Ensinamentos dos grandes mestres do Yoga. A essência da vida espiritual. Técnicas de meditação e concentração. Histórias e incidentes da vida dos mestres.
19.1.13
16.1.13
YOGA E TRANSFORMAÇÃO - A Mãe
- A força que desce naquele que faz yoga e o ajuda em sua transformação, age de muitas maneiras diferentes e seus resultados variam de acordo com a natureza que a recebe e com o trabalho a ser feito. Primeiro ela apressa a transformação de tudo no ser que está pronto para ser transformado. Se ele estiver aberto e receptivo em sua mente, a mente, tocada pelo poder do yoga, começa a mudar e progredir rapidamente. Pode acontecer a mesma rapidez de mudança na consciência vital, se ela estiver pronta, ou até mesmo no corpo. Mas no corpo, o poder transformador do yoga opera somente até certo ponto, porque a receptividade do corpo é limitada. Mas o rápido progresso de uma parte do ser que não seja seguido de um progresso equivalente das outras partes, produz uma desarmonia na natureza, um deslocamento em algum lugar; e onde e quando este deslocamento ocorre, pode traduzir-se em doença. A natureza da doença depende da natureza do deslocamento. Uma espécie de desarmonia afeta a mente e a perturbação que a produz pode levar até mesmo à loucura; uma outra espécie afeta o corpo e a vemos aparecer como febre ou erupção ou qualquer outra desordem de maior ou menor importância.
- De um lado, a ação das forças do yoga apressa o movimento de transformação do ser, nas partes que estão preparadas para receber e responder ao poder que está trabalhando sobre ele. O yoga, deste modo, economiza tempo. O trabalho de transformação que levaria anos no curso ordinário, pode ser feito pelo yoga em poucos dias ou até mesmo em poucas horas.

- O corpo é geralmente denso, inerte e apático. Ele deve ir devagar, deve caminhar no próprio passo, como o faz na vida ordinária. O mesmo acontece quando os adultos andam muito depressa para as crianças que estão em sua companhia; eles têm que parar de vez em quando e esperar até que a criança, que vem vagarosamente atrás, se aproxime e os alcance. Esta divergência entre o progresso do ser interior e a inércia do corpo cria frequentemente um deslocamento no sistema, que se manifesta em forma de doença. É por isso que as pessoas que fazem yoga (raja yoga) começam amiúde a sofrer de algum desconforto ou desordem física. Isto não precisa acontecer, se forem precavidos e cuidadosos. Ou se houver uma receptividade maior e incomum no corpo, então também eles escaparão. Mas uma receptividade não misturada, fazendo as partes físicas seguirem de perto o passo da transformação interior, é quase impossível, a não ser que o corpo já tenha sido preparado no passado (em vidas passadas) para os processos do yoga.
- É por esta razão que somos obrigados a dizer para muitos: 'Não puxem, não se apressem; vocês devem dar tempo ao corpo para seguir'. Alguns devem ser retidos durante anos e não lhes é permitido fazer muito ou progredir demais.

- Toda vez que há um forte movimento de progresso, ele é invariavelmente seguido de um período de imobilidade, o que parece, para aqueles que não estão prevenidos, um intervalo de embotamento e estagnação e desencorajamento, no qual todo progresso é interrompido; e eles perguntam ansiosamente: 'O que aconteceu? Estou perdendo tempo?' Mas a verdade é que este tempo é necessário para a assimilação; é uma pausa que dá ao corpo um meio de se abrir mais e tornar-se receptivo e aproximar-se mais do nível alcançado pela consciência interior.
- Há por exemplo uma certa pressão na cabeça, que é sentida por muitos aspirantes, especialmente nos estágios iniciais do yoga, quando alguma coisa que está fechada tem de se abrir. É algo que pode facilmente ser superado se você souber que é um efeito da pressão das forças às quais você está se abrindo, quando elas trabalham fortemente no corpo para produzir um resultado e apressar a transformação.
RELIGIÃO E CONHECIMENTO - A Mãe
- Em todas as religiões achamos certo número de pessoas que possuem grande capacidade emocional e estão cheias de aspiração real e ardente, porém têm uma mente muito simples e não sentem necessidade de se aproximar do Divino pelo conhecimento. Para estas naturezas, a religião tem sua utilidade, e é mesmo necessária a elas, pois através de formas externas, como as cerimônias da Igreja, ela oferece uma espécie de apoio e serve de auxílio à aspiração espiritual interior. Em cada religião existem alguns que desenvolveram alta vida espiritual. Não foi a religião que lhes deu espiritualidade; foram eles que colocaram sua espiritualidade dentro da religião. Colocados em qualquer outro lugar, nascidos em qualquer outro culto, teriam achado lá a mesma vida espiritual. Este poder em sua natureza é tal que a religião não se torna uma escravidão ou um cativeiro. Mas como não têm uma mente forte, clara e ativa, precisam de acreditar neste ou naquele credo como absolutamente verdadeiro e consagrar-se a ele sem qualquer pergunta perturbadora ou dúvida. Há pessoas assim em todas as religiões e seria um crime perturbar sua fé. Para elas, a religião não é um obstáculo.
- Quando você se detém num credo religioso e se liga a ele, tomando-o pela única verdade do mundo, você pára seu progresso e a expansão de seu ser interior. Cada um de nós já nasceu em vários países diferentes, já pertenceu a muitas nações distintas, já seguiu inúmeras religiões variadas. Por que devemos aceitar a última como a melhor?
AMOR HUMANO E DIVINO - A Mãe
- O amor é uma das grandes forças universais; existe por si mesmo e seu movimento é livre e independente dos objetos nos quais e através dos quais se manifesta. Manifesta-se em qualquer lugar onde encontre uma possibilidade de manifestação, onde quer que haja receptividade, onde quer que haja uma abertura para ele. O que você chama de amor, e pensa ser uma coisa individual e pessoal, é apenas sua capacidade de receber e manifestar esta força universal. Conscientemente, ele procura sua manifestação e realização na terra; conscientemente escolhe seus instrumentos, desperta para suas vibrações aqueles que são capazes de uma resposta, esforça-se para realizar neles aquilo que é sua meta eterna, e quando o instrumento não é adequado, deixa-o e volta-se para procurar outros. Os homens pensam que, de repente, se apaixonam; veem seu amor chegar e crescer e gradualmente desaparecer – ou talvez durar um pouco mais naqueles que são especialmente capacitados para seu movimento mais durável. Mas a sensação de ser uma experiência pessoal toda sua era uma ilusão. Nada mais era que uma onda do mar sem fim do amor universal.
- As deformações que vemos nas aparentes expressões do amor pertencem a seus instrumentos. O amor não se manifesta apenas em seres humanos; está em todo lugar. Seu movimento está nas plantas, talvez nas próprias pedras; nos animais é fácil notar sua presença. Todas as deformações deste grande Poder Divino vêm da obscuridade e ignorância e egoísmo do instrumento limitado. O amor não tem apego ou desejo, não tem fome de posse nem ligação egoística; é, no seu movimento puro, a procura da união do ser com o Divino. O amor divino dá-se e não pede nada. O que os seres humanos fizeram dele não é preciso dizer – transformaram-no em algo feio e repulsivo. E entretanto, mesmo nos seres humanos, o primeiro contato com o amor traz para baixo algo da sua substância mais pura; por um momento eles se tornam capazes de esquecer-se de si mesmos, por um momento seu toque divino desperta e amplia tudo que é bom e bonito. Mas depois vem à tona a natureza humana, cheia de suas exigências impuras, pedindo alguma coisa em troca, negociando com o que dá, clamando por suas próprias satisfações inferiores, distorcendo e denegrindo o que era divino.
- Em alguns, a pureza da manifestação do Amor Divino é tão grande que são mal compreendidos por toda a humanidade e até mesmo são acusados de ser duros e sem coração. Porque neles, esse amor é divino e não humano em sua forma e em sua substância. Pois quando o homem fala de amor, ele o associa a uma fraqueza emocional e sentimental. E quando não está misturado com emoções fracas e sentimentais, acham-no duro e frio; não podem reconhecer nele o mais alto grau e intensidade do poder do amor.
- A força do amor no mundo está tentando encontrar consciências que sejam capazes de receber este movimento divino na sua pureza, e de expressá-lo. Esta corrida de todos os seres em busca do amor é o impulso dado pelo Amor Divino, que se esconde atrás do anseio e busca dos homens.
- O movimento do amor não é limitado aos seres humanos e é talvez menos distorcido em outros mundos. Olhe para as flores e árvores. Quando o sol se põe e tudo se torna silencioso, sente-se por um momento e coloque-se em comunhão com a natureza; você sentirá subindo da terra de debaixo das raízes das árvores, ascendendo e caminhando através de suas fibras até os mais altos galhos espalhados, a aspiração de um amor intenso e saudade – uma saudade de algo que traz luz e dá felicidade, pela luz que se foi e que você gostaria de ter de volta. Há um anseio tão puro e intenso que se você puder sentir o movimento nas árvores, seu próprio ser também se elevará numa prece ardente pela paz e luz e amor que ainda não são manifestados aqui.
- Se você entrar em contato com este verdadeiro amor divino, vasto e puro, se você o tiver sentido mesmo por um momento e na sua forma ínfima, tomará consciência da coisa abjeta na qual o desejo humano o transformou. Tornou-se na natureza humana algo baixo, brutal, egoísta, violento, feio, ou então algo sentimental e fraco, formado de sentimentos mesquinhos, frágeis, superficiais e exigentes. E a esta torpeza e brutalidade ou a esta fraqueza egoística chamam de amor!
7.1.13
SEXO E SAÚDE - Divaldo Franco
Assexuado,
o Espírito renasce numa como noutra polaridade, a fim de adquirir
experiências
e compreensão de deveres, que são pertinentes a ambos os sexos. A
intrepidez
masculina e a docilidade feminina são capítulos que dão ao
Espírito
equilíbrio
e harmonia. Dessa forma, em uma reencarnação pode o Espírito tomar
um
corpo
masculino e noutra um feminino, ou realizar um vasto programa de
renascimento
em um sexo para depois começar os processos experimentais em outro,
sem
qualquer prejuízo emocional para a sua estrutura íntima.
Fadado
ao progresso, que é ilimitado, o Espírito deve vivenciar cada reencarnação
enobrecendo as funções de que se constitui seu corpo, de modo a desenvolver
os valores que lhe dormem em latência.
Graças
à conduta moral em cada polaridade, mais fácil se lhe torna, quando
edificante,
escolher o próximo cometimento. No entanto, quando se permite
corromper
ou desviar-se do rumo das suas funções, gera perturbações
emocionais e
psíquicas
que lhe impõem duros processos de recuperação, de que não se pode
furtar
com facilidade.
A
correta aplicação das forças genésicas propicia ao Espírito
alegria de viver e
entusiasmo
no desempenho das tarefas que lhe dizem respeito, constituindo-se
emulação
para o progresso e a felicidade.
Nada
obstante, o sexo é um dos capítulos mais complexos de algumas
ciências
psíquicas,
tais a Psicologia, a Psicanálise, a Psiquiatria, em razão das
disfunções e dos desconsertos que ocorrem em muitas vidas como
resultado das experiências atormentadas próximas ou remotas, que
lhe geraram desequilíbrios e inarmonias, hoje refletidos em seu
comportamento. Valiosos capítulos da Medicina são dedicados às
psicopatologias sexuais, que se apresentam como aberrações
morfológicas e psicológicas, levando o indivíduo a estados graves
de conduta e de vida.
Eminentes
estudiosos da sexologia vêm procurando desmistificar as funções
sexuais, que a ignorância medieval vestiu de fantasias e de pecados,
gerando perturbações emocionais muito graves nas criaturas humanas.
Como decorrência da nobre proposta, a liberação sexual, exagerando
as suas licenças morais, vem trazendo transtornos graves e
desarmonias profundas em muitos indivíduos que vivem conflitivamente
em razão das dificuldades para se adaptarem às exigências
comportamentais do momento.
É
natural que, num momento de transição de valores, campeiem o
absurdo e o fantasioso, tentando adquirir cidadania moral, ao tempo
em que empurram os cidadãos na
direção do fosso da promiscuidade e do desespero, da fuga pelo
tabaco, pelo álcool, pelas drogas aditivas, pela alucinação, pelo
suicídio...
Torna-se
indispensável quão imediata uma nova ética moral, a fim de que os valores
nobres granjeados pela sociedade no curso dos milênios, não se
percam no chafurdar
das paixões e no desprestígio das instituições, como o
matrimônio, a família,
a castidade, a saúde comportamental, o grupo social...
O
matrimônio e a monogamia são conquistas valiosas logradas pelo ser
humano após torpes experiências de convivência doentia através
dos tempos. Tentar reduzi-los a lembranças do passado, é uma
aventura macabra cujas consequências são imprevisíveis para a
própria sociedade.
Vive-se,
na Terra, a hora do sexo. O sexo vive na cabeça das pessoas,
parecendo
haver
saído da organização genésica onde se sedia. Naturalmente, o
pensamento é
força
atuante e desencadeadora da função sexual. Reduzir o indivíduo
apenas às
imposições
reais ou estimuladas do sexo em desalinho, conforme vem acontecendo,
é
transformá-lo em escravo de uma função pervertida pela mente e
atormentada
pelas
fantasias mórbidas.
O
ser humano são os seus valores éticos, suas aspirações, seus
sonhos, suas
lutas,
suas grandezas e também aprendizagens dolorosas. Graças a todos
esses
fenômenos
do cotidiano, ele cresce e se aprimora, saindo dos limites em que se
encarcera
para os incomparáveis voos da amplidão. Sitiá-lo no gozo sexual e
asfixiá-lo nos vapores da libido perturbada, constitui agressão
injustificável às suas conquistas emocionais, psíquicas e
intelectuais, que lhe dão sabedoria para discernir e para realizar.
Progredindo
sempre, o Espírito jamais retrograda no seu processo reencarnatório.
Nada
obstante, em razão de conduta irregular pode estacionar, aguardando
reparação dos erros graves cometidos, quando já não mais se
deveria permiti-los. Nesse desenvolvimento intelecto-moral, vincula-se
àqueles a quem ama ou de quem se distanciou pelo crime e pela
iniquidade, experimentando o apoio dos afetos e a perseguição dos
inimigos, que não o perdoam pelas ofensas de que foram vítimas.
É
nesse campo de lutas que surgem as lamentáveis e dolorosas obsessões
de graves consequências. O sexo, mal conduzido, em razão do
envolvimento emocional e das dilacerações espirituais que produz em
outrem, como naquele que o utiliza mal, abre campo para terríveis
conúbios obsessivos, ao mesmo tempo que, praticado de forma vil, atrai Espíritos igualmente atormentados e doentes que se vinculam ao
indivíduo, levando-o a processos de parasitose terrível e de
difícil libertação.
Desvios
sexuais, aberrações nas práticas do sexo, condutas extravagantes e
desarticuladoras
das funções estabelecidas pelas Leis da Vida, geram perturbações
de longo curso, que não se recompõem com facilidade, senão ao
largo de dolorosas reencarnações expungitivas e purificadoras.
Tormentos
da libido e da função sexual têm suas matrizes nos comportamentos
anteriores
que o Espírito se permitiu, quando, em outras reencarnações,
abusou da faculdade procriativa, aplicando-a para o prazer
exorbitante, ou explorou pessoas que se lhe tornaram vítimas,
estimulou abortamentos e se permitiu experiências perversas e
anormais, ou derrapou nos excessos com exploração de outras
vidas... Todas essas condutas arbitrárias fixaram-se nos tecidos
sutis do perispírito, impondo necessidades falsas, que agora os
pacientes procuram atender, ampliando o complexo campo de problemas
íntimos.
O
respeito e a consideração pelas funções sexuais constituem a
melhor terapia
preventiva
para a manutenção da saúde moral, assim como o esforço para a
recomposição
do caráter, quando alguém já se permitiu corromper, ao lado da
terapêutica
especializada, fazem-se imprescindíveis para a conquista da
harmonia.
Ninguém
se engane quanto aos compromissos do sexo perante a vida e cuide de
não enganar a outrem. Cada um responde sempre pelo que inspira e
pelo que faz.
O
sexo não foi elaborado para o prazer vulgar, senão para as emoções
superiores
na
construção das vidas, ou para as sensações compensativas quando
amparado
pelas
dúlcidas vibrações do amor, mantendo a afetividade e a alegria de
viver.
Reflexionar
e agir de maneira correta em relação às funções sexuais é dever
de
todo
ser que pensa e que compreende a finalidade da existência humana.
Nesta
hora de conturbação moral e de violência, de agressividade, de
aberrações
sexuais,
de descontrole geral e de sofrimentos de todo porte, cumpre-nos, a
todos, somar esforços em favor dos princípios da dignidade humana e
da honradez, do equilíbrio no comportamento e da educação das
gerações novas, único meio de oferecer ao futuro uma sociedade
menos conturbada e deslindada dos terríveis cipoais da obsessão.
À
educação moral cabe a tarefa de construir um novo homem e uma nova
mulher, que formarão uma nova e saudável sociedade para o porvir.

6.1.13
A AURA HUMANA - Ramacháraka
A
aura é visível apenas para quem possui o poder psíquico altamente
desenvolvido. Alguns, possuindo uma visão inferior, só têm sido
capazes de ver algumas das mais grosseiras manifestações da
emanação que constitui a aura.
Cada
princípio do homem (espírito, mente espiritual, intelecto, mente
instintiva, prana, corpo astral e corpo físico) irradia energia que,
combinando-se, constitui o que é conhecido como aura humana. A aura
de cada princípio, se se afastasse ou fosse separada dos outros,
ocuparia o mesmo espaço que o ocupado pela aura de todos ou de algum
dos princípios. Era outras palavras: as várias auras dos diferentes
princípios se interpenetram
umas às outras, e sendo de diferentes estados de vibração, não
interferem umas com as outras.
A
forma mais grosseira da aura humana é, naturalmente, a que emana do
corpo físico. Algumas vezes denominam-na aura de saúde, pois é uma
indicação segura do estado de saúde física da pessoa de cujo
corpo irradiar. Como todas as outras formas da aura, estende-se do
corpo a uma distância de algumas polegadas. Do mesmo modo que todas
as outras formas da aura, é oval. A aura física é, praticamente,
incolor (ou, positivamente, quase de um branco azulado, parecido à
cor da água clara), mas possui um aspecto peculiar, não possuído
pelas outras manifestações da aura, posto que se apresenta à visão
psíquica como "estriada" por numerosas linhas finas, que
se estendem como crina eriçada do corpo para fora. Em saúde e
vitalidade, essas crinas saem retas, enquanto
que, em casos de saúde imperfeita ou pobreza de vitalidade, caem
como cabelo flexível de um animal. Este fenômeno é ocasionado pela
corrente de Prana que vigoriza o corpo com maior ou menor
intensidade; o corpo está sadio quando tem uma provisão normal de
Prana, enquanto que o corpo fraco ou doente sofre pela quantidade
insuficiente do mesmo Prana. Essa aura física é visível para
muitos que só têm um grau muito
limitado de visão psíquica. As partículas desprendidas da aura
física permanecem no ponto ou lugar onde a pessoa esteve; e os cães
e outros animais que possuem certo sentido fortemente desenvolvido,
têm a faculdade de seguir o cheiro ou as pegadas da pessoa ou animal
da qual estão na pista.
A
aura que emana do segundo princípio ou corpo astral é como o
princípio mesmo, de cor e aparência vaporosa, tendo alguma
semelhança com o vapor antes de dissolver-se e desaparecer de nossa
vista. Aqueles de nossos leitores que alguma vez tenham visto uma
forma astral ou o que comumente se chama um fantasma — de alto ou
baixo grau — relembrarão, provavelmente, de ter visto uma nebulosa
de forma ovóide, vaporosa, rodeando a figura mais visível da forma
astral. Essa débil e vaporosa nuvem oval era a aura astral.
A
aura do terceiro princípio, ou Prana, é difícil de descrever,
exceto para aqueles que já viram os raios X. Vê-se algo como uma
nuvem vaporosa de cor e aparência de uma chispa elétrica. De fato,
todas as manifestações de Prana se parecem à luz ou chispas
elétricas. Prana tem um colorido suavemente rosado, quando está no
corpo ou próximo dele, mas perde este aspecto desde que se aparta
algumas polegadas do corpo. Essa aura prânica é extraída,
algumas vezes, de uma pessoa forte e sã, por uma débil que carece
de vitalidade e, então, extrai daquela o que lhe é necessário.
Nestes casos a pessoa que é despojada sem seu consentimento,
experimentará uma sensação de languidez e lassidão, depois de
haver estado em companhia da pessoa que absorveu uma parte de sua
vitalidade.
A
aura é vista pelo observador psíquico como uma nuvem luminosa,
quase oval, na forma, estendendo-se de dois a três pés (60 a 90 cm)
em todas as direções do corpo. Não
termina de maneira abruta, mas sim, desvanece-se gradualmente até
que de todo desaparece. Suas cores são originadas por certos estados
mentais da pessoa circundada pela aura. Cada pensamento, emoção ou
sentimento manifesta-se por um certo matiz ou combinação de cores.
O psíquico desenvolvido pode ler os pensamentos de uma pessoa como
se fossem as páginas de um livro aberto: basta que ele compreenda a
linguagem das cores áuricas — linguagem que, naturalmente, todos
os ocultistas desenvolvidos conhecem.
CORES
ÁURICAS E SEU SIGNIFICADO
-
Preto, representa ódio, malícia, vingança e sentimentos
semelhantes.
-
Pardo, de um matiz mais brilhante, representa egoísmo.
-
Pardo-cinzento, de um matiz peculiar (quase como o de um cadáver),
representa temor e terror.
-
Pardo, de um matiz escuro, representa depressão e melancolia.
-
Verde, de um matiz sujo, representa ciúmes. Se há muita ira de
envolta com os ciúmes, aparecerão chamas encarnadas sobre um fundo
verde.
-
Verde, de um matiz quase cor de ardósia, representa falsidade baixa.
-
Verde, de um matiz brilhante peculiar, representa tolerância para as
opiniões e crenças de outros; fácil adaptação às mudanças de
condições, adaptabilidade, tato, etc.
-
Encarnado de matiz semelhante ao das chamas que, misturadas com a
fumaça, saem de um orifício, ardendo, representa sensualidade e
paixões animais.
-
Encarnado, visto em formas de labaredas de um vermelho brilhante,
parecidas, em seu aspecto, ao resplendor de um relâmpago, indica
cólera.
-
Carmesim, representa amor, variando em matiz de acordo com o caráter
da paixão. Um amor sensual e grosseiro será de um carmesim escuro e
opaco, enquanto que, combinado com sentimentos elevados, aparecerá
em tons mais luminosos e mais agradáveis. Uma forma muito mais
elevada de amor apresentará uma cor quase aproximada a um formoso
cor-de-rosa.
-
Moreno, de uma coloração avermelhada, representa avareza e
voracidade.
-
Alaranjado, de um tom brilhante, representa orgulho e ambição.
-
Amarelo, em seus variados matizes, representa poder intelectual. Se o
intelecto se satisfaz com coisas de ordem inferior, o seu matiz é de
um amarelo escuro e sombrio; e conforme vai elevando-se a níveis
mais altos, a cor se torna mais brilhante
e mais clara; um formoso amarelo dourado significa uma grande
aquisição intelectual; amplo e brilhante raciocínio, etc.
-
Azul de um matiz escuro, representa pensamentos, emoções e
sentimentos religiosos. Esta cor varia em claridade, conforme o grau
de altruísmo manifestado na concepção religiosa.
-
Azul-Claro, de um matiz luminoso e puro, representa espiritualidade.
Alguns dos graus mais elevados de espiritualidade observados na
humanidade ordinária, mostram-se neste matiz azul cheios de
brilhantes pontos luminosos, chispantes e titilantes, como estrelas
numa clara noite de inverno.
Outro
fato notável para aqueles que não têm pensado no assunto, é que a
cor ultravioleta, na aura, é indício de desenvolvimento psíquico,
empregado num plano elevado e altruísta, enquanto que a cor
infravermelha, vista na aura humana, indica que a pessoa possui
desenvolvimento psíquico, porém que o emprega para propósitos
egoístas e indignos — magia negra, em realidade.
Além das duas cores acima mencionadas, há outra que também é
invisível à visão
comum — o verdadeiro amarelo primário — o qual é indicador da
iluminação espiritual e que é percebido debilmente ao redor da
cabeça daqueles que são espiritualmente grandes. A cor que nos
ensina como característica do sétimo princípio
— o espírito — se diz ser de pura luz branca — de um brilho
especial — igual à qual jamais foi vista por humanos olhos.
A
aura que emana da mente instintiva é constituída, principalmente,
dos matizes muito sombrios e escuros.
Convém
fazer notar, aqui, que ainda quando a mente esteja sossegada, pairam
sobre a aura matizes que revelam as tendências predominantes do
homem, de modo que o seu grau de progresso e desenvolvimento, como
também seus gostos e outras qualidades de sua personalidade, podem
ser facilmente distinguidos. Quando a mente é agitada por uma paixão
forte, sentimento ou emoção, a aura inteira parece ser colorida
pelo matiz ou matizes particulares que representam esses estados. Por
exemplo, um violento acesso de cólera faz que toda a aura mostre
brilhantes raios vermelhos sobre um fundo negro, que quase eclipsam
as outras cores. Esse estado dura mais ou menos tempo, de acordo com
a violência da paixão.
Uma
forte onda de amor, ao passar pela mente, fará que a aura inteira
manifeste o carmesim, dependendo o matiz do caráter da paixão. Da
mesma forma, uma exaltação de sentimento religioso dará à aura
inteira um tom azul, como se explicou na tábua das cores.
Vereis,
pelo que temos dito, que há dois aspectos para a condição da cor
da aura: o primeiro depende dos pensamentos que habitualmente
predominam e se manifestam na mente da pessoa, e o segundo depende do
sentimento, emoção ou paixão particular ao manifestar-se num
momento. A cor passageira desaparece quando o sentimento se extingue,
ainda que um sentimento, paixão ou emoção, repetidamente
manifestado, se revela com o tempo na cor áurica habitual.
A cor normal manifestada na aura, sem dúvida muda gradualmente de
tempo em tempo, à proporção que o caráter da pessoa melhora ou se
modifica. As cores habituais indicam o caráter geral da pessoa; as
cores passageiras mostram o sentimento, a emoção, a paixão que a
dominam nesse momento particular.
O
homem que tem o intelecto bem desenvolvido, apresenta uma aura
inundada com um formoso amarelo dourado, pertencente à
intelectualidade. Quando o intelecto do homem tem absorvido a idéia
da espiritualidade e se dedica à aquisição de poder,
desenvolvimento e progresso espirituais, esse amarelo mostrará no contorno
dos seus bordos um azul-claro de um matiz particularmente puro.
A
aura que emana da mente espiritual ou sexto princípio é da cor do
verdadeiro amarelo primário, que é invisível à vista ordinária e
não pode ser reproduzido artificialmente pelo homem. Concentra-se ao
redor da cabeça do homem espiritualmente
iluminado e algumas vezes produz um fulgor particular, que pode ser
visto até por pessoas de pequeno desenvolvimento.
A
auréola que aparece nos quadros dos grandes instrutores espirituais
da raça é o resultado de uma tradição nascida de um fato
experimentado pelos primitivos discípulos desses mestres. O halo ou
a glória vistos nos quadros, têm a sua origem no mesmo fato. Quando
outra vez contemplarmos o assombroso quadro de Hoffmann, "Gethsemani",
experimentaremos uma nova compreensão do fulgor místico que rodeia
a cabeça do Grande Mestre espiritual.
Da
aura do sétimo princípio, o espírito, muito pouco podemos dizer, e
este pouco chegou até nós por tradição. Foi nos dito que é
constituído de uma luz de "branco puro", alguma coisa
desconhecida para a ciência humana.
KRISHNAMURTI DISSOLVENDO A ORDEM DA ESTRELA (discursando para teosofistas)
Vamos
discutir esta manhã a dissolução da Ordem da Estrela. Muitos
ficarão contentes, e outros estarão tristes. Não é uma questão
nem de alegria, nem de tristeza, porque é inevitável, como vou
explicar.
Afirmo
que a Verdade é uma terra sem caminhos, e você não pode chegar a
ela por qualquer caminho, por qualquer religião, por qualquer seita.
Este é meu ponto de vista, e creio nisto absoluta e
incondicionalmente. A Verdade, sendo ilimitada, incondicionada,
inalcançável por qualquer caminho que seja, não pode ser
organizada; nem deve qualquer organização ser formada para levar ou
coagir pessoas por qualquer caminho particular. Se você entender
isto, então verá como é impossível organizar uma crença. Uma
crença é puramente uma questão individual, e você não pode nem
deve organizá-la. Se o fizer, ela morre, se cristaliza; torna-se um
credo, uma seita, uma religião, para ser imposta a outros.
Isto
é o que todos no mundo inteiro tentam fazer. A Verdade é comprimida
e tornada um brinquedo para aqueles que são fracos, para aqueles que
estão apenas momentaneamente descontentes. A Verdade não pode ser
trazida para baixo, mas sim o indivíduo é que deve fazer o esforço
para subir a ela. Você não pode trazer o cume da montanha para o
vale.
Assim,
esta é a primeira razão, do meu ponto de vista, de por que a Ordem
da Estrela deve ser dissolvida. Apesar disso, vocês provavelmente
formarão outras Ordens, continuarão a pertencer a outras
organizações à procura da Verdade. Eu não quero pertencer a
qualquer organização do tipo espiritual; por favor, entendam isto.
Se
uma organização é criada para este propósito, ela se torna uma
muleta, uma fraqueza, uma dependência, e vai mutilar o indivíduo, e
impedi-lo de crescer, de firmar sua individualidade, que repousa em
sua descoberta daquela Verdade absoluta, incondicionada. Assim, esta
é outra razão por que decidi, sendo o Chefe da Ordem, dissolvê-la.
Isto
não é uma grande façanha, porque não quero seguidores. No momento
que você segue alguém, você cessa de seguir a Verdade. Não me
preocupa saber se vocês atentam para o que digo ou não. Quero fazer
algo no mundo e vou fazê-lo com firme concentração. Preocupo-me
apenas com uma coisa: libertar o homem. Desejo vê-lo livre de todas
as prisões, de todos os medos, e não fundar religiões, novas
seitas, nem estabelecer novas teorias e novas filosofias. Então
vocês vão me perguntar naturalmente por que viajo pelo mundo,
continuamente falando. Vou-lhes dizer por que faço isto; não
porque desejo seguidores, nem porque desejo um grupo especial de
discípulos especiais. (Como os homens adoram ser diferentes de seus
semelhantes, ainda que estas diferenças sejam ridículas, absurdas e
triviais! Não quero encorajar este absurdo.) Não tenho discípulos,
nem apóstolos, na terra ou no reino da espiritualidade.
Nem
é a atração do dinheiro, nem o desejo de viver uma vida
confortável, que me atrai. Se eu quisesse levar uma vida
confortável, não viria a um acampamento ou viveria num país úmido!
Estou falando com franqueza, porque quero esclarecer isto de uma vez
por todas. Não quero estas discussões infantis ano após ano.
Um
repórter de jornal, que me entrevistou, considerou magnífico o ato
de dissolver uma organização na qual existem milhares e milhares de
membros. Para ele era uma grande ato porque ele disse: ‘O que você
fará depois? Como vai viver? Não terá seguidores, as pessoas não
mais o ouvirão.’ Se houver apenas cinco pessoas que ouvirem, que
viverem, que tiverem seus rostos voltados para o eterno, será
suficiente. De que serve ter milhares que não entendem, que estão
completamente envolvidos no preconceito, que não querem o novo, mas
sim ajustar o novo a suas vidas estagnadas e estéreis?
Porque
sou livre, não condicionado, integral, não a parte, não o
relativo, mas a Verdade integral, desejo aqueles que procuram me
entender, procuram ser livres, não me seguir, não fazer de mim uma
prisão que se tornará uma religião, uma seita. Mas sim serão
livres de todo medo – do medo da religião, do medo da salvação,
do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do
medo da própria vida. Assim como um artista pinta um quadro porque
acha prazer em pintar, porque é sua autoexpressão, sua glória, seu
bem-estar, assim também faço isto e não porque quero algo de
alguém. Vocês estão acostumados com a autoridade, ou com a
atmosfera da autoridade, que vocês pensam que os levará à
espiritualidade. Vocês pensam e esperam que outra pessoa possa, com
seus poderes extraordinários – um milagre – levá-los a este
reino da eterna liberdade que é a Felicidade. Toda vossa visão da
vida está baseada naquela autoridade.
Já
faz três anos que vocês me ouvem, sem nenhuma mudança acontecendo,
exceto em poucos. Agora, analisem o que estou dizendo, sejam
críticos, para que possam entender totalmente.
Durante
dezoito anos vocês se prepararam para este evento, para a Vinda do
Instrutor do Mundo. Por dezoito anos vocês se organizaram, buscaram
alguém que lhes daria uma nova felicidade a vossos corações e
mentes, que transformaria toda vossa vida, que lhes daria uma nova
compreensão, por alguém que vos erguesse a um novo plano de vida,
que lhes daria um novo encorajamento, que vos libertasse – e agora
veja o que está acontecendo! Ponderem, raciocinem, e descubram de
que modo esta crença os tornou diferentes – não a diferença
superficial de usar um distintivo, o que é trivial, absurdo. De que
maneira tal crença varreu todas as coisas não essenciais da vida?
Esta é a única maneira de julgar: de que modo vocês estão mais
livres, maiores, mais perigosos para toda sociedade baseada no falso
e no não essencial? De que modo os membros desta organização se
tornaram diferentes?
Vocês
todos dependem de outra pessoa para vossa espiritualidade, para vossa
felicidade de outra pessoa, para vossa iluminação de outra pessoa.
Quando digo: olhem dentro de vocês mesmos para a iluminação, para
a glória, para a purificação, e para a incorruptibilidade do eu,
nenhum de vocês deseja fazê-lo. Pode haver uns poucos, mas muito,
muito poucos. Assim, para que ter uma organização?
Ninguém,
agindo do exterior, pode vos fazer livres; nem pode a adoração
organizada, nem vossa imolação por uma causa pode vos fazer livres;
nem pertencer a uma organização, nem vos lançar ao trabalho os
tornarão livres. Você usa uma máquina para escrever cartas, mas
não a coloca num altar e a adora. Mas é isto o que vocês estão
fazendo quando as organizações se tornam vossa principal
preocupação. 'Quantos membros há nela?’ Esta é a primeira
pergunta que me fazem todos os repórteres de jornais. 'Quantos
seguidores você tem? Por este número julgaremos se o que você diz é
verdadeiro ou falso.’ Não sei quantos existem. Não estou
preocupado com isto. Se houvesse apenas uma homem que tivesse sido
libertado, isto seria suficiente.
Vocês
têm a idéia de que apenas certas pessoas têm a chave para o Reino
da Felicidade. Ninguém a tem. Ninguém tem autoridade para possuir
esta chave. Esta chave é seu próprio eu, e apenas no
desenvolvimento e purificação e na incorruptibilidade deste eu está
o Reino do Eterno.
Vocês
estão acostumados a que lhes digam o quanto avançaram, qual é seu
status espiritual. Que infantil! Quem senão vocês mesmos pode dizer
se são incorruptíveis?
Mas
aqueles que realmente desejam entender, que estão procurando
encontrar aquilo que é eterno, sem começo ou fim, caminharão
juntos com maior intensidade, serão um perigo para tudo que é não
essencial, para as irrealidades, para as sombras. E eles se juntarão,
se tornarão uma chama, porque entendem. Devemos criar um tal grupo,
e este é meu propósito. Por causa daquela amizade verdadeira – a
qual vocês parecem não conhecer – haverá real cooperação da
parte de cada um. E isto não por causa da autoridade, não por causa
da salvação, mas porque vocês realmente compreendem, e daí são
capazes de viver no eterno. Isto é algo maior que todo prazer, que
todo sacrifício.
Assim,
estas são algumas das razões por que, após cuidadosa consideração
por dois anos, tomei esta decisão. Não é um impulso momentâneo.
Ninguém me persuadiu a isto – não sou persuadido em tais coisas.
Por dois anos estive pensando nisto, cuidadosa e pacientemente, e
agora decidi dissolver a Ordem, uma vez que sou o Chefe. Vocês podem
formar outras organizações e esperar outra pessoa. Com isto não me
preocupo, nem com criar novas prisões, novas decorações para estas
prisões. Minha única preocupação é libertar completa e
incondicionalmente os homens.
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Há muita gente crente; milhões acreditam em Deus e nisso obtêm consolo. Primeiro que tudo, por que é crente? É crente porque isso lhe dá satisfação, conforto, esperança e, como você afirma, dá significado à vida. De fato, o seu acreditar tem muito pouco significado, porque acredita e explora os outros, acredita e mata, acredita num Deus universal e aceita que os homens se matem uns aos outros. O homem rico também acredita em Deus, ele explora sem piedade, acumula riqueza, e depois constrói um templo ou torna-se filantropo. Os homens que jogaram a bomba atômica em Hiroshima disseram que Deus estava com eles; aqueles que voaram da Inglaterra para destruir a Alemanha afirmavam que Deus era o seu co-piloto. Os ditadores, os primeiros ministros, os generais, os presidentes, todos eles falam de Deus, têm imensa fé em Deus. E estão eles a fazer o que devem fazer, construindo uma vida melhor para os seres humanos?
As pessoas que afirmam acreditar em Deus já destruíram metade do mundo, e este planeta está uma completa desgraça. Através da intolerância religiosa criam-se divisões entre os povos, os que acreditam e os que não acreditam, o que conduz a guerras religiosas. Isso demonstra como as nossas mentes estão extraordinariamente politizadas. Será que acreditar em Deus é «um poderoso incentivo para uma vida melhor»? Por que queremos nós um incentivo para viver melhor? Claro que esse incentivo deve ser o nosso próprio desejo de viver com higiene e com simplicidade, não é assim? Se procuramos um incentivo, é porque não estamos interessados em tornar a vida melhor para todos, estamos apenas interessados no nosso incentivo, que é diferente do de outra pessoa – e acabaremos por lutar por causa de um incentivo!
Se vivemos em paz uns com os outros, não porque acreditamos mas porque somos seres humanos, então partilhamos todos os meios de produção com o objetivo de produzir coisas para toda a gente. Devido à falta de inteligência, aceitamos a ideia de uma superinteligência a que chamamos «Deus»; mas esse «Deus» não nos vai proporcionar uma vida melhor. O que conduz a uma vida melhor é a Inteligência; e não pode existir inteligência-Deus, se houver crença, se houver divisões sociais, se os meios de produção estiverem nas mãos de poucos indivíduos, se existirem nações isoladas e governos soberanos. Tudo isto indica falta de inteligência e é a falta de inteligência que está a impedir uma vida melhor, e não a descrença em Deus. Todos nós acreditamos de modos diferentes, mas a crença não tem qualquer realidade.
A realidade é aquilo que cada um é, o que cada um faz, pensa, e acreditar em Deus é um mero escape para a nossa monótona, estúpida e cruel existência. Mais, a crença invariavelmente divide as pessoas: há o hindu, o budista, o cristão, o comunista, o socialista, o capitalista, e todo o resto. A crença e a ideia dividem; nunca levam as pessoas a estarem unidas. Algumas pessoas podem juntar-se e formar um grupo; mas esse grupo acaba por se opor a outro grupo. Ideias e crenças nunca são unificadoras; pelo contrário, elas são separativas, desintegradoras e destrutivas. Portanto, a crença em Deus está de fato a espalhar a infelicidade no mundo; embora essa crença nos traga consolo momentâneo, ela na realidade traz mais sofrimento e destruição na forma de guerras, fome, divisão de classes e a impiedosa ação de indivíduos que se põem à parte.
Assim, a crença não tem validade alguma. Se acreditamos realmente em Deus, se isso é uma experiência real para nós, então há um sorriso na nossa face; e não destruímos os outros seres humanos. O que é a Realidade? O que é Deus? Deus não é a palavra, a palavra não é a realidade. Para conhecer isso que é imensurável, que não está no tempo, a mente tem de estar liberta do tempo, quer dizer, a mente tem de se libertar de todo o pensamento, de todas as ideias acerca de Deus.
O que sabemos nós sobre Deus ou a Verdade? Não sabemos realmente nada sobre essa Realidade. Tudo o que conhecemos são palavras, são experiências de outros ou alguns momentos de experiências pessoais. Claro que isso não nos dá a conhecer Deus, não é a Verdade, isso não está para além do tempo, temos de compreender o processo do tempo, tempo sendo pensamento, sendo o processo de «vir a ser», sendo acumulação de conhecimentos. Isso é tudo o que está por detrás da mente; a mente, em si, é esse fundo, é o consciente e o inconsciente, é o coletivo e o individual.
Assim, a mente tem de estar livre do conhecido, isto é, ela tem de estar completamente em silêncio, não FORÇADA ao silêncio. A mente que é forçada, controlada, moldada, posta dentro de limites e mantida quieta, não é uma mente em paz. Podemos ter sucesso por algum tempo em forçar a mente a ser superficialmente silenciosa, mas tal mente não é uma mente serena. A serenidade só acontece quando compreendemos todo o processo do pensamento, porque compreender esse processo é acabar com ele, e na cessação do processo do pensamento está o começo do silêncio.Só quando a mente está completamente em silêncio, não apenas a um nível superficial mas a um nível profundo da consciência – só então o desconhecido pode manifestar-se.
O Desconhecido não é algo para ser experimentado pela mente; apenas o silêncio e só o silêncio pode ser experienciado. Se a mente experimenta o que quer que seja que não o silêncio, é porque está simplesmente a projetar os seus próprios desejos, e uma tal mente não está em silêncio. Silêncio é a libertação do passado, dos conhecimentos, de memórias conscientes e inconscientes; quando a mente está em completo silêncio, em não funcionamento, quando há silêncio que não é produto do esforço, então o Intemporal, o Eterno dá-se a mostrar. Esse estado não é um estado para lembrar – não há qualquer entidade a recordá-lo, a experimentá-lo.
Portanto, Deus, a Verdade, chamemos-lhe o que quisermos, é algo que se manifesta a todo momento, e isso só acontece num estado de liberdade e de espontaneidade, não quando a mente é disciplinada de acordo com um padrão. Deus não é uma coisa da mente, não vem através da autoprojeção; só acontece quando há virtude, que é liberdade. Virtude é enfrentar o fato do QUE É, e enfrentar o FATO gera um estado de BÊNÇÃO. Quando a mente está nesse estado de profunda alegria, em paz, sem qualquer movimento, sem a projeção consciente ou inconsciente do pensamento – só então o ETERNO se manifesta.”