6.8.16

JIVANADI, O CANAL SUTIL QUE VAI DO CÉREBRO AO CORAÇÃO - Sri Ramana Maharshi

Devoto: O Jivanadi é uma entidade ou uma invenção da imaginação?

Mestre: Os yogues dizem que existe um nadi (canal sutil) chamado jivanadi, atmanadi ou paranadi. Os Upanishads falam de um centro do qual milhares de nadis se ramificam. Alguns localizam tal centro no cérebro e outros em outros centros. O Garbhopanishad descreve a formação do feto e o crescimento da criança no útero.

O jiva (alma individual) entra na criança através da fontanela no sétimo mês de seu desenvolvimento. Como evidência aponta-se que a fontanela é mole num bebê e também parece pulsar. Ela leva alguns meses para ossificar. Assim o jiva vem de cima, entra através da fontanela e trabalha através de milhares de nadis que estão espalhados por todo o corpo.

Portanto o buscador da Verdade deve concentrar-se no sahasrara, que é o cérebro, para voltar a sua fonte. Dizem que Pranayama é uma ajuda ao yogue para despertar a Kundalini Sakti que repousa enrolada no plexo solar. A sakti desperta através de um nervo chamado Sushumna, que se localiza no centro da espinha dorsal e se estende até o cérebro.

Se a pessoa se concentra no Sahasrara, não há dúvida de que entrará em êxtase. Entretanto, as tendências não são destruídas. O yogue portanto está destinado a voltar do êxtase, porque a libertação da matéria ainda não foi efetuada. Ele ainda deve tentar erradicar as tendências para que o que está latente em si não perturbe a paz de seu êxtase.

Assim, ele desce do sahasrara ao coração através do que é chamado jivanadi, que é apenas uma continuação do Sushumna. O Sushumna é assim uma curva. Começa no plexo solar (ou no Muladhara, segundo o yoga), sobe através da espinha dorsal ao cérebro e dali curva-se para baixo e termina no coração.

Quando o yogue alcançou o coração, o êxtase se torna permanente. Assim vemos que o coração é o centro final. Alguns Upanishads também falam de 101 nadis que saem do coração, um deles sendo o nadi vital. Se o jiva desce vindo de cima e se reflete no cérebro, como dizem os yogues, deve haver uma superfície refletora em ação.

Essa superfície também deve ser capaz de limitar a Consciência Infinita aos limites do corpo.

Em resumo o Ser Universal se torna limitado como um jiva. Tal meio refletor é suprido pelas tendências do indivíduo. Elas agem como a água num pote que reflete a imagem de um objeto. Se o pote ficar seco, não haverá reflexo. O objeto ficará sem ser refletido. O objeto aqui é o Ser-Consciência Universal que a tudo penetra e é portanto imanente em tudo.

Não é necessário reconhecê-lo apenas pela reflexão; esse ser é auto-luminoso. Portanto o objetivo do buscador deve ser secar os desejos do coração e não deixar que um reflexo obstrua a Luz da Eterna Consciência. Isto é obtido pela busca da origem do ego (vichara) e por mergulhar no coração. Este é o método direto para a auto-realização. Aquele que o adota não precisa se preocupar com os nadis, o cérebro, o Sushumna, o Paranadi, a Kundalini, pranayama ou os seis chakras.

O Eu não vem de nenhum outro lugar e entra no corpo através da coroa da cabeça (Sahasrara). Ele é o que é, sempre brilhante, sempre firme, imóvel e imutável. As mudanças percebidas não são inerentes ao Eu que mora no Coração e é auto-luminoso como o Sol.

A relação entre o Eu e o corpo ou a mente pode ser comparada à que existe entre um claro cristal e seu pano de fundo. Se o cristal é colocado na frente de uma flor vermelha, ele brilha vermelho; se é colocado na frente de uma folha verde, ele brilha verde, e assim por diante.

O Coração é o centro. Uma pessoa nunca está distante dele. Embora os Upanishads digam que a alma individual funcione através de outros chakras em diferentes ocasiões, mesmo assim ela não deixa o Coração. Os chakras são apenas lugares de atividade. A alma individual está presa ao Coração assim como uma vaca amarrada a um tronco. Os movimentos são controlados pelo tamanho da corda. Todo seu caminhar se centra ao redor do tronco.





Nota: não se deve confundir Hridaya (o coração espiritual) com Anáhata (o chakra do coração). Hridaya não é um dos sete chakras do yoga.

Nenhum comentário:

Postar um comentário