14.6.18

O PARAMAHANSA DE DESASWAMEDH – Yogue Ramacháraka

Às margens do rio Ganges em Benares, perto do Gath Desaswamedh (ghat é uma escadaria que desce até o rio), senta-se um homem de aproximadamente 70 anos. Está desnudo. Vestido com a roupa que a natureza lhe deu, o Paramahansa (sábio divino) permanece sentado naquele local, de manhã, à tarde e à noite.
Olhe seu rosto. Tem uma aparência séria. Sua testa é semelhante a uma abóboda que se ergue sobre seus olhos, os quais são claros, serenos e brilham com o fogo da alma. Seus lábios são firmes. Seus olhos calmos e pensativos, sua testa nobre e suas feições gerais indicam grande calma e autocontrole e imenso poder da vontade.

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Por mais de oito anos ele tem estado ali. No queimante sol de meio-dia do verão, quando o piso da escadaria parece pegar fogo, e no amargo frio do inverno, ele se senta ali. As pessoas vêm até ele às centenas, diariamente, trazem-lhe comida o suficiente para encher trinta estômagos, curvam-se a ele e lhe contam suas aflições. Sua resposta é apenas um sim com a cabeça e um olhar em seus olhos. Ele come algumas frutas e bebe um pouco de leite, e o resto distribui entre pessoas que anseiam em receber. Ele nunca conversa, nunca ri nem sorri. Sua face é sempre solene, calma e em êxtase.
Se você se aproxima dele, sente sua presença imediatamente. Essa presença é ao mesmo tempo magnética, poderosa e uma personalidade completamente espiritual.
Agora siga-me até o mercado de peixes. São oito horas da manhã. Não menos de duzentas pessoas estão ali. Meu primeiro sentimento é de náusea, pois há um forte e abominável odor no lugar. Os pescadores trazem muitos peixes, alguns ainda vivos, de suas redes. Começam batendo os peixes vivos contra o chão duro do mercado. Disputa, pechincha, abusos, cuspes são vistos por todo lado. O mau cheiro não é nada para eles, é como se fosse o cheiro de rosas.
Saio dali, ou melhor, corro para fora. Vejo muitos homens e mulheres saindo do mercado; seus olhos são pálidos e vazios; sua pele gruda-se frouxa sobre seus ossos; seus rostos denotam cobiça e desejo. Não vejo ninguém que tenha um olhar saudável, firme, autoconfiante. Parecem um monte de mendigos que tropeçaram num pouco de dinheiro que precisam gastar com peixe.
Agora compare esses homens sem vida com o Santo, qual conclusão você tira? Eles são homens animais, o outro um homem divino.
Nos primeiros, o medo, a cobiça, o desejo, a superstição fizeram seu lar. Os horrores de um matadouro de animais não os chocam. Seus sentidos são grosseiros. No outro, Deus se manifesta. Ele não é atingido pelo calor ou frio, pelo desejo ou paixão. Se um raio caísse sobre ele, não perderia sua calma nem mesmo por uma fração de segundo.
Não é isso a verdadeira felicidade? Realizar que você não é o corpo, que você jamais pode morrer, que nada pode tocá-lo, que o fogo não pode queimá-lo, a espada não pode cortá-lo, a água não pode molhá-lo; realizar sua independência e domínio sobre o corpo.
A vida espiritual é Amor. Esse amor não vem fácil. Apenas quando já sofremos muito, pensamos muito, só então alguns clarões deste Amor Universal brilham sobre nós. Esse é o amanhecer da divindade, do despertar espiritual.
Chega um tempo em que sentimos esta verdade, e uma simpatia pelos sofrimentos dos outros é o primeiro sinal. Servir os outros é um grande privilégio. Deus nos concede esta oportunidade para nos purificarmos; nenhum passo mais elevado pode ser tomado a menos que tenhamos aprendido a lição do serviço.
A felicidade não é a meta da vida, nem o gozo. Deus é a meta da vida. Realizando a Deus, realizamos a felicidade. "Tamanho é o poder do bem, que mesmo o menor bem feito aos outros traz os maiores resultados."
Antes que você tenha ido muito longe neste longo caminho, a paz estenderá suas asas sobre você. O medo cessará. A preocupação não mais será conhecida.
Portanto treine-se para prestar serviços, mesmo que seja para uma única alma. Se você tem um pai, uma mãe, ou outra pessoa que depende de você, sirva-os de todo o coração. Não se importe se são gratos; isso é problema deles. Em pouco tempo, sua Natureza Superior se afirmará e se tornará sua segunda natureza.
Viva de acordo com esses ideais. Se tropeçar, levante-se novamente, e sempre uma vez mais. Seja firme neste caminho e a força seguramente virá. Olhe sempre para cima e para frente.

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