21.1.17

NISARGADATTA MAHARAJ, UM MESTRE DA ADVAITA - David Godman

Maharaj raramente falava sobre sua vida, e não encorajava perguntas a respeito. Acho que ele se via como um doutor que diagnosticava e tratava as doenças espirituais das pessoas que vinham em busca de seu conselho. Seu remédio era sua presença e suas poderosas palavras.

Ele falou certa vez sobre seu guru, Siddharameshwar, e o efeito que este teve sobre sua vida.
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Siddharameshwar

Certa vez, Ranjit Maharaj veio visitá-lo durante a manhã. Eles conversaram em Marathi por alguns minutos e depois Ranjit partiu. Maharaj simplesmente disse, 'Este homem é um jnani. Ele é um discípulo de meu guru, mas não está ensinando.' Aquela visita poderia ter gerado várias histórias sobre seu guru ou sobre Ranjit, mas ele não estava interessado em falar sobre eles. Ele apenas continuou respondendo as perguntas dos visitantes. 

Maharaj era parte de uma linhagem espiritual conhecida como Navnath Sampradaya. Ele fazia um Guru puja (ritual em homenagem ao guru) toda manhã. Lembro-me de uma história interessante que Maharaj contou sobre o sampradaya
 
Eu me sento aqui todo dia respondendo a suas perguntas, mas não era assim que os mestres de minha linhagem costumavam fazer seu trabalho. Algumas centenas de anos atrás, não havia perguntas e respostas. A nossa é uma linhagem de chefes de família, o que significa que cada um tem de ganhar seu sustento. Viajar era difícil. Não havia ônibus, trens e aviões. Nos dias antigos, o guru viajava a pé, enquanto os discípulos ficavam em casa e cuidavam de suas famílias.

O guru caminhava de aldeia em aldeia para encontrar os discípulos. Se ele encontrava alguém que achava que estava pronto para ser incluído no sampradaya, ele o iniciava com o mantra da linhagem. Esse era o único ensinamento dado. O discípulo deveria repetir o mantra e periodicamente o guru ia à aldeia para ver o progresso que feito. Quando o guru sabia que ia abandonar o corpo, apontava um dos devotos chefes de família para ser o guru, e aquele novo guru então tomava para si o dever de ensinar: indo de aldeia em aldeia, iniciando novos devotos e supervisionando o progresso dos antigos.”

Uma vez o ouvi dizer, 'Meu Guru me autorizou a dar este mantra a qualquer um que pedi-lo, mas não acho que seja importante. É mais importante achar a fonte de seu ser.' Mesmo assim, algumas pessoas pediam. Ele então as levava em particular e sussurrava o mantra no ouvido do devoto ou devota. O mantra era em sânscrito e bem logo, mas você teria apenas uma chance de lembrá-lo. Ele não o escrevia. Se você não lembrasse depois daquele sussurro, nunca teria outra chance.

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