Com base num estudo
reverente da Bíblia, do ponto de vista de um oriental, e em minha própria percepção
intuitiva, estou convencido de que João Batista foi, em vidas anteriores, o
guru de Cristo.
Numerosas passagens na
Bíblia deixam implícito que João e Jesus, em suas últimas encarnações, foram
respectivamente Elias e seu discípulo Eliseu. Em seus versículos finais, o
Velho Testamento prediz a reencarnação de Elias e Eliseu: “Eis que vos envio
Elias, o profeta, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”.
Assim, João (Elias), enviado
“antes da vinda do Senhor”, nasceu com pequena antecipação para servir de
arauto a Cristo. Um anjo apareceu a Zacarias, o pai, para dar testemunho de que
o filho esperado, João, não seria outro senão Elias: “Mas o anjo lhe disse: Não
tema, Zacarias, pois tua prece foi ouvida; e tua mulher Isabel dará à luz um
filho e lhe porás o nome de João ... E converterá muitos dos filhos de Israel
ao Senhor seu Deus. E irá diante dele no espírito e poder de Elias, para
converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à sabedoria dos
justos; a fim de preparar ao Senhor um povo disposto”.
Duas vezes, inequivocamente,
Jesus identificou Elias como João: “Elias já veio, e eles não o conheceram ...
Então, os discípulos compreenderam que ele lhes falara de João Batista”. Em
outra ocasião, Jesus disse: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até
João. E se quereis dar crédito, este é o Elias que havia de vir”.
Quando João negou que fosse
Elias, quis dizer que, no humilde traje de João, já não vinha com a elevada
investidura exterior de Elias, o grande guru. Em sua última encarnação, ele
cedera o “manto” de sua glória e de sua riqueza espiritual a seu discípulo
Eliseu. “E disse Eliseu: Peço-te, deixa que uma porção dupla de teu espírito
seja sobre mim. - E respondeu Elias: Coisa difícil pediste; entretanto, se me vires
quando eu for arrebatado de ti, terás o que pediste ... E (Eliseu) tomou o
manto de Elias que este deixara cair”.
Trocaram-se os papéis
porque Elias-João não mais era necessário como guru ostensivo de Eliseu-Jesus
que se fizera, então, divinamente perfeito.
Quando Cristo se
transfigurou na montanha, foi seu guru Elias que ele viu, junto de Moisés. Em sua
hora extrema na Cruz, Jesus exclamou: “Eli, Eli, lama sabachtâmi?” Isto é, “Deus
meu, Deus meu, por que me desamparaste? Alguns dos que permaneciam ali, ao
ouvirem isto, disseram: Este homem chama por Elias ... Vejamos se Elias vem
salvá-lo”.
O vínculo temporal entre
guru e discípulo, unindo João e Jesus, existia também entre Babají e Láhiri Mahásaya.
Com terna solicitude, o imortal guru cruzou as águas do abismo que redemoinhavam
entre as duas vidas de seu discípulo, e guiou os passos sucessivos da criança e
depois do homem Láhiri Mahásaya.

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