A
filosofia de Bhagavan Ramana Maharshi pode ser resumida em apenas duas palavras
“Nada existe.” Tão
simples e ainda assim supremamente difícil. “Nada existe”. Todo
este mundo que você vê, essa louca corrida das pessoas atrás de
dinheiro e de viver é apenas um pensamento sem substância. “Nada
existe.”
Sri
Bhagavan nos diz apenas uma outra coisa. Ele
diz: “Seja. Apenas seja seu Eu real, isto é tudo.” Você
diria: “Certamente, parece bom, mas quando a pessoa tenta ser, não
parece tão fácil. Ele tem algum método?”
Método!
Bem, o que você quer dizer com método? Sentar-se
no chão e concentrar-se num chakra? Ou
respirar por narinas alternadas? Ou
repetir algum mantra milhares de vezes? Não, ele não tem nenhum
método. Todas essas coisas são boas, sem dúvida, e ajudam a
preparar a pessoa, mas Sri Bhagavan não as ensina.
“Então
o que devo fazer?” Você deve apenas SER, ele diz. E para ser, você
deve conhecer o “Eu que é”. Para conhecer o “Eu que é”,
apenas siga perguntando “Quem sou eu?”. Não fixe a atenção em
nada a não ser no “Eu”, recuse todo o resto. E quando você
finalmente encontrar o “Eu”, SEJA. Toda conversa são apenas
palavras vazias.
“Nada
existe” e a coisa acaba aí. Nenhum método, nada para renunciar,
nada para encontrar. Nada
existe absolutamente, exceto o “Eu”. Para que se preocupar com
outras coisas? Apenas
SEJA, agora e sempre, como você foi, como você é, e como sempre
será.
“Nada
existe”. Você
pode perguntar: “Quem quer esse estado puramente negativo?” A
isto posso apenas responder: “É apenas uma questão de gosto”.
Quando Bhagavan diz: “Nada existe”, é óbvio que ele se refere a
nossa presente existência egoísta, que para nós é tudo. Mas
esse estado onde nada existe deve obviamente ser um estado que é
algo. Esse
estado é Auto-Realização. Não apenas ele é algo, mas é TUDO, e
ser tudo então deve ser PERFEITO.
Um
jornalista australiano veio ao Ashram e durante sua visita me viu em
meu quarto. É óbvio que aquilo foi um tremendo problema para ele.
Por que um europeu deveria se isolar num lugar como esse estava além
de sua compreensão (Chadwick morava no ashram).
Ele fez
muitas perguntas, mas nenhuma de minhas respostas o satisfez. E como
poderiam? Especialmente porque ele não tinha a menor idéia do que
era um ashram, ou o que as pessoas estavam fazendo aqui. Eu nem mesmo
escrevia, então o que diabos eu fazia? Finalmente ele não pôde
mais se conter e perguntou o que eu estava fazendo aqui.
Se eu
tivesse tentado lhe dizer a verdade, ele nunca teria entendido, então
eu apenas lhe disse que aqui encontrei paz mental. Eu sabia que era
uma resposta inadequada, mas esperava que evitaria outras perguntas.
Ele
olhou para mim sério por alguns minutos e então disse com pena: “Oh
entendo, eu nunca tive esse tipo de problema!” Tudo que eu tinha
feito foi confirmar sua convicção de que eu era louco! E não havia
razão para ele acreditar nisso? Aqui tenho passado metade de uma
vida procurando algo que já possuo.
“Apenas
SEJA”. Parece tão fácil. Bem, Sri Bhagavan diz que é a coisa
mais fácil que existe. Realmente não sei. Suponho que tudo depende
de quanto lixo existe no interior da mente. De
qualquer modo somos todos diferentes e talvez alguns de nós tenhamos
mais dificuldades no início.
O certo
é que o lixo deve sair e esse processo é cheio de surpresas. Todo
tipo de vícios escondidos e tendências más começam a agitar suas
cabeças, coisas que a pessoa nunca suspeitou que existissem.
Bhagavan diz que tudo isso deve sair. Deixe
sair, sem tentar controlar. Não ceda a eles.
Você
diz: “Se nada existe, para que escrever?” Sim, para que? A coisa
toda pode ser resumida em três palavras: “Nada existe, SEJA!”
Quando
a pessoa entende essas três palavras, ela entende tudo, incluindo o
próprio Bhagavan. Então
nada mais há a se dizer.

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