O
caminho da Vichara está se tornando popular atualmente no mundo,
particularmente no Ocidente. Entretanto, ele é frequentemente mal compreendido
e muitas pessoas, mesmo tendo algumas experiências iniciais, deixam de
continuar nele e param sua prática ou vão para outro caminho espiritual. Outros
confundem alguma experiência limitada com a meta verdadeira e posam como
mestres prematuramente.
A
Vichara, a muitas pessoas do Ocidente, parece ser um tipo de iluminação
instantânea para todos, o que leva muitas pessoas a uma iluminação fantasiosa,
ao invés de trabalharem duro sobre si mesmas ou fazerem a prática genuína.
O
yoga do conhecimento (jnana yoga) ensinado por Ramana Maharshi é considerado o
yoga mais elevado, porque ele leva a pessoa diretamente à realização do Eu. A
Vichara é um método simples que pode ser feito a qualquer hora e não depende de
ajudas externas.
A
Vichara atrai as pessoas de intelecto desenvolvido e que podem entender
facilmente a teoria. Como a Vichara não depende de circunstâncias externas,
pode-se integrá-la em nossas vidas modernas, uma vez que não temos tempo ou
circunstâncias para práticas yóguicas mais complexas.
Apesar
disso, não é um caminho tão fácil, particularmente como prática inicial de uma
pessoa. Na verdade, ele é considerado o mais difícil de todos os yogas, pois
requer do aspirante que ele possua uma grande concentração e pureza de corpo e
mente.
Poucas
pessoas estão prontas para seguir diretamente à mais elevada verdade, mesmo que
possam compreender a idéia ou ter algumas experiências espirituais. Geralmente,
não é a pessoa que escolhe o caminho da Vichara; ela é dada à pessoa após
grande renúncia, sofrimento ou muita prática anterior de outros yogas.
Antigamente,
o jnana yoga era ensinado principalmente a monges renunciantes e celibatários
desde o nascimento, que nunca tocaram o dinheiro e viviam em pobreza e ascetismo.
Daí que devemos ser muito cuidadosos em pensar que estamos prontos para a
Vichara como única prática.
Swami
Sivananda, de Rishikesh, ensinou muitas práticas diferentes porque sabia que
poucos estavam prontos para o caminho de jnana; ele dava ênfase ao mantra japa,
que considerava mais realista para se fazer. Paramahansa Yogananda, autor de
Autobiografia de um Yogue, que ensinou os ocidentais na América durante trinta
anos, disse que o jnana yoga resultaria em fracasso se a pessoa não fizesse
outras práticas yogues, tal como o pranayama ensinado por ele e chamado de
kriya yoga. Ele considerava o jnana yoga o caminho do super-homem.
Mantra
japa, pranayama, satsanga (companhia de pessoas espirituais), dieta correta
(vegetariana), são outros fatores que devem inicialmente ser considerados pelo
aspirante.
Para
os devotos de Sri Ramana, existem alguns mantras que podem ser repetidos antes
da prática da Vichara a fim de desenvolver a concentração:
1
- OM NAMÔ BHAGAVATÊ SRI RAMANÁYA – pode-se repetir este mantra durante alguns
minutos antes de começar a Vichara (recomenda-se 108 vezes); este é o mantra de
Sri Ramana; pode trazer a guia e a graça do guru para nossa prática
2
– OM ARUNÁCHALA SHIVÁYA NAMAHÁ (o H soa como se fosse RR) – é o mantra da
sagrada colina de Arunáchala; deve ser combinado com a visualização da colina
em nossas mentes
O
pranayama também é uma importante prática a ser feita antes da vichara. O
pranayama nos dá energia e mantém nosso prana subindo na espinha, isto é, não
permite que a mente vá para os sentidos ou para os chakras inferiores
(relativos ao sexo, sono e comida).
Pode-se
usar o nadishodhana (o anuloma viloma, de respiração alternada) em sua forma
leve, isto é, com retenção de 3 ou 4 segundos apenas – este pranayama pode ser
praticado 4 ou 5 vezes por dia, e só deve ser aumentada a prática se a pessoa
não sentir nenhum desconforto ou dor de cabeça.
Pode-se
também usar a kriya yoga ensinada por Paramahansa Yogananda, que deve ser
aprendida em lições semanais enviadas pela Self-Realization Fellowship, de Los
Angeles.
Existe
ainda uma prática de combinação de mantra com pranayama (SO-HAM pranayama), que
consiste em sentar-se com a espinha ereta, olhos fechados, e observar a
respiração, sem forçá-la. Quando o ar entra, mentalmente repetimos SO; quando
sai repetimos HAM (o H soa como se fosse RR, como na palavra “amaRRam”). Estes
são os sons naturais da inalação e exalação; este mantra é repetido milhares de
vezes por nós, inconscientemente, durante o dia, ao respirarmos. Não se deve
fazer nenhum esforço para mudar a respiração, ela deve ser natural. Isto pode
ser praticado meia hora por dia, ou pelo tempo em que a pessoa se sentir
confortável.
A
questão do celibato também é importante; o aspirante deve tentar espaçar o mais
possível a realização de atos sexuais, porque energia espiritual é,
simplesmente, a energia sexual sublimada. Por isso, quanto mais pensamos e
fazemos sexo, menos energia espiritual disponível temos para a prática e a
concentração mental. E à medida que realizarmos as práticas (pranayama, mantra
japa, vichara ou outra prática de concentração mental), estaremos ao mesmo
tempo sublimando, transformando, a energia sexual em energia espiritual.

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