20.10.17

OS PODERES MÍSTICOS DO YOGUE – P. Yogananda



Quando você conhece Deus, pode até não possuir poderes milagrosos, mas tem a seu comando todo o poder do Universo, se precisar. Deus me deu muitos poderes nesta vida, mas eu os devolvi a Ele e só os uso quando Ele me ordena.

Há a história do encontro de Madhusudan com Gorakhnath, o santo de Gorakhpur, onde meu corpo nasceu. Quando ouvi a história, fiquei curado de qualquer desejo por poderes milagrosos que pudesse ter.

Gorakhnath tinha conseguido todos os oito poderes de um yogue plenamente iluminado (o poder de ser tão pequeno quanto um átomo, o poder de ser tão grande quanto o espaço, o poder de ser tão leve quanto algodão, o poder de ser tão pesado quanto chumbo, o poder de chegar em qualquer lugar ou qualquer planeta, o poder de ter todos os seus desejos realizados, o poder de criar e o poder de ter domínio sobre tudo).

Na hora de deixar o corpo, Gorakhnath quis transmitir os poderes a uma alma merecedora. Os mestres podem fazer isso, assim como o manto do poder de Elias foi passado a Eliseu.
Certo dia, Gorakhnath teve a visão de um jovem, uma alma muito espiritualizada, à beira do Ganges em Varanasi. Tendo o poder de se transportar astralmente de um lugar a outro, ele apareceu diante do jovem, que se chamava Madhusudan, que ao levantar o olhar e ver o santo, disse:


- Por favor, não fiques na minha frente. Estás tapando o sol.

O santo retrucou:

- Não sabes quem sou? Meu nome é Gorakhnath.

- Eu sei – disse o jovem -, mas agora estou fazendo minhas devoções.

Após algum tempo o devoto perguntou ao santo:

- O que queres de mim?

Gorakhnath explicou:
- Tenho oito poderes e aquele a quem eu der esta chintámani (pedra mística que concede todos os desejos) terá todos esses poderes. Quero oferece-los a ti.

Madhusudan respondeu:
- Muito bem, podes me dar.

Mas assim que recebeu a pedra mística, e para grande espanto de Gorakhnath, atirou-a para bem longe no meio das águas do Ganges.
- Por que fizeste isto? – quis saber o santo.

Então o jovem disse:
- Ainda ilusão, ainda ilusão. Os poderes me foram dados para eu fazer o que me aprouvesse, não é mesmo? Bem, esta é a única utilidade que tenho para eles. Nada são, comparados Àquilo que já possuo.

O grande Gorakhnath curvou-se diante do jovem e disse:
- Tu me libertaste da última ilusão que ainda me mantinha afastado de Deus.

Às vezes, até os grandes Seres se desviam do Objetivo. Gorakhnath estava tão apaixonado por seus poderes que não tinha ido além deles em direção a Deus. Mas quando finalmente renunciou ao apego a essa posse tão estimada, alcançou a união com Deus.


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