6.8.16

O CAMINHO DO YOGA - Swami Vivekananda


- Cada alma é potencialmente divina. A meta é manifestar essa divindade interior, controlando a natureza interna e externa. Faça isso através do trabalho, ou pela adoração, ou controle psíquico ou pela filosofia – por um desses caminhos, ou mais, ou por todos eles – e seja livre. Essa é toda a religião. Doutrinas, ou dogmas, ou rituais, ou livros, ou templos, ou formas, são apenas detalhes secundários.

- A meta última de toda a humanidade é apenas uma – realizar a divindade que é a natureza verdadeira de cada homem. Mas enquanto a meta é a mesma, o método de consegui-la pode variar de acordo com os vários temperamentos do homem. Os métodos empregados para isso são chamados de Yoga, e os principais são Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga.

- Os yogues dizem que de todas as energias que existem no corpo humano, a mais elevada é a que eles chamam de ojas. Esta ojas é depositada no cérebro, e quanto mais ojas existir na cabeça de um homem, mais poderoso ele é, mais intelectual e espiritualmente forte. Um homem pode falar belas palavras e belos pensamentos, mas não impressiona as pessoas; um outro não diz belas palavras nem belos pensamentos, e ainda assim suas palavras encantam. Cada movimento seu é poderoso. Este é o poder de ojas.

- Todas as forças que trabalham no corpo, em seu nível mais elevado, se tornam ojas. Você deve lembrar que é apenas uma questão de transformação. A mesma força que opera como eletricidade ou magnetismo, será transformada em força interior; as mesmas forças que trabalham como energia muscular serão transformadas em ojas. Os yogues dizem que aquela parte da energia humana que se expressa como energia sexual, como pensamento sexual, quando bloqueada e controlada, facilmente se transforma em ojas, e como o Muladhara guia estas energias, o yogue presta uma atenção particular nesse chakra. Ele tenta tirar toda esta energia sexual e transformá-la em ojas. É apenas o homem ou a mulher castos que podem fazer ojas subir e armazená-la no cérebro; é por isso que a castidade sempre foi considerada como a mais alta virtude. Um homem sente que, se ele não é casto, a espiritualidade se vai, ele perde força mental e moral. É por isso que em todas as ordens religiosas que têm produzido gigantes espirituais você sempre encontrará que elas insistem na castidade. É por isso que os monges vieram a existir, abandonando o casamento. Deve haver perfeita castidade em pensamento, palavra e ação; sem isso a prática de Raja Yoga é perigosa, e pode levar à insanidade.


- A utilidade dessa ciência (Yoga) é trazer a perfeição do homem, e não deixá-lo esperar vários ciclos de tempo, sendo apenas um brinquedo nas mãos do mundo físico. Esta ciência quer que você seja forte, que tome a obra (da autoperfeição) em suas próprias mãos, ao invés de deixá-la nas mãos da natureza, e ir para além dessa pequena vida. Esta é a grande ideia.

- Tudo que é secreto e misterioso nestes sistemas de Yoga deve ser rejeitado imediatamente. A melhor guia na vida é a força. Em religião, assim como em outros assuntos, descarte tudo que te enfraquece, não tenha nada a ver com isso. O comércio daquilo que é misterioso enfraquece o cérebro humano.

- Isso (yoga) não é brincadeira de criança, para ser tentado num dia e descartado no dia seguinte. É o trabalho de uma vida; e o fim a ser alcançado vale aquilo que possa nos custar, sendo nada menos que a realização de nossa absoluta unidade com o Divino. 

 

CORPO JOVEM, ALMA VELHA - Papaji

Durante os anos em que vivíamos em Madras, eu sempre levava minha família e colegas de trabalho ao ashram de Sri Ramana Maharshi nos finais de semana. Das pessoas que iam comigo, o Maharshi parecia ter uma afeição especial por minha filha de 7 anos.

Ela tinha aprendido tâmil muito bem, durante esse tempo em que morávamos em Madras, de modo que podia conversar com o Maharshi em sua língua nativa. Eles costumavam rir e brincar juntos, sempre que visitávamos o ashram.

Em uma de minhas visitas, ela se sentou em frente ao Maharshi e entrou numa espécie de êxtase meditativo profundo. Quando o sino para o almoço tocou, fui incapaz de levantá-la. O Maharshi aconselhou-me a deixá-la em paz, e então saímos para comer sem ela.

Quando voltamos ao salão, ela estava no mesmo lugar e no mesmo estado. Ali passou várias horas mais naquela condição, antes de voltar ao estado desperto normal.

O Major Chadwick observava tudo aquilo com grande interesse. Após a experiência dela terminar, ele aproximou-se do Maharshi e disse, “Há dez anos que estou aqui, mas nunca tive uma experiência como essa. Parece que esta garota de sete anos teve um êxtase sem fazer qualquer esforço. Como isso pôde acontecer?”


O Maharshi simplesmente sorriu e disse, “Como você sabe que ela não é mais velha que você?”

Após aquela intensa experiência, minha filha passou a amar o Maharshi e se tornou muito apegada a ele. Antes de partir, ela lhe disse, “Você é meu pai. Não vou voltar para Madras. Ficarei aqui com você”.

O Maharshi sorriu e disse, “Não, você não pode ficar aqui. Deve voltar com seu verdadeiro pai. Vá para a escola, termine sua educação, e então poderá voltar, se quiser.”

Aquela experiência teve um grande impacto sobre ela, e depois daquilo ela só queria estar com Bhagavan. Nenhum dia se passava sem que ela se lembrasse daquelas horas absorvida no êxtase perante Bhagavan. Quando as pessoas lhe perguntavam o que aconteceu naquele dia, ela ficava muda, incapaz de responder, e começava a chorar dizendo, “Oh Bhagavan!”.


JIVANADI, O CANAL SUTIL QUE VAI DO CÉREBRO AO CORAÇÃO - Sri Ramana Maharshi

Devoto: O Jivanadi é uma entidade ou uma invenção da imaginação?

Mestre: Os yogues dizem que existe um nadi (canal sutil) chamado jivanadi, atmanadi ou paranadi. Os Upanishads falam de um centro do qual milhares de nadis se ramificam. Alguns localizam tal centro no cérebro e outros em outros centros. O Garbhopanishad descreve a formação do feto e o crescimento da criança no útero.

O jiva (alma individual) entra na criança através da fontanela no sétimo mês de seu desenvolvimento. Como evidência aponta-se que a fontanela é mole num bebê e também parece pulsar. Ela leva alguns meses para ossificar. Assim o jiva vem de cima, entra através da fontanela e trabalha através de milhares de nadis que estão espalhados por todo o corpo.

Portanto o buscador da Verdade deve concentrar-se no sahasrara, que é o cérebro, para voltar a sua fonte. Dizem que Pranayama é uma ajuda ao yogue para despertar a Kundalini Sakti que repousa enrolada no plexo solar. A sakti desperta através de um nervo chamado Sushumna, que se localiza no centro da espinha dorsal e se estende até o cérebro.

Se a pessoa se concentra no Sahasrara, não há dúvida de que entrará em êxtase. Entretanto, as tendências não são destruídas. O yogue portanto está destinado a voltar do êxtase, porque a libertação da matéria ainda não foi efetuada. Ele ainda deve tentar erradicar as tendências para que o que está latente em si não perturbe a paz de seu êxtase.

Assim, ele desce do sahasrara ao coração através do que é chamado jivanadi, que é apenas uma continuação do Sushumna. O Sushumna é assim uma curva. Começa no plexo solar (ou no Muladhara, segundo o yoga), sobe através da espinha dorsal ao cérebro e dali curva-se para baixo e termina no coração.

Quando o yogue alcançou o coração, o êxtase se torna permanente. Assim vemos que o coração é o centro final. Alguns Upanishads também falam de 101 nadis que saem do coração, um deles sendo o nadi vital. Se o jiva desce vindo de cima e se reflete no cérebro, como dizem os yogues, deve haver uma superfície refletora em ação.

Essa superfície também deve ser capaz de limitar a Consciência Infinita aos limites do corpo.

Em resumo o Ser Universal se torna limitado como um jiva. Tal meio refletor é suprido pelas tendências do indivíduo. Elas agem como a água num pote que reflete a imagem de um objeto. Se o pote ficar seco, não haverá reflexo. O objeto ficará sem ser refletido. O objeto aqui é o Ser-Consciência Universal que a tudo penetra e é portanto imanente em tudo.

Não é necessário reconhecê-lo apenas pela reflexão; esse ser é auto-luminoso. Portanto o objetivo do buscador deve ser secar os desejos do coração e não deixar que um reflexo obstrua a Luz da Eterna Consciência. Isto é obtido pela busca da origem do ego (vichara) e por mergulhar no coração. Este é o método direto para a auto-realização. Aquele que o adota não precisa se preocupar com os nadis, o cérebro, o Sushumna, o Paranadi, a Kundalini, pranayama ou os seis chakras.

O Eu não vem de nenhum outro lugar e entra no corpo através da coroa da cabeça (Sahasrara). Ele é o que é, sempre brilhante, sempre firme, imóvel e imutável. As mudanças percebidas não são inerentes ao Eu que mora no Coração e é auto-luminoso como o Sol.

A relação entre o Eu e o corpo ou a mente pode ser comparada à que existe entre um claro cristal e seu pano de fundo. Se o cristal é colocado na frente de uma flor vermelha, ele brilha vermelho; se é colocado na frente de uma folha verde, ele brilha verde, e assim por diante.

O Coração é o centro. Uma pessoa nunca está distante dele. Embora os Upanishads digam que a alma individual funcione através de outros chakras em diferentes ocasiões, mesmo assim ela não deixa o Coração. Os chakras são apenas lugares de atividade. A alma individual está presa ao Coração assim como uma vaca amarrada a um tronco. Os movimentos são controlados pelo tamanho da corda. Todo seu caminhar se centra ao redor do tronco.





Nota: não se deve confundir Hridaya (o coração espiritual) com Anáhata (o chakra do coração). Hridaya não é um dos sete chakras do yoga.

NADA EXISTE, SEJA! - Major Chadwick

A filosofia de Bhagavan Ramana Maharshi pode ser resumida em apenas duas palavras “Nada existe.” Tão simples e ainda assim supremamente difícil. “Nada existe”. Todo este mundo que você vê, essa louca corrida das pessoas atrás de dinheiro e de viver é apenas um pensamento sem substância. “Nada existe.”

Sri Bhagavan nos diz apenas uma outra coisa. Ele diz: “Seja. Apenas seja seu Eu real, isto é tudo.” Você diria: “Certamente, parece bom, mas quando a pessoa tenta ser, não parece tão fácil. Ele tem algum método?”

Método! Bem, o que você quer dizer com método? Sentar-se no chão e concentrar-se num chakra? Ou respirar por narinas alternadas? Ou repetir algum mantra milhares de vezes? Não, ele não tem nenhum método. Todas essas coisas são boas, sem dúvida, e ajudam a preparar a pessoa, mas Sri Bhagavan não as ensina.

Então o que devo fazer?” Você deve apenas SER, ele diz. E para ser, você deve conhecer o “Eu que é”. Para conhecer o “Eu que é”, apenas siga perguntando “Quem sou eu?”. Não fixe a atenção em nada a não ser no “Eu”, recuse todo o resto. E quando você finalmente encontrar o “Eu”, SEJA. Toda conversa são apenas palavras vazias.

Nada existe” e a coisa acaba aí. Nenhum método, nada para renunciar, nada para encontrar. Nada existe absolutamente, exceto o “Eu”. Para que se preocupar com outras coisas? Apenas SEJA, agora e sempre, como você foi, como você é, e como sempre será.

Nada existe”. Você pode perguntar: “Quem quer esse estado puramente negativo?” A isto posso apenas responder: “É apenas uma questão de gosto”. Quando Bhagavan diz: “Nada existe”, é óbvio que ele se refere a nossa presente existência egoísta, que para nós é tudo. Mas esse estado onde nada existe deve obviamente ser um estado que é algo. Esse estado é Auto-Realização. Não apenas ele é algo, mas é TUDO, e ser tudo então deve ser PERFEITO.


Um jornalista australiano veio ao Ashram e durante sua visita me viu em meu quarto. É óbvio que aquilo foi um tremendo problema para ele. Por que um europeu deveria se isolar num lugar como esse estava além de sua compreensão (Chadwick morava no ashram).

Ele fez muitas perguntas, mas nenhuma de minhas respostas o satisfez. E como poderiam? Especialmente porque ele não tinha a menor idéia do que era um ashram, ou o que as pessoas estavam fazendo aqui. Eu nem mesmo escrevia, então o que diabos eu fazia? Finalmente ele não pôde mais se conter e perguntou o que eu estava fazendo aqui.

Se eu tivesse tentado lhe dizer a verdade, ele nunca teria entendido, então eu apenas lhe disse que aqui encontrei paz mental. Eu sabia que era uma resposta inadequada, mas esperava que evitaria outras perguntas.

Ele olhou para mim sério por alguns minutos e então disse com pena: “Oh entendo, eu nunca tive esse tipo de problema!” Tudo que eu tinha feito foi confirmar sua convicção de que eu era louco! E não havia razão para ele acreditar nisso? Aqui tenho passado metade de uma vida procurando algo que já possuo.

Apenas SEJA”. Parece tão fácil. Bem, Sri Bhagavan diz que é a coisa mais fácil que existe. Realmente não sei. Suponho que tudo depende de quanto lixo existe no interior da mente. De qualquer modo somos todos diferentes e talvez alguns de nós tenhamos mais dificuldades no início.

O certo é que o lixo deve sair e esse processo é cheio de surpresas. Todo tipo de vícios escondidos e tendências más começam a agitar suas cabeças, coisas que a pessoa nunca suspeitou que existissem. Bhagavan diz que tudo isso deve sair. Deixe sair, sem tentar controlar. Não ceda a eles.

Você diz: “Se nada existe, para que escrever?” Sim, para que? A coisa toda pode ser resumida em três palavras: “Nada existe, SEJA!” Quando a pessoa entende essas três palavras, ela entende tudo, incluindo o próprio Bhagavan. Então nada mais há a se dizer.


PESSOAS DIFERENTES, RESPOSTAS DIFERENTES - David Godman

Se você se sentar na presença de um mestre iluminado e perguntar, “O que preciso fazer para ficar iluminado?”, esse mestre pode imediatamente ver onde você está espiritualmente e o que precisa para progredir. A resposta estará baseada no que ele vê em tua mente, não em alguma fórmula pré-fabricada que é entregue a todos.

Os mestres respondem ao estado mental da pessoa na frente deles, não à pergunta que ela faz. Uma pessoa pode fazer uma pergunta respeitosa e esconder ao mesmo tempo seus verdadeiros sentimentos. Ela pode estar testando o mestre, pode estar tentando provocá-lo e assim por diante.

O mestre responderá mais aos sentimentos interiores, que à própria questão. E uma vez que apenas o mestre pode realmente ver o que existe na mente da pessoa, as respostas frequentemente parecem casuais ou arbitrárias às outras pessoas que estão presentes.

Alguns anos atrás vi uma mulher aproximar-se de Papaji com uma pergunta aparentemente sensível e espiritual. Ele explodiu irado, dizendo que ela estava apenas interessada em sexo e disse-lhe para ir embora. Ficamos todos chocados porque aquele era o primeiro dia dela com Papaji, seu primeiro encontro.

Mais tarde, conversei com a mulher que tinha vindo junto com ela e lhe perguntei como ela estava se sentindo. Essa mulher riu e disse, “Fico feliz que Papaji tenha agido assim. Todo ano ela vem à Índia e a um novo ashram, fingindo estar interessada no mestre e nos ensinamentos, mas todo ano ela começa um romance com algum devoto. Essa é a verdadeira razão pela qual ela vem. Depois de uns meses ela se aborrece e vai embora. Fico feliz que finalmente alguém descobriu seu jogo.”

Tenho testemunhado inúmeras reações como essa nos mestres com quem tenho estado, todas elas causadas por pensamentos e desejos escondidos que nenhum de nós podia ver.

Há algo mais que acontece quando você se senta na frente de um verdadeiro mestre. Há uma transmissão de paz que acontece sem qualquer esforço, que aquieta a mente e traz uma intensa alegria ao coração. É algo particular. Palavras podem ser trocadas, mas a verdadeira comunicação é silenciosa.

 
David Godman

YOGUES EXTRAORDINÁRIOS DA ÍNDIA - Swami Sivananda

SADASIVA BRAHMAN: viveu no início do século XIX. Certa vez se achava em samadhi às margens de um rio, e com a cheia deste, ele foi totalmente coberto com o barro das águas. Nesse estado permaneceu durante meses sepultado. Um dia, os agricultores que se achavam lavrando a terra, feriram sua cabeça e brotou sangue do ferimento. Os agricultores ficaram assombrados e decidiram cavar a terra em torno do yogue. Sadasiva se levantou impávido, afastando-se. Numa outra ocasião alguns arruaceiros o atacaram com paus com a intenção de lhe golpear. Mas ao levantar as mãos, perceberam que não podiam movê-las, ficando ali paralisados como estátuas. Em outra ocasião, entrou inconsciente em êxtase na tenda de um chefe tribal, e este  enfurecido cortou-lhe a mão com uma espada. Sadasiva se retirou com um sorriso nos lábios. O chefe, percebendo que se tratava de um grande sábio, pegou a mão cortada e partiu à procura de Sadasiva. Encontrando-o disse: 'Oh meu senhor, imploro-te perdão!' Sadasiva tocou simplesmente a parte cortada com sua outra mão e apareceu uma nova. Sadasiva o perdoou.
    TRILINGA SWAMI: sua vida se prolongou por 280 anos. Sri Ramakrishna o viu em Benares, por volta de 1875. Tinha o hábito de viver sob as águas do Ganges durante seis meses sem interrupção e a dormir no templo de Viswanath colocando seus pés sobre o Siva Linga. Numa ocasião tirou a espada do governador e a jogou no Ganges. Como o governador reclamava a devolução de sua espada, Trilinga entrou na água, voltando com duas espadas exatamente iguais, com grande assombro do governador, que não podia reconhecer qual era a sua. Como andava nu, a polícia frequentemente o prendia, mas as grades não podiam contê-lo, e o swami logo depois era visto andando livremente sobre os telhados das casas de Benares (Varanasi).

       Trailanga Swami (ou Trilinga Swami)

A TELEPATIA - Swami Sivananda

A telepatia é transferência de pensamento de uma pessoa para outra. Assim como o som se move no espaço etéreo, também o pensamento se move no espaço mental. Existe um oceano de éter que nos rodeia, e também existe um oceano mental em nossa volta. O pensamento tem forma, cor e peso. Ele é uma matéria, assim como um lápis.


Quando você tem um bom pensamento de natureza elevada, é muito difícil dizer se é seu próprio pensamento ou o pensamento de alguma outra pessoa. Os pensamentos das outras pessoas entram em seu cérebro.


A telepatia foi o primeiro telégrafo sem fio dos yogues. O pensamento viaja a uma velocidade inimaginável. Às vezes você pensa em um amigo com tal intensidade num dia, e depois de um ou dois dias você recebe sua carta. Isso é telepatia inconsciente. Seu pensamento poderoso viajou e alcançou o cérebro de seu amigo, e ele lhe respondeu. Tantas coisas interessantes e maravilhosas acontecem no mundo do pensamento.


As pessoas que não desenvolveram o poder de telepatia estão tateando no escuro. A glândula pineal que é considerada pelos ocultistas como o assento da alma tem um importante papel na telepatia. É a pineal que recebe as mensagens. Ela é uma glândula endócrina localizada no cérebro, que tem uma secreção interna que é diretamente despejada no sangue.



No início pratique telepatia de uma curta distância. É melhor praticar à noite, para começar. Peça a seu amigo que fique receptivo e se concentre às dez da noite. Peça-lhe para sentar em Virásana ou Padmásana com os olhos fechados num quarto escuro. Tente mandar sua mensagem exatamente naquele horário. Concentre nos pensamentos que deseja enviar. Queira fortemente enviar. Os pensamentos deixarão seu cérebro e entrarão no cérebro de seu amigo. Pode haver alguns erros no começo. Quando você avançar na prática e conhecer bem a técnica, estará sempre correto ao mandar e receber mensagens. Mais tarde, será capaz de enviar mensagens a diferentes partes do mundo.


As ondas-pensamento variam em intensidade e força. Quem envia e quem recebe devem possuir grande e intensa concentração. Então a mensagem será enviada com força e clareza. No começo pratique telepatia de um quarto para outro na mesma casa. Essa ciência é muito agradável e interessante. É necessário a prática paciente. Brahmacharya (continência sexual) é muito essencial.


Você pode influenciar outra pessoa sem qualquer palavra audível. O que se requer é concentração de pensamento dirigido pela vontade. Isso é telepatia. Às vezes, quando você está escrevendo algo ou lendo, de repente lhe vem uma mensagem de uma pessoa que lhe é querida. Você pensa nela de repente. Ela lhe enviou uma mensagem. Ela pensou seriamente em você.


As vibrações do pensamento viajam mais rápido que a luz ou a eletricidade. Nesses casos, a mente subconsciente recebe a mensagem ou as impressões, e a transmite à mente consciente.


Os grandes adeptos ou Mahatmas que vivem nas cavernas dos Himalayas transmitem suas mensagens através da telepatia aos aspirantes avançados ou aos yogues que vivem no mundo. E estes cumprem suas ordens e disseminam seu conhecimento em todos os lugares. Não é necessário que os Mahatmas venham pregar num palanque. Não importa se eles pregam ou não. Suas vidas são uma incorporação do ensinamento. Pregar numa tribuna é para homens de segunda classe, que não conhecem a telepatia.


Estes elevados yogues ajudam o mundo através de suas vibrações espirituais e de sua aura magnética, mais do que o fazem os yogues de tribuna. A glória do hinduísmo se perderá, se os Sannyasins (monges renunciantes) se tornarem extintos. Eles nunca podem desaparecer da Índia. É o dever dos chefes de família suprir suas necessidades. São estes homens que realmente podem ajudar o mundo todo.