6.8.16

NADA EXISTE, SEJA! - Major Chadwick

A filosofia de Bhagavan Ramana Maharshi pode ser resumida em apenas duas palavras “Nada existe.” Tão simples e ainda assim supremamente difícil. “Nada existe”. Todo este mundo que você vê, essa louca corrida das pessoas atrás de dinheiro e de viver é apenas um pensamento sem substância. “Nada existe.”

Sri Bhagavan nos diz apenas uma outra coisa. Ele diz: “Seja. Apenas seja seu Eu real, isto é tudo.” Você diria: “Certamente, parece bom, mas quando a pessoa tenta ser, não parece tão fácil. Ele tem algum método?”

Método! Bem, o que você quer dizer com método? Sentar-se no chão e concentrar-se num chakra? Ou respirar por narinas alternadas? Ou repetir algum mantra milhares de vezes? Não, ele não tem nenhum método. Todas essas coisas são boas, sem dúvida, e ajudam a preparar a pessoa, mas Sri Bhagavan não as ensina.

Então o que devo fazer?” Você deve apenas SER, ele diz. E para ser, você deve conhecer o “Eu que é”. Para conhecer o “Eu que é”, apenas siga perguntando “Quem sou eu?”. Não fixe a atenção em nada a não ser no “Eu”, recuse todo o resto. E quando você finalmente encontrar o “Eu”, SEJA. Toda conversa são apenas palavras vazias.

Nada existe” e a coisa acaba aí. Nenhum método, nada para renunciar, nada para encontrar. Nada existe absolutamente, exceto o “Eu”. Para que se preocupar com outras coisas? Apenas SEJA, agora e sempre, como você foi, como você é, e como sempre será.

Nada existe”. Você pode perguntar: “Quem quer esse estado puramente negativo?” A isto posso apenas responder: “É apenas uma questão de gosto”. Quando Bhagavan diz: “Nada existe”, é óbvio que ele se refere a nossa presente existência egoísta, que para nós é tudo. Mas esse estado onde nada existe deve obviamente ser um estado que é algo. Esse estado é Auto-Realização. Não apenas ele é algo, mas é TUDO, e ser tudo então deve ser PERFEITO.


Um jornalista australiano veio ao Ashram e durante sua visita me viu em meu quarto. É óbvio que aquilo foi um tremendo problema para ele. Por que um europeu deveria se isolar num lugar como esse estava além de sua compreensão (Chadwick morava no ashram).

Ele fez muitas perguntas, mas nenhuma de minhas respostas o satisfez. E como poderiam? Especialmente porque ele não tinha a menor idéia do que era um ashram, ou o que as pessoas estavam fazendo aqui. Eu nem mesmo escrevia, então o que diabos eu fazia? Finalmente ele não pôde mais se conter e perguntou o que eu estava fazendo aqui.

Se eu tivesse tentado lhe dizer a verdade, ele nunca teria entendido, então eu apenas lhe disse que aqui encontrei paz mental. Eu sabia que era uma resposta inadequada, mas esperava que evitaria outras perguntas.

Ele olhou para mim sério por alguns minutos e então disse com pena: “Oh entendo, eu nunca tive esse tipo de problema!” Tudo que eu tinha feito foi confirmar sua convicção de que eu era louco! E não havia razão para ele acreditar nisso? Aqui tenho passado metade de uma vida procurando algo que já possuo.

Apenas SEJA”. Parece tão fácil. Bem, Sri Bhagavan diz que é a coisa mais fácil que existe. Realmente não sei. Suponho que tudo depende de quanto lixo existe no interior da mente. De qualquer modo somos todos diferentes e talvez alguns de nós tenhamos mais dificuldades no início.

O certo é que o lixo deve sair e esse processo é cheio de surpresas. Todo tipo de vícios escondidos e tendências más começam a agitar suas cabeças, coisas que a pessoa nunca suspeitou que existissem. Bhagavan diz que tudo isso deve sair. Deixe sair, sem tentar controlar. Não ceda a eles.

Você diz: “Se nada existe, para que escrever?” Sim, para que? A coisa toda pode ser resumida em três palavras: “Nada existe, SEJA!” Quando a pessoa entende essas três palavras, ela entende tudo, incluindo o próprio Bhagavan. Então nada mais há a se dizer.


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