24.5.20

PREPARAR O CORPO PARA AS GRANDES ENERGIAS – Sadhguru



Pergunta: Tendo sido uma devota de alguns maravilhosos mestres que já deixaram o corpo, algumas experiências espirituais me ocorreram e um certo fogo interior aconteceu. Vim agora para aprender alguma prática espiritual para estabilizar  o mundo interior. Parece-me que algo aconteceu energeticamente, algo muito diferente que não sei o que é, e estou tentando encontrar alguém como você que saiba e possa me aconselhar.

Sadhguru: Existem algumas pessoas que tiveram experiências por diferentes meios, ou por estar em contato com certa pessoa, ou por ter ido a certos lugares, por estar exposta a certas situações, ou simplesmente de modo acidental em situações de suas vidas.

O ser humano vive num mundo físico, e a tendência é que ele se torne materializado como uma rocha, mas ele não está contente, ele quer sutilizar sua existência. Essa é a luta que o ser humano enfrenta. Portanto o processo espiritual significa elevar-se do plano material ao sutil.

Essa elevação ao plano sutil pode acontecer dentro de você, quer você tenha entrado em contato com alguém ou algo, ou quer você tenha construído conscientemente dentro de si mesma esse estado, ou simplesmente devido a alguma situação de intensa luta ou perigo. Quando há um perigo ou intensa luta na vida da pessoa, uma certa intensidade pode ocorrer dentro dela. E então de repente, aquilo que era materializado se torna sutil. Às vezes estar perto da morte pode provocar isso.

Muitos anos atrás eu estava em Bangalore e fui a um mercado de hortaliças e legumes, e ali fiquei andando e conversando com as pessoas. E então vi um homem que vendia hortaliças, e ele tinha muita luz. Olhei para ele e pensei: “Não posso acreditar que um homem como esse esteja vendendo hortaliças”.

Então nossos olhos se encontraram e comecei a gargalhar. Ele também riu. Fui até ele e lhe perguntei: “Como você veio parar aqui? Por que legumes?” Ele me convidou para sentar e ficamos conversando, e ele disse: “Eu era apenas um vendedor de legumes e certo dia fiquei doente.” Ele dirigiu-se a um hospital público, que é como uma preparação para o inferno (risos), e ali ficou, pensando a cada dia que a morte chegaria.


Ficou quatro meses acamado no hospital, e nessa luta contra a morte ele encontrou a auto-realização. E agora ele se sentava ali como um Buddha vendendo legumes. E então ele disse: “Cada cliente que vem a mim, eu o abençoo com uma longa doença”. (risos) Eu disse: “Que bênção!” Porque para ele a doença tinha sido uma grande bênção! A doença o levou a uma dimensão da vida completamente diferente.

Assim, a auto-realização pode acontecer de muitas maneiras diferentes. Mas para a maioria das pessoas que têm uma experiência espiritual, através de um contato ou outra coisa, elas são incapazes de permanecerem naquele nível. Elas se elevam e depois despencam.

Para a pessoa que nunca entrou num nível superior de existência, a vida comum não tem qualquer problema. Mas quando a pessoa esteve ali e volta à vida comum, ela se sente muito mal. Se você não conhece nada melhor, está tudo bem, mas se você conhece algo melhor, quando volta para o mundo material se sente terrível. Muitas pessoas ficam desorientadas mentalmente, com depressão, porque de algum modo elas tiveram uma grande experiência espiritual, mas não conseguiram manter-se nela. E isso se torna sua maldição.

Nada de errado lhes aconteceu, foi apenas que viram um nível diferente de vida e depois caíram. Isso é muito doloroso. Por isso é sempre melhor não pular dentro dessas grandes experiências. É melhor construir uma escada e subir vagarosamente para que não haja uma queda.

Assim, se você cria uma estrutura adequada através da prática espiritual adequada, se todo dia você continua praticando, aos poucos essa prática construirá a escada para você. Desse modo não haverá queda, porque você subiu uma escada, e não apenas pulou de algum lugar para lá.

Por isso, a prática, Shambhavi Mahamudra, (ensinada por Sadhguru) vai criar essa situação dentro de você. Não importa o que aconteceu a você no passado, isso te foi bom em algum momento. Mas o sistema não estava pronto para aquele tipo de energia. Sem preparar seu corpo, se você entra em contato com altos níveis de energia, algo pode facilmente se quebrar dentro de você.

Assim, sempre é melhor que o sistema esteja preparado antes que as grandes energias venham às pessoas. O objetivo do yoga é esse: preparar o corpo para que, quando as grandes energias venham, você saiba lidar com elas.









18.5.20

PRANAYAMA SEM RETENÇÃO – Swami Sivananda



Sente-se com a espinha ereta. Feche a narina direita e inale vagarosa e confortavelmente pela narina esquerda. Em seguida, feche a narina esquerda e exale pela direita. Agora inale pela direita e exale pela esquerda, vagarosa e confortavelmente. Não há retenção nesse pranayama. Repita o processo 12 vezes.
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Nota: se a prática desse pranayama por 12 vezes esquentar demais a respiração ou causar dor de cabeça, pode-se praticar apenas 8 ou 5 vezes ao dia com muitos benefícios para o corpo e a mente. Diante de qualquer desconforto, interrompa-se a prática por um ou mais dias, até refrescar novamente os nervos. Esse pranayama ajuda a controlar o desejo sexual e conservar ojas shakti. É contraindicado para pessoas que não pretendem levar uma vida relativamente controlada sexualmente, assim como é qualquer outro pranayama. Pranayamas também são contraindicados para pessoas que possuem vícios ou sofrem dos nervos; primeiro é necessário tratar-se adequadamente.



13.5.20

PRÁTICA PRELIMINAR À KRIYA YOGA – Sri M


              
Pergunta: Você tem alguma prática que as pessoas possam fazer e incluir em sua rotina de meditação?

Sri M: A Kriya Yoga que ensino vem da mesma tradição que a ensinada por Paramahansa Yogananda. Entretanto existem certas práticas que não são ensinadas a todos igualmente. Isso depende do instrutor e do estudante. Quando você está em contato com o estudante, pode sentir que algo deve ser acrescentado ou ser tirado da prática. Mas a teoria básica da Kriya Yoga, isto é, que as energias do corpo têm de ser concentradas e sua consciência tem de viajar pelo Shushumna nadi, desde Muladhara até Sahasrara, juntamente com o prana, isto é um ensinamento comum nos ensinos de Yogananda e nos meus. A técnica para realizar isso pode ser um pouco diferente aqui e ali, dependendo da pessoa que a recebe.




Pergunta: Envolve pranayama e mantras?

Sri M: Sim, envolve pranayama e o cantar de bijaksharas (mantras sementes) em cada chakra, mas existem muitas práticas similares ensinadas por outros instrutores.

Pergunta: Se alguém mora distante e não pode receber iniciação, o que você recomendaria?

Sri M: Eu diria que deve começar com uma prática que pode ser dada a todos, porque não causa nenhum dano. Esta técnica, meu guru, Sri Maheshwarnath, me deu permissão para ensinar a primeira parte, que chamamos de técnica de Hamsa.

Basicamente é assim: primeiro você repete o mantra de Mahavatar Babaji, guru supremo de minha linhagem. Com a mão sobre o coração, visualizamos ali, no Anahata chakra, um lótus branco e sobre o lótus as marcas, duas pegadas, dos pés de Mahavatar Babaji. Daí começamos a repetir o mantra “Om Hrim Shri Gurubhyô Namahá” mentalmente, durante cinco a dez minutos.

Se isso for feito, você estará estabelecendo uma ligação com Mahavatar Babaji, e estabelecendo essa ligação a Kriya Yoga virá a você em algum momento.

ORIGINAL KRIYA YOGA: MAHAVATAR BABAJI AND LAHIRI MAHASAYA Mahavatar Babaji

Após fazer o guru mantra, então fazemos a técnica de Hamsa: sente-se quieto numa postura confortável e com a espinha e cabeça eretas, e observe sua respiração, sem controla-la, passivamente, enquanto o ar entra e sai.

Quando inalar, cante Ham mentalmente, e quando exalar cante Só. Continue fazendo isso durante algum tempo, dez a quinze minutos. Apenas fazendo isso, sem esperar que nada aconteça. Depois fique quieto, como testemunha apenas, por alguns minutos. Ao sair da meditação, curve-se dizendo “obrigado”.

Essa é uma prática simples, que qualquer um pode fazer.
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Nota: o mantra Hrim deve ser pronunciado “ririm”, unindo-se os lábios no final para ressaltar a letra m. O mantra Ham deve ser pronunciado “ram”, também unindo-se os lábios no final.

30.4.20

TANTRA NADA TEM A VER COM SEXO – Sadhguru



Tantra significa extrema disciplina. Não é promiscuidade desenfreada. É aprender a usar seu corpo e sua mente assim como usa algum outro instrumento externo. Esta foi a tremenda dádiva trazida por Agastya Muni, ele estabeleceu um processo tântrico baseado cem por cento no corpo, nada vindo do exterior.

A palavra Tantra significa técnica ou tecnologia. Mas porque o Tantra que todos conhecem foi escrito por autores ocidentais, as pessoas têm uma ideia errada do Tantra. Do mesmo modo que você aprende a usar um computador, também aprende a usar seu corpo e sua mente.

Os livros tântricos se referem ao corpo, e para a sociedade moderna, se você diz corpo, as pessoas pensam nos órgãos sexuais e nada além disso. Elas se esquecem do cérebro.

O Tantra indica como aprender a usar o corpo, que é um mecanismo fantástico. Se você não sabe como usá-lo, o que fará neste mundo? Você não causará impacto em coisa alguma. Portanto, isso é Tantra. Tantra significa essa capacidade.



Não existe guru sem Tantra, sem tecnologia. Um guru sem Tantra apenas pode ser um santo que posa abençoando as pessoas. Esse tipo de santo não é para as pessoas que buscam a iluminação. É apenas para as pessoas que buscam pequenas melhorias em suas vidas, como uma roupa nova ou um carro novo. Mas se você quer crescimento espiritual, quer conhecer sua natureza interior, o guru precisa ter a capacidade de proporcionar isso.

Existem duas dimensões no Tantra. Numa você usa materiais externos, é uma dimensão ritualística. Na outra, o Tantra ióguico, você usa apenas seu corpo físico e o sistema de energia do corpo. Não precisa de mais nada. Essas duas dimensões têm sido classificadas como Caminho da Mão Esquerda e Caminho da Mão Direita.

O Caminho da Mão Esquerda usa materiais externos e o Caminho da Mão Direita apenas usa o corpo, que é o Tantra ióguico, que foi a dádiva que Agastya ofereceu à humanidade.

  

24.3.20

SOBRE KRISHNAMURTI – Sadhguru



Jiddu Krishnamurti nasceu numa vila chamada Madanapale. Eu estive na casa onde ele nasceu e viveu. Um belo lugar. A casa é mantida hoje como um monumento dedicado a ele. No fim do século 19 e começo do século 20, a teosofia espalhou-se por todo o mundo. Esse movimento foi iniciado por Madame Blavatsky, que era uma mulher muito culta e mística.

Nessa época muitos britânicos e outros europeus, buscadores do misticismo, viajavam à Índia para explorar a vida mística, entre eles estava Max Muller, Paul Brunton e outros. Naquela época era uma aventura, você tinha que viajar a cavalo, tinha que pedir informações a pessoas, encontrar o guru adequado etc.

Madame Blavatsky foi ao Tibete, depois veio à Índia e finalmente estabeleceu a sede mundial da teosofia no Sul do país, em Adyar, e ali o sonho dos teósofos era produzir o ser perfeito. Os teósofos na Índia conseguiram organizar a mais fantástica biblioteca do mundo, onde juntaram todo tipo de livro sobre o ocultismo.

Ver a imagem de origem  Krishnamurti

Teósofos como Annie Besant e Leadbeater possuíam um brilhante intelecto, sem dúvida, no entanto não tinham realização interior. Então começaram a procurar um corpo apropriado que seria usado pelo Instrutor do Mundo (Maitreya), e puseram Krishnamurti num treinamento severo para prepara-lo, inclusive com técnicas de meditação, e ele se tornou um fantástico ser humano.

Quando Krishnamurti tinha 27 ou 28 anos, a Sociedade Teosófica decidiu anunciar ao mundo que nele se manifestaria o Instrutor Mundial, que o instrutor perfeito tinha chegado. As pessoas ficaram muito interessadas em Krishnamurti.

Krishnamurti então lhes disse: “Eu não sou o Instrutor do Mundo.” E com isso toda a Sociedade Teosófica desmoronou. Ele teve a coragem, o bom-senso e a sabedoria de dizer: “Eu não sou”. A grande maioria das pessoas diria: “Sou a reencarnação de Buddha, Jesus” e tudo o mais. Mas ele teve o bom-senso de dizer: “Não sou isso que estão tentando me tornar”.

Em seguida abandonou o movimento teosófico e começou a dar palestras, era um brilhante orador. Quando falava, encantava as pessoas. Falava de um modo completamente mágico.
Quando eu tinha 18 anos, alguém me convidou para assistir a algumas de suas palestras em vídeo. Era um grupo de estudos. As pessoas diziam: “Você tem que ler Krishnamurti”. Nos círculos intelectuais da Índia, se você não lesse Krishnamurti, Kirkegaard e Dostoievsky, era considerado uma pessoa sem cérebro. Era a moda.

Às segundas-feiras passavam vídeos de Krishnamurti, liam seus livros. Alguns amigos me convidaram e eu fui. Quando o vi, percebi imediatamente sua integridade, que era notável. Não li seus livros, apenas assisti aos vídeos. Na verdade eu não tinha tempo de ler as palavras de ninguém. A vida me chamava o tempo todo. Por isso não tinha tempo de ouvir meus pais, meus professores ou Krishnamurti. Então deixei o círculo de estudos e segui minha vida.

Frequentei esse grupo durante cinco segundas-feiras, durante uma hora e meia cada. Depois do vídeo, começavam a discutir seus ensinamentos, e tudo acabava numa grande confusão, porque ninguém entendia o que ele dizia. Ele se recusava a usar qualquer método, qualquer exemplo, qualquer parábola ou história, nada. Apenas análise, dissecação. Isto é chamado Jnana Marga, o caminho do intelecto.

Dos sete bilhões de pessoas desse planeta, se você encontrar dez mil pessoas que têm esse tipo de intelecto cortante e analítico, que pode seguir analisando cada coisa... eu creio que você não vai encontrar dez mil pessoas assim. Talvez você encontre mil pessoas, e essas mil talvez não estejam interessadas no processo espiritual, talvez estejam interessadas em usar seu intelecto em coisas materiais.

Ao redor de Krishnamurti todos podiam sentir que aquele homem era especial, mas ninguém entendia o que ele falava, porque ele se recusava a fazer o papel de guru, ele se recusava a iniciar alguém, se recusava a usar qualquer tipo de método, qualquer tipo de processo.

Ele disse: “De qualquer maneira a iluminação acontecerá”. É verdade. Ela acontecerá, mas talvez após um milhão de vidas. Então, se você tiver pressa, deve ter aquele tipo de intelecto, que é raro. Ou então deve usar seus outros instrumentos, que são o corpo, a energia, as emoções, todas essas coisas. Krishnamurti podia com seu intelecto chegar àquelas verdades, mas ninguém mais podia.

Ele era um fantástico ser humano. Enquanto estava nesse mundo, podia-se sentir a fragrância. Quando se foi, só ficaram os livros, porque não havia um processo vivo.

Um amigo meu disse sobre Krishnamurti: “Quando entrei na sala onde estava dando uma palestra, senti que adentrei um muro de amor. Esse sentimento bateu em minha face”.

As pessoas nunca associam Krishnamurti ao amor. Ele não era um homem que demonstrava seus sentimentos. Era rígido, sério, definitivamente não parecia amoroso, mas era amoroso, absolutamente compassivo. Suas palavras eram como facas: analisavam, dissecavam.

O próprio Krishnamurti não queria que as pessoas se apoiassem nele. Dizia que se se apoiassem ficariam presas. Se houvesse no mundo um milhão de mentes puramente racionais, esse método seria fabuloso para se seguir. Mas nesse mundo as pessoas ainda não estão preparadas para isso. É um belo processo espiritual, mas...

Krishnamurti era como uma flor. Sua fragrância foi sentida enquanto estava neste mundo. Suas palavras são boas se você quiser usa-las como um tipo de exercício intelectual. Se puder entender algo, elas são uteis, brilhantes.



13.3.20

TAPASYA: COMO QUEIMAR AS SEMENTES KÁRMICAS – Swami Nirmalananda



Tapasya é disciplina espiritual prática, que produz resultados. Literalmente significa a geração de calor ou energia, referindo-se à prática espiritual e seu efeito, especialmente à queima de sementes kármicas, a queima do karma. Também se refere ao calor necessário para chocar um ovo. Sem tapasya não existe progresso espiritual significativo. Portanto Krishna nos fala de três níveis de tapasya, assim como suas características.
Tapasya do corpo
“Reverência pelos devas, videntes, mestres e sábios; sinceridade, inofensividade, limpeza física e pureza sexual; estas são as virtudes cuja prática é chamada austeridade do corpo.” (Bhagavad Gita 17:14)
A reverência é interna, assim reverenciar uma autoridade espiritual não é bajular, arrastar-se ante ela, promove-la ou presenteá-la com dinheiro e outras coisas. Mas é sim aplicar seus ensinamentos com fé e seriedade. Krishna fala de quatro tipos de pessoas que merecem nossa reverência: devas, videntes, mestres e sábios.
Devas são deuses – não o Deus Supremo, mas seres altamente desenvolvidos que podem afetar nossa vida. Podemos pensar neles como anjos ou seres sem corpo que interagem com os seres humanos e os ajudam de muitas maneiras. Toda religião tem alguma forma de devas. Mas cuidado: é fácil fantasiar e acreditar que estamos em contato com elevados seres espirituais, e tudo não passar de uma projeção de nossas mentes. Pode até acontecer algo pior: podemos ser enganados por entidades conhecidas como “almas vagabundas” ou “lixo astral” que estão sempre prontas para se apresentar alegando ser desde nosso avô até Abraham Lincoln, Krishna, Buddha ou Jesus.

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Os videntes são aqueles que despertaram interiormente, cuja consciência foi despertada e continua a se expandir. Tais pessoas podem não ser perfeitamente iluminadas, mas se estão à nossa frente no caminho evolutivo, merecem nosso respeito e podem nos ajudar com sua experiência.
Os mestres têm ainda mais experiência e são qualificados para dar instrução espiritual e guiar seus estudantes em sua prática espiritual e desenvolvimento. Mas os melhores são os sábios, aqueles que estão totalmente despertos, totalmente conscientes, que conhecem a si mesmos e ao Absoluto. Estar com eles é estar com Deus. Encontrar um tal ser é uma grande sorte, se seus ensinamentos forem seguidos.
Tapasya da fala
“Falar sem jamais causar dor a outros, ser veraz, dizer sempre o que é benéfico e gentil, e estudar as escrituras regularmente: esta prática é chamada austeridade da fala.” (Bhagavad Gita 17:15)
Tapasya da mente
“A prática de serenidade, simpatia, meditação no Atman, retirar a mente dos objetos dos sentidos e integridade de motivos é chamada austeridade da mente.” (Bhagavad Gita 17:16)
O que Krishna descreve é um estado, uma condição da mente. Swami Sivananda colocou na parede da sala de reuniões a frase: “Seja bom, faça o bem”.


FORÇAS E SERES HOSTIS – Sri Aurobindo



As forças hostis existem e são conhecidas dos yogues desde os dias dos antigos Vedas e de Zoroastro na Pérsia, além da Europa antiga. Essas coisas não podem ser sentidas ou conhecidas enquanto a pessoa vive na mente comum, em suas ideias e percepções.

Mas quando a pessoa começa a ter a visão interior, é diferente. Ela começa a perceber que tudo é uma ação de forças, forças físicas e psicológicas que influenciam sobre nossa natureza – e essas forças são conscientes, ou sustentadas por uma consciência por trás delas.

Muitas vezes uma crise na vida pessoal é resultado de uma ação das forças universais, e não meramente uma ação independente de sua própria personalidade. A pessoa não está consciente dessa intervenção e pressão. Aqueles que desenvolveram a visão interior das coisas do plano vital têm muita experiência com as forças hostis. No entanto, não é necessário preocupar-se com elas enquanto permanecerem desconhecidas.
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Aqueles que têm uma fé viva e completa no Divino e uma natureza sátvica não precisam se preocupar com as forças hostis, pois estas não podem apossar-se de sua natureza e são repelidas.

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O ensinamento sobre as forças hostis é necessário para aqueles que têm uma consciência dividida ou um temperamento mais rajásico, pois se não estiverem atentos podem cair sob o controle de forças indesejáveis do Desejo e do Ego.
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As forças hostis têm seu próprio mundo, e se ali se mantivessem, não haveria objeção a sua existência. Há um mundo que lhes é natural e tem seu próprio ritmo, seu próprio dharma. Mas elas querem dominar a evolução e para isso estabeleceram seus postos nos mundos vitais que influenciam a natureza terrena e lhes dão materiais para a vida.

Elas foram criadas, ou melhor, manifestadas, como um tipo que expressa algum estresse cósmico, alguma possibilidade no Infinito, a expressão de um certo tipo de consciência e força.

Quando o trabalho que lhes é permitido fazer sobre a terra, o trabalho de negação, perversão, estragos, estiver terminado, elas serão destruídas aqui, mas poderão continuar a existir em seu próprio universo, fora desse nosso sistema.

Pois sua presença é Adharma, uma perturbação da verdadeira harmonia e evolução natural que deve existir no plano terreno; é uma intrusão e não uma presença natural.
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Se não houvesse forças hostis na evolução terrena, poderia haver ignorância, mas não perversidade na ignorância.
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Existem diferentes Forças no universo. Se uma Força trabalha para purificar e abrir o Sistema, se traz consigo luz ou paz, ou prepara a mudança de pensamentos, sentimentos, caráter no sentido de entrar em sintonia com uma consciência superior, então é uma Força do bem. Mas se for obscura ou perturbar o ser com sugestões rajásicas ou egoístas, ou que excitam a natureza inferior, então é uma Força adversa.
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Os seres hostis possuem corpos, embora não corpos físicos. Eles veem, mas com uma visão sutil que inclui não apenas corpos, mas movimentos de forças, pensamentos, sentimentos.
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Muito grandes são os poderes ocultos dos seres hostis. São seus poderes ocultos e seu conhecimento dos processos ocultos que os fazem fortes e efetivos.
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As forças hostis são muito pragmáticas para se preocuparem com a Verdade, elas querem apenas sucesso. Quanto mais inconsciente você for, quanto mais for uma ferramenta automática, mais elas ficam satisfeitas, pois é a inconsciência que lhes dá sua oportunidade.
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O universo é certamente, ou tem sido até agora, aparentemente um duro jogo com as chances do dado maiores para os Poderes da escuridão, para os Senhores da obscuridade, falsidade, morte e sofrimento. Mas temos que toma-lo como é e descobrir o modo de vencer. A experiência espiritual mostra que por trás das aparências existe um vasto campo de igualdade, calma, liberdade, onde podemos ganhar o poder que conquista.
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As forças hostis são o Poder que mantém a ignorância e escuridão no mundo, e só podem ser destruídas quando a humanidade não mais amar a ignorância e a escuridão. Cada aspirante deve desarraigá-las de seu ser. Quando se forem dele, então não haverá mais qualquer dificuldade séria em suas práticas.
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As Forças hostis são Poderes da Escuridão que se revoltam contra a Luz e a Verdade e querem manter esse mundo sob seu governo na escuridão e na ignorância. Sempre que alguém deseja alcançar a Verdade, realizar o Divino, elas se colocam em seu caminho o mais que podem.Mas são especialmente contra o trabalho que eu e a Mãe estamos fazendo, trazer para baixo a Luz aqui na Terra e estabelecer a Verdade – e isso significaria sua própria expulsão.

Desse modo, elas sempre tentam destruir o trabalho como um todo e atrapalhar as práticas de cada buscador. Todos os aspirantes são atacados, uns mais, outros menos, especialmente quando estão fazendo um grande progresso – é aí que essas Forças tentam interferir.A única maneira de evita-lo é voltar-se para a Mãe e recusar qualquer oportunidade a essas Forças.
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Os Asuras e Rakshasas etc. não pertencem à Terra, mas a mundos suprafísicos; mas eles agem sobre a vida terrena e disputam o controle da vida e ação humanas com os deuses. Eles são os Poderes da Escuridão que combatem os Poderes da Luz.

Às vezes possuem os homens a fim de agir através deles, às vezes nascem em um corpo humano. Quando sua utilidade no drama terreno acabar, eles serão transformados, ou desaparecerão, ou não mais procurarão intervir nesse drama.
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A tentação realizada por Apsaras (seres femininos do mundo vital) é possível, mas não acontece com frequência – porque é difícil para os seres dos mundos sutis se materializarem por muito tempo. Eles preferem agir influenciando os seres humanos, usando-os como instrumentos ou tomando posse de um corpo e mente humanos.
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Existem dois tipos de Asuras— um tipo era divino em sua origem, mas caiu de sua divindade por vontade própria e por oposição à intenção do Divino. Esse tipo é relatado nas escrituras hindus como os primeiros ou primitivos deuses; eles podem ser convertidos e sua conversão é realmente necessária para os propósitos finais do universo.

Mas o Asura comum não é assim, não é um ser que evolui, mas um ser típico e representa um princípio fixo da criação que não evolui nem muda e não pretende fazê-lo. Esses Asuras, assim como os outros seres hostis, Rakshasas, Pisachas e outros, lembram os demônios da tradição cristã e se opõem à intenção divina e ao propósito evolucionário do ser humano.

Eles não mudam o propósito pelo qual vivem, que é maligno, por isso têm de ser destruídos assim como o mal. Esse Asura não tem alma, não tem um ser psíquico que possa evoluir a um estado superior; ele tem apenas um ego, e geralmente um ego muito poderoso; ele tem uma mente, às vezes uma mente altamente intelectualizada; mas a base de seu pensamento e sentimento é vital e não mental, a serviço de seu desejo e não da Verdade. Ele é uma formação assumida pelo princípio vital para um tipo particular de trabalho e não uma formação divina ou uma alma.
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Alguns tipos de Asuras são muito religiosos, muito fanáticos com sua religião, muito estritos sobre as regras de conduta ética. Outros, logicamente, são justamente o oposto. Existem outros que usam as ideias espirituais sem acreditar nelas, a fim de enganar o buscador. Foi isso que Shakespeare descreveu como o demônio citando as Escrituras para seu próprio propósito.  No presente, o que eles mais estão fazendo é tentar despertar a obscuridade e fraqueza das partes materiais, vitais e da mente física a fim de impedir o progresso do buscador.
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Com relação aos Asuras, não muitos deles têm demonstrado sinais de arrependimento ou possibilidade de conversão até agora. Não é de surpreender que sejam poderosos num mundo de Ignorância, porque apenas têm de convencer as pessoas a seguir a inclinação de sua natureza inferior, enquanto o Divino sempre chama para uma mudança da natureza.
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Os Asuras são na verdade o lado escuro do plano mental, ou mais estritamente, do plano mental-vital. Essa mente é o campo dos Asuras. Sua principalmente característica é a força egoísta e a luta, que recusa a lei superior. O Asura tem autocontrole, austeridade e inteligência, mas tudo isso para beneficiar seu ego.

No plano vital inferior, as forças correspondentes são os Rakshasas, que representam as paixões e influências violentas. Existem também outros tipos de seres no plano vital que são chamados Pisachas e Pramathas. Eles se manifestam mais ou menos no plano físico-vital.

No plano físico, as forças correspondentes são seres obscuros, mais forças que seres, que os teosofistas chamam de elementais. Esses não são seres fortemente individualizados como os Rakshasas e Asuras, mas são forças obscuras e ignorantes trabalhando no plano físico sutil. O que chamamos em sânscrito de Bhutas em sua maior parte está incluído nessa classe. Mas há dois tipos de elementais, um tipo prejudicial e o outro não. Não existem Asuras nos planos superiores onde a Verdade prevalece.
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Os Gandharvas são do plano vital, mas são deuses vitais, não Asuras. Muitos Asuras são belos em aparência e podem até mesmo possuir uma luz à sua volta. Os Rakshasas, Pisachas, etc. é que são feios em aparência.
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Alguns dos seres vitais são muito inteligentes – mas não querem a luz, apenas tentam evitar a destruição e esperar que chegue sua hora de desaparecer.
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Poucos seres vitais nascem na Terra – eles preferem apossar-se de seres humanos e fazê-los seus instrumentos. Eles não evoluem. Não possuem um ser psíquico que evolui e temem encarnar justamente porque nesse caso seriam obrigados a progredir.