Quando você conhece
Deus, pode até não possuir poderes milagrosos, mas tem a seu comando todo o
poder do Universo, se precisar. Deus me deu muitos poderes nesta vida, mas eu
os devolvi a Ele e só os uso quando Ele me ordena.
Há a história do
encontro de Madhusudan com Gorakhnath, o santo de Gorakhpur, onde meu corpo
nasceu. Quando ouvi a história, fiquei curado de qualquer desejo por poderes
milagrosos que pudesse ter.
Gorakhnath tinha
conseguido todos os oito poderes de um yogue plenamente iluminado (o poder de
ser tão pequeno quanto um átomo, o poder de ser tão grande quanto o espaço, o
poder de ser tão leve quanto algodão, o poder de ser tão pesado quanto chumbo,
o poder de chegar em qualquer lugar ou qualquer planeta, o poder de ter todos
os seus desejos realizados, o poder de criar e o poder de ter domínio sobre
tudo).
Na hora de deixar o
corpo, Gorakhnath quis transmitir os poderes a uma alma merecedora. Os mestres
podem fazer isso, assim como o manto do poder de Elias foi passado a Eliseu.
Certo dia,
Gorakhnath teve a visão de um jovem, uma alma muito espiritualizada, à beira do
Ganges em Varanasi. Tendo o poder de se transportar astralmente de um lugar a
outro, ele apareceu diante do jovem, que se chamava Madhusudan, que ao levantar
o olhar e ver o santo, disse:
- Por favor, não
fiques na minha frente. Estás tapando o sol.
O santo retrucou:
- Não sabes quem
sou? Meu nome é Gorakhnath.
- Eu sei – disse o
jovem -, mas agora estou fazendo minhas devoções.
Após algum tempo o
devoto perguntou ao santo:
- O que queres de
mim?
Gorakhnath
explicou:
- Tenho oito
poderes e aquele a quem eu der esta chintámani (pedra mística que concede todos
os desejos) terá todos esses poderes. Quero oferece-los a ti.
Madhusudan
respondeu:
- Muito bem, podes
me dar.
Mas assim que
recebeu a pedra mística, e para grande espanto de Gorakhnath, atirou-a para bem
longe no meio das águas do Ganges.
- Por que fizeste
isto? – quis saber o santo.
Então o jovem
disse:
- Ainda ilusão, ainda
ilusão. Os poderes me foram dados para eu fazer o que me aprouvesse, não é
mesmo? Bem, esta é a única utilidade que tenho para eles. Nada são, comparados
Àquilo que já possuo.
O grande Gorakhnath
curvou-se diante do jovem e disse:
- Tu me libertaste
da última ilusão que ainda me mantinha afastado de Deus.
Às vezes, até os
grandes Seres se desviam do Objetivo. Gorakhnath estava tão apaixonado por seus
poderes que não tinha ido além deles em direção a Deus. Mas quando finalmente
renunciou ao apego a essa posse tão estimada, alcançou a união com Deus.

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