Afogamos,
às vezes, uma intuição sob a força de nossas emoções, de nossos
preconceitos ou desejos, e nos lembramos disso em seguida, com
remorso, quando os acontecimentos demonstraram que ela era justa.
Sócrates
tinha inteira fé na intuição que ele chamava “seu demônio”, e
lhe obedecia. Assim ele a descrevia: “Vós me ouvistes falar de um
oráculo ou de um sinal que me vem. Eu o tenho ouvido desde a
infância. Este sinal é uma voz que me interdiz de fazer alguma
coisa de que tenha intenção. Até aqui este oráculo teve o hábito
de opor-se a mim, até em coisas insignificantes desde que fossem um
erro. Muitas vezes me faz parar no meio de um discurso; mas hoje não
manifestou oposição a nenhuma coisa que eu disse ou fiz. Que
explicação vejo aí? Vou dizê-la: considero certo tudo que
declaro, porque o sinal habitual já se teria manifestado se houvesse
agido pelo mal e não pelo bem.”
Emerson
disse: “Não pretendo receber ordens divinas nem de grande
revelação. Às vezes, porém, quando faço um projeto, quando penso
em uma viagem ou numa maneira de agir, descubro em meu espírito uma
espécie de oposição muda que me é impossível explicar; se não
desaparece, inclino-me e lhe obedeço.”
A
intuição é espontânea, involuntária. É uma voz que não se
ouve, mas se faz comumente ouvir justamente no momento em que ela é
verdadeiramente necessária e não somente quando é solicitada.
Algumas vezes vem guiar-nos, às vezes vem dizer-nos que renunciemos,
ou provoca uma brusca mudança de intenção, de opinião, de
julgamento ou decisão.

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