14.11.14

JESUS E JOÃO BATISTA – P. Yogananda


Com base num estudo reverente da Bíblia, do ponto de vista de um oriental, e em minha própria percepção intuitiva, estou convencido de que João Batista foi, em vidas anteriores, o guru de Cristo.

Numerosas passagens na Bíblia deixam implícito que João e Jesus, em suas últimas encarnações, foram respectivamente Elias e seu discípulo Eliseu. Em seus versículos finais, o Velho Testamento prediz a reencarnação de Elias e Eliseu: “Eis que vos envio Elias, o profeta, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”.

Assim, João (Elias), enviado “antes da vinda do Senhor”, nasceu com pequena antecipação para servir de arauto a Cristo. Um anjo apareceu a Zacarias, o pai, para dar testemunho de que o filho esperado, João, não seria outro senão Elias: “Mas o anjo lhe disse: Não tema, Zacarias, pois tua prece foi ouvida; e tua mulher Isabel dará à luz um filho e lhe porás o nome de João ... E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. E irá diante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à sabedoria dos justos; a fim de preparar ao Senhor um povo disposto”.

Duas vezes, inequivocamente, Jesus identificou Elias como João: “Elias já veio, e eles não o conheceram ... Então, os discípulos compreenderam que ele lhes falara de João Batista”. Em outra ocasião, Jesus disse: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E se quereis dar crédito, este é o Elias que havia de vir”.

Quando João negou que fosse Elias, quis dizer que, no humilde traje de João, já não vinha com a elevada investidura exterior de Elias, o grande guru. Em sua última encarnação, ele cedera o “manto” de sua glória e de sua riqueza espiritual a seu discípulo Eliseu. “E disse Eliseu: Peço-te, deixa que uma porção dupla de teu espírito seja sobre mim. - E respondeu Elias: Coisa difícil pediste; entretanto, se me vires quando eu for arrebatado de ti, terás o que pediste ... E (Eliseu) tomou o manto de Elias que este deixara cair”.

Trocaram-se os papéis porque Elias-João não mais era necessário como guru ostensivo de Eliseu-Jesus que se fizera, então, divinamente perfeito.

Quando Cristo se transfigurou na montanha, foi seu guru Elias que ele viu, junto de Moisés. Em sua hora extrema na Cruz, Jesus exclamou: “Eli, Eli, lama sabachtâmi?” Isto é, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Alguns dos que permaneciam ali, ao ouvirem isto, disseram: Este homem chama por Elias ... Vejamos se Elias vem salvá-lo”.

O vínculo temporal entre guru e discípulo, unindo João e Jesus, existia também entre Babají e Láhiri Mahásaya. Com terna solicitude, o imortal guru cruzou as águas do abismo que redemoinhavam entre as duas vidas de seu discípulo, e guiou os passos sucessivos da criança e depois do homem Láhiri Mahásaya.

Somente quando o discípulo completou trinta e três anos, Bábají julgou chegado o momento de restabelecer abertamente o laço jamais cortado.

 

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