27.4.17

COMO AGEM OS MANTRAS – Miramez


Os mantras são auto-sugestões capazes de nos tirar do caos, dando-nos momentos de felicidade e abrindo caminhos para que possamos nos libertar dos fustigantes pensamentos de inferioridade.

O esoterismo nos ensina a repetição de palavras consideradas sagradas. São frases lapidadas com a mais completa harmonia. São pensamentos positivos, de ânimo, de entusiasmo, de alegria, de prazer.

As glândulas se empenham em serviços renovados, entregando através do sangue, elementos aos pontos-chave do corpo, em completa estratégia para o equilíbrio de todo o organismo.

Os exercícios espirituais de Inácio de Loiola o capacitavam para grandes coisas, como também aos seus comandados (jesuítas). Repetiam tanto determinados conceitos, que acabavam crendo naquilo que impunham a si mesmos.

Um mantra que ficou famoso pela sua composição sábia e pelo valor de seu sentido na vida dos que sofrem é “Hei de Vencer”. Colocando esta frase na mente, sem hesitar, ela faz milagres, porque não só encoraja a alma nas lutas diárias, como estimula reações químicas no corpo físico.

A hipnose se processa por mantras. O comércio, a política, a filosofia, a religião etc., tudo isso tem vida por causa da repetição. O uso dos mantras é uma ciência, e toda ciência bem aplicada tem seus métodos.

A prece não é nem mais nem menos que um mantra poderoso que nos alivia, predispondo-nos às lutas, ou até ao sacrifício. A fé é um mantra poderoso: de acordo com o grau com que é possuída, levanta os caídos, cura enfermos e transforma a água suja de nossa vida em vinho celestial de virtudes.

Ao deitar, deixe em sua mente, antes do sono, palavras de conforto, de ânimo, de fé e de alegria. Ao acordar, faça o mesmo. Durante o dia, nunca esqueça a atitude daquele que quer sempre vencer. Você mesmo pode compor seu mantra, sem mencionar nele coisas negativas.


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23.4.17

KUNDALINI, A LÍNGUA DE LUZ - Lancellin

A Língua de Luz é uma força sobremodo poderosa, que se encaixa no final da medula espinhal, com um esplendor de filamentos energéticos que se irradiam por todo o sistema nervoso, onde poderá comandar o mundo mental da criatura ou, mais acertadamente, dar condições à alma de realizar grandes coisas, de conformidade com seus sentimentos.
Esse fogo serpentino, no dizer de vários escritores espiritualistas, é filho de uma computação programada na contraparte solar e induzida pelo Cristo cósmico a todos os seres viventes. A sensibilidade dessa força escapa até ao raciocínio dos mestres em matéria de espiritualismo. Essa força estuante de Deus nas criaturas se parece com a luz, mas não é ela; tem muitas afinidades com o Prâna, mas não é ele. Os orientais a batizaram de Kundalini, entretanto, tem ela variados nomes, de conformidade com a escola que a estuda e, por vezes, exercita o seu despertar.
Língua de Luz, em todas as criaturas, nunca foi totalmente adormecida, nem despertada no seu esplendor total. O sistema nervoso não é capaz de suportar a intensidade energética desse potencial divino na base da espinha. Contudo, a sua situação em quase toda a humanidade é de sonolência, da qual ela é despertada pela evolução. E quando sobe pela medula alongada, se divide em duas chamas de um vermelho magnificente, ostentando poder e queimando magnetismo inferior, ampliando valores por onde passa e enriquecendo condições, para que os dons espirituais entrem em maiores atividades. Nesse caso, nos referimos ao homem que já aprendeu a teoria e vive os ensinamentos de Jesus na sua íntegra. 

Então, as ditas chamas de luz sobem através da medula e passam com toda a sua potência, visitando todos os centros de força maiores, estimulando-os em alta vibração, até chegarem ao centro coronário e, aí, se enroscam no topo do crânio como uma serpente de luz, o que deu ensejo aos videntes do passado de pintar os santos coroados de luz.
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O que muitas escolas ensinam no despertar da Língua de Luz, para que ela suba percorrendo o trajeto até a cabeça, não deve ser praticado pelo estudante ainda inexperiente, nem mesmo quando orientado por mestres tidos como abalizados. Acionar essa força é coisa muito perigosa para a alma sem as devidas orientações para o Bem, o que poderá gerar duras conseqüências, com sua aplicação errada. Talvez uma bomba de hidrogênio explodisse com menos perigo nas mãos de quem a manipulasse imprevidentemente.

O sol fica distante da humanidade porque os corpos, na atual evolução, não suportariam maior aproximação. Assim também, e muito mais, é o sol da Verdade, que tem limites traçados por Deus. Não queiras ultrapassar os limites, em teu próprio beneficio. O levantamento desta luz para os centros de força (chakras) é feito através da maturidade e de mãos altamente experimentadas no serviço do bem da coletividade. Essa é a libertação da criatura.

EDUCAÇÃO E INTEGRAÇÃO – Krishnamurti


Professor: O moderno sistema educativo falhou completamente, pois produziu duas guerras devastadoras e a mais aterradora miséria. Aprender ler e escrever, a aquisição de diferentes técnicas, o cultivo da memória, não são suficientes porque têm produzido males inenarráveis. O que considerais ser a finalidade da educação?

Krishnamurti: Não é a de produzir um indivíduo integrado? Devemos perceber claramente se o indivíduo existe para a sociedade, ou a sociedade para o indivíduo. Se a sociedade necessita e faz uso do indivíduo para seus próprios fins, não tem então nenhum interesse na formação do ente humano integrado; o que ela quer é uma máquina eficiente, um cidadão obediente e respeitável e isso só requer uma integração muito fuperficial.

Enquanto o indivíduo for obediente e se deixar condicionar totalmente, a sociedade o achará útil e gastará tempo e dinheiro com ele. Mas se a sociedade existe para o indivíduo, cabe-lhe então ajudá-lo a libertar-se da influência condicionadora dela própria.

Professor: O que entendeis por ente humano integrado?

Krishnamurti: Dizer o que é um ente humano integrado é criar um padrão, um molde, um exemplo que se tentará imitar. E a imitação de um padrão não é um sinal de desintegração? Não há dúvida de que a imitação é um processo de desintegração. Não é isso que está acontecendo no mundo? Estamos nos tornando excelentes discos de repetição, repetindo o que as chamadas religiões nos ensinaram ou o que disse o mais moderno líder político, econômico ou religioso.

Estamos apegados a ideologias e acorremos em massa aos comícios políticos ou feitos esportivos. E há a devoção em massa, a hipnose em massa. Isto é sinal de integração? Ajustamento não é integração, é?


Professor: Isso nos leva à questão da disciplina. Sois contrário à disciplina?

Krishnamurti: O que entendeis por disciplina?

Professor: Há muitas formas de disciplina; a disciplina escolar, a disciplina cívica, a disciplina partidária, as disciplinas sociais e religiosas, e a disciplina que o indivíduo impõe a si próprio. A disciplina tanto pode ser ditada por uma autoridade interior como por uma autoridade exterior.

Krishnamurti: Toda disciplina implica um certo ajustamento, não é verdade? Ajustamento a um ideal, obediência à autoridade. Disciplina é processo de isolamento, seja o isolamento num dado grupo ou o isolamento próprio da resistência individual.

Professor: Quereis dizer que a disciplina destroi a integração? Que aconteceria se não houvesse disciplina nas escolas?

Krishnamurti: O medo é a base de toda disciplina. O medo de não ser bem sucedido, medo de ser punido, medo de não ganhar, e assim por diante. Disciplina é imitação, repressão, resistência, e quer consciente, quer inconsciente, ela é o resultado do medo. O medo não é um dos fatores da desintegração?

Professor: O que ofereceríeis para substituir a disciplina? Sem disciplina haveria um caos maior ainda do que o atual.

Krishnamurti: Compreender o falso como falso, perceber o verdadeiro no falso, reconhecer o verdadeiro como verdadeiro, eis o começo da inteligência. Não é questão de substituição. Não se pode substituir o medo por outra coisa. Se o fazemos, o medo continua a existir. A eliminação do medo e não a procura de um substituto para ele é que é importante.

O medo precisa ser observado, estudado, compreendido. Compreender não é oferecer resistência ou oposição. A disciplina, no seu sentido mais amplo e profundo, não constitui um fator de desintegração? O medo, com sua concomitante imitação e repressão, não é uma força desintegradora?

Professor: Mas como se pode eliminar o medo? Como é possível manter a ordem numa classe numerosa, a não ser que haja uma certa disciplina, ou se preferirdes, medo?

Krishnamurti: Mantendo-se poucos estudantes em cada classe e ministrando-lhes a educação correta. Isto, naturalmente, é impossível quando ao Estado só interessa a “produção em massa” de cidadãos. O Estado prefere a educação em massa; os dirigentes não querem que se estimule a insatisfação, porque sua posição logo se tornaria insustentável.

O Estado controla a educação; ingere-se na vida dos indivíduos e condiciona a entidade humana, para seus próprios fins. E a maneira mais fácil de fazer isso é por meio do medo, da disciplina, da ameaça de punição ou promessa de recompensa. A libertação do medo é outra questão; o medo precisa ser compreendido, e por isso não devemos resistir-lhe, reprimi-lo ou sublimá-lo.




DEVOÇÃO E CULTO – Krishnamurti


Devoto: A devoção não é um caminho que leva a Deus? O sacrifício da devoção não purifica o coração? A devoção não é uma parte essencial da vida?

Krishnamurti: O que entendeis por devoção?

Devoto: O amor ao Ser Supremo; a oferta de uma flor diante da imagem do símbolo de Deus. A devoção é absorção integral, amor que transcende o amor carnal. Já tenho passado muitas horas seguidas, completamente absorvido no amor de Deus. Nesse estado nada sou e nada sei. Nele, a vida toda é uma só vida, o gari e o rei são um só. É um estado maravilhoso. Por certo, vós o conheceis.

Krishnamurti: Devoção é amor? É algo que está separado de nossa existência diária? É um ato de sacrifício o consagrar-se a um objeto, ao saber, ao trabalho social ou à ação? É sacrifício de si mesmo estar absorvido na devoção? Devoção é a adoração de uma imagem, uma pessoa, um símbolo? A realidade tem algum símbolo? Pode um símbolo representar a verdade? O símbolo é estático; pode o que é estático representar o que vive?

Passais muitas horas por dia embebido nisso que chamais contemplação de Deus. Isso é devoção? O homem que dedica sua vida à melhoria das condições sociais é devotado a seu trabalho. O general, cuja função é planejar a destruição, também é devotado a seu trabalho. É devoção isso? Se me permitis dizê-lo, vós passais o tempo a embriagar-vos com a imagem ou a ideia de Deus, e outros se embriagam de maneira diferente. Existe distinção entre vós e estes?

Devoto: Mas esta devoção a Deus empolga toda minha existência. Nada mais conheço senão Deus. Ele ocupa todo meu coração.

Krishnamurti: O homem que tem devoção a seu trabalho, a seu líder, sua ideologia, esse homem também está empolgado por aquilo com que se ocupa. Vós encheis o coração com a palavra Deus e outro homem enche com sua atividade. E isso é devoção? Sentis felicidade com vossa imagem, vosso símbolo; outros a sentem com seus livros, ou ouvindo música. E isso é devoção? Um homem é devotado a sua esposa, por várias razões, que proporcionam agrado, satisfação; e satisfação é devoção?

Devoto: Mas o devotar-me todo a Deus não causa mal a ninguém. Pelo contrário, não só me ponho fora do caminho do mal, como também não faço mal a outros.

Krishnamurti: Isso pelo menos já é alguma coisa. Mas embora não façais mal algum exteriormente, a ilusão, num nível mais profundo, não é danosa, tanto para vós como para a sociedade?

Devoto: Não tenho interesse na sociedade. Minhas necessidades são poucas; refreei minhas paixões e passo meus dias à sombra de Deus.

Krishnamurti: Não achais importante investigar se, atrás dessa sombra, existe alguma substância? Adorar a ilusão é estar apegado à satisfação de si mesmo.

Devoto: Sois muito perturbador, e eu nem sei ao certo se desejo continuar esta nossa conversa. Vim aqui para prostrar-me, junto convosco, diante do mesmo altar. Mas vejo que vossa devoção é completamente diferente, e o que dizeis está fora de meu alcance. Entretanto desejaria saber onde está a beleza de vossa devoção. Não tendes quadros, nem imagens, nem rituais, mas deveis ter uma devoção. De que natureza é ela?

Krishnamurti: O adorador é o próprio objeto da adoração. Adorar a outro é adorar a si mesmo. A imagem, o símbolo, é uma projeção de nós mesmos. Afinal, vosso ídolo, vosso livro, vossa prece, são reflexos de vosso próprio “fundo”; são criações vossas, ainda que feitos por outro. Vossa imagem é o vinho com que vos embriagais, e ela foi esculpida com material de vossa própria memória. Estais adorando a vós mesmo, através da imagem criada por vosso próprio pensamento.

Vossa devoção é o amor que tendes a vós mesmo, disfarçado pelas cantigas de vossa mente. Tal devoção é uma forma de automistificação, que só leva ao sofrimento, ao isolamento, que é morte.

A busca é devoção? Buscar uma coisa não é achar; buscar a Verdade não é achar a Verdade. Fugimos de nós mesmos por meio da busca, que é ilusão. Procuramos por todos os modos fugir daquilo que somos. Dentro de nós, somos insignificantes, essencialmente nulos, e a adoração de algo maior do que nós é tão pouco significativa e tão estúpida quanto nós mesmos.

O pequeno que busca o grande só achará aquilo que é capaz de achar. As fugas são muitas e variadas, mas a mente em fuga é sempre uma mente medrosa, estreita, ignorante. Para compreender o que é, a mente deve estar em silêncio.

Devoto: O que se entende por “o que é”?

Krishnamurti: “O que é” é o que existe momento por momento. A compreensão de todo o processo de vossa adoração, vossa devoção àquilo que chamais Deus, é percebimento de “o que é”. Mas não desejais compreender o que é; porque vossa fuga ao que é – fuga que chamais devoção – é a fonte de um prazer maior, e nessas condições a ilusão se torna mais significativa do que a Realidade. A compreensão do que é não depende do pensamento, porque o pensamento também é fuga.

Pensar no problema não é compreender o problema. É só quando a mente está em silêncio que se revela a verdade contida em “o que é”.

Devoto: Estou satisfeito com o que tenho. Sou feliz com meu Deus, meu cântico, minha devoção. A devoção a Deus é o cântico do meu coração, e minha felicidade está toda nesta canção. Vossa canção será mais clara, mais espontânea, mas quanto eu canto meu coração está completamente cheio. Pode um homem desejar mais alguma coisa quando tem o coração cheio? Na minha canção nós dois somos irmãos, e eu não me deixo perturbar por vossa canção.

Krishnamurti: Quando a canção é real, não existe nem vós nem eu, mas apenas o silêncio do Eterno. A canção não é um som, senão silêncio. Não deixeis o som de vosso cantar encher-vos o coração.



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13.4.17

A SENSIBILIDADE – Krishnamurti

Trecho de palestra de Krishnamurti a estudantes na Índia em 1952:

Quantas vezes passais por camponeses a transportarem pesados fardos! O que sentis nessas ocasiões? O que sentis por essas pessoas, por aquelas pobres mulheres esfarrapadas, esquálidas, suarentas, mal nutridas, que trabalham dia após dia, sem garantia alguma, em troca de um magro salário? Andais tão assustados, tão ocupados com vós mesmos, vossas preocupações, vossa aparência, vossas roupas, que nunca lhes dais um pouco de atenção.

Sentis que sois muito melhores, que sois uma classe diferente e, por isso, vós não lhes prestais a mínima atenção. Mas quando os vedes passar, o que sentis? Não sentis nenhum desejo de ajudá-los? Dar-lhes ajuda? Isso indica vossa maneira de pensar. Estais tão embotados pela tradição, por vossos pais e mães, pela prática secular da opressão, que porque sois um rapaz ou uma moça de certa classe, achais que lhes deveis não dar atenção.



Estais deveras tão asfixiados que não sabeis o que se passa ao derredor? Assim gradualmente, o medo – medo do que dizem os pais, do que dizem os mestres, medo da tradição, medo da vida – destroi a sensibilidade. Sabeis o que é a sensibilidade? É ser sensível, receptivo, compreensivo, é ter compaixão pelos que sofrem, ser capaz de afeição, estar consciente do que se passa ao redor de nós.

Ouvis soar o sino do templo; prestais atenção a isso? Escutais o som? Vedes os reflexos do sol nas águas? Vedes os pobres, os aldeãos, há séculos dominados e pisados por exploradores? Sois sensível a tudo o que se passa em torno de vós? Ao verdes uma criada levando um pesado tapete, vós a ajudais? Tudo isso implica sensibilidade.

Como vedes, a sensibilidade se destroi quando uma pessoa é disciplinada, quando sente medo, só se preocupa consigo. Sabeis o que significa uma pessoa que só cuida de si? É uma pessoa que só cuida de sua própria aparência, de suas roupas, que só pensa em si, a todas as horas – como o faz a maioria de nós, de um ou outro modo – de maneira que sua mente e seu coração se fecham e ela perde toda capacidade de apreciar o belo.

Ser realmente livre implica muita sensibilidade. Não há liberdade se vos fechais pela prática de várias disciplinas. Como quase tudo que fazeis na vida é imitação, perdeis a sensibilidade, perdeis a liberdade. É importantíssimo que, enquanto aqui estais nesta escola, seja lançada a semente da liberdade para que, em toda a vossa vida prevaleça a inteligência, que é liberdade. Com essa inteligência podereis examinar todos os problemas da vida.


12.4.17

A FELICIDADE CRIADORA – Krishnamurti


Antes de serem contaminadas pela chamada educação, muitas crianças se
acham em contato com o “desconhecido”, como o demonstram por várias
maneiras. Mas o ambiente não tarda a fechar-se em torno delas, e depois de
uma certa idade perde-se aquela luz, aquela beleza que não se acha em
nenhum livro ou escola.

Por quê? Não digais que a vida é exigente demais, que elas têm de enfrentar
duras realidades, que é seu destino, seu karma, que é a culpa dos pais; tudo
isso é puro absurdo. A felicidade criadora é para todos, e não para poucos
somente. Vós podeis expressá-la de uma maneira, e eu de outra maneira,
porém ela é para todos. A felicidade criadora não tem cotação no mercado; não
é uma mercadoria que se vende a “quem dá mais”, mas sim a única coisa que
pode ser de todos.

É realizável a felicidade criadora? Isto é, pode a mente por-se em contato com
aquilo que constitui a fonte de toda felicidade? E esse contato pode ser sempre
mantido, a despeito da educação e das exigências da vida? Pode – mas só
quando o educador se educa para essa realidade, quando aquele que ensina
está também em contato com a fonte da felicidade criadora.

Nosso problema, pois, não é o discípulo, o jovem, mas o mestre, o pai. A
educação só é um círculo vicioso quando não se percebe a importância, a
necessidade essencial e primacial dessa felicidade suprema. Afinal, estar
aberto para a fonte de toda felicidade é a mais sublime religião; mas para se
conhecer essa felicidade é preciso dar-lhe atenção correta, como se dá aos
negócios.

A profissão de mestre não é uma rotina, porém antes a expressão de uma
beleza e felicidade que não podem ser medidas em termos de realização e
sucesso.

Perdida está a luz da Realidade, e perdidas suas bênçãos, quando a mente,
que é a sede do eu, assume a direção. O autoconhecimento é o começo da
sabedoria. sem autoconhecimento, o saber leva à ignorância, à luta e ao
sofrimento.

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