O primeiro esforço para o buscador é
encontrar os obstáculos que retardam a iluminação; o segundo é removê-los. Isso
constitui o Caminho Longo. O aspirante deve passar por um longo processo para
dominar suas imperfeições.
As disciplinas são de natureza física,
mental e espiritual. Práticas espirituais devem ser feitas, como a meditação,
concentração e oração. Deve-se evitar que os pensamentos se extraviem e
trazê-los de volta quando o fizerem.
Se o aspirante não puder remover os
elementos negativos de seu caráter de uma vez – e quem pode? – então deve
fazê-lo aos poucos e através dos anos.
Aquele que se dedica às práticas
espirituais naturalmente elevará seu caráter como consequência, porque se
aproximará da divindade.
O princípio do Caminho Longo é que a
iluminação deve ser conquistada pelo próprio trabalho. O ego deve tornar-se
consciente de que está bloqueando a luz do Eu Superior e procurar corrigir
isso, purificando-se.
Quem vê que a vida possui pouca coisa
que importa e que as alegrias da vida são vazias fica apto para o Caminho
Curto.
A doutrina da evolução gradual através
de sucessivos passos pertence ao Caminho Longo. O período de preparação e disciplina será longo. Poucos têm o
desejo, e muito menos a paciência, de se submeter a ele. É essencial rejeitar pensamentos negativos, aceitar e manter apenas
os positivos.
O Caminho Longo deve começar
acalmando-se a mente e as emoções, dominando-se as paixões e praticando
meditação. Nesse caminho, o aspirante pode fazer pouco para o
advento da Graça, mas pode fazer muito para remover os obstáculos a ela.
É trabalho do Caminho Longo obter uma
grande medida de autocontrole, mas apenas o Caminho Curto pode finalizar essa
obra.
O buscador tem de encontrar algum tempo
para a meditação e o estudo, algum tempo em que possa estar totalmente consigo
mesmo. Tem de cuidar de sua alimentação para que ela não lhe traga mais
dificuldades em sua obra interna. Tem de ser cuidadoso com suas companhias,
para não estar reagindo constantemente com suas auras, lutando ou
defendendo-se.
O Caminho Longo é aquele onde o
buscador critica a si mesmo preparando-se para a autoconquista.
Quem não gostaria de ser dispensado do
Caminho Longo para entrar no Caminho Curto? Mas tal dispensa existe apenas para
os poucos que estão adiantados no caminho, que se prepararam em vidas passadas
para isso.
O buscador precisa de muita paciência
para continuar com a prática da meditação e estudo, já que os resultados
parecem vir tão devagar. Mas no final ele verá que o tempo não foi
desperdiçado; cada esforço nessa direção contou, pois o preparou para receber a
ajuda que outras almas desejam lhe dar.
O Caminho Longo é um preparatório para
o Caminho Curto. Pode-se dizer que o Caminho Longo pertence à yoga (hatha e
raja) e o Caminho Curto à advaita (jnana).
Quando a pessoa se torna insatisfeita
consigo mesma, quando sente que seus esforços não a levam a lugar algum, ela
pode estar pronta para o Caminho Longo do auto-aperfeiçoamento.
Enredado em sua natureza animal, suas
tentativas para viver em sua natureza espiritual consistem num constante
aproximar-se do Eu Superior seguido pela queda – um ritmo que atormenta o
buscador por anos. Esta é a história do Caminho Longo.
Não é suficiente praticar as
disciplinas, controles e negação de si mesmo. O buscador deve também
praticá-los com ânimo. O trabalho interior de purificação mental
e limpeza emocional será constante. Muitas vezes num único dia o buscador será
solicitado a rejeitar pensamentos errados e repelir sentimentos baixos.
O primeiro estágio, o Caminho Longo, é
negativo e preparatório. É nele que o buscador tenta libertar-se das forças
passionais animalizadas. Ao buscador não se pede que seja um santo, mas que
seja sincero.
Os instintos devem ser purificados, as
paixões acalmadas e os pensamentos concentrados. O buscador deve estar sempre
combatendo seu egoísmo, suas atrações e repulsões. Deve descartar sua má
vontade e inimizade para com outras pessoas ou nações. Deve dar um basta à
cobiça de ter mais e mais possessões, o que estimula ambições mais fortes.
A autopiedade é inútil ao buscador.
Apenas alimenta suas fraquezas e seu ego. Também evita que ele encare a si
mesmo e a seus problemas. Em nenhum estágio
do Caminho Longo o buscador deve se orgulhar do que conquistou, pois assim ele obstrui
o caminho para o estágio seguinte.
O Caminho Longo está relacionado a
técnicas, como praticá-las e aplica-las. Mas as técnicas apenas podem melhorar
o instrumento humano, torna-lo mais apto a receber a iluminação. Elas não podem por si mesmas dar a iluminação. Quando o Caminho Curto deve ser adotado, depende de cada um e de
suas necessidades interiores.
No Caminho Curto os resultados são mais
rápidos e se requer menos esforço. Neste caminho, não há preocupação com o
tempo nem com o progresso individual. Todas as perguntas e problemas
desaparecem, porque o intelecto não está mais ativo. Os aspirantes do Caminho
Curto não dependem de um guru, há uma total confiança na Divindade interna, no
Eu Superior.
Por que não se ensina apenas o Caminho
Curto? A resposta é: porque as pessoas não têm suficiente força de caráter para
abandonar o ego e não querem se voltar imediatamente para a luz. Para que isso
seja possível, o Caminho Longo ensina a enfraquecer o ego gradualmente, torna o
aspirante pronto para se beneficiar do Caminho Curto.
A segunda razão é porque a maioria não
tem uma concentração forte o suficiente para manter a mente no Eu Superior.
Talvez alguns possam ser capazes de concentrar a mente
por um ou dois minutos, mas depois falham. Portanto é preciso desenvolver o
poder de contínua concentração.
Um principiante pode tentar o Caminho
Curto, mas logo o achará difícil demais.

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