30.5.14

BRAHMACHÁRYA E OS CHAKRAS - Swami Ashokananda


A mente, ou nossa autoconsciência, tem seu centro de gravidade, num dado momento, em um dos chakras. Sentimos a subida da mente e sua descida (nos chakras). Onde a mente estiver, a energia e o sangue estarão concentrados ali. Quando temos um pensamento elevado, puro, sentimos que a parte superior do corpo (coração e cérebro) são estimulados. Mas quando o pensamento é impuro, é a parte inferior que é estimulada.

Um homem, cuja mente está essencialmente localizada nos chakras inferiores, tem uma experiência da realidade. Um outro que tem sua mente nos chakras mais elevados, tem uma experiência completamente diferente. Para o primeiro, o mundo é infernal (logicamente, ele não o sente como um inferno); ele nada vê de divino no mundo; este lhe é material e sensual. Ele está cheio da ideia do corpo. Ele cuida apenas de seu corpo. Está ansioso por prazer e conforto material. Não se sente atraído por nada mais elevado. Sua existência, em resumo, é uma existência animal, e sua experiência também é animal.

Mas se ele puder, de alguma forma, remover sua mente daquelas regiões inferiores e colocá-la nos chakras superiores, sua visão do mundo imediatamente muda. Não mais ele considera o mundo como material e sórdido. Ele o percebe como cheio de luz e vida divinas. Seus próprios gostos e aversões, seus desejos e aspirações, suas relações com os outros, tudo sofre uma completa mudança.

Se ele puder levar sua mente ao chakra mais algo, haverá apenas a Divindade e nada mais.

Esta correspondência dos chakras com as visões da realidade objetiva é uma consideração essencial na determinação do valor e necessidade de Brahmacharya. Se queremos ascender às visões superiores da realidade – e o progresso espiritual significa apenas isso – devemos elevar nossa mente aos planos subjetivos mais elevados.

Mas como podemos fazer isso se estimulamos os chakras inferiores pelo pensamento e pela ação? Se nos permitimos pensamentos e ações sexuais, nossos chakras inferiores estarão excitados e a mente necessariamente permanecerá ali, e portanto não haverá senão uma visão baixa e sórdida da realidade para nós, não as mais elevadas.

Portanto é absolutamente necessário que não exista estimulação dos círculos inferiores. A abstenção sexual é absolutamente necessária para o progresso espiritual.

Existe ainda outra razão. A prática espiritual causa uma grande tensão nos nervos e cérebro. Uma sistema nervoso e cérebro que são enfraquecidos pela não continência, estão fracos demais para suportar aquela grande tensão. Eles quebrarão em pedaços antes de um alto impulso espiritual; e o resultado será colapso total e doença incurável.

Além disso, a percepção dos planos superiores da realidade requer a atividade de nervos muitos sensitivos. Sem Brahmacharya eles morrem e se tornam inoperantes. As experiências superiores são impossíveis para pessoas que não são Brahmachârins.

Pratiquemos Sâdhanâ e sentiremos por nós mesmos qual o lugar de  Brahmacharya na vida espiritual.



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