20.8.20

O DINÂMICO DESPERTAR DA ALMA – Geoffrey Hodson

 

O dinâmico drama do despertar da alma forma um estudo de interesse arrebatador quando visto do interior. Veja como do nascimento até a morte o brilho da luz geralmente aumenta, marcando o progresso da vida que desabrocha. Como é corajosa em sua marcha avante, como enfrenta resolutamente as provações da Senda; veja que ora ela esmorece, seus olhos tornam-se sombrios; uma sombra cai sobre ela, envolvendo-a em melancolia.

Desaparece agora o brilhante esplendor, escondido profundamente dentro da escuridão da noite. Uma luz resplandecente brilha ao seu redor quando, com olhos voltados para as estrelas, a alma continua adiante no caminho da retidão e da verdade, em busca de sua meta.

Quando finalmente bem do fundo da alma surge uma resposta ao grande apelo, ela é envolta num brilhante esplendor que traz para si a bênção dos santos e a ajuda dos Deuses elevados. Caso venha a vacilar, a luz diminui; caso venha a cair, a escuridão desce; a bênção e a ajuda não podem penetrar aquelas trevas, que devem ser dispersas do interior.

Mesmo em meio às trevas, os vibrantes e pulsantes poderes da alma continuam se expandindo com um crescimento mais rápido desde o momento em que o voto interno é feito. Nenhuma escuridão, por mais profunda que seja, é inteiramente suficiente para enclausurar aquela vida crescente.

Com isso, depois de um breve período de conduta redentora sem esforço aqui em baixo, mais uma vez a cabeça levanta-se lentamente. Nasce uma forte aversão a toda preguiça; o manto de escuridão é descartado, a luz da virtude e do esforço brilha intensamente no ar elevado. De cada queda um poder adicional é ganho; depois de cada escuridão nasce uma nova luz.


Tenha coragem, ó alma humana que se esforça. O prêmio é certo; a Senda não é sem fim, pois Deus dentro de você vai lhe levar até a sua meta. Empenhe-se, portanto, com toda sua força. Vise manter sempre uma constante equanimidade, uma crescente velocidade e uma firmeza tal em seus passos no Caminho que vacilações e quedas não venham mais ocorrer. Mire alto, cada vez mais alto; vise ser um Deus. Em virtude de sua herança divina, entre naquele esplêndido mundo da razão pura, a terra onde todo o conhecimento da multiplicidade é ganho na cognição do Um. Lembre-se que a qualidade das inspirações que você recebe depende tanto de você mesmo quanto da consciência inspiradora.

Quanto mais você se expande e mais puro se torna, maior será a medida da verdade que você vai receber. Deixe que isso se torne um incentivo adicional, não só para que você mesmo possa trilhar mais rapidamente o Caminho, mas para que você possa se tornar um canal mais apropriado para a verdade divina vinda aos homens, de acordo com seu dom particular de receptividade.

Mantenha sua mente sempre em compasso de concerto, pensando constantemente sobre os assuntos mais nobres e elevados em seus momentos de lazer. Afaste deliberadamente a mente de todos os assuntos de uma natureza sensual e carnal; caso você se defronte com eles na literatura ou leitura geral, pule-os deliberadamente e recuse a dar a eles entrada em sua mente. Pense com mais frequência sobre os tópicos mais nobres e sublimes e treine sua mente a responder à espiritualidade e a conquistar a tendência humana de pensar demasiadamente sobre as coisas da terra.

UMA VISITA A TIRUVANNAMALAI – Geoffrey Hodson

 

Fui visitar, ao sul da Índia, Tiruvannamalai um templo sagrado muito antigo no sopé da famosa montanha de Arunachala, tornada conhecida no ocidente por Paul Brunton, em seu livro A Índia Secreta, onde ele fala sobre ela e sobre seus contatos com Shri Ramana Maharishi, a respeito de quem eu falarei um pouco.

A montanha é tida como uma das cadeias de montanhas mais velhas da Índia, e tem sido considerada como uma montanha muito sagrada há bastante tempo. A palavra “Arunachala” significa “visão de luz” ou “farol de luz”, e é considerada como sendo um centro de poder do Terceiro Aspecto da Trimurti, que simplesmente quer dizer “três poderes”, e é a palavra indiana ou sânscrita para “Trindade”.

Aos pés do monte existe um templo muito antigo, sendo uma das entradas, ou gopurams, muito mais velha do que o resto. Do outro lado da montanha ainda se encontra o ashram de Shri Ramana Maharishi, cuja história é muito esclarecedora... Ele costumava ensinar numa grande sala onde ficava deitado num divã com as pessoas no chão rodeando-o por todos os lados. De todas as partes do mundo pessoas como Brunton vinham procurá-lo para se sentar a seus pés e fazer perguntas a ele, ouvindo suas alocuções sábias sobre a vida espiritual.


Sri Ramana Maharshi: aprendendo a alcançar a iluminação  Ramana Maharshi

Ouvi muitos que o conheceram testemunhar sobre uma peculiaridade do sábio. Você não precisava fazer suas perguntas, mas meramente sentar-se com ele e a resposta apropriada, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer em sua mente sem nenhuma pergunta ou resposta verbal. Ele era profundamente venerado por um grande número de pessoas, e veio a ser chamado de “Maharishi”, que significa “grande Rishi”.

Foi-me concedido o privilégio de ir ao quarto em que Shri Ramana Maharishi vivia. O pequeno quarto era considerado como particularmente santificado, e eu sentei-me ali onde todas suas coisas estavam: sua bengala, umas poucas tigelas e um incensário para pujas. Tudo parecia ter sido mantido como estava quando o corpo foi retirado do quarto. Achei então que deveria aproveitar a oportunidade para ver se sua influência ainda estava ali, como senti que estava, e iria fazer uma pergunta mentalmente.

Então, meditei por algum tempo até que senti definitivamente em contato com ele em mundos mais elevados. Mantive em minha mente o pedido para que ele enunciasse um princípio sobre o desenvolvimento espiritual. Depois de algum tempo as seguintes palavras se formaram, sem esforço, em minha mente: “Voluntariamente aprisionado em seu interior, como luz, encontra-se um poder onipotente. Liberte-o. Deixe que a luz brilhe.”

Essas palavras podem não parecer grande coisa para algumas pessoas, mas elas produziram um efeito muito profundo e esclarecedor em mim. Usei-as como uma sentença introdutória para meu pequeno livro sobre meditação, Um Ioga da Luz, que foi escrito pouco depois daquela experiência.

Arunachala - David Godman  Arunachala

Enquanto eu estava sendo levado de um lado para outro em Arunachala, depois de ter visitado o ashram do Maharishi, dirigi-me aos meus amigos indianos, um dos quais era um advogado vivendo em Tiruvannamalai, e perguntei se aquela montanha não abrigava outros homens santos. Ele respondeu que ela abrigava até mesmo maiores do que o Maharishi. Quando perguntei ansiosamente onde eles ficavam, ele me disse que eles não se revelavam, mas era sabido que eles viviam nas alturas da montanha. Alguns pastores e aldeões de vez em quando os avistavam, e mesmo levavam comida para eles. Insisti, então, por informação se havia algum que poderia estar disponível para uma entrevista. Meus amigos se entreolharam por alguns instantes e responderam que havia um, chamado Shiva, que eles estavam certos que iria me receber. Decidimos partir imediatamente.

Contornando a montanha, saímos da estrada principal e tomamos um caminho estreito entre as árvores, mais perto da montanha de Arunachala. Finalmente, chegamos a uma linda clareira na floresta, onde havia um tanque, um reservatório calçado com pedras ou concreto. Ao descermos de nosso carro, um de nossos amigos exclamou que lá estava Shiva, à direita, e eu vi um homem quase nu que se levantou quando nos aproximamos. Ele era idoso, ereto, em bom estado de saúde, sua pele parecia brilhar com vitalidade. Ele era esbelto, com cabelos brancos longos bem penteados até seus ombros, com um bigode longo e uma barba, também branca. Mas seus olhos estavam acesos com humor e afeição, e quero enfatizar a luz interior da qual falei, na verdade, mais do que isso. Toda a postura do homem demonstrava que ele havia conquistado todas as fraquezas humanas e tinha seu autodomínio, era um rei dos reis. Até sua forma de andar mostrava a mais perfeita liberdade de qualquer fraqueza, limitação, ou medo de qualquer coisa.

Ele nos recebeu perto de sua choupana com um telhado de palha aberto nos lados. Sentamo-nos no piso de concreto e ele num assento de concreto curvado. Ele havia feito a choupana e o revestimento do tanque com suas próprias mãos. Sorriu para nós e meus amigos me apresentaram e perguntaram se eu podia conversar com ele. Ele sorriu de forma radiante, consentindo. Com isso começamos a falar sobre assuntos espirituais, ioga, filosofia e as coisas sobre as quais adoro discutir.

Ele mostrou-se muito amigável e quando eu voltei em outra ocasião, ele pareceu mostrar uma empatia calorosa por mim. Finalmente eu me aventurei com a pergunta mais importante para mim. Se uma pessoa tinha aprendido a meditar e podia manter sua consciência por um tempo razoável num senso de unidade com o Supremo Espírito, a essência do universo, o Atma, qual era o próximo passo? Como perder a consciência do corpo, como ele e outros eram capazes de fazer, e tornar-se absorvido no Paramatma?

Ele riu em voz alta para mim e disse que não podia me dizer aquilo. Eu tinha que aprender aquilo; era preciso que isso me fosse mostrado e não meramente dito. Obviamente, ele estava falando por meio de intérpretes, pois só falava a língua local, tâmil. De repente, olhou para mim e perguntou-me quanto tempo eu poderia dedicar a ele. Pensei por um momento e conclui que eu poderia viajar as cento e cinquenta milhas de Madras de carro, para passar um fim de semana, se alguns amigos estivessem disponíveis para dirigir de ida e de volta.

Respondi, então, que poderia vir somente por vinte e quatro horas. Ele disse que não era tempo suficiente, mas para vir mesmo assim. Para resumir, eu vim. Um discípulo seu, fluente em inglês, estava com ele na visita seguinte, um homem que tinha sido um servidor público e que tinha tido anseios  semelhantes. Ele tinha abandonado aquela vida para tornar-se um asceta. Era um homem bonito. Chamava-se Asangha Maya (que não é preso por maya). Tornamo-nos amigos muito próximos naquelas vinte e quatro horas.

O Shiva, como ele era chamado, admitiu-me em seu próprio santuário, que era simplesmente essa cabana de concreto na qual ele dormia. Ali ele deu-me algumas instruções. Elas não eram a respeito de entrar em samadhi, devo admitir, caso contrário eu não as entendi. Mas, era um certo conhecimento e combinação de ações, que não tenho autorização para descrever, para mergulhar em meditação mais profunda e para despertar a kundalini. Como eu já havia realizado parte daquilo, o efeito em mim foi muito forte. A kundalini quase que disparou para cima e todo meu corpo ficou eletrificado por ela na presença dele. O discípulo sentou-se ao meu lado e, quando nossas mãos ou braços tocavam exclamava que eu estava eletrificado, pois ele sentia o poder elétrico ardejando de meu corpo.

Bem, Shiva foi para a cama para dormir em sua cabana, enquanto Asangha Maya e eu passamos a noite fora. Eu tinha trazido uma cama com mosquiteiro. Ele deitou-se no assento de concreto, tendo adquirido a capacidade para dormir em qualquer lugar, ele disse. Mas, nós não dormimos. Eu continuei a praticar sob sua orientação o procedimento que me tinha sido mostrado, até que eu me senti razoavelmente seguro dele, apesar de não ser nada difícil.

Fiquei fazendo perguntas a ele e conversamos sobre a vida espiritual até de madrugada naquela noite quente de verão da Índia. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, tudo ocorrendo dentro da aura de Shiva, que senti ser um grande ser. Desenvolvi grande afeição por ele e ele por mim, como podia ser visto na sua expressão. Ele escreveu para mim, por meio de um intérprete, e eu para ele. Quando meus amigos vão visitá-lo, ele pergunta por mim. Seus outros seguidores em diferentes partes do mundo também tiveram esses privilégios. Mantenho contatos espirituais-mentais com ele quase todo o tempo. Ele era uma pessoa que realmente havia realizado as coisas sobre as quais lemos, e era maravilhoso estar em sua grandiosa presença.

Magnum Opus Arcanum: Biografia Geoffrey Hodson  G. Hodson

Em outra ocasião, tendo ouvido falar que outro homem santo estava visitando Conjeeveram, mandei um pedido por meio de um teósofo local, para saber se ele poderia receber os estudantes da Escola de Sabedoria. A pessoa em questão era nada menos do que o atual Shri Shankaracharya, o chefe espiritual e administrativo de todo o centro monástico, ou mutt como é chamado, do antigo templo do centro de Conjeeveram. O cargo tem sido mantido numa linhagem sem interrupção desde os dias do próprio Shri Shankaracharya, cerca de vinte e três ou vinte e quatro séculos atrás, de acordo com Subba Row, um dos primeiros teósofos e ocultistas ligados à nossa Sociedade. O Senhor Shri Shankaracharya é considerado ocultamente como uma encarnação voluntária de um dos Senhores da Chama.

Nosso pedido de audiência foi concedido. Chegamos num domingo de manhã e no seu devido tempo fomos conduzidos à sua presença. Ele escolheu um jardim fechado, cerca de uma milha fora da cidade de Conjeeveram. Era um lugar sagrado, porque por muitos anos um santo havia vivido e morrido ali. Entramos pelo portão do jardim. Inicialmente, ninguém parecia estar lá, até que, num lado, na outra ponta do jardim, vimos uma figura sentada numa esteira, debaixo de uma árvore. Ele estava vestido com um manto amarelo e com uma grinalda de folhas ao redor de sua cabeça. À sua frente tinham sido colocadas esteiras japonesas para as quais fomos levados. Os europeus o saudaram da forma usual e os indianos se prostraram diante dele.

Sentamos-nos e, como líder, expressei nossa gratidão a ele por nos conceder essa audiência, dirigindo-me a ele como “Sua Santidade”, que é o seu título entre seu povo, e disse a ele quem éramos. Ele falava muito bem o inglês, mas um intérprete ajudava, e ele começou a fazer perguntas a todos os estudantes em sequência. O interessante é que essas perguntas eram a respeito de suas Lojas e de quantos membros, o que faziam e o que ensinavam...

Todos nós testemunhamos depois, que nos sentimos banhados numa atmosfera de paz na presença dessa figura delicada. Ao olhar para ele você não iria imaginar que ele ocupava uma das mais elevadas posições eclesiásticas na Índia, tão humilde que era. Perto do final da entrevista perguntei a ele se não poderia dar uma mensagem para nós levarmos de volta para o mundo. Ele tinha o hábito peculiar de fechar os olhos e ficar em silêncio por algum tempo depois de cada pergunta, claramente permitindo que sua consciência retornasse para onde ela parecia viver normalmente, num mundo mais elevado.

Aquilo era muito marcante com ele, assim me pareceu. As pálpebras estavam semicerradas a maior parte do tempo até que sua atenção fosse detida. Então, os olhos ficavam abertos e cheios de vida. Ele disse, “Fixem sua mente em Deus. Mantenham-na ali o tempo todo e, sempre que ela tender a deixar o pensamento de Deus, traga-a de volta instantaneamente, até que se torne um hábito manter sempre uma parte de sua mente contemplando a Deus.”

Ele também falou sobre verdades universais que outros santos haviam enfatizado. Por exemplo, que você não pode fazer nada na vida espiritual até possuir pureza de coração. Shiva disse a mesma coisa várias vezes. Pureza de coração é da maior importância, no sentido de que não deve haver absolutamente nenhum pensamento de ganho pessoal ou recompensa de qualquer realização espiritual que possa ser alcançada.

Finalmente, esse sucessor do cargo do grande Shri Shankaracharya original levantou sua mão direita e disse, “Esta é a bênção.” E com certeza, alguns dos membros da Escola, na manhã seguinte, quando fizemos uma revisão de tudo o que aconteceu, testemunharam que naquele momento sentiram a descida de uma bênção.

Ao nos retirarmos daquela experiência inesquecível, um dos atendentes veio a mim, antes de deixarmos o jardim, e disse que Sua Santidade falaria comigo em particular, por alguns minutos, se eu desejasse. Senti-me altamente honrado, obviamente, e voltei, sabendo que isso se devia ao fato de eu ser o Diretor de Estudos da Escola de Sabedoria. Ele perguntou se havia algumas perguntas que eu, pessoalmente, gostaria de fazer. Ele me deixou inteiramente à vontade, sem me sentir em momento algum encabulado, mas gostaria de ter me preparado melhor para essa oportunidade. A pessoa sentia que não tinha nenhuma pergunta em sua presença. Um dos resultados dos estudos teosóficos é que a nossa mente não fica cheia de perguntas.

Perguntei então se o Rishi Agastya ainda estava na Índia, guardando-a, em cumprimento de Seu Cargo, e se podia ser contatado pelas pessoas e visto. Ele ficou em silêncio, e então perguntou se eu queria dizer em corpo físico. Eu respondi que aquela era a crença. Ele se retraiu outra vez por algum tempo antes de responder. Então disse que o Rishi Agastya ainda estava em Seu corpo físico, mas que não estava aqui; que Ele vivia nos Himalaias. Então ele outra vez estendeu sua mão e disse, “Esta é a bênção.” Mais uma vez agradeci a ele de parte de todos nós e me retirei.

Perguntaram-me se eu olhei a sua aura. Eu não fiz isso. Não me permiti tentar olhar para ele em nenhuma forma de método de pesquisa, porque senti que seria inapropriado e talvez uma impertinência. Somente fiquei ciente que a figura delicada estava rodeada de uma grande luz e que ele era uma pessoa muito avançada...

4.7.20

COMO ENCONTRAR UM MESTRE – Leoline L. Wright



Uma das mais frequentes perguntas do buscador é: "Como posso encontrar um Mestre? Como reconhecer um se chegar a vê-Lo?" É correto para quem vive a vida de modo a cumprir as condições que eles estabelecem para o discipulado aspirar e esperar um relacionamento pessoal com um Mestre.

Naturalmente ansiamos encontrar nosso mestre espiritual e devotar nossa vida ao serviço da humanidade. No entanto devemos saber que é necessário primeiro ganhar o direito de estar sob a atenção especial de um deles. Não é apenas uma questão de ter direito, mas de desenvolvimento individual.

Se qualquer de nós passar por um Mestre na rua, há poucas chances de que o reconheçamos, a menos que ele escolha revelar sua presença. A razão para isso reside em nossa espiritualidade não desenvolvida. É raro encontrar alguém que saiba detectar a presença de um Mahatma.

"Mas," você pode replicar, "se o Mahatma está tão adiantado em relação a nós, por que seu corpo também não é diferente do nosso?" Ele é diferente, com certeza. Mas de que modo é diferente? Simplesmente na qualidade dos átomos e moléculas e células que o constroem. O material de nossos corpos, saturados como estão com venenos, e muitas vezes com germes de doenças, ou perturbados por instabilidade nervosa e emocional, não poderia ser usado por um ser puro e exaltado como um Mahatma.

Koot Hoomi - Wikidata  Mahatma Kuthumi

Há muito tempo ele transmutou e refinou seus átomos físicos, de modo que seu corpo é feito apenas dos mais puros e excelentes materiais. A essência e a vibração de seus átomos e moléculas são de um tipo inconcebivelmente mais elevado que as nossas. Ele não poderia viver e respirar num corpo como o nosso, assim como um pássaro não poderia viver sob a água.

Essa diferença de essência e vibração torna extremamente difícil que nós possamos sentir sua presença física. O mesmo se dá com sua essência psicológica – seus pensamentos e sentimentos. Estes são totalmente diferentes dos nossos, e essa diferença é tão invisível para nossa percepção, como o raio ultravioleta é invisível para nossa visão.

Onde vivem os mahatmas? A loja dos mahatmas está situada em regiões inacessíveis para a massa da humanidade. Ali eles podem viver numa atmosfera, física e espiritual, que torna possível seu trabalho. Além disso, ali podem trabalhar pela humanidade sem ser interrompidos. Eles têm o poder de neutralizar ataques de intolerância, oposição e interrupção, mas não querem desperdiçar suas energias desta maneira.

Master Morya  Mahatma Morya

Se uma pessoa não consegue descobrir atrás da personalidade de um homem ou mulher a presença de um verdadeiro instrutor espiritual, como poderá reconhecer um Mahatma?
Mas felizmente os Mahatmas podem nos ver, uma vez que possuem clarividência espiritual e psíquica que os capacita a cuidar do mundo todo. Todo ato nosso de genuíno autocontrole e preocupação com o bem dos outros nos traz mais perto do reconhecimento e ajuda dos Mestres.


27.6.20

O DESPERTAR DE KUNDALINI – Sadhguru



O que é Kundalini? Quando falo, isso é Kundalini. Vocês estão alertas e escutando, isso é Kundalini. Uma flor desabrocha, isso é Kundalini. Um cachorro late, isso é Kundalini. Em outras palavras, a força vital que é o fundamento da vida chamamos de Kundalini.

O corpo humano é um pedaço de vida. Esse pedaço de vida é construído em camadas de energia. Uma dimensão dessa energia surge imediatamente após o nascimento, porque é necessária para a sobrevivência. As outras dimensões da energia não se tornam atuantes, a menos que você as coloque em ação. Elas permanecem adormecidas.

A energia adormecida é muito maior que a energia que está sendo usada. Para fins de sobrevivência, para viver uma vida física e intelectual completa, você precisa ativar apenas 21 dos 114 chakras que possui. Com 21 chakras funcionando, sua vida será um sucesso. Os demais chakras não são necessários se sua intenção é apenas viver bem.

Se você ativa Kundalini, outras dimensões da vida se abrirão. Mas a coisa é: você está preparado para essas dimensões? Não é saber se isso é bom ou ruim. A questão é: você está preparado? Porque mesmo que as melhores coisas da vida venham a você, se não estiver preparado não serão algo bom.

Se você está preparado para essa energia, o que fazer para ativá-la? Existem muitas maneiras de fazer isso, mas Kundalini Yoga é a forma mais perigosa de yoga, porque também é a mais potente. Aquilo que é mais potente também é mais perigoso para se lidar.

Uma das maneiras de produzir eletricidade é através de reatores nucleares. É a maneira mais eficiente, mas também a mais perigosa. Se algo der errado, as coisas ficam muito preocupantes, não há como consertar.

O mesmo acontece com Kundalini Yoga. É o yoga mais potente e mais perigoso. Sem o preparo necessário e sem um guia experiente, para guiar e observar constantemente, ninguém deve tentar esse yoga.

O problema é que alguns livros têm sido escritos sobre isso e todo mundo quer praticar o yoga mais elevado. Ninguém quer começar pelo A, todos querem começar o alfabeto pelo Z. Aquilo que pode ser uma força que transforma a vida pode se transformar numa força que destrói a vida, simplesmente pela falta do necessário comprometimento, dedicação, foco e compreensão.

Se a Kundalini desperta, as dimensões de sua vida mudarão tão rapidamente, que você deverá fazer os ajustes necessários também rapidamente. Do contrário as coisas se complicarão. Na tradição do yoga, há um tipo de yoga que ensinamos às pessoas que vivem em família, e há um tipo de yoga que ensinamos aos renunciantes. O yoga para ascetas demanda disciplina e foco, o que a vida comum e mundana não permite. Se você faz esse tipo de yoga, sua vida exterior se desmorona instantaneamente.

Por isso, você deve fazer o tipo de yoga que melhore sua vida, familiar e financeira. Só um pequeno grupo de pessoas pode se dedicar ao yoga dos renunciantes, porque esse yoga desmantela todas as estruturas sociais das pessoas, por isso não é bom para todos.

Para praticar Kundalini Yoga, você dever ter o tipo certo de ambiente. Você não pode ter vida social e praticar Kundalini Yoga, do contrário com dois dias de prática verá que é um estranho em seu próprio lar. Porque esse yoga muda tudo em você.

Podemos despertar Kundalini? Sim, podemos. Uma maneira de fazer isso é criar uma atmosfera para que vagarosamente a Kundalini desperte. A outra maneira é provoca-la de tal modo que desperte rapidamente. Se ela despertar rapidamente, então tudo mudará dramaticamente. Se despertar devagar, durante um longo período de tempo, as mudanças acontecerão devagar, você será capaz de lidar com essas mudanças durante esse período. Mas se despertar muito rápido, você não será capaz de lidar com as mudanças. Vai lhe parecer que as coisas estão desmoronando.

Existem 112 maneiras de despertar a Kundalini, para que vá de Muladhara até Ajna chakra. Dos 114 chakras, existem os sete principais. Desses, seis estão no corpo e um fora do corpo físico. Você pode empregar um dos 112 métodos para lidar com os seis chakras, mas o sétimo não pode ser trabalhado por você. Você pode chegar a Ajna, mas de Ajna a Sahasrara não existe um caminho. Você tem de pular dentro de um abismo. E se vai pular dentro de um abismo, deve ser louco ou ter enorme confiança num guia. Ele lhe dirá: “Pule” e você pula porque confia que esse pulo será bom para si. Você vai pular num abismo sem fundo.

Portanto, para fazer a jornada de Muladhara a Ajna, existem 112 caminhos. Mas de Ajna a Sahasrara não existe caminho. É apenas um salto, que pode acontecer na confiança, na devoção ou na loucura. A escolha é sua.

Sadhguru On Why Human Is Not A Resource

24.5.20

PREPARAR O CORPO PARA AS GRANDES ENERGIAS – Sadhguru



Pergunta: Tendo sido uma devota de alguns maravilhosos mestres que já deixaram o corpo, algumas experiências espirituais me ocorreram e um certo fogo interior aconteceu. Vim agora para aprender alguma prática espiritual para estabilizar  o mundo interior. Parece-me que algo aconteceu energeticamente, algo muito diferente que não sei o que é, e estou tentando encontrar alguém como você que saiba e possa me aconselhar.

Sadhguru: Existem algumas pessoas que tiveram experiências por diferentes meios, ou por estar em contato com certa pessoa, ou por ter ido a certos lugares, por estar exposta a certas situações, ou simplesmente de modo acidental em situações de suas vidas.

O ser humano vive num mundo físico, e a tendência é que ele se torne materializado como uma rocha, mas ele não está contente, ele quer sutilizar sua existência. Essa é a luta que o ser humano enfrenta. Portanto o processo espiritual significa elevar-se do plano material ao sutil.

Essa elevação ao plano sutil pode acontecer dentro de você, quer você tenha entrado em contato com alguém ou algo, ou quer você tenha construído conscientemente dentro de si mesma esse estado, ou simplesmente devido a alguma situação de intensa luta ou perigo. Quando há um perigo ou intensa luta na vida da pessoa, uma certa intensidade pode ocorrer dentro dela. E então de repente, aquilo que era materializado se torna sutil. Às vezes estar perto da morte pode provocar isso.

Muitos anos atrás eu estava em Bangalore e fui a um mercado de hortaliças e legumes, e ali fiquei andando e conversando com as pessoas. E então vi um homem que vendia hortaliças, e ele tinha muita luz. Olhei para ele e pensei: “Não posso acreditar que um homem como esse esteja vendendo hortaliças”.

Então nossos olhos se encontraram e comecei a gargalhar. Ele também riu. Fui até ele e lhe perguntei: “Como você veio parar aqui? Por que legumes?” Ele me convidou para sentar e ficamos conversando, e ele disse: “Eu era apenas um vendedor de legumes e certo dia fiquei doente.” Ele dirigiu-se a um hospital público, que é como uma preparação para o inferno (risos), e ali ficou, pensando a cada dia que a morte chegaria.


Ficou quatro meses acamado no hospital, e nessa luta contra a morte ele encontrou a auto-realização. E agora ele se sentava ali como um Buddha vendendo legumes. E então ele disse: “Cada cliente que vem a mim, eu o abençoo com uma longa doença”. (risos) Eu disse: “Que bênção!” Porque para ele a doença tinha sido uma grande bênção! A doença o levou a uma dimensão da vida completamente diferente.

Assim, a auto-realização pode acontecer de muitas maneiras diferentes. Mas para a maioria das pessoas que têm uma experiência espiritual, através de um contato ou outra coisa, elas são incapazes de permanecerem naquele nível. Elas se elevam e depois despencam.

Para a pessoa que nunca entrou num nível superior de existência, a vida comum não tem qualquer problema. Mas quando a pessoa esteve ali e volta à vida comum, ela se sente muito mal. Se você não conhece nada melhor, está tudo bem, mas se você conhece algo melhor, quando volta para o mundo material se sente terrível. Muitas pessoas ficam desorientadas mentalmente, com depressão, porque de algum modo elas tiveram uma grande experiência espiritual, mas não conseguiram manter-se nela. E isso se torna sua maldição.

Nada de errado lhes aconteceu, foi apenas que viram um nível diferente de vida e depois caíram. Isso é muito doloroso. Por isso é sempre melhor não pular dentro dessas grandes experiências. É melhor construir uma escada e subir vagarosamente para que não haja uma queda.

Assim, se você cria uma estrutura adequada através da prática espiritual adequada, se todo dia você continua praticando, aos poucos essa prática construirá a escada para você. Desse modo não haverá queda, porque você subiu uma escada, e não apenas pulou de algum lugar para lá.

Por isso, a prática, Shambhavi Mahamudra, (ensinada por Sadhguru) vai criar essa situação dentro de você. Não importa o que aconteceu a você no passado, isso te foi bom em algum momento. Mas o sistema não estava pronto para aquele tipo de energia. Sem preparar seu corpo, se você entra em contato com altos níveis de energia, algo pode facilmente se quebrar dentro de você.

Assim, sempre é melhor que o sistema esteja preparado antes que as grandes energias venham às pessoas. O objetivo do yoga é esse: preparar o corpo para que, quando as grandes energias venham, você saiba lidar com elas.









18.5.20

PRANAYAMA SEM RETENÇÃO – Swami Sivananda



Sente-se com a espinha ereta. Feche a narina direita e inale vagarosa e confortavelmente pela narina esquerda. Em seguida, feche a narina esquerda e exale pela direita. Agora inale pela direita e exale pela esquerda, vagarosa e confortavelmente. Não há retenção nesse pranayama. Repita o processo 12 vezes.
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Nota: se a prática desse pranayama por 12 vezes esquentar demais a respiração ou causar dor de cabeça, pode-se praticar apenas 8 ou 5 vezes ao dia com muitos benefícios para o corpo e a mente. Diante de qualquer desconforto, interrompa-se a prática por um ou mais dias, até refrescar novamente os nervos. Esse pranayama ajuda a controlar o desejo sexual e conservar ojas shakti. É contraindicado para pessoas que não pretendem levar uma vida relativamente controlada sexualmente, assim como é qualquer outro pranayama. Pranayamas também são contraindicados para pessoas que possuem vícios ou sofrem dos nervos; primeiro é necessário tratar-se adequadamente.



13.5.20

PRÁTICA PRELIMINAR À KRIYA YOGA – Sri M


              
Pergunta: Você tem alguma prática que as pessoas possam fazer e incluir em sua rotina de meditação?

Sri M: A Kriya Yoga que ensino vem da mesma tradição que a ensinada por Paramahansa Yogananda. Entretanto existem certas práticas que não são ensinadas a todos igualmente. Isso depende do instrutor e do estudante. Quando você está em contato com o estudante, pode sentir que algo deve ser acrescentado ou ser tirado da prática. Mas a teoria básica da Kriya Yoga, isto é, que as energias do corpo têm de ser concentradas e sua consciência tem de viajar pelo Shushumna nadi, desde Muladhara até Sahasrara, juntamente com o prana, isto é um ensinamento comum nos ensinos de Yogananda e nos meus. A técnica para realizar isso pode ser um pouco diferente aqui e ali, dependendo da pessoa que a recebe.




Pergunta: Envolve pranayama e mantras?

Sri M: Sim, envolve pranayama e o cantar de bijaksharas (mantras sementes) em cada chakra, mas existem muitas práticas similares ensinadas por outros instrutores.

Pergunta: Se alguém mora distante e não pode receber iniciação, o que você recomendaria?

Sri M: Eu diria que deve começar com uma prática que pode ser dada a todos, porque não causa nenhum dano. Esta técnica, meu guru, Sri Maheshwarnath, me deu permissão para ensinar a primeira parte, que chamamos de técnica de Hamsa.

Basicamente é assim: primeiro você repete o mantra de Mahavatar Babaji, guru supremo de minha linhagem. Com a mão sobre o coração, visualizamos ali, no Anahata chakra, um lótus branco e sobre o lótus as marcas, duas pegadas, dos pés de Mahavatar Babaji. Daí começamos a repetir o mantra “Om Hrim Shri Gurubhyô Namahá” mentalmente, durante cinco a dez minutos.

Se isso for feito, você estará estabelecendo uma ligação com Mahavatar Babaji, e estabelecendo essa ligação a Kriya Yoga virá a você em algum momento.

ORIGINAL KRIYA YOGA: MAHAVATAR BABAJI AND LAHIRI MAHASAYA Mahavatar Babaji

Após fazer o guru mantra, então fazemos a técnica de Hamsa: sente-se quieto numa postura confortável e com a espinha e cabeça eretas, e observe sua respiração, sem controla-la, passivamente, enquanto o ar entra e sai.

Quando inalar, cante Ham mentalmente, e quando exalar cante Só. Continue fazendo isso durante algum tempo, dez a quinze minutos. Apenas fazendo isso, sem esperar que nada aconteça. Depois fique quieto, como testemunha apenas, por alguns minutos. Ao sair da meditação, curve-se dizendo “obrigado”.

Essa é uma prática simples, que qualquer um pode fazer.
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Nota: o mantra Hrim deve ser pronunciado “rririm”, unindo-se os lábios no final para ressaltar a letra m. O mantra Ham deve ser pronunciado “rram”, também unindo-se os lábios no final.