Esta
tarde (10 de agosto de 1946), um visitante perguntou a Sri Ramana Maharshi:
- Não
há dúvida de que o método ensinado por Bhagavan é direto. Mas
é tão difícil. Não sabemos como começá-lo. Se
seguimos perguntando “Quem sou eu?”, “Quem sou eu?” como
japa, com “Quem sou eu?” como mantra, ele se torna enfadonho. Em
outros métodos, há algo preliminar e positivo com o qual se pode
começar e então ir passo a passo. Mas no método de Bhagavan não
há tal coisa, e buscar o Eu já de início, embora seja direto, é
difícil.
Bhagavan:
Você
mesmo admite que é o método direto. É o método direto e fácil.
Se ir atrás de outras coisas, estranhas a nós, é tão fácil, como
pode ser difícil ir atrás do próprio Eu? Você
fala em “onde começar”. Não há começo nem fim. Você mesmo é
o começo e o fim. Se você estivesse aqui e o Eu em algum outro
lugar, e você tivesse que alcançar esse Eu, poderia ser dito a você
como começar, como prosseguir e como alcançá-lo. Suponha
que você, que agora está em Ramanasramam, pergunte: “Como ir a
Ramanasramam? Como devo começar e como chegar lá?”, nesse caso o
que se poderia dizer a você? A busca de um homem pelo Eu é assim
também. Ele
é sempre o Eu e nada mais.
No método direto, ao perguntar “Quem sou eu?” você deve se concentrar em seu interior onde o pensamento do eu surge. Como o Eu não está fora, mas sim dentro, você deve mergulhar dentro, ao invés de procurar fora, e o que pode ser mais fácil que ir em direção a si mesmo? Mas permanece o fato de que para alguns este método parecerá difícil e não terá atração. É por isso que tantos métodos são ensinados. Cada método terá atração maior para certas pessoas, parecendo o melhor e mais fácil. Tudo é de acordo com a maturidade espiritual de cada um. Mas para alguns apenas o caminho da vichara terá atração. Estes perguntarão, “Você quer que eu saiba ou veja isso ou aquilo, mas quem é o conhecedor ou quem vê?”
Você reclama de que não há nada preliminar ou positivo para começar. Você tem o “eu” para começar. Você sabe que existe sempre, quer o corpo exista ou não. O sono profundo revela que você existe mesmo sem um corpo. Identificamos o “eu” com um corpo, como tendo limites, e daí vem todo o problema. Tudo que devemos fazer é parar de nos identificarmos com o corpo, com formas e limites, e então nos conheceremos como o Eu que sempre somos.
Visitante:
Em outros sistemas de sádhana (práticas espirituais) o guru revela
alguma técnica secreta de meditação ao discípulo no momento da
iniciação. Devo acreditar que nada mais há na vichara, do que aquilo
que está escrito nos livros?
Bhagavan:
Nada
mais há para ser conhecido, que não seja o que se encontra nos
livros. Nenhuma técnica secreta. É
tudo um segredo aberto neste sistema.
Visitante:
Se,
mesmo após a realização de Deus, a pessoa tem que dar atenção às
necessidades físicas como fome, sono, descanso, calor e frio, para
que serve a auto-realização?
Bhagavan:
Qual
é o estado mental após a auto-realização? Por
que você deve se preocupar com isso agora? Obtenha a
auto-realização, e então veja o que acontece.

Muito bom!
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