- Eu gostaria de ver mais
homens morais como Gautama Buddha, que não acreditava num Deus
Pessoal ou numa alma pessoal, nunca perguntou sobre eles, e era um
perfeito agnóstico, e ainda assim pronto a oferecer sua vida a
qualquer um, tendo trabalhado toda sua vida pelo bem de todos,
pensando apenas no bem de todos. Bem disse seu biógrafo, descrevendo
seu nascimento, que ele nasceu para o bem de muitos, como uma bênção
para muitos. Ele não se dirigiu à floresta para meditar a fim de
obter sua própria salvação; ele sentiu que o mundo estava
queimando, e que ele deveria encontrar uma solução. “Por que
existe tanta miséria no mundo?” – era a pergunta que dominou
toda sua vida.
- Buddha nunca se curvou a
nada, nem Vedas, nem casta, nem sacerdotes, nem costumes. Ele
destemidamente raciocinou tão longe quanto a razão poderia levá-lo.
Tal busca destemida pela verdade e tal amor por toda criatura viva do
mundo nunca foram vistos.
- Ouça a mensagem de Buddha –
uma tremenda mensagem. Ela tem um lugar em nosso coração. Diz
Buddha: “Arranque a raiz do egoísmo e tudo que o torna egoísta.
Não seja do mundo; torne-se perfeitamente inegoísta.” Assim que
desejos egoístas aparecem, assim que se inicia uma busca egoísta,
imediatamente o homem integral, o homem verdadeiro, se foi: ele se
torna um bruto, um escravo, ele esquece seus companheiros. Não mais
ele diz: “Você primeiro e eu depois”, mas sim “Eu primeiro e
cada um que cuide de si mesmo”.
- Buddha é o único profeta
que disse: “Não me preocupo em conhecer vossas várias teorias
sobre Deus. De que serve discutir todas as doutrinas sutis sobre a
alma? Faça o bem e seja bom. E isto o levará à liberdade e a
qualquer verdade que exista.”
- Buddha foi o primeiro que
ousou dizer: “Creia não porque alguns velhos manuscritos são
produzidos, creia não porque é sua crença nacional, ou porque você
foi ensinado a crer desde sua infância; mas use a razão em tudo, e
após analisar, se achar que a crença fará bem a todos, então
creia, viva de acordo e ajude outros a viver.”
- Houve grandes homens que
disseram que eram Avatares, e que aqueles que não acreditassem neles
iriam ao inferno. Mas o que disse Buddha com seu último suspiro?
“Ninguém pode ajudá-lo; ajude a si mesmo; consiga sua própria
salvação.”
- Ele disse sobre si mesmo:
“Buddha é o nome do conhecimento infinito, infinito como o céu.
Eu, Gautama, alcancei esse estado; vocês também alcançarão se
lutarem por isso.”
- Buddha não quis ir para o
céu, não quis dinheiro; ele abandonou seu trono e tudo o mais, e
saiu mendigando seu pão pelas ruas da Índia, pregando pelo bem dos
homens e animais com um coração tão vasto quanto o oceano. Ele foi
o único homem que estava sempre pronto para dar sua vida pelos
animais, a fim de findar um sacrifício. Certa vez ele disse a um
rei: “Se o sacrifício de uma ovelha o ajuda a ir para o céu,
sacrificar um homem o ajudará ainda mais, portanto sacrifique a
mim.” O rei ficou abismado.
- Para muitas pessoas o
caminho se torna mais fácil, se acreditarem num Deus. Mas a vida de
Buddha mostra que mesmo que um homem não acredite em Deus, não
saiba nenhuma metafísica, não pertença a nenhuma seita, e não vá
a nenhuma igreja ou templo, e seja um materialista confesso, mesmo
assim ele pode atingir o estado mais elevado. Não temos o direito de
julgá-lo. Eu gostaria de ter uma parte infinitesimal do coração de
Buddha. Buddha pode ou não ter acreditado em Deus; isso não me
importa. Ele alcançou o mesmo estado de perfeição que outros
chegaram através da devoção (bhakti), meditação (yoga) ou
sabedoria (jnana).
- Quando a tentação veio a
Buddha para que abandonasse sua busca pela Verdade, para que voltasse
ao mundo e vivesse a velha vida de fraude, dizendo mentiras para si
mesmo e a todos, ele, o gigante, conquistou-a e disse: “A morte é
preferível a uma vida vegetativa e ignorante; é melhor morrer no
campo de batalha que viver uma vida de fracasso.”
- Foi o Grande Buddha, que
nunca se importou com os deuses dualistas, que tem sido chamado de
ateu e materialista, foi ele que estava pronto a dar sua vida por um
pobre carneiro. Aquele Homem colocou em prática as mais altas ideias
morais que uma nação possa ter. Onde quer que exista um código
moral, é um raio da luz daquele Homem.

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