A mente, ou nossa autoconsciência, tem seu centro de gravidade, num
dado momento, em um dos chakras. Sentimos a subida da mente e sua descida (nos
chakras). Onde a mente estiver, a energia e o sangue estarão concentrados ali. Quando
temos um pensamento elevado, puro, sentimos que a parte superior do corpo
(coração e cérebro) são estimulados. Mas quando o pensamento é impuro, é a parte
inferior que é estimulada.
Um homem, cuja mente está essencialmente localizada nos chakras
inferiores, tem uma experiência da realidade. Um outro que tem sua mente nos
chakras mais elevados, tem uma experiência completamente diferente. Para o primeiro,
o mundo é infernal (logicamente, ele não o sente como um inferno); ele nada vê
de divino no mundo; este lhe é material e sensual. Ele está cheio da ideia do
corpo. Ele cuida apenas de seu corpo. Está ansioso por prazer e conforto
material. Não se sente atraído por nada mais elevado. Sua existência, em
resumo, é uma existência animal, e sua experiência também é animal.
Mas se ele puder, de alguma forma, remover sua mente daquelas
regiões inferiores e colocá-la nos chakras superiores, sua visão do mundo
imediatamente muda. Não mais ele considera o mundo como material e sórdido. Ele
o percebe como cheio de luz e vida divinas. Seus próprios gostos e aversões,
seus desejos e aspirações, suas relações com os outros, tudo sofre uma completa
mudança.
Se ele puder levar sua mente ao chakra mais algo, haverá apenas a
Divindade e nada mais.
Esta correspondência dos chakras com as visões da realidade
objetiva é uma consideração essencial na determinação do valor e necessidade de
Brahmacharya. Se queremos ascender às visões superiores da realidade – e o
progresso espiritual significa apenas isso – devemos elevar nossa mente aos
planos subjetivos mais elevados.
Mas como podemos fazer isso se estimulamos os chakras inferiores
pelo pensamento e pela ação? Se nos permitimos pensamentos e ações sexuais,
nossos chakras inferiores estarão excitados e a mente necessariamente
permanecerá ali, e portanto não haverá senão uma visão baixa e sórdida da
realidade para nós, não as mais elevadas.
Portanto é absolutamente necessário que não exista estimulação dos
círculos inferiores. A abstenção sexual é absolutamente necessária para o
progresso espiritual.
Existe ainda outra razão. A prática espiritual causa uma grande tensão
nos nervos e cérebro. Uma sistema nervoso e cérebro que são enfraquecidos pela
não continência, estão fracos demais para suportar aquela grande tensão. Eles
quebrarão em pedaços antes de um alto impulso espiritual; e o resultado será
colapso total e doença incurável.
Além disso, a percepção dos planos superiores da realidade requer a
atividade de nervos muitos sensitivos. Sem Brahmacharya eles morrem e se tornam
inoperantes. As experiências superiores são impossíveis para pessoas que não
são Brahmachârins.

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