15.4.14

COMO RECONHECER A INTUIÇÃO – Paul Brunton


Afogamos, às vezes, uma intuição sob a força de nossas emoções, de nossos preconceitos ou desejos, e nos lembramos disso em seguida, com remorso, quando os acontecimentos demonstraram que ela era justa.

Sócrates tinha inteira fé na intuição que ele chamava “seu demônio”, e lhe obedecia. Assim ele a descrevia: “Vós me ouvistes falar de um oráculo ou de um sinal que me vem. Eu o tenho ouvido desde a infância. Este sinal é uma voz que me interdiz de fazer alguma coisa de que tenha intenção. Até aqui este oráculo teve o hábito de opor-se a mim, até em coisas insignificantes desde que fossem um erro. Muitas vezes me faz parar no meio de um discurso; mas hoje não manifestou oposição a nenhuma coisa que eu disse ou fiz. Que explicação vejo aí? Vou dizê-la: considero certo tudo que declaro, porque o sinal habitual já se teria manifestado se houvesse agido pelo mal e não pelo bem.”

Emerson disse: “Não pretendo receber ordens divinas nem de grande revelação. Às vezes, porém, quando faço um projeto, quando penso em uma viagem ou numa maneira de agir, descubro em meu espírito uma espécie de oposição muda que me é impossível explicar; se não desaparece, inclino-me e lhe obedeço.”

A intuição é espontânea, involuntária. É uma voz que não se ouve, mas se faz comumente ouvir justamente no momento em que ela é verdadeiramente necessária e não somente quando é solicitada. Algumas vezes vem guiar-nos, às vezes vem dizer-nos que renunciemos, ou provoca uma brusca mudança de intenção, de opinião, de julgamento ou decisão.

 

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