Devoto:
O
Jivanadi
é
uma entidade ou uma invenção da imaginação?
Mestre:
Os
yogues
dizem
que existe um nadi
(canal
sutil) chamado jivanadi,
atmanadi ou
paranadi.
Os Upanishads falam de um centro do qual milhares de nadis
se
ramificam. Alguns localizam tal centro no cérebro e outros em outros
centros. O Garbhopanishad
descreve
a formação do feto e o crescimento da criança no útero.
O jiva
(alma
individual) entra na criança através da fontanela no sétimo mês
de seu desenvolvimento. Como
evidência aponta-se que a fontanela é mole num bebê e também
parece pulsar. Ela
leva alguns meses para ossificar. Assim o jiva
vem
de cima, entra através da fontanela e trabalha através de milhares
de nadis
que
estão espalhados por todo o corpo.
Portanto
o buscador da Verdade deve concentrar-se no sahasrara,
que é o cérebro, para voltar a sua fonte. Dizem
que Pranayama
é
uma ajuda ao yogue para despertar a Kundalini
Sakti que
repousa enrolada no plexo solar. A
sakti
desperta
através de um nervo chamado Sushumna,
que se localiza no centro da espinha dorsal e se estende até o
cérebro.
Se a
pessoa se concentra no Sahasrara,
não
há dúvida de que entrará em êxtase. Entretanto, as tendências
não são destruídas. O yogue portanto está destinado a voltar do
êxtase, porque a libertação da matéria ainda não foi efetuada.
Ele ainda deve tentar erradicar as tendências para que o que está
latente em si não perturbe a paz de seu êxtase.
Assim,
ele desce do sahasrara
ao
coração através do que é chamado jivanadi,
que é apenas uma continuação do Sushumna.
O Sushumna
é
assim uma curva. Começa no plexo solar (ou no Muladhara, segundo o yoga), sobe através da espinha
dorsal ao cérebro e dali curva-se para baixo e termina no coração.
Quando
o yogue alcançou o coração, o êxtase se torna permanente. Assim
vemos que o coração é o centro final. Alguns
Upanishads também falam de 101 nadis que saem do coração, um deles
sendo o nadi
vital. Se
o jiva
desce
vindo de cima e se reflete no cérebro, como dizem os yogues, deve
haver uma superfície refletora em ação.
Essa
superfície também deve ser capaz de limitar a Consciência Infinita
aos limites do corpo.
Em
resumo o Ser Universal se torna limitado como um jiva.
Tal meio refletor é suprido pelas tendências do indivíduo. Elas
agem como a água num pote que reflete a imagem de um objeto. Se o
pote ficar seco, não haverá reflexo. O
objeto ficará sem ser refletido. O objeto aqui é o Ser-Consciência
Universal que a tudo penetra e é portanto imanente em tudo.
Não
é necessário reconhecê-lo apenas pela reflexão; esse ser é
auto-luminoso. Portanto
o objetivo do buscador deve ser secar os desejos do coração e não
deixar que um reflexo obstrua a Luz da Eterna Consciência. Isto é
obtido pela busca da origem do ego (vichara) e por mergulhar no coração. Este
é o método direto para a auto-realização. Aquele que o adota não
precisa se preocupar com os nadis,
o cérebro, o Sushumna,
o Paranadi,
a Kundalini,
pranayama ou
os seis chakras.
O
Eu não vem de nenhum outro lugar e entra no corpo através da coroa
da cabeça (Sahasrara). Ele é o que é, sempre brilhante, sempre
firme, imóvel e imutável. As mudanças percebidas não são
inerentes ao Eu que mora no Coração e é auto-luminoso como o Sol.
A
relação entre o Eu e o corpo ou a mente pode ser comparada à que
existe entre um claro cristal e seu pano de fundo. Se o cristal é
colocado na frente de uma flor vermelha, ele brilha vermelho; se é
colocado na frente de uma folha verde, ele brilha verde, e assim por
diante.
O
Coração é o centro. Uma pessoa nunca está distante dele. Embora
os Upanishads digam que a alma individual funcione através de outros
chakras em diferentes ocasiões, mesmo assim ela não deixa o
Coração. Os chakras são apenas lugares de atividade. A alma
individual está presa ao Coração assim como uma vaca amarrada a um
tronco. Os movimentos são controlados pelo tamanho da corda. Todo
seu caminhar se centra ao redor do tronco.
Nota: não se deve confundir Hridaya (o coração espiritual) com Anáhata (o chakra do coração). Hridaya não é um dos sete chakras do yoga.
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