Em
seu sentido mais restrito, brahmacharya
significa
completo celibato, mas em seu sentido mais amplo, pode ser aplicado
ao chefe de família como moderação e autodomínio, não abusar da
função sexual e ser estritamente fiel à parceira.
O
ser humano é uma mistura de três ingredientes: primeiro, um animal
com todos seus desejos físicos; segundo, o nível humano e racional;
e terceiro, a Divindade adormecida interior. Toda a vida espiritual é
uma gradual eliminação do animal interior e a purificação da
natureza humana para que ela comece a tomar uma direção ascendente.
Quando
a natureza humana é direcionada para cima, a pessoa começa a
despertar a Divindade adormecida com a ajuda das práticas
espirituais. Os antigos diziam que a energia cósmica mantém os
corpos celestes em seu curso. Esses corpos se mantêm em movimento
por meio desta misteriosa energia.
E
consideravam esta energia como algo divino, sem começo e sem fim.
Ela é eterna e impregna todas as coisas. Não há lugar onde não
esteja. E esta energia que mantém em movimento este e inúmeros
outros universos é que está presente nos seres vivos como força
sexual.
Por
isso os hindus consideravam esta energia como sagrada, como algo
digno de ser adorado, pois ela é a manifestação da Mãe Divina, a
energia cósmica. Portanto, ela deve ser considerada com reverência.
Esta
força cósmica se manifesta em nosso sistema como prana (energia
vital, força vital). E o prana é a reserva preciosa do buscador.
Qualquer atividade ou experiência dos sentidos consome muito prana.
E a atividade que consome a maior quantidade de prana é o ato
sexual.
Swami
Sivananda disse muito enfaticamente: “O ato sexual destrói o
sistema nervoso inteiro.” Porque ele cria grande excitação,
grande agitação, e tal intensidade de sentimento deixa a pessoa
exausta e vazia.
A
meta mais elevada da vida humana – a evolução espiritual –
requer o máximo disponível de energia prânica em todos os níveis:
mental, intelectual e emocional. É através de prana que se
controlam os sentidos. É através de prana que se acalma a atividade
da mente. É através de prana que se pode juntar os raios dispersos
da mente e torna-la concentrada. É através de prana que se pode
concentrar a mente no objeto da meditação.
Prana
é
necessário para a reflexão espiritual e a discriminação. O
pensamento deve ser agudo e o intelecto penetrante. E esse
entendimento se desenvolve através de brahmacharya
(celibato).
O celibato assegura uma abundância de reserva de prana disponível
para o buscador.
Se
você conserva esta energia vital e a dirige ao processo espiritual
de contemplação, sua meditação se torna bem sucedida, porque você
concentrou sua força e é capaz de dirigir a força concentrada para
suas práticas espirituais. Preservada, concentrada e dirigida para
um canal específico, ela opera milagres.
Se
você é um buscador espiritual, deve perceber que desperdiçar essa
força é trabalhar contra si mesmo. Você tem de liberar sua
consciência dos níveis mais inferiores e ir levando-a cada vez mais
para cima, para níveis mais refinados da mente. Se você quer ir
para o norte, significa que deve se afastar do sul.
A
vida espiritual começa quando você reconhece que, enquanto se
mantém correndo atrás da satisfação e prazer sensual, não dará
um passo naquela direção. Tudo será apenas conhecimento acadêmico
ou teórico.
Um
dos yogas onde o celibato é absolutamente essencial é kundalini
yoga. Desde
o começo o celibato é absolutamente essencial e indispensável. De
outro modo esse yoga é perigoso, uma vez que é baseado em
pranayama,
mudras, bandhas e
âsanas.
No
entanto, existem estágios em que a pessoa pode ser altamente
espiritual e ao mesmo tempo levar uma vida sexual normal. Isso é
verdadeiro especialmente no caminho da devoção, do amor a Deus.
Este caminho não faz qualquer distinção entre um brahmachari
celibatário
e um chefe de família.
No
caminho da devoção (bhakti), o celibato total não é exigido. Mas
porque o ato sexual consome uma grande quantidade de energia prânica,
naturalmente o autodomínio é também importante. Jamais o sexo
irrestrito foi olhado com benevolência. Deve haver autocontrole e
fidelidade nas relações sexuais com o parceiro (a). O marido deve
olhar todas as outras mulheres como mães, e a esposa deve considerar
que tem e terá apenas um parceiro em sua vida. Desse modo, a vida
sexual não é contrária à vida espiritual.
Brahmacharya,
portanto,
não é nem evitar nem reprimir a sexualidade. É deixa-la
naturalmente para que o potencial e o poder do processo sexual possam
ser usados para algo tão maravilhoso que, comparado a isso, o sexo
se torna insignificante. Brahmacharya é usar a potência sexual para
algo dez vezes, cem vezes maior.
Se
o sexo for suprimido ou reprimido, pode trazer mudanças indesejáveis
na personalidade. Se brahmacharya
é forçado
e contra a vontade e inclinação de uma pessoa, podem resultar
condições anormais em sua personalidade.
Parte do motivo da obsessão
mundial com o sexo atualmente é a sua exploração por causa de
interesses comerciais e da propaganda. Para vender, anunciam o
fenômeno “garota-encontra-garoto” – vendem a ideia de que o
corpo de uma garota deve ser desfrutado, e assim ela tem de cultivar
um corpo que possa atrair o mais possível – como se o sexo fosse a
única coisa importante da vida.
Os
interesses comerciais distorcem completamente o propósito básico do
sexo. Quanto mais cedo se reconhece isso, mais fácil será de se
manter brahmacharya. Se a mente é dirigida a coisas superiores,
automaticamente brahmacharya
se torna
fácil.

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