22.12.17

OS DOIS ASPECTOS DE SHIVA – Sadhguru



Quando dizemos “Shiva,” há dois aspectos fundamentais a que estamos nos referindo. A palavra “Shiva” significa literalmente “aquilo que não é.” Hoje, a ciência moderna nos prova que tudo vem do nada e volta para o nada. A base da existência e a qualidade fundamental do cosmo é o vasto nada.

As galáxias são apenas pequenos pontos – um borrifo. O resto é tudo um vasto espaço vazio, ao qual nos referimos como Shiva. Este é o útero do qual tudo nasce, e este é o esquecimento ao qual tudo é sugado de volta. Tudo vem de Shiva e tudo volta para Shiva.

Portanto Shiva é descrito como um não-ser, e não como um ser. Shiva não é descrito como luz, mas como escuridão (no mundo físico). A humanidade elogia a luz apenas por causa da natureza do aparato visual desta. Mas a única coisa que existe eternamente é a escuridão.

A luz é um acontecimento limitado no sentido de que qualquer fonte de luz, seja uma lâmpada ou o sol, um dia perderá sua capacidade de emitir luz. A luz não é eterna. Ela é sempre uma possibilidade limitada porque começa e termina. A escuridão é uma possibilidade muito maior que a luz, existe sempre. A escuridão é a única coisa que permeia tudo.

Mas se digo “escuridão divina,” as pessoas pensam que sou um adorador de demônios ou algo assim.

Em outro nível, quando dizemos “Shiva,” estamos nos referindo a certo yogue, o  Adiyogi ou o primeiro yogue, e também o Adi Guru, o primeiro Guru, que é a base do que conhecemos como a ciência do yoga hoje. Yoga é a ciência e a tecnologia para conhecer a natureza essencial de como a vida é criada e como ela pode ser levada a suas possibilidades últimas.

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“Shiva” refere-se a ambos os sentidos. Apenas o nada pode conter a totalidade. Algo nunca pode conter o todo. Um vaso não pode conter um oceano. Este planeta pode conter um oceano, mas não pode conter o sistema solar. O sistema solar pode conter estes poucos planetas e o sol, mas não pode conter o resto da galáxia.

Se você segue desse modo progressivamente, no final verá que apenas o nada pode conter o todo. Quando falamos sobre Shiva como “aquilo que não é,” e  Shiva como um yogue, de certa forma são coisas sinônimas, embora sejam dois diferentes aspectos.

Infelizmente, a maior parte das pessoas hoje conheceram Shiva apenas dos desenhos artísticos. Shiva é pintado de rosto bochechudo, de cor azul. Por que um yogue como Shiva ter um rosto bochechudo? Se você mostra-lo magro, tudo bem, mas bochechudo?

Na cultura do yoga, Shiva não é visto como um Deus. Ele foi um ser que andou por essa terra e viveu na região dos Himalayas. Como fonte das tradições yóguicas, sua contribuição na criação da consciência humana é grande demais para ser ignorada. Isto foi anterior às religiões.

Toda maneira possível de abordar e transformar o mecanismo humano foi explorado milhares de anos atrás. A sofisticação da coisa é inacreditável. De modo detalhado, ele deu um significado e uma possibilidade do que você pode fazer com cada ponto do mecanismo humano.

Não se pode mudar uma única coisa de seus ensinamentos mesmo hoje, porque ele disse tudo que poderia ser dito de modo tão inteligente e belo. Tudo que se pode fazer é passar a vida tentando decifrar seus ensinamentos.


Esta transmissão das ciências yóguicas aconteceu nas margens do Kantisarovar, um lago glacial distante poucas milhas de Kedarnath nos Himalayas. Na tradição yóguica, Shiva não é visto como um deus, mas como o Adiyogi, o primeiro yogue.  

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