade ordinária de maneira correta e não de maneira errada, o que lhe poderá trazer indizível sofrimento.

Desse modo, a pessoa pode gradativamente desenvolver suas faculdades espirituais até se tornar forte e discriminativa o suficiente para trilhar o Caminho da Santidade.


20.2.18

UMA ENTREVISTA COM NISARGADATTA MAHARAJ


Este diálogo, certa tarde, aconteceu entre um jovem canadense, usando
roupas indianas, e Maharaj. O jovem disse que tinha vinte e três anos e usava
em seu pescoço uma pequena cruz de prata pendurada numa delicada
corrente. Disse que tinha lido o livro I AmThat (Eu Sou Aquilo) uns dias antes, e
isso lhe despertou o desejo de encontrar Maharaj pessoalmente.

Maharaj: Você é tão jovem. A partir de que idade ficou interessado na busca
espiritual?

Visitante: Senhor, desde que me lembro tenho estado profundamente
interessado no Amor e em Deus. E sinto fortemente que não são diferentes.
Quando me sento em meditação, eu frequentemente...

Maharaj: Espere um momento. O que exatamente você quer dizer com
“meditação”?

Visitante: Realmente não sei. Tudo que faço é sentar-me de pernas cruzadas,
fechar meus olhos e permanecer absolutamente quieto. Então meu corpo
relaxa e minha mente se dilui no espaço e o processo do pensamento
gradualmente fica suspenso.

Maharaj: Isso é bom. Por favor, prossiga.

Visitante: Frequentemente, durante a meditação, um sentimento de amor
extático aparece em meu coração, junto com uma efusão de bem-estar. Não
sei o que é isto. Foi durante uma dessas meditações que me senti inspirado a
visitar a Índia – e aqui estou.

Maharaj: Quanto tempo você ficará em Mumbai?

Visitante: Realmente não sei. Raramente faço planos. Tenho dinheiro
suficiente para ficar aqui durante 15 dias e já comprei minha passagem de
volta.

Maharaj: Agora diga-me, o que exatamente você quer saber? Tem perguntas
específicas?

Visitante: Eu estava muito confuso quando desembarquei em Mumbai. Não sei
o que me levou a uma livraria, porque não tenho o hábito da leitura. No
momento em que peguei o livro I AmThat (Eu Sou Aquilo), experimentei o
mesmo irresistível sentimento que tenho durante minha meditação. À medida
que fui lendo o livro, um peso pareceu ser tirado de dentro de mim, e enquanto
estou sentado aqui em sua frente, sinto como se estivesse conversando
comigo mesmo e o que estou dizendo para mim mesmo parece blasfêmia. Eu
estava convencido de que o amor é Deus. Mas agora penso que o amor é
seguramente uma ideia, e se o amor é uma ideia Deus também deve ser uma
ideia.

Maharaj: Então, o que há de errado nisto?

Visitante: (Rindo) Agora, você falando assim, não fico com sentimento de
culpa por transformar Deus numa ideia.

Maharaj: Na verdade, você disse que o amor é Deus. O que você quer dizer
com a palavra “amor”? Quer dizer o amor que é o oposto de ódio? Ou quer
dizer outra coisa, embora nenhuma palavra seja adequada para descrever
Deus.

Visitante: Não. Não. Com a palavra “amor” certamente não quero dizer o
oposto de ódio. O que quero dizer é que o amor é abster-se de discriminar
entre “mim” e o “outro”.

Nisargadatta Maharaj - Eu sou anterior a tudo (Documentário ...
Nisargadatta

Maharaj: Em outras palavras, unidade do ser?

Visitante: Sim, de fato. O que, então, é Deus a quem devo orar?

Maharaj: Vamos falar sobre oração mais tarde. Agora vejamos, o que
exatamente é esse “Deus” do qual você está falando?Não é ele a própria
consciência – o sentido de “ser” que a pessoa tem – por cuja causa você é
capaz de fazer perguntas? “Eu sou” é em si mesmo Deus. Qual é a coisa que
você mais ama? Não é este “Eu sou,”a presença consciente que você deseja
preservar a qualquer custo? A própria busca é Deus. Na busca você percebe
que “você” está separado deste complexo corpo-mente. Se você não fosse
consciente, o mundo existiria para você? Haveria qualquer ideia de Deus? E a
consciência em você e a consciência em mim, são elas diferentes? Não são
elas separadas apenas como ideias, buscando a unidade? E não é isto amor?

Visitante: Agora entendo o que se quer dizer com “Deus está mais próximo de
mim do que eu estou de mim mesmo.”

Maharaj: Também lembre que não pode haver nenhuma prova da Realidade a
não ser sendo ela. Na verdade, você é a Realidade e sempre foi. A consciência
parte quando o corpo acaba.

Visitante: O que então é a oração, e qual seu propósito?

Maharaj: A oração, como é compreendida, nada mais é senão pedir algo. Na
verdade, orar significa comunhão, união, yoga.

Visitante: Tudo está tão claro agora, como se uma grande quantidade de
entulho tivesse sido de repente retirada de meu sistema.

Maharaj: Você quer dizer que agora parece ver tudo com clareza?

Visitante: Não. Não! Parece não. Está claro, tão claro que me admiro de que
não estivesse claro antes. Várias afirmações que tinha lido na Bíblia, que
pareciam importantes antes, apesar de vagas, agora estão claras como cristal
– afirmações tais como: Antes que Abraão fosse eu sou; Eu e meu Pai somos
um; Eu sou o que sou.

Maharaj: Bom. Agora que você esclareceu suas dúvidas, qual sádhana vai
fazer para obter liberação de seu “cativeiro”?

Visitante: Ah Maharaj! Agora você está brincando comigo. Ou está me
testando? Com certeza, agora sei e realizei que “Eu sou Aquilo – Eu sou o que
sempre fui e sempre serei”. O que mais tenho a fazer? Ou desfazer? E quem
irá fazer? E para quê?

Maharaj: Excelente! Apenas seja.

Visitante: Farei isso, com certeza.

Então o jovem canadense prostrou-se ante Maharaj, seus olhos brilhando com
lágrimas de gratidão e alegria.Maharaj perguntou-lhe se ele viria novamente, e
o rapaz disse: “Honestamente, não sei”.

Quando ele partiu, Maharaj ficou sentado por uns instantes com seus olhos
fechados, um sorriso gentil nos lábios. E então disse muito suavemente: “Uma
pessoa rara”.

7.2.18

TRANSFORMANDO A MENTE – Swami Shivapadananda

 O Senhor Vishnu perguntou a Prahlada, ‘O que você quer?’ Ele disse, ‘Dê-me amor por Teus pés de lótus, dê-me devoção’. O Senhor disse, ‘Peça-me a liberação, peça-me riqueza, peça-me esposa e filhos, peça-me o que quiser, mas por favor, te suplico, não me peça isto’.

Prahalada disse, ‘Mas, Senhor, por que?’ O Senhor disse, ‘Aqueles que seguem o caminho de jnana, conhecimento, conseguem a liberação. Não vinculam ninguém. Não preocupam ninguém. Você não vê que Lakshmi me fez seu escravo? Cada vez que ela chora, tenho de dar-lhe atenção e dizer: Sim, minha querida. O que você quer?’ 

Assim, quando pedir algo a Deus, peça-lhe amor: amor, e mais amor, em meu coração por Ti. Não um carro novo. Não uma esposa, ela vai ficar velha e então os problemas começam. Peça aquilo que nunca ficará velho, aquilo que permanece constante. Peça amor, o amor é sempre constante. E você será sempre feliz. 

O amor humano flutua quando um homem envelhece e uma mulher envelhece. Então aquela pobre mulher um dia vai se vestir bem para agradar seu marido e ele vai dizer, ‘por que você está tão bem vestida?’ Esta é a verdade, quer você goste ou não. Estes são os duros fatos do prazer sensual. 

Por isso peça a Deus, ‘dê-me devoção’. Não confie na mente. A mente dirá, ‘cometa suicídio.’ E você pensa, ‘sim, farei isso, mostrarei algo às pessoas’. Então você vai ao mar e se afoga. Sua mente dirá, ‘veja o que fiz!’ A mente é uma completa trapaceira. Depois de colocar você numa situação difícil, ela vai rir. Não confie em sua mente. Confie na Mente Divina. Quando você entrega sua mente a Deus, ela se torna Divina. Enquanto você não a entrega, ela é sua mente. Não confie nela.

Imagem relacionada Vishnu e Lakshmi

4.2.18

PARA QUE SERVE A HATHA YOGA – Sadhguru



O corpo pode se tornar um meio para seu crescimento espiritual ou pode se tornar uma barreira. Se uma parte de seu corpo está com dor, é difícil de aspirar algo mais elevado porque a dor se torna dominante em sua vida. Se você tiver uma grande dor lombar, a coisa mais importante do universo é sua dor lombar. Mesmo que Deus apareça em sua frente, você Lhe pedirá que alivie sua dor lombar. Não pedirá nenhuma outra coisa porque o corpo físico tem tal poder sobre você.

Quando o corpo não funciona bem, ele tira de você toda outra aspiração. Todos os seus desejos desaparecem quando o corpo sente dor. Muitas pessoas se livraram de problemas na coluna simplesmente fazendo as ásanas da Hatha Yoga. Os médicos lhes tinham dito que teriam de se submeter a cirurgia, mas elas conseguiram evita-la totalmente.

Não é apenas sua espinha que se torna flexível; você também se torna flexível. Uma vez estando flexível, você vai querer ouvir a vida. Aprender a ouvir é a essência do viver inteligente. Dedicar um certo esforço e tempo para fazer com que o corpo não se torne uma barreira é importante.  


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Um corpo com dor se torna um obstáculo, assim como um corpo compulsivo. Compulsões simples como fome ou desejo sexual podem dominá-lo tão fortemente que não lhe permitirão olhar além do físico. É fácil esquecer que o corpo físico é apenas uma parte de você; é importante que ele não se torne a totalidade do seu ser.

As ásanas ajudam a colocar o corpo físico em seu lugar natural. À medida que você entra em dimensões mais profundas de meditação, suas energias se dirigirão para cima, abrindo dimensões mais profundas de experiência. É muito importante, portanto, que os condutos do corpo estejam desimpedidos. Se estiverem bloqueados, não haverá meditação.

Assim, preparar o corpo suficientemente antes de formas mais intensas de meditação é muito importante. A Hatha yoga assegura que o corpo receba o fluir da energia para cima de forma suave e prazerosa. 

Para muitas pessoas, o crescimento espiritual é muito doloroso porque a preparação necessária não aconteceu. A maioria dos seres humanos infelizmente se permitiram ser amoldados inteiramente pelas situações externas. Está se tornando normal no mundo que o crescimento aconteça apenas com dor. Ele também pode acontecer com alegria, mas apenas quando o corpo e a mente foram preparados.

As ásanas podem prepara-lo para o crescimento e a transformação, equipandoo com uma fundação sólida e estável. Hoje em dia a Hatha Yoga que as pessoas estão aprendendo não é a forma clássica em sua plena profundidade e grandeza. A yoga em voga que se vê hoje se atém muito ao aspecto físico da ciência. Apenas ensinar o aspecto físico da yoga é como ter um bebê nascido morto. Não é apenas ineficiente, é uma tragédia.

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Se você quer um processo vivo, a Hatha Yoga deve ser transmitida de uma maneira que inclua as outras dimensões da yoga. A Hatha Yoga não significa ficar de cabeça para baixo ou fazer exercícios de respiração. É a maneira que ela é feita que faz toda a diferença. 

Houve uma época em que eu ensinava pessoalmente Hatha Yoga como um programa a ser feito duas vezes por dia. As pessoas sentiam a intensidade deste programa; lágrimas de êxtase fluíam simplesmente com a prática das ásanas. Por que isso não acontece mais frequentemente? Simplesmente porque a Hatha Yoga está sendo ensinada como um fim em si mesma, ao invés de ser uma preparação.

Consequentemente, enquanto a Hatha Yoga no mundo de hoje traz paz para uns poucos e saúde para outros, é infelizmente um doloroso circo para muitos. Mas se você busca na yoga um meio de se transformar numa possibilidade receptiva além dos cinco sentidos, a Hatha Yoga necessita ser praticada em sua forma clássica.

O BEM-ESTAR – Sadhguru



O que consideramos como um estado de bem-estar? Bem-estar é apenas um profundo senso de prazer interior. Se teu corpo se sente bem, chamamos isso de saúde. Se ele se sente muito bem, chamamos de prazer. Se tua mente se sente bem, chamamos de paz. Se ela se sente muito bem, chamamos isso de alegria.

Se tuas emoções estão agradáveis, chamamos isso de amor. Se elas se tornam muito agradáveis, chamamos de compaixão. Se tuas energias vitais estão agradáveis, chamamos de bem-aventurança. Se estão muito agradáveis, chamamos de êxtase.

Isso é tudo que buscas: prazer interior e exterior. Quando o prazer está dentro, chamamos de paz, alegria, felicidade. Quando teu meio é agradável, traz-te sucesso. Se não estás interessado em nada disso e queres ir para o céu, o que estás buscando? Sucesso no outro mundo.

Assim, essencialmente toda experiência humana é apenas uma questão de agrado ou desagrado em vários graus. Mas quantas vezes viveste um dia inteiro em estado de bênção, sem um único momento de ansiedade, agitação, irritação ou estresse? Quantas vezes viveste em absoluta felicidade por vinte e quatro horas? Quando foi a última vez 
que isso te aconteceu? 


O impressionante é que para a maioria das pessoas neste planeta, nem um único dia aconteceu exatamente da maneira que elas queriam. Todos já experimentaram alguma alegria, ou paz, mas sempre de modo fugaz. Elas são incapazes de fazerem durar estes momentos.

Por que precisas sentir-te bem? A resposta é evidente: quando estás num estado interior agradável, és agradável com todos e tudo ao teu redor. Nenhuma escritura ou filosofia é necessária para te instruir como ser bom com os outros. Ser bom é natural quando te sentes bem interiormente.

O bem-estar interior é necessário para se construir uma sociedade pacífica e um mundo feliz. Além disso, teu sucesso no mundo depende essencialmente da medida de seu controle físico e mental. De modo que, para ter sucesso, a alegria interior tem de ser uma qualidade fundamental em ti.

Além disso, há grande evidência médica e científica atualmente de que teu corpo e mente funcionam muito bem quando estás feliz interiormente. Apenas dissipando a confusão interior e permitindo que a clareza se revele podem fazer com  que isso aconteça.
 


A mesma energia vital à qual te referes como “eu mesmo” às vezes tem sido feliz, às vezes infeliz, às vezes está em paz, às vezes perturbada. A mesma energia vital é capaz de todos esses estados. Assim, se te dessem a chance de escolher qual tipo de expressão tua energia vital deveria ter, qual escolherias? Felicidade ou infelicidade? A resposta é auto-evidente.

Quer você esteja tentando ganhar dinheiro, ou encontrar o amor, ou ter sucesso, ou ir para o céu, ou embebedar-se, a felicidade é teu único objetivo.

A única coisa que se coloca entre ti e teu bem-estar é um fato simples: permitiste que teus pensamentos e emoções sejam instruídos a partir do exterior e não do interior. O que acontece em tua cabeça é produto de tua imaginação. Mesmo que o mundo não seja do jeito que queres, ao menos teus pensamentos e emoções devem ser do jeito que queres.

O mecanismo humano é a mais sofisticada forma física do planeta. Tu és o maior aparelho de tecnologia existente, mas o problema é que não sabes onde se encontra o teclado. É como mexer num supercomputador com uma picareta e uma chave-inglesa. Como resultado, o processo vital está cobrando pedágio da humanidade.

Apenas aprender a ganhar algum dinheiro, reproduzir-se, formar uma família e um dia cair morto – que desafio! É surpreendente como os seres humanos lutam para fazer o que cada verme, inseto, pássaro e animal fazem sem esforço.

Dizendo de modo simples, nossa ecologia interior é uma bagunça. Às vezes pensamos que consertar nossas condições exteriores vai deixar tudo ok no interior. Mas os últimos 150 anos provam que a tecnologia apenas traz o conforto e a conveniência, não o bem-estar interior.

Precisamos entender que, a menos que façamos as coisas certas, não acontecerão coisas certas para nós, e isso é verdadeiro não apenas no mundo exterior, mas também no mundo interior.


Ressentimento, ira, ciúme, mágoa e depressão são venenos que você bebe, mas espera que outra pessoa morra. A vida não funciona assim. A maioria das pessoas levam muitas vidas para entender essa simples verdade.