6.8.16

CORPO JOVEM, ALMA VELHA - Papaji

Durante os anos em que vivíamos em Madras, eu sempre levava minha família e colegas de trabalho ao ashram de Sri Ramana Maharshi nos finais de semana. Das pessoas que iam comigo, o Maharshi parecia ter uma afeição especial por minha filha de 7 anos.

Ela tinha aprendido tâmil muito bem, durante esse tempo em que morávamos em Madras, de modo que podia conversar com o Maharshi em sua língua nativa. Eles costumavam rir e brincar juntos, sempre que visitávamos o ashram.

Em uma de minhas visitas, ela se sentou em frente ao Maharshi e entrou numa espécie de êxtase meditativo profundo. Quando o sino para o almoço tocou, fui incapaz de levantá-la. O Maharshi aconselhou-me a deixá-la em paz, e então saímos para comer sem ela.

Quando voltamos ao salão, ela estava no mesmo lugar e no mesmo estado. Ali passou várias horas mais naquela condição, antes de voltar ao estado desperto normal.

O Major Chadwick observava tudo aquilo com grande interesse. Após a experiência dela terminar, ele aproximou-se do Maharshi e disse, “Há dez anos que estou aqui, mas nunca tive uma experiência como essa. Parece que esta garota de sete anos teve um êxtase sem fazer qualquer esforço. Como isso pôde acontecer?”


O Maharshi simplesmente sorriu e disse, “Como você sabe que ela não é mais velha que você?”

Após aquela intensa experiência, minha filha passou a amar o Maharshi e se tornou muito apegada a ele. Antes de partir, ela lhe disse, “Você é meu pai. Não vou voltar para Madras. Ficarei aqui com você”.

O Maharshi sorriu e disse, “Não, você não pode ficar aqui. Deve voltar com seu verdadeiro pai. Vá para a escola, termine sua educação, e então poderá voltar, se quiser.”

Aquela experiência teve um grande impacto sobre ela, e depois daquilo ela só queria estar com Bhagavan. Nenhum dia se passava sem que ela se lembrasse daquelas horas absorvida no êxtase perante Bhagavan. Quando as pessoas lhe perguntavam o que aconteceu naquele dia, ela ficava muda, incapaz de responder, e começava a chorar dizendo, “Oh Bhagavan!”.


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