Sri Baba Neem Karoli
(1900-1973), o maravilhoso místico da Índia do norte, foi um fenômeno único
entre a fraternidade de santos, sábios e faquires do norte da Índia. Não me
seria nada estranho se, enquanto estou aqui sentado e escrevo este artigo, Baba
estiver sabendo onde estou e que palavras estou escrevendo, embora não esteja mais
entre nós fisicamente.
Muitos dos discípulos
e devotos de Baba tiveram a experiência pessoal do fato de que ele parecia
estar consciente de tudo que faziam e diziam em locais distantes de onde
estava. Por isso seus seguidores estão convencidos de que Baba era um ‘Siddha
Purusha’ (ser perfeito) e Trikala
Jnani (conhecedor do passado,
presente e futuro).
Na última vez que
tive a boa sorte de encontrar o reverenciado Baba Neem Karoli foi em outubro de
1973. Eu e meus companheiros chegamos à noite em seu ashrama, o local estava
totalmente deserto e silencioso. Baba nos recebeu com um olhar benigno e nos
indicou um tapete no chão para sentarmos.
Um de nós, Sri Yogesh
Bahuguna, tinha trazido consigo 7 ou 8 laranjas que colocou num pequeno cesto
ao lado de Baba como oferenda. Cantamos alguns hinos religiosos e nos sentamos
em silêncio durante alguns minutos. Então Baba começou a distribuir as frutas
como prasad (alimento consagrado) para nós. Enquanto isso outros colaboradores
do ashram e devotos haviam se aproximado de onde estávamos.
Sri Yogesh ficou
muito surpreso ao observar que Baba continuou a pegar laranjas do cesto mesmo
depois de ter dado as 8 que havia ali, e continuou distribuindo-as a todos os
membros de nosso grupo e ao pessoal do ashram. No final acabou distribuindo 18
laranjas ao todo.
Baba
Fiquei sabendo da
existência de Baba há 23 anos atrás, quando o pai de um amigo veio visitar Sivananda
Ashram para conhecer esse grande santo (Sivananda). Como eu era o secretário do
ashram nesta época, conduzi-o à presença do santo. Na conversa que tiveram
fiquei sabendo que esse senhor era discípulo de Sri Baba Neem Karoli de
Nainital.
Quando lhe pedimos
que nos dissesse algo sobre seu guru, ele disse, "Agora neste momento Baba
sabe onde estou, o que estou fazendo e o que exatamente estou dizendo a vocês. Da
próxima vez que o encontrar, ele repetirá minhas palavras e me dirá que estive
aqui. Ele sabe tudo."
Várias vezes os
devotos íntimos de Baba Neem Karoli o viram simultaneamente em lugares
diferentes, ao mesmo tempo. Não apenas viram, mas também conversaram com ele e
tomaram um refresco que ele ofereceu.
Algo estranho era sua
maneira de ir e vir. De repente ele aparecia caminhando em sua frente sem ser
anunciado. Ao partir, despedia-se de todos e saía pela estrada, dizendo às
pessoas que não o seguissem. Depois que desaparecia numa curva da estrada,
seria impossível encontra-lo, mesmo que a pessoa corresse ou pegasse um veículo
motorizado.
Acredita-se que ele
fez a adoração de Sri Hanuman e que muitos de seus poderes milagrosos provinham
desta adoração (upasana).
Alguns devotos dizem,
inclusive, que Baba tinha conquistado o espaço e podia estar em qualquer lugar
que desejasse, num piscar de olhos. Ele também tinha a característica de não
estar apegado a nada nesta terra. Mas apesar de seu desapego, era muito
compassivo com as pessoas que sofriam ou tinham problemas. Ele nunca negava um
pedido fervoroso.
Baba era muito
austero em sua vida pessoal e andava enrolado num cobertor ao redor de seu
corpo. Ele tinha contato interior e conexão com outros mestres espirituais e
santos que eram seus contemporâneos. Sua obra não era isolada e individual, mas
formava parte de uma obra mais vasta na qual muitos outros santos estavam
engajados ativamente.
Apesar de sua
natureza reservada, Baba era capaz de grande afeição expressa por meros gestos
e pelo olhar. Ele deu coragem a muitos corações que desfaleciam e trouxe
consolo a inúmeras almas.
Baba certa vez tomou
um trem numa estação e sentou-se num banco da primeira classe. Depois de um
tempo o trem iniciou sua viagem. No meio do caminho o cobrador do trem veio
pedindo os bilhetes dos passageiros, e viu aquele homem aparentemente rústico
ocupando um assento no vagão de primeira classe, e então aproximou-se pedindo
seu bilhete.
Baba apenas olhou
para ele e não prestou muita atenção a sua solicitação. O cobrador ficou
irritado e exigiu ver o bilhete. Baba balançou a cabeça e mostrou suas mãos
vazias. O cobrador entendeu a situação e decidiu agir. Após alguns momentos o
trem parou numa pequena estação e exigiram que Baba descesse. Ele obedeceu,
levantou-se de seu banco e foi para a plataforma da estação, onde logo adiante permaneceu
sob a sombra de uma árvore.
Ele parecia absolutamente
despreocupado com o que tinha acontecido. Após alguns minutos o sino da estação
tocou avisando da partida do trem. O condutor do trem ligou o apito e tentou
por o trem em movimento. Nada aconteceu. O trem não se movia e continuava no
mesmo lugar.
Então o fiscal desceu
e perguntou ao maquinista qual era o problema. Nenhum problema foi encontrado,
tudo parecia estar bem. Tudo foi checado várias vezes sem resultado. O tempo
passava. O mestre da estação ficou ansioso. Um outro trem estava para chegar
naquela estação e na mesma linha.
As mensagens
telegráficas começaram a chegar noticiando a vinda do trem seguinte. Passaram 15
minutos, 20 minutos e meia hora. A ansiedade crescia. Então um empregado da
estação aproximou-se timidamente do chefe e, apontando para Baba sentado sob a
árvore, indicou que toda aquela situação era devida ao desrespeito mostrado ao
homem santo. E sugeriu que a única maneira de resolver tudo era aproximar-se
dele e suplicar seu perdão, pedindo-lhe que continuasse sua viagem sem qualquer
impedimento.

Baba com alguns devotos ocidentais
Isto foi relatado ao
fiscal e ao maquinista. Inicialmente eles se recusaram veementemente a fazer
aquilo, mas à medida que o tempo passava, a razão prevaleceu. Aproximaram-se
respeitosamente de Baba, o saudaram, pediram-lhe que os perdoasse por sua
rudeza, solicitaram que abençoasse o trem e continuasse sua viagem.
Baba olhou para cima
em direção a eles por um momento e disse: "Está bem, vão. Eu irei em
seguida, irei em seguida". Então levantou-se e entrou no trem. Imediatamente
o trem deu um balanço e começou a se movimentar, como se nada tivesse
acontecido.
Uma pequena multidão,
que tinha se juntado ali naquele meio tempo, aclamou Baba em alta voz com admiração. A partir
daquele momento nenhum cobrador interferiu novamente nas viagens de Baba em
qualquer trem em que estivesse.
Antes de Baba deixar
seu corpo, operou a transformação na vida de um buscador americano chamado
Richard Alpert (que adotou o nome espiritual de Ram Das). Este americano era um
bem conhecido líder do culto americano ao LSD, e também professor da Universidade
de Harvard, mas se encontrava num estado de crise moral e espiritual em sua
vida.
Baba e Ram Das
Baba misteriosamente
o atraiu e lançou seu olhar de graça sobre ele. Aquele primeiro encontro operou
um milagre naquela alma inquieta e logo o transformou num professor espiritual bastante
conhecido no Ocidente.


Kantisarovar

Vivekananda

