14.12.18

POSSÍVEIS EXPERIÊNCIAS DURANTE A MEDITAÇÃO – Paul Brunton


 
Possíveis experiências durante a meditação: (1) sonolência; (2) sentimento de frustração; (3) sentimento de um poder superior; (4) sentimento de conforto e leveza; (5) o significado de experiências passadas se torna claro; (6) uma energia dinâmica é sentida na espinha; (7) um sentimento benevolente para com todos; (8) pensamentos misturados que mantêm a atenção distraída; (9) imagens mentais variadas de eventos, pessoas e cenas, principalmente do passado; (10) sons vindos do exterior que distraem; (11) felicidade no coração e atitude positiva; (12) sem resultados especiais, mas com relaxamento geral; (13) uma completa quietude mental durante mais ou menos meio minuto; (14) um sentimento de fracasso ou ansiedade; (15) uma sensação de bem-estar geral; (16) uma esperança que surge com respeito ao futuro; (17) um desejo de ser útil aos outros; (18) um contentamento geral; (19) harmonia com a Natureza.

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Muitos tipos diferentes de experiência interior são possíveis à medida que a meditação progride, alguns muito interessantes e outros meramente temporários. Entre eles estão: separação do corpo, ver uma luz brilhante, sentir necessidade de ficar em silêncio, perder o sentido de identidade pessoal, sentir que o tempo deixou de passar e sentir um vasto vazio espacial.

Se a meditação é suficientemente profunda, a pessoa se torna sensível às emanações invisíveis de outros – seus pensamentos, sentimentos e caráter. Também uma delicada doçura pode surgir no coração. Neste caso, entregue-se a ela completamente.

PERIGOS DA MEDITAÇÃO E COMO EVITÁ-LOS – Paul Brunton

 
A prática da meditação é benéfica, mas há pessoas que ainda não estão prontas para ela e que devem adiá-la até que estejam.Essas pessoas incluem: aquelas cujos valores morais são baixos, as que sofrem de psicoses, perturbações mentais ou histeria emocional, as que tomam drogas, as que possuem ambições exageradas, as que buscam poderes ocultos ou praticam feitiçaria ou magia negra. Essas pessoas precisam de disciplinas ou tratamentos preparatórios, sejam psicológicos ou físicos.

O aspirante deve ser prevenido de que o desenvolvimento na meditação sem um esforço para desenvolver-se moral e intelectualmente pode levar a um estado de desequilíbrio que o tornaria incapaz de cumprir as obrigações comuns da vida.

A meditação é uma técnica muito delicada e, feita incorretamente, pode fazer tanto mal quanto bem. Há épocas em que é necessário abandoná-la para fortalecer as partes mais fracas da personalidade, que do contrário podem afetar o praticante adversamente à medida que ele se torna mais sensível através da prática.

A prática da meditação é acompanhada de certos riscos se também for acompanhada de ignorância e indisciplina. O primeiro risco é alucinação mística, auto-ilusão ou pseudo-intuição. O segundo risco é mediunidade. Onde os espiritualistas acreditam que causa benefícios, os filósofos acreditam que causa dano. O espiritualista considera a mediunidade um processo de obter novas faculdades e poderes, o filósofo a considera um processo para perder a razão, a vontade e o caráter.

 

Se a pessoa, após praticar a meditação por algumas semanas ou meses, tiver fortes dores de cabeça ou embotamento e cansaço, isso pode ser considerado sinal para parar ou diminuir os exercícios espirituais temporariamente até sentir-se melhor.

A pessoa comum, com sentimentos não purificados e sem preparo mental, não pode praticar com segurança exercícios tais como pranayama e imaginação dinamizada. Essas práticas podem facilmente causar-lhe danos.

O perigo de sentar passivamente em meditação na presença de alguém que não tem inclinações espirituais é de receber e absorver daquela pessoa suas emanações emocionais e mentais de caráter negativo. Esta é uma importante razão de por que a prática solitária é recomendada.

Se o desejo ou ira forem despertados durante a meditação e levarem os pensamentos para longe da meta sagrada, é melhor desistir e tentar novamente num outro momento.

Não é aconselhável praticar meditação exageradamente. É necessário às vezes reduzir grandemente os esforços na meditação por um certo tempo, ou até mesmo parar com eles totalmente. De outro modo a sensibilidade criada pode se tornar um obstáculo e não uma ajuda.

Cada boa qualidade de caráter se torna uma salvaguarda nas viagens ao misterioso reino da meditação.
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Para algumas pessoas, os estágios iniciais da meditação estão frequentemente associados com fenômenos psíquicos. Mas eles não são essenciais. Quando aparecem, o buscador é frequentemente desviado de seu caminho, e assim produzem mais mal que bem.

Se o buscador está meramente buscando poderes paranormais, corre grave risco. Quando o desejo de poderes paranormais está misturado com aspirações espirituais, o risco é reduzido, mas não eliminado. Tal risco resulta daqueles seres que vivem no plano sutil, que são malévolos ou enganadores, e que estão prontos a tirar vantagem da condição em que se encontra esse buscador desprotegido.

Se o  buscador realizar os exercícios de maneira certa, com objetivos sadios, sem praticar em demasia, então suas capacidades mundanas não serão enfraquecidas e não haverá prejuízo a seus interesses pessoais. Do contrário, ele se tornará menos apto a lidar com a vida prática e sentirá uma crescente necessidade de retirar-se da existência social.

Não há atividade humana isenta de algum perigo, se realizada em excesso ou erradamente ou ignorantemente. É tolice deixar de praticar meditação por causa de seus perigos particulares. Estes não existem para o homem que os aborda de maneira razoável e com bom caráter.

O objetivo da meditação é levar a pessoa ao seu Eu interior. Se ela permitir que alguma experiência psíquica a detenha no caminho, entra naquela experiência e não dentro de si mesma. É um modo esperto do ego que faz uso de tais experiências, fazendo a pessoa pensar que são mais importantes do que realmente são, mais espirituais do que realmente são.Se a pessoa não perceber isso, poderá desperdiçar anos inutilmente em psiquismo, às vezes toda uma vida.
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Se for contatado um plano psíquico, em vez de um plano espiritual, a pessoa deve sem demora: (a) Parar toda meditação, respiração e exercícios de fixação do olhar, até estar curada completamente. Além disso, procurar orar e purificar o caráter. (b) Até que o problema desapareça, tentar dormir à noite com uma luz acesa, usando uma máscara se for necessário para evitar a claridade. (c) Procurar purificar o caráter o mais possível. Especialmente manter controle sobre pensamentos e sentimentos, tentando limpá-los e sendo cuidadoso com o que permite entrar em sua mente. (d) Ajoelhar-se em oração ao menos duas vezes por dia, pedindo a ajuda e a Graça de Deus em seu favor, confessando sua fraqueza e desamparo.

Pelo poder que se desenvolve no meditador, ele se torna capaz de se elevar a níveis superiores ao seu próprio nível, bem como descer a níveis abaixo de si. No primeiro caso, ele se abre à ajuda de santos e sábios. No segundo, ajuda os seres viciosos e criminosos.

Se por meditação você entende mera absorção dentro de si mesmo, retirar os sentidos do mundo e contatar algum mundo interno, isso não significa necessariamente um estado sagrado, podendo inclusive seruma comunhão com seres demoníacos ao invés de divinos. Existem vários meios de se conseguir essa absorção, que incluem drogas, feitiçaria e magia negra, ou ainda a religião, devoção espiritual e aspiração. Essa diferença deve ser claramente entendida. Essa distinção é ao mesmo tempo ética e mística. Muitas pessoas meio loucas que se recusam a reconhecer isso, caíram num misticismo falso que levou à sua queda e destruição.

Qualquer coisa boa, se excessiva, pode tornar-se facilmente uma coisa má. Qualquer prática mística, se excessiva, praticada pela pessoa errada, no momento errado e sob circunstâncias erradas, pode levar à loucura. Em casos de dúvida, desassossego ou desconforto, é melhor voltar atrás do que ser empurrado aos extremos.

Para detectar os erros da meditação, é bom descrever suas experiências a um buscador mais experiente, se um mestre não estiver disponível, e verifica-las à luz de seu conhecimento.

Se a prática é feita num quarto, é prudente fechá-lo a chave. Durante as primeiras tentativas do primeiro estágio, isso pode não ser necessário, mas nos períodos seguintes, quando já se alcançou algum progresso, é necessário para autoproteção. Se uma pessoa está profundamente absorvida em si mesma, e outra entra no quarto abruptamente, o choque nervoso pode ser severo e causar danos.

A moralidade é indispensável ao buscador. O caminho está cheio de riscos morais e perigos mentais para aqueles que não tiveram seu caráter previamente preparado para engajar-se em tais práticas, para aqueles que ainda estão apegados a seus instintos egoístas e paixões indisciplinadas, para aqueles que são emocionalmente instáveis e mentalmente desequilibrados. Daí que o buscador deve, antes, ter aprendido a autonegação, o autocontrole e o autoaperfeiçoamento. Desejos baixos e sensuais devem não apenas ser contidos, mas também pensamentos vis e atitudes indignas, a fim de que os exercícios de meditação sejam feitos com segurança e terminados com sucesso.

Alguns exercícios espirituais podem não ter nenhum benefício se praticados por mentes despreparadas, e podem até mesmo causar danos. Pessoas bêbadas, doentes, iradas ou insensíveis não podem praticar meditação.

Com a constante prática da meditação a sensibilidade é muito aumentada, sensibilidade aos sentimentos e pensamentos dos outros. E quando essa sensibilidade parece submergir o buscador nas influências e auras alheias, ele corre o risco de perder sua própria individualidade ou ficar confuso por esta absorção mental. Deve-se agir prontamentea fim de manter o equilíbrio, sem deixar essa sensibilidade tornar o buscador vítima das emanações emocionais e projeções mentais dos outros.

O aspirante sábio deve livrar-se de todas as tolas imaginações e fantasias egoístas que são um obstáculo no caminho da meditação. São guias falsos na busca da verdade.

Os perigos que se colocam à prática da meditação não devem nos amedrontar ou afastar dela. Devemos, logicamente, tomar cuidado com os tolos cultos, grupos fanáticos e líderes paranoicos. Devemos também evitar de cair num indolente sonhar acordado, fabricando nosso próprio mundo. Mas uma atitude mental sadia prontamente nos protegerá.

Aspirantes que desejam mais obter "experiências" em sua meditação do que livrar-se do ego, correm o risco de cair nos desvios da busca. Pois as experiências são desejadas principalmente por causa do prazer que dão às emoções do ego e por causa da bajulação que dão à sua mente.

Existem perigos na meditação à espera dos que são mentalmente doentes ou que tentam meditação sozinhos sem supervisão. Seria melhor que praticassem simples relaxamento, o acalmar das emoções e o silenciar dos pensamentos.

O místico, sentado em silêncio em seu quarto de meditação, pode receber grande sabedoria e sentir uma presença benévola, ou se se desviar e se tornar imprudente, pode cair no engano psíquico e ser possuído por presenças do mal. Se ele quiser evitar esses perigos, deve adotar certas salvaguardas e encontrar um guia competente. Sem eles, é melhor contentar-se com o estudo e a fé.

Por que revelar o conhecimento da meditação se ela é perigosa a certas pessoas? Resposta: os fatos devem ser conhecidos, mesmo que a prática seja proibida. Devemos aprender sobre a existência de venenos, mesmo que bebê-los seja proibido. Mas na forma de simples relaxamento, a meditação é urgentemente necessária hoje e não há perigo nisso.

A prática da meditação sob qualquer forma, incluindo com o uso de mantras e mandalas, não exclui o pré-requisito de purificação e disciplina do caráter.

Se vier um tempo em que a corrente da meditação secar, e sua prática não trouxer nenhuma resposta aparente e ela for realizada sem fervor, o aspirante deverá tomar esses sinais como avisos para fazer uma mudança de abordagem por algum tempo. Talvez seja aconselhável dar um longo tempo de descanso a suas práticas.

Meditação praticada por uma personalidade instável emocionalmente e egoísta intelectualmente, pode não apenas não ser de nenhum valor para o progresso espiritual, mas até mesmo aumentar a instabilidade e o egoísmo.

A tendência dos pensamentos de vagar descontrolados pode ser bloqueada por meios indesejáveis, artificiais, doentios e até mesmo perigosos, e o buscador deve ser avisado contra o uso deles. As drogas são apenas um desses meios.

12.12.18

MEDITAÇÃO EM SOHAM – Swami Sivananda


"Soham" significa "Eu sou Ele" ou "Eu sou Brahman." "Sah" significa "Ele." "Aham" significa "Eu." Este é o maior de todos os Mantras. Este é o Mantra dos Paramahamsa Sannyasins. Este é um Abheda-Bodha-Vakya que significa a identidade da alma individual com a Alma Universal.

Meditação em 'Soham' é o mesmo que meditação em OM. Alguns repetem um mantra composto "Hamsah Soham – Soham Hamsah." Diga "Não sou este corpo, mente ou Prana. Sou o Absoluto, Sou o Absoluto - Soham, Soham!"

Repita este Mantra mentalmente. Sinta em seu coração que você é a Alma Universal. Apenas então todos os benefícios da repetição deste Mantra serão percebidos por você. A mera repetição mecânica não vai ajudar muito. Ela tem alguns benefícios, mas os benefícios máximos só podem ser percebidos com o sentimento.

Destrua todas as falsas impressões, as falsas imaginações, todas as fraquezas, todas as superstições e todos os medos vãos. Ainda que esteja nas mandíbulas de um tigre, ruja poderosamente "Soham, Soham, Soham, não sou este corpo!" mesmo que não tenha nada para comer, mesmo se estiver desempregado, diga com grande força e poder, "Soham, Soham."

É a ignorância que lhe trouxe as limitações através da identificação com o corpo. Penetre o véu da ignorância. Descanse em sua natureza essencial Satchidananda através da força da meditação no mantra Soham!

A alma individual repete este mantra 21.600 vezes por dia. Mesmo durante o sono a repetição de Soham continua por si mesma. Observe a respiração com cuidado e saberá. Quando inala, o som 'So' é produzido. Quando exala, 'Ham' é produzido. Repita 'So' mentalmente quando inala, 'Ham' mentalmente quando exala. Pratique isto duas horas de manhã e à noite. Você deve praticar esta meditação 24 horas por dia quando avançar no caminho espiritual. Não haverá necessidade de dormir.

A repetição do mantra composto "Hamsah Soham – Soham Hamsah," cria uma impressão profunda. O famoso Sri Sheshadri Swami de Tiruvannamalai (que foi contemporâneo de Sri Rámana Maharshi) costumava repetir este mantra composto. Quando andava pelas ruas e pelo comércio da cidade, ele repetia este mantra. Meditava neste mantra composto. A repetição de 'Hamsah Soham – Soham Hamsah,' dá mais força. isso intensifica a força do Mantra.




No começo de sua prática, simplesmente observe a respiração de vez em quando. Medite durante uma hora num quarto fechado em Soham. Você pode observar a respiração com a repetição silenciosa de Soham enquanto está sentado, em pé, comendo, conversando, tomando banho etc. Este é um método fácil de concentração.

Soham é a respiração da vida. Se você se concentra na respiração, notará que ela gradualmente se torna muito, muito vagarosa e a concentração se torna profunda. A mente se tornará muito calma. Você sentirá gozo. Ao final se tornará um com o Eu Supremo.
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Nota: a meditação em Soham (repetindo So ao inspirar e Ham ao expirar) pode ser combinada com vantagem com Shámbhavi Mudrá (que é fechar os olhos e dirigi-los gentilmente ao ponto entre as sobrancelhas), como recomenda o próprio Swami Sivananda. 

Ou ainda poderá combinar a repetição do mantra composto Soham Hamsah – Hamsah Soham com Shámbhavi. Inicie com 10 minutos diários, e depois de alguns meses de prática poderá aumentar vagarosamente o tempo de meditação, tendo o cuidado de descansar ao sentir-se fatigado. O cérebro será refrescado e a força mental ficará concentrada em Ajna Chakra (entre as sobrancelhas).


4.12.18

A HISTÓRIA DE BRAHMACHÁRI BAWA - da revista O Teosofista


Nasci no ano de 1882, próximo à cidade de Mumbai. Minha mãe teve onze filhos, dos quais sou o décimo. Sou chamado Brahmachári Bawa porque sou celibatário (Brahmachárya = celibato).

Aprendi os livros sagrados com a idade de sete anos, com 8 anos recebi o cordão sagrado dos brâmanes (iniciação brâmane). Trabalhei no governo britânico dos 15 aos 22 anos com grande zelo e honestidade. Com 22 anos recebi o primeiro sinal de como seria meu futuro, através de uma experiência espiritual.

Então dirigi-me aos brâmanes para aprender a verdade, e eles me disseram: “Se você nos adorar e aprender de nós nossos mantras e encantamentos, lhe revelaremos a verdade sobre o Auto-Existente”.

Assim, aprendi seus mantras e agi conforme me disseram, e então pedi que o verdadeiro conhecimento me fosse transmitido. Mas suas respostas provaram que tinham um coração malvado e eram totalmente ignorantes da verdade.



Muitos eram impostores, alguns usavam bebidas intoxicantes e drogas, outros buscavam o conhecimento sagrado apenas com o objetivo egoísta de obter a alquimia (para transformar metais comuns em ouro), outros buscavam poderes mágicos por motivos egoístas, lutando para satisfazer seus desejos sensuais e para obter lucros financeiros.

A maior parte estava cheia de dúvida e ignorância, portanto eram incapazes de ensinar a outros. Vendo assim que a maioria apenas buscava fama e objetivos egoístas, chamando os que discordavam deles de “infiéis sem fé”, uma grande aversão surgiu por eles em meu coração e fiquei convencido de que havia pouca coisa neste mundo além de impostura e egoísmo.

Já que tinha aprendido nos livros como adorar e comungar com o Mestre universal único, então resolvi agir de acordo e me dirigi às florestas das montanhas de Saptasangi, confiando plenamente na proteção e onisciência do Mestre onipotente (Ishvara, a Alma Universal).

Tinha 23 anos quando abandonei todas minhas possessões, exceto um pedaço de tecido ao redor da cintura, e me retirei à solidão e ao silêncio para meditar nos mistérios do Universo e descobrir a natureza do Eu interior.

Ali pratiquei meditação durante anos, e finalmente vi e conheci a onipotência do Paramatman. Perfeitamente confiante em Seu poder para cuidar de mim, vivi de tubérculos e raízes, bem como da água das fontes, habitando uma caverna solitária.

Algum tempo mais tarde, o Mestre universal ordenou-me que divulgasse o verdadeiro conhecimento entre os homens, e por esta razão fui de lugar a lugar dando palestras para erradicar a ignorância humana.

Passei algum tempo entre os seguidores de cada seita para descobrir o que possuíam da verdade. Vi vários tipos de homens com boas e más qualidades. Discuti sobre filosofia e como alcançar a verdade com muitos homens ignorantes e presunçosos e os fiz abandonar suas falsas crenças.

Rodeado de milhares de interrogadores, respondi satisfatoriamente a suas perguntas e problemas de qualquer natureza. Quando me levantava para falar ao público, tudo que me perguntavam para dissipar suas dúvidas e ignorância fluía de minha boca espontaneamente. Eu possuo esta faculdade por um favor especial do Senhor universal.

 Desse modo, nenhum homem pode silenciar-me. Muitos se satisfizeram com minhas palavras e a qualquer um que venha a mim lhe será ensinada a verdade.

Nada temo. Nem mesmo os perigos mais terríveis e mortais. Tudo que digo é baseado em minha experiência pessoal e está sempre de acordo com a razão. Como não sou dependente e servil, não tenho hábito de lisonjear ninguém. Portanto, os bajuladores e os bajulados, essas pessoas tolas que buscam a fama, embora saibam que sou um homem de poder falam mal de mim em minha ausência.

Mas os homens independentes e imparciais, que queimam de desejo de conhecer a verdade, me enaltecem de acordo com sua compreensão. Apesar disso, transmito tal conhecimento imparcialmente aos que me odeiam e aos que me aplaudem.