Antes de serem contaminadas pela chamada educação, muitas crianças se
acham em contato com o “desconhecido”, como o demonstram por várias
maneiras. Mas o ambiente não tarda a fechar-se em torno delas, e depois de
uma certa idade perde-se aquela luz, aquela beleza que não se acha em
nenhum livro ou escola.
Por quê? Não digais que a vida é exigente demais, que elas têm de enfrentar
duras realidades, que é seu destino, seu karma, que é a culpa dos pais; tudo
isso é puro absurdo. A felicidade criadora é para todos, e não para poucos
somente. Vós podeis expressá-la de uma maneira, e eu de outra maneira,
porém ela é para todos. A felicidade criadora não tem cotação no mercado; não
é uma mercadoria que se vende a “quem dá mais”, mas sim a única coisa que
pode ser de todos.
É realizável a felicidade criadora? Isto é, pode a mente por-se em contato com
aquilo que constitui a fonte de toda felicidade? E esse contato pode ser sempre
mantido, a despeito da educação e das exigências da vida? Pode – mas só
quando o educador se educa para essa realidade, quando aquele que ensina
está também em contato com a fonte da felicidade criadora.
Nosso problema, pois, não é o discípulo, o jovem, mas o mestre, o pai. A
educação só é um círculo vicioso quando não se percebe a importância, a
necessidade essencial e primacial dessa felicidade suprema. Afinal, estar
aberto para a fonte de toda felicidade é a mais sublime religião; mas para se
conhecer essa felicidade é preciso dar-lhe atenção correta, como se dá aos
negócios.
A profissão de mestre não é uma rotina, porém antes a expressão de uma
beleza e felicidade que não podem ser medidas em termos de realização e
sucesso.
Perdida está a luz da Realidade, e perdidas suas bênçãos, quando a mente,
que é a sede do eu, assume a direção. O autoconhecimento é o começo da
sabedoria. sem autoconhecimento, o saber leva à ignorância, à luta e ao
sofrimento.
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