4.12.18

A HISTÓRIA DE BRAHMACHÁRI BAWA - da revista O Teosofista


Nasci no ano de 1882, próximo à cidade de Mumbai. Minha mãe teve onze filhos, dos quais sou o décimo. Sou chamado Brahmachári Bawa porque sou celibatário (Brahmachárya = celibato).

Aprendi os livros sagrados com a idade de sete anos, com 8 anos recebi o cordão sagrado dos brâmanes (iniciação brâmane). Trabalhei no governo britânico dos 15 aos 22 anos com grande zelo e honestidade. Com 22 anos recebi o primeiro sinal de como seria meu futuro, através de uma experiência espiritual.

Então dirigi-me aos brâmanes para aprender a verdade, e eles me disseram: “Se você nos adorar e aprender de nós nossos mantras e encantamentos, lhe revelaremos a verdade sobre o Auto-Existente”.

Assim, aprendi seus mantras e agi conforme me disseram, e então pedi que o verdadeiro conhecimento me fosse transmitido. Mas suas respostas provaram que tinham um coração malvado e eram totalmente ignorantes da verdade.



Muitos eram impostores, alguns usavam bebidas intoxicantes e drogas, outros buscavam o conhecimento sagrado apenas com o objetivo egoísta de obter a alquimia (para transformar metais comuns em ouro), outros buscavam poderes mágicos por motivos egoístas, lutando para satisfazer seus desejos sensuais e para obter lucros financeiros.

A maior parte estava cheia de dúvida e ignorância, portanto eram incapazes de ensinar a outros. Vendo assim que a maioria apenas buscava fama e objetivos egoístas, chamando os que discordavam deles de “infiéis sem fé”, uma grande aversão surgiu por eles em meu coração e fiquei convencido de que havia pouca coisa neste mundo além de impostura e egoísmo.

Já que tinha aprendido nos livros como adorar e comungar com o Mestre universal único, então resolvi agir de acordo e me dirigi às florestas das montanhas de Saptasangi, confiando plenamente na proteção e onisciência do Mestre onipotente (Ishvara, a Alma Universal).

Tinha 23 anos quando abandonei todas minhas possessões, exceto um pedaço de tecido ao redor da cintura, e me retirei à solidão e ao silêncio para meditar nos mistérios do Universo e descobrir a natureza do Eu interior.

Ali pratiquei meditação durante anos, e finalmente vi e conheci a onipotência do Paramatman. Perfeitamente confiante em Seu poder para cuidar de mim, vivi de tubérculos e raízes, bem como da água das fontes, habitando uma caverna solitária.

Algum tempo mais tarde, o Mestre universal ordenou-me que divulgasse o verdadeiro conhecimento entre os homens, e por esta razão fui de lugar a lugar dando palestras para erradicar a ignorância humana.

Passei algum tempo entre os seguidores de cada seita para descobrir o que possuíam da verdade. Vi vários tipos de homens com boas e más qualidades. Discuti sobre filosofia e como alcançar a verdade com muitos homens ignorantes e presunçosos e os fiz abandonar suas falsas crenças.

Rodeado de milhares de interrogadores, respondi satisfatoriamente a suas perguntas e problemas de qualquer natureza. Quando me levantava para falar ao público, tudo que me perguntavam para dissipar suas dúvidas e ignorância fluía de minha boca espontaneamente. Eu possuo esta faculdade por um favor especial do Senhor universal.

 Desse modo, nenhum homem pode silenciar-me. Muitos se satisfizeram com minhas palavras e a qualquer um que venha a mim lhe será ensinada a verdade.

Nada temo. Nem mesmo os perigos mais terríveis e mortais. Tudo que digo é baseado em minha experiência pessoal e está sempre de acordo com a razão. Como não sou dependente e servil, não tenho hábito de lisonjear ninguém. Portanto, os bajuladores e os bajulados, essas pessoas tolas que buscam a fama, embora saibam que sou um homem de poder falam mal de mim em minha ausência.

Mas os homens independentes e imparciais, que queimam de desejo de conhecer a verdade, me enaltecem de acordo com sua compreensão. Apesar disso, transmito tal conhecimento imparcialmente aos que me odeiam e aos que me aplaudem.

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