Nasci
no ano de 1882, próximo à cidade de Mumbai. Minha mãe teve onze filhos, dos
quais sou o décimo. Sou chamado Brahmachári Bawa porque sou celibatário
(Brahmachárya = celibato).
Aprendi
os livros sagrados com a idade de sete anos, com 8 anos recebi o cordão sagrado
dos brâmanes (iniciação brâmane). Trabalhei no governo britânico dos 15 aos 22
anos com grande zelo e honestidade. Com 22 anos recebi o primeiro sinal de como
seria meu futuro, através de uma experiência espiritual.
Então
dirigi-me aos brâmanes para aprender a verdade, e eles me disseram: “Se você
nos adorar e aprender de nós nossos mantras e encantamentos, lhe revelaremos a
verdade sobre o Auto-Existente”.
Assim,
aprendi seus mantras e agi conforme me disseram, e então pedi que o verdadeiro
conhecimento me fosse transmitido. Mas suas respostas provaram que tinham um
coração malvado e eram totalmente ignorantes da verdade.
Muitos
eram impostores, alguns usavam bebidas intoxicantes e drogas, outros buscavam o
conhecimento sagrado apenas com o objetivo egoísta de obter a alquimia (para
transformar metais comuns em ouro), outros buscavam poderes mágicos por motivos
egoístas, lutando para satisfazer seus desejos sensuais e para obter lucros
financeiros.
A
maior parte estava cheia de dúvida e ignorância, portanto eram incapazes de
ensinar a outros. Vendo assim que a maioria apenas buscava fama e objetivos
egoístas, chamando os que discordavam deles de “infiéis sem fé”, uma grande
aversão surgiu por eles em meu coração e fiquei convencido de que havia pouca
coisa neste mundo além de impostura e egoísmo.
Já
que tinha aprendido nos livros como adorar e comungar com o Mestre universal
único, então resolvi agir de acordo e me dirigi às florestas das montanhas de
Saptasangi, confiando plenamente na proteção e onisciência do Mestre onipotente
(Ishvara, a Alma Universal).
Tinha
23 anos quando abandonei todas minhas possessões, exceto um pedaço de tecido ao
redor da cintura, e me retirei à solidão e ao silêncio para meditar nos
mistérios do Universo e descobrir a natureza do Eu interior.
Ali
pratiquei meditação durante anos, e finalmente vi e conheci a onipotência do
Paramatman. Perfeitamente confiante em Seu poder para cuidar de mim, vivi de
tubérculos e raízes, bem como da água das fontes, habitando uma caverna
solitária.
Algum
tempo mais tarde, o Mestre universal ordenou-me que divulgasse o verdadeiro
conhecimento entre os homens, e por esta razão fui de lugar a lugar dando
palestras para erradicar a ignorância humana.
Passei
algum tempo entre os seguidores de cada seita para descobrir o que possuíam da
verdade. Vi vários tipos de homens com boas e más qualidades. Discuti sobre
filosofia e como alcançar a verdade com muitos homens ignorantes e presunçosos
e os fiz abandonar suas falsas crenças.
Rodeado
de milhares de interrogadores, respondi satisfatoriamente a suas perguntas e
problemas de qualquer natureza. Quando me levantava para falar ao público, tudo
que me perguntavam para dissipar suas dúvidas e ignorância fluía de minha boca
espontaneamente. Eu possuo esta faculdade por um favor
especial do Senhor universal.
Desse
modo, nenhum homem pode silenciar-me. Muitos se satisfizeram com minhas
palavras e a qualquer um que venha a mim lhe será ensinada a verdade.
Nada
temo. Nem mesmo os perigos mais terríveis e mortais. Tudo que digo é baseado em
minha experiência pessoal e está sempre de acordo com a razão. Como não sou
dependente e servil, não tenho hábito de lisonjear ninguém. Portanto, os
bajuladores e os bajulados, essas pessoas tolas que buscam a fama, embora
saibam que sou um homem de poder falam mal de mim em minha ausência.
Mas
os homens independentes e imparciais, que queimam de desejo de conhecer a
verdade, me enaltecem de acordo com sua compreensão. Apesar disso, transmito
tal conhecimento imparcialmente aos que me odeiam e aos que me aplaudem.

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