14.12.18

O QUE É O CAMINHO LONGO – Paul Brunton


 
O primeiro esforço para o buscador é encontrar os obstáculos que retardam a iluminação; o segundo é removê-los. Isso constitui o Caminho Longo. O aspirante deve passar por um longo processo para dominar suas imperfeições.

As disciplinas são de natureza física, mental e espiritual. Práticas espirituais devem ser feitas, como a meditação, concentração e oração. Deve-se evitar que os pensamentos se extraviem e trazê-los de volta quando o fizerem.

Se o aspirante não puder remover os elementos negativos de seu caráter de uma vez – e quem pode? – então deve fazê-lo aos poucos e através dos anos.

Aquele que se dedica às práticas espirituais naturalmente elevará seu caráter como consequência, porque se aproximará da divindade.

O princípio do Caminho Longo é que a iluminação deve ser conquistada pelo próprio trabalho. O ego deve tornar-se consciente de que está bloqueando a luz do Eu Superior e procurar corrigir isso, purificando-se.

Quem vê que a vida possui pouca coisa que importa e que as alegrias da vida são vazias fica apto para o Caminho Curto.

A doutrina da evolução gradual através de sucessivos passos pertence ao Caminho Longo. O período de preparação e disciplina será longo. Poucos têm o desejo, e muito menos a paciência, de se submeter a ele. É essencial rejeitar pensamentos negativos, aceitar e manter apenas os positivos.

O Caminho Longo deve começar acalmando-se a mente e as emoções, dominando-se as paixões e praticando meditação. Nesse caminho, o aspirante pode fazer pouco para o advento da Graça, mas pode fazer muito para remover os obstáculos a ela.

É trabalho do Caminho Longo obter uma grande medida de autocontrole, mas apenas o Caminho Curto pode finalizar essa obra.

O buscador tem de encontrar algum tempo para a meditação e o estudo, algum tempo em que possa estar totalmente consigo mesmo. Tem de cuidar de sua alimentação para que ela não lhe traga mais dificuldades em sua obra interna. Tem de ser cuidadoso com suas companhias, para não estar reagindo constantemente com suas auras, lutando ou defendendo-se.

O Caminho Longo é aquele onde o buscador critica a si mesmo preparando-se para a autoconquista.

Quem não gostaria de ser dispensado do Caminho Longo para entrar no Caminho Curto? Mas tal dispensa existe apenas para os poucos que estão adiantados no caminho, que se prepararam em vidas passadas para isso.

O buscador precisa de muita paciência para continuar com a prática da meditação e estudo, já que os resultados parecem vir tão devagar. Mas no final ele verá que o tempo não foi desperdiçado; cada esforço nessa direção contou, pois o preparou para receber a ajuda que outras almas desejam lhe dar.

O Caminho Longo é um preparatório para o Caminho Curto. Pode-se dizer que o Caminho Longo pertence à yoga (hatha e raja) e o Caminho Curto à advaita (jnana).

Quando a pessoa se torna insatisfeita consigo mesma, quando sente que seus esforços não a levam a lugar algum, ela pode estar pronta para o Caminho Longo do auto-aperfeiçoamento.

Enredado em sua natureza animal, suas tentativas para viver em sua natureza espiritual consistem num constante aproximar-se do Eu Superior seguido pela queda – um ritmo que atormenta o buscador por anos. Esta é a história do Caminho Longo.



Não é suficiente praticar as disciplinas, controles e negação de si mesmo. O buscador deve também praticá-los com ânimo. O trabalho interior de purificação mental e limpeza emocional será constante. Muitas vezes num único dia o buscador será solicitado a rejeitar pensamentos errados e repelir sentimentos baixos.

O primeiro estágio, o Caminho Longo, é negativo e preparatório. É nele que o buscador tenta libertar-se das forças passionais animalizadas. Ao buscador não se pede que seja um santo, mas que seja sincero.

Os instintos devem ser purificados, as paixões acalmadas e os pensamentos concentrados. O buscador deve estar sempre combatendo seu egoísmo, suas atrações e repulsões. Deve descartar sua má vontade e inimizade para com outras pessoas ou nações. Deve dar um basta à cobiça de ter mais e mais possessões, o que estimula ambições mais fortes.

A autopiedade é inútil ao buscador. Apenas alimenta suas fraquezas e seu ego. Também evita que ele encare a si mesmo e a seus problemas. Em nenhum estágio do Caminho Longo o buscador deve se orgulhar do que conquistou, pois assim ele obstrui o caminho para o estágio seguinte.

O Caminho Longo está relacionado a técnicas, como praticá-las e aplica-las. Mas as técnicas apenas podem melhorar o instrumento humano, torna-lo mais apto a receber a iluminação. Elas não podem por si mesmas dar a iluminação. Quando o Caminho Curto deve ser adotado, depende de cada um e de suas necessidades interiores.

No Caminho Curto os resultados são mais rápidos e se requer menos esforço. Neste caminho, não há preocupação com o tempo nem com o progresso individual. Todas as perguntas e problemas desaparecem, porque o intelecto não está mais ativo. Os aspirantes do Caminho Curto não dependem de um guru, há uma total confiança na Divindade interna, no Eu Superior.

Por que não se ensina apenas o Caminho Curto? A resposta é: porque as pessoas não têm suficiente força de caráter para abandonar o ego e não querem se voltar imediatamente para a luz. Para que isso seja possível, o Caminho Longo ensina a enfraquecer o ego gradualmente, torna o aspirante pronto para se beneficiar do Caminho Curto.

A segunda razão é porque a maioria não tem uma concentração forte o suficiente para manter a mente no Eu Superior. Talvez alguns possam ser capazes de concentrar a mente por um ou dois minutos, mas depois falham. Portanto é preciso desenvolver o poder de contínua concentração.

Um principiante pode tentar o Caminho Curto, mas logo o achará difícil demais.


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