Maharaj
raramente falava sobre sua vida, e não encorajava perguntas a
respeito. Acho que ele se via como um doutor que diagnosticava e
tratava as doenças espirituais das pessoas que vinham em busca de
seu conselho. Seu remédio era sua presença e suas poderosas
palavras.
Ele
falou certa vez sobre seu guru, Siddharameshwar, e o
efeito que este teve sobre sua vida.
Siddharameshwar
Certa
vez, Ranjit Maharaj veio visitá-lo durante a manhã. Eles
conversaram em Marathi por alguns minutos e depois Ranjit partiu.
Maharaj simplesmente disse, 'Este homem é um jnani. Ele é um
discípulo de meu guru, mas não está ensinando.' Aquela visita
poderia ter gerado várias histórias sobre seu guru ou sobre Ranjit,
mas ele não estava interessado em falar sobre eles. Ele apenas
continuou respondendo as perguntas dos visitantes.
Maharaj
era parte de uma linhagem espiritual conhecida como Navnath
Sampradaya. Ele fazia um Guru puja (ritual em homenagem ao
guru) toda manhã. Lembro-me de uma história interessante que
Maharaj contou sobre o sampradaya:
“Eu
me sento aqui todo dia respondendo a suas perguntas, mas não era
assim que os mestres de minha linhagem costumavam fazer seu trabalho.
Algumas centenas de anos atrás, não havia perguntas e respostas. A
nossa é uma linhagem de chefes de família, o que significa que cada
um tem de ganhar seu sustento. Viajar era difícil. Não havia
ônibus, trens e aviões. Nos dias antigos, o guru viajava a pé,
enquanto os discípulos ficavam em casa e cuidavam de suas famílias.
“O
guru caminhava de aldeia em aldeia para encontrar os discípulos. Se
ele encontrava alguém que achava que estava pronto para ser incluído
no sampradaya, ele o iniciava com o mantra da linhagem. Esse
era o único ensinamento dado. O discípulo deveria repetir o mantra
e periodicamente o guru ia à aldeia para ver o progresso que feito. Quando o guru sabia que ia abandonar o corpo, apontava um
dos devotos chefes de família para ser o guru, e aquele novo guru
então tomava para si o dever de ensinar: indo de aldeia em aldeia,
iniciando novos devotos e supervisionando o progresso dos antigos.”
Uma
vez o ouvi dizer, 'Meu Guru me autorizou a dar este mantra a
qualquer um que pedi-lo, mas não acho que seja importante. É mais
importante achar a fonte de seu ser.' Mesmo assim, algumas pessoas pediam.
Ele então as levava em particular e sussurrava o mantra no ouvido do
devoto ou devota. O mantra era em sânscrito e bem logo, mas você
teria apenas uma chance de lembrá-lo. Ele não o escrevia. Se você
não lembrasse depois daquele sussurro, nunca teria outra chance.
Maharaj
Nenhum comentário:
Postar um comentário