O
objetivo da filosofia é pôr fim à dor. O medo tem, atrás de si, a
fuga à dor. Então a dor é para ser evitada? Edward Carpenter, em
seu belo poema "O Homem e Satã" diz: "Cada dor que
sofri num corpo tornou-se um poder que dominei no próximo."
Poder é a dor transmutada.
Leia
a vida de Napoleão. Ali você vê a grande manifestação de poder.
Este homem pequeno e insignificante comandou rudes soldados como se
fossem crianças. Por exemplo: ao ouvir que os Bourbons estavam
governando mal seu país, ele retornou de seu exílio em Elba. As
tropas foram mandadas para mata-lo. Todo o exército foi mandado para
atirar nele. Os soldados estavam ali com suas armas mirando em seu
peito, prontos para receber o comando de atirar.
Napoleão
estava a pé, sozinho, sem defesa e sem armas, e caminhou em direção
às tropas com um andar medido, olhando diretamente nos olhos dos
soldados. A ordem “Fogo” foi gritada. Um único tiro o teria
matado. Se o exército tivesse obedecido à ordem, quarenta mil balas
teriam entrado no peito de Napoleão.
Mas
esse homem não vacilou e ficou a alguns metros encarando a todos. O
exército inteiro hesitou. Como poderiam atirar naquele homem?
Estavam sob sua fascinação. Ninguém obedeceu à ordem. Todos
atiraram suas armas ao solo e correram para ele gritando "Viva o
Imperador!"
Se
você analisar a vida deste homem, verá que impôs a si as mais
dolorosas tarefas. Durante vários dias ficava sem dormir, descansar
e comer, profundamente absorvido em seus estudos. Sua aparência, às
vezes, era horrível de se contemplar por causa de suas duras
privações. Mas havia um raio em seus olhos que queimavam com o fogo
do espírito. Verdadeiramente, era a dor transmutada em poder.
O
yogue cujas austeridades deixam mudo de horror o ocidental, domina os
tigres e leões da floresta com um único olhar. Todos os yogues
avançados têm este e milhares de tais poderes maravilhosos.
Além
disso, a dor purifica. Durante eras as propensões animais foram
desenvolvidas. A menos que métodos drásticos sejam empregados,
estas propensões se tornam impossíveis de subjugar. Nada há como a
dor para ensinar, porque ela purifica. Uma vez que sua natureza
passou pelo fogo do sofrimento, você terá conhecido o lado sério
da vida.

Vivekananda
Disse
o grande Swami Vivekananda sobre suas viagens a pé através da
Índia: “Durante muitos dias estive nas garras da morte, faminto,
cansado, com os pés feridos. Durante dias não tinha nada para comer
nem conseguia dar mais um passo. Sentava-me à sombra de uma árvore
e sentia que minha vida se apagava. Não conseguia falar, nem quase
pensar, mas finalmente a mente voltava à ideia: não tenho medo da
morte, não tenho fome nem sede. Nem toda a natureza pode me
destruir; ela é minha servidora. E dizia a mim mesmo: Afirmai vossa
força, ó vós Senhor dos Senhores! Recuperai vosso reino perdido!
Levantai e caminhai! E então eu me levantava com nova força e aqui
estou eu, vivendo hoje.”
Este
homem viveu nas cavernas dos Himalayas durante anos. Subiu as
montanhas a pé até o Tibete. E ele não foi o único.
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