13.4.17

A SENSIBILIDADE – Krishnamurti

Trecho de palestra de Krishnamurti a estudantes na Índia em 1952:

Quantas vezes passais por camponeses a transportarem pesados fardos! O que sentis nessas ocasiões? O que sentis por essas pessoas, por aquelas pobres mulheres esfarrapadas, esquálidas, suarentas, mal nutridas, que trabalham dia após dia, sem garantia alguma, em troca de um magro salário? Andais tão assustados, tão ocupados com vós mesmos, vossas preocupações, vossa aparência, vossas roupas, que nunca lhes dais um pouco de atenção.

Sentis que sois muito melhores, que sois uma classe diferente e, por isso, vós não lhes prestais a mínima atenção. Mas quando os vedes passar, o que sentis? Não sentis nenhum desejo de ajudá-los? Dar-lhes ajuda? Isso indica vossa maneira de pensar. Estais tão embotados pela tradição, por vossos pais e mães, pela prática secular da opressão, que porque sois um rapaz ou uma moça de certa classe, achais que lhes deveis não dar atenção.



Estais deveras tão asfixiados que não sabeis o que se passa ao derredor? Assim gradualmente, o medo – medo do que dizem os pais, do que dizem os mestres, medo da tradição, medo da vida – destroi a sensibilidade. Sabeis o que é a sensibilidade? É ser sensível, receptivo, compreensivo, é ter compaixão pelos que sofrem, ser capaz de afeição, estar consciente do que se passa ao redor de nós.

Ouvis soar o sino do templo; prestais atenção a isso? Escutais o som? Vedes os reflexos do sol nas águas? Vedes os pobres, os aldeãos, há séculos dominados e pisados por exploradores? Sois sensível a tudo o que se passa em torno de vós? Ao verdes uma criada levando um pesado tapete, vós a ajudais? Tudo isso implica sensibilidade.

Como vedes, a sensibilidade se destroi quando uma pessoa é disciplinada, quando sente medo, só se preocupa consigo. Sabeis o que significa uma pessoa que só cuida de si? É uma pessoa que só cuida de sua própria aparência, de suas roupas, que só pensa em si, a todas as horas – como o faz a maioria de nós, de um ou outro modo – de maneira que sua mente e seu coração se fecham e ela perde toda capacidade de apreciar o belo.

Ser realmente livre implica muita sensibilidade. Não há liberdade se vos fechais pela prática de várias disciplinas. Como quase tudo que fazeis na vida é imitação, perdeis a sensibilidade, perdeis a liberdade. É importantíssimo que, enquanto aqui estais nesta escola, seja lançada a semente da liberdade para que, em toda a vossa vida prevaleça a inteligência, que é liberdade. Com essa inteligência podereis examinar todos os problemas da vida.


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