(o sábio
Sanatsujata instrui o rei Dhritarashtra)
Ó magnânimo rei,
este cosmo surgiu da Alma Suprema através da união de condições pertinentes ao
nome, forma e outros atributos. Os Vedas também declaram o mesmo, ensinando que
a Alma Suprema e o cosmo são diferentes, não idênticos. A fim de alcançar a
Alma Suprema, os Vedas ordenam o autodomínio e sacrifícios, e é assim que o
homem sábio adquire virtude.
Ira, desejo,
avareza, ignorância do que é certo ou errado, descontentamento, crueldade, má
intenção, vaidade, pesar, amor pelo prazer, inveja e falar mal dos outros são
geralmente os erros dos seres humanos. Esses doze erros deveriam ser sempre
evitados pelos homens. Qualquer um deles pode sozinho causar a destruição da
pessoa. Cada um deles espera uma oportunidade no meio dos homens, como um
caçador espera uma oportunidade para caçar o veado.
Declarar-se
superior aos outros, desejar a companhia das esposas dos outros, humilhar os
outros devido ao excesso de orgulho, maldade, inconstância e recusar-se a
honrar os que merecem – esses seis atos são sempre realizados pelo pecador, que
despreza todos os perigos aqui e no além.
Aquele que
considera a gratificação dos desejos o objetivo da vida, que é extremamente
orgulhoso, que sofre ao dar algo, que nunca gasta seu dinheiro, que persegue seus
súditos com impostos detestáveis – esses também são malvados.
Honradez,
sinceridade, autodomínio, ascetismo, deleite na felicidade alheia, modéstia,
paciência, amor fraterno, sacrifício, dádivas, perseverança e conhecimento das
escrituras – estas virtudes constituem a prática dos Brahmanas. Aquele que
possui três, duas ou mesmo uma dessas virtudes pode ser considerado como um ser
celestial.
Falsidade, má
intenção, desejo, cobiça, ira, pesar, avareza, fraude, alegrar-se com a
infelicidade alheia, inveja, prejudicar outros, lamentar-se, aversão por atos
de piedade, esquecimento do dever, caluniar outros e vaidade – aquele que está
livre desses defeitos tem autodomínio.
O conhecimento da Alma
Suprema é possível através da ajuda de um intelecto puro e de brahmacharya
(continência sexual). Ao adquirir esse conhecimento, o yogue renuncia ao mundo.
Aqueles que
praticam a austeridade de brahmacharya, ao deixar o corpo se unem à Alma
Suprema. Através de brahmacharya
os seres celestiais adquiriram sua divindade e os sábios obtiveram o reino de
Brahman. Através de brahmacharya os gandharvas (músicos celestiais) e apsarás
(dançarinas celestiais) adquiriram sua notável beleza pessoal. Quem se torna perfeito
em brahmacharya é capaz de obter qualquer coisa que deseje.

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