16.1.17

PARA DESENVOLVER A CONCENTRAÇÃO MENTAL - Swami Sivananda

As pessoas comuns perdem seu equilíbrio até mesmo por coisas insignificantes. Elas ficam irritadas e perdem seu autocontrole rapidamente. Energia é desperdiçada quando a pessoa perde o autocontrole. Aqueles que querem desenvolver uma mente equilibrada devem desenvolver a discriminação e praticar o celibato e a concentração. Quem desperdiça seu sêmen fica irritado muito frequentemente.

O controle e a concentração mental são muito difíceis de conseguir. O yogue Thayumanavar em inimitável poema “Tejomayanandam” escreveu belos versos sobre a dificuldade de controlar a mente:

Você pode controlar um elefante louco
Pode fechar a boca do urso e do tigre
Pode montar o leão
Pode brincar com a cobra
Pode aumentar seu tempo de vida através da alquimia
Pode viajar incógnito pelo universo
Pode fazer vassalos dos deuses
Pode ser sempre jovem
Pode caminhar sobre a água
Pode caminhar sobre o fogo
Pode conseguir todos os poderes, sentado em seu lar
Mas obter a quietude pelo controle da mente é raro e difícil”.


O controle dos sentidos não é trabalho de um dia. Demanda paciência e práticas espirituais por longo tempo. Controlar os sentidos é controlar a mente. As pessoas mundanas são escravas de seus sentidos, embora sejam educadas, possuam imensa riqueza e tenham poder executivo.

As pessoas estão imersas na materialidade. Correm loucamente atrás de dinheiro e sexo. Não têm tempo de pensar em Deus e em coisas espirituais. O sol amanhece e a mente corre novamente em seus velhos sulcos do comer, beber, divertir-se e dormir. O dia passa. Desse modo a vida toda passa. Não há nem desenvolvimento moral nem progresso espiritual.

A prática do auto-aperfeiçoamento demanda paciência, tenacidade, vontade de ferro, intelecto sutil e coragem. Mas a recompensa é imensa. É a Imortalidade, a Paz Suprema e a Bem-Aventurança Infinita!



15.1.17

O CORPO ASTRAL E OS VÍCIOS - Ramatis

É conveniente abandonar o vício antes da desencarnação, pois o vício terreno é assunto individual, cuja solução requer a decisão interior do próprio espírito e não depende da mudança de um para outro plano da vida.

Há equívoco por parte de muitos reencarnacionistas, em julgarem que as sensações da matéria, tais como a fome, a sede, o desejo de ingerir bebidas alcoólicas ou de fumar, desaparecem com o corpo físico, na terra.

Doutrinadores há que insistem junto às entidades infelizes e viciadas, que se comunicam em seus trabalhos mediúnicos, para que deixem de pensar no fumo, no álcool, na sede ou na fome, porque tudo isso é apenas ilusão trazida da vida carnal já extinta.

Ignoram essas pessoas que o “desejo” reside no corpo astral e não no corpo carnal, motivo pelo qual os infelizes que partem da Terra ainda escravizados às paixões perniciosas e aos vícios perigosos, embora deixem de pensar nos mesmos, são perseguidos pelo desejo vicioso e violento, porque partiram para o Espaço sobrecarregados de resíduos tóxicos, que lhes acicatam acerbamente o corpo astral. Só depois de os drenarem para fora de sua indumentária perispiritual, é que se poderão livrar dos desejos desregrados.

Na verdade, os vícios terrenos não devem ser encarados como “pecados” ofensivos a Deus, mas apenas como grandes obstáculos e empecilhos terríveis que, em seguida à desencarnação, se transformam em uma barreira indesejável mantendo o espírito desencarnado sob o comando das sensações inferiores.



Quando combatemos o uso do álcool, do fumo, a ingestão da carne e outros costumes que causam embaraços à alma em sua vida perispiritual, não o fazemos na condição de novos missionários ou profetas que excomungam pecados e pecadores. Agimos mais por espírito de solidariedade fraterna, compungidos ante a visão dos quadros dolorosos que todos os dias presenciamos no lado de cá, vividos por aqueles que partem da Terra profundamente viciados ao fumo, ao álcool, à carne e outras práticas prejudiciais.

Na verdade, o viciado que não tenta vencer o seu vício, quando encarnado, arrisca-se a revivê-lo ainda mais intensamente quando desencarnado.

Visto que o objetivo fundamental da evolução do espírito é a libertação de todas as paixões, mazelas e desejos próprios dos mundos físicos, deve a alma exercitar-se para a sua mais breve alforria espiritual e desligação definitiva dos vícios que podem prendê-la cada vez mais aos ciclos tristes das encarnações retificadoras.

Na raiz de quase todos os males, como a tuberculose, o câncer, a imbecilidade, as taras hereditárias, as cirroses, a epilepsia, as neuroses, as lesões orgânicas, a sífilis, os crimes tenebrosos, a miséria humana e os delírios alucinatórios, encontra-se o famigerado dedo do álcool a apontar o trabalho que realizou!

Aos espíritos de alcoólatras incapazes de processarem no Além a sua renovação íntima ou se libertarem dos terríveis efeitos do álcool, só resta a sorte de futura reencarnação expiatória. Por isso eles costumam renascer mais tarde, no vosso orbe, em situação constrangedora e vivendo os quadros tenebrosos da epilepsia, da alienação mental, da imbecilidade ou da esquizofrenia, estados paranóicos e portadores de taras estranhas, submetidos a tremendas confusões mentais e psíquicas.

NISARGADATTA MAHARAJ E MAURICE FRYDMAN - David Godman

Nisargadatta Maharaj, o grande jnani de Mumbai, disse um dia que quando era casado, sua esposa o fazia passar por maus bocados, estava sempre lhe dizendo o que fazer. "Maharaj faça isto, Maharaj vá ao mercado e compre aquilo." Ela não o chamava de Maharaj, é lógico, mas não me lembro como ela o chamava.

Sua esposa morreu quando Maharaj estava na casa dos 40 anos. É comum que homens com essa idade procurem casar-se de novo, então todos os parentes de Maharaj quiseram que ele encontrasse outra esposa. Ele recusou, dizendo, "No dia que ela morreu, casei-me com a liberdade". 
 
Maharaj era agressivo às vezes, mas acho que isso era parte de seu método de ensinar. Algumas pessoas precisam ser chacoalhadas um pouco, e gritar com elas é um modo de fazê-lo. Lembro-me de uma mulher que lhe perguntou inocentemente, 'Pensei que pessoas iluminadas fossem felizes e cheias de bem-aventurança. Você parece mal humorado o tempo todo. Seu estado não lhe dá paz e felicidade eternas?' 
 
Ele replicou, 'A única vez que um jnani realmente se regozija é quando outra pessoa se torna um jnani'.

Uma vez perguntei-lhe diretamente, 'Quantas pessoas se tornaram iluminadas através de seus ensinamentos?' Ele não pareceu gostar da pergunta: 'O que isso lhe interessa?' ele respondeu. 'Como isso vai ajudá-lo espiritualmente?'

Entretanto, esperei outra oportunidade para fazer a mesma pergunta novamente. Certa manhã, Maharaj parecia estar mais frustrado do que de costume sobre nossa incapacidade de entender o que ele falava. 'Por que perco meu tempo com vocês?' ele exclamou. 'Por que ninguém nunca entende o que digo?' Então eu disse: 'Em todos esses anos que você tem ensinado, quantas pessoas realmente entenderam seus ensinamentos?' 
 
Ele ficou quieto por um momento, e então disse, 'Uma. Maurice Frydman.' Ele não disse mais nada e nem eu perguntei. Maharaj tinha um grande respeito por Maurice, a quem considerava um jnani. 
 
Encontrei muitas pessoas que conheceram Maurice, e todas elas tinham histórias extraordinárias para contar sobre ele. Ele visitou Swami Ramdas na década de 1930 e Ramdas aparentemente lhe disse que esse seria sua última reencarnação. Maurice, em vários estágios de sua vida, foi um seguidor de Ramana Maharshi, Gandhi e J. Krishnamurti. Foi Frydman que convenceu o então Primeiro Ministro da Índia Nehru para que permitisse que o Dalai Lama e os outros exilados tibetanos permanecessem na Índia quando fugiram do Tibet. 
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VICHARA COMO MANTRA - Ramana Maharshi

Esta tarde (10 de agosto de 1946), um visitante perguntou a Sri Ramana Maharshi:
- Não há dúvida de que o método ensinado por Bhagavan é direto. Mas é tão difícil. Não sabemos como começá-lo. Se seguimos perguntando “Quem sou eu?”, “Quem sou eu?” como japa, com “Quem sou eu?” como mantra, ele se torna enfadonho. Em outros métodos, há algo preliminar e positivo com o qual se pode começar e então ir passo a passo. Mas no método de Bhagavan não há tal coisa, e buscar o Eu já de início, embora seja direto, é difícil.

Bhagavan: Você mesmo admite que é o método direto. É o método direto e fácil. Se ir atrás de outras coisas, estranhas a nós, é tão fácil, como pode ser difícil ir atrás do próprio Eu? Você fala em “onde começar”. Não há começo nem fim. Você mesmo é o começo e o fim. Se você estivesse aqui e o Eu em algum outro lugar, e você tivesse que alcançar esse Eu, poderia ser dito a você como começar, como prosseguir e como alcançá-lo. Suponha que você, que agora está em Ramanasramam, pergunte: “Como ir a Ramanasramam? Como devo começar e como chegar lá?”, nesse caso o que se poderia dizer a você? A busca de um homem pelo Eu é assim também. Ele é sempre o Eu e nada mais. 




No método direto, ao perguntar “Quem sou eu?” você deve se concentrar em seu interior onde o pensamento do eu surge. Como o Eu não está fora, mas sim dentro, você deve mergulhar dentro, ao invés de procurar fora, e o que pode ser mais fácil que ir em direção a si mesmo? Mas permanece o fato de que para alguns este método parecerá difícil e não terá atração. É por isso que tantos métodos são ensinados. Cada método terá atração maior para certas pessoas, parecendo o melhor e mais fácil. Tudo é de acordo com a maturidade espiritual de cada um. Mas para alguns apenas o caminho da vichara terá atração. Estes perguntarão, “Você quer que eu saiba ou veja isso ou aquilo, mas quem é o conhecedor ou quem vê?” 

Você reclama de que não há nada preliminar ou positivo para começar. Você tem o “eu” para começar. Você sabe que existe sempre, quer o corpo exista ou não. O sono profundo revela que você existe mesmo sem um corpo. Identificamos o “eu” com um corpo, como tendo limites, e daí vem todo o problema. Tudo que devemos fazer é parar de nos identificarmos com o corpo, com formas e limites, e então nos conheceremos como o Eu que sempre somos.

Visitante: Em outros sistemas de sádhana (práticas espirituais) o guru revela alguma técnica secreta de meditação ao discípulo no momento da iniciação. Devo acreditar que nada mais há na vichara, do que aquilo que está escrito nos livros?

Bhagavan: Nada mais há para ser conhecido, que não seja o que se encontra nos livros. Nenhuma técnica secreta. É tudo um segredo aberto neste sistema.

Visitante: Se, mesmo após a realização de Deus, a pessoa tem que dar atenção às necessidades físicas como fome, sono, descanso, calor e frio, para que serve a auto-realização?


Bhagavan: Qual é o estado mental após a auto-realização? Por que você deve se preocupar com isso agora? Obtenha a auto-realização, e então veja o que acontece.


14.1.17

O MONGE ZEN QUE ENCONTROU A SI MESMO – Robert Adams


Havia certa vez um monge zen budista que importunava seu mestre todo dia com perguntas como, "Qual é a verdade última? Quando vou estar iluminado? Qual prática espiritual devo usar? Quando me tornar iluminado ainda serei um monge? Ainda vou querer ver minha família?"

Um dia o mestre disse ao monge, "Vou mandar você para um grande sábio. Ela lhe mostrará a realidade última." O mestre fez um mapa de onde a mulher morava. Levou seis meses para o monge chegar lá. Ele teve de atravessar a nado um grande rio onde quase se afogou. Teve de passar uma ponte muito alta no ar. Teve de subir uma montanha muito alta. Teve de atravessar um deserto.

Finalmente ele chegou à casa. Bateu à porta e uma velha descabelada apareceu. Ela cheirava como se não tomasse banho há dez anos. Era totalmente ignorante. Era surda de um ouvido. Não podia ver muito bem, não podia caminhar direito.

O monge estava para ir embora, quando ela o pegou pelo braço e o puxou para dentro. E deu-lhe uma vassoura e lhe disse para esfregar e varrer, limpar a casa. Quando ele terminou, ela o mandou lavar as janelas e pintar a casa e arar o campo e ordenhar a vaca.

Três meses se passaram e ele se perguntava o que estava fazendo ali. Mas continuou ali porque buscava alguma sabedoria daquela velha. Seu mestre lhe havia dito que ela lhe daria a verdade última.

Um dia ela o puxou para dentro da casa e o mandou sentar-se num canto. Daquele dia em diante ele não fez mais nenhum trabalho. Apenas sentou-se no canto observando a velha em sua rotina, lavando pratos, varrendo a casa.

Mais dois meses se passaram. Ele analisava tudo, o que significava tudo aquilo? Quem era aquela senhora? Qual é a verdade última? Até chegar num estágio em que não mais se importava com aquilo; apenas sentou-se em silêncio total e foi cada vez mais fundo dentro de si mesmo.

Finalmente alguma coisa clareou dentro dele, ele se tornou autorrealizado e começou a rir histericamente. Foi até a velha e a beijou e partiu para não mais voltar. E ninguém mais ouviu falar dele novamente.

Qual foi a verdade última que ele encontrou? Ele descobriu que não existe verdade última. Nunca houve uma verdade última. Não há realização, não há ignorância, não há universo, não há mundo, não há nada. Tudo apenas é. Essa foi sua descoberta. Tudo é. Não istou ou aquilo ou alguma outra coisa. Tudo apenas é. Simplesmente da maneira que é. Simplesmente da maneira que é.

Você não tem que fazer algo a respeito de nada. Não tem de mudar nada, ou consertar nada, ou melhorar nada. Tudo apenas é. Se você pudesse ao menos entender esta grande verdade, você se tornaria o ser mais feliz da Terra. Pois quando você descobre que tudo apenas é, você está vivendo espontaneamente. Não existe passado, não existe futuro, não existe nascimento, não existe morte. Todas as coisas são simplesmente do jeito que são.

Olhe para sua vida. Quantas coisas você tenta mudar, ou consertar, ou remediar. Olhe as coisas que está buscando. Tentando se tornar algo. Tentando ser alguém. Tentando conseguir um objetivo. Quando você faz tudo isso, então não está vivendo de acordo com o princípio de “tudo apenas é”. Se tudo apenas é, o que há para você fazer?

Você não veio para esta Terra para fazer nada. Você nem mesmo veio para esta Terra. Mas parece como se tivesse vindo. Você parece real. Parece que você é alguém. E você foi treinado para buscar algo neste mundo, para tornar-se algo grande, para ser alguém.

E é isso o que causa sofrimento. A crença de que você tem de ser alguém que você não é. A crença de que tem de fazer algo que não tem de fazer. Olhe para sua vida, para os assim chamados problemas que você acredita ter. Algo apenas se torna um problema quando você quer mudar algo ou quer que algo seja da sua maneira. Então aquilo se torna um problema, porque não está indo da maneira que você acha que deveria ir.

Mas na verdade nada tem de ser de nenhuma maneira. Tudo é perfeito simplesmente da maneira que é. Tudo é perfeição total. Você pode dizer, "Lógico, Robert. Olhe a crueldade do homem para com o homem. Olhe para as guerras e as horríveis condições deste mundo."

Você está observando o movimento do tempo, que na verdade nem mesmo existe. Quando você observa o movimento do tempo, as coisas estão acontecendo. No movimento do tempo, as coisas parecem estar acontecendo.

Mas se você fosse espontâneo e deixasse tudo em paz e percebesse que tudo simplesmente é, estaria entre os movimentos do tempo e do espaço. Seria capaz de ser através da miragem. E seria capaz de ver a calmaria, a unidade, a paz.

Mas você vê as situações como elas parecem ser. Você olha para uma pessoa, lugar e coisa e acredita que esse é o jeito que deve ser. Movimento, tempo, espaço, essas coisas não são para você. Você é a realidade última, você é a pura consciência sem esforço. Você é sat-chit-ananda.

O mundo não é para você. O mundo é para o sonhador, para aquele que sonha o sonho mortal, que leva tudo a sério, que sente o mundo como se ele fosse real. Essas pessoas acreditam que as coisas estão erradas, de acordo com o que pensam.

Portanto o primeiro passo para consertar tudo isso é aquietar a mente. Torne a mente quieta. Acalme a mente. Você acalma a mente não reagindo. Observando, olhando, vendo mas não reagindo. Senta-se em silêncio observando sua mente que pensa. Observando seus pensamentos. Observando seus sentimentos. E você os deixa em paz. Não tenta mais mudar nada. Para de seguir velhos padrões.

Pouco a pouco os pensamentos começam a sumir. Eles param. Não há mais pensamentos. Você não é mais o pensador. Você não é mais um corpo. Você sente felicidade. Infinita felicidade. Sente alegria, amor.

Você tem dentro de si tudo que precisa para tornar-se liberado. Tudo que tem a fazer é abandonar o que não é realidade. E o que não é realidade é tudo que os sentidos lhe dizem que é realidade. Não há nada neste mundo que mereça ser buscado.

Se você pratica estas coisas, não faz diferença onde você está, se numa cidade ou mercado, ou no topo de uma montanha. Não faz nenhuma diferença. Não estou dizendo que deve deixar seu emprego, ou sua família, ou ir para longe. Fique exatamente onde está. Seja você mesmo! Observe como você reage às coisas. Observe seus pensamentos. Tente observar o “eu” surgindo no momento em que desperta de manhã.

Pergunte: “De onde surgiu o eu? De onde vem o eu?" Isso o levará de volta, o eu começará a voltar a sua fonte, que é o Ser. E você despertará. E encontrará a paz. Não mais vai fazer diferença que tipo de trabalho você faz ou que tipo de trabalho você não faz. Coisas como “odiar seu emprego” vão desaparecer. Você fará o que tem a fazer. E tudo acontecerá espontaneamente.
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12.1.17

MEDITAÇÃO FÁCIL – Swami Sivananda


Na meditação não force os olhos. Não force o cérebro. Não lute com a mente. Relaxe. Gentilmente permita que os pensamentos divinos fluam. Faça apenas meditação leve. Use bom-senso em seu sádhana.

Ao meditar, estenda as pernas totalmente e encoste numa parede ou num travesseiro. Mantenha a espinha ereta. Esta é a ásana mais confortável. Ou junte duas cadeiras. Sente numa cadeira e estenda as pernas na outra.

Mudanças consideráveis acontecem na mente, cérebro e sistema nervoso com a prática da meditação. Novas correntes nervosas, novas vibrações, novas avenidas, novos canais, novas células são formados. Toda a mente e o sistema nervoso são remodelados.

Você terá um novo coração, uma nova mente, novas sensações, novos sentimentos, nova maneira de pensar e agir e nova visão do universo.
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A CONCENTRAÇÃO É UM PROCESSO MENTAL - Swami Sivananda

A concentração é um processo puramente mental. Ela necessita que a mente se volte para dentro. Não é um exercício muscular. Não deve haver tensão indevida no cérebro. Você não deve lutar com a mente violentamente.

Sente-se numa posição confortável. Relaxe todos os músculos do corpo. Não deve haver tensão nervosa, emocional ou mental. Aquiete a mente. Silencie os pensamentos. Acalme as emoções. Não preste atenção aos pensamentos intrusos.

Sugestione à sua mente: “Não me importo se os pensamentos estão aí ou não.” Em outras palavras, seja indiferente. Os pensamentos intrusos logo abandonarão a fábrica mental. Não causarão mais problema. Este é o segredo da disciplina mental. A melhora da concentração será visível pouco a pouco.

Não se desanime. Seja regular em sua prática. Não pare a prática nem mesmo por um único dia. A imaginação ajuda a concentração. Se achar difícil concentrar-se no coração, no olho espiritual ou no alto da cabeça, pode selecionar qualquer objeto externo para isso. Pode concentrar-se no céu azul, na luz do sol, no ar onipresente, no éter, na lua, nas estrelas.

Um Raja-Yogue se concentra no olho espiritual (Ajna Chakra ou Trikuti), que é a morada da mente no estado de vigília. Você pode controlar a mente facilmente, se se concentrar nessa região. Vê-se uma luz durante a concentração nessa região rapidamente.

Um devoto deve selecionar o coração, a morada da emoção e do sentimento. Quem se concentra no coração obtém imensa felicidade. Aquele que quer conseguir algo para si deve concentrar-se no coração.

Um cientista concentra sua mente e inventa muitas coisas. Através da concentração ele abre as camadas da mente concreta e penetra profundamente nas regiões superiores da mente, obtendo conhecimento mais profundo.



À medida que a mente se desenvolve, você entra em relação consciente com as correntes mentais, com as mentes alheias próximas ou distantes, mortas ou vivas. Quem aprendeu a manipular a mente terá toda a natureza sob seu controle.

Muito esforço físico, muito falar, muito comer, misturar-se muito com mulheres e pessoas indesejáveis, caminhar muito causam distração à mente. Aqueles que praticam concentração devem abandonar essas coisas.

Qualquer trabalho que fizer, faça com perfeita concentração. Nunca deixe um trabalho sem terminá-lo. Celibato, pranayama, redução de necessidades, renúncia aos objetos, solidão, silêncio, disciplina dos sentidos, aniquilação do desejo sexual e da cobiça, controle da ira, não misturar-se com pessoas indesejáveis, abandonar o hábito de ler notícias e assistir filmes – tudo isso pavimenta o caminho para aumentar o poder de concentração.

Mesmo que a mente fuja durante a concentração, não se aborreça. Deixe-a fugir. Vagarosamente traga-a para seu objeto de concentração. No começo a mente pode fugir 50 vezes, dois anos de prática reduzirão o número para 20; mais três anos de prática contínua e persistente reduzirão o número a zero.

A mente estará completamente concentrada na Consciência Divina. Então ela não fugirá nem mesmo se você tentar trazê-la para fora. Quando você estuda um livro com profundo interesse, não ouve nem vê um homem gritando ou chamando seu nome. Não sente a doce fragrância das flores que estão na mesa a seu lado. Isso é concentração.

Após conseguir a concentração, você tem de alcançar a contenção total da mente. Nesse estado a mente se torna completamente vazia. Então o yogue destrói esse vazio identificando-se com o Atman, o Espírito do qual a mente empresta sua luz. Esses assuntos são incompreensíveis para os psicólogos ocidentais. Eles não têm nenhuma ideia do Espírito que testemunha as atividades da mente.