28.1.17

A HISTÓRIA DO YOGACHARYA OLIVER BLACK - Lorne Dekun

JOHN OLIVER BLACK nasceu no dia 01 de setembro de 1893, numa pequena cidade do estado de Ohio, Estados Unidos. Quando o encontrei, ele dirigia um centro de yoga e meditação em Detroit. Após praticar yoga e meditação por quase 60 anos, morreu com a idade de 96 anos.
Esteve completamente lúcido e bem disposto até o fim da vida. No momento de sua morte, estava em posição de lotus meditando, e seu corpo gentilmente tombou para trás, com as pernas ainda cruzadas na posição de meditação. Mais tarde um médico declarou que ele morreu de um ataque do coração.
O sr. Black era considerado um dos mais avançados discípulos diretos de Yogananda, o qual confidenciou certa vez a um amigo que, de todos os milhares de estudantes seus ao redor do mundo, considerava Oliver Black como seu segundo mais avançado discípulo. O sr. James J. Lynn, de Kansas City, foi mencionado como o primeiro em adiantamento espiritual.
Em maio de 1951 seu guru lhe escreveu: "Eu gostaria que você estabelecesse em Detroit uma filial da Self-Realization Fellowship (organização criada por Paramahansa Yogananda). Os verdadeiros buscadores virão, e nós ajudaremos a construir um novo mundo, embora seu crescimento seja lento”.




Certa vez, o sr. Black, que era dono de considerável fortuna, disse: "Yogananda continuava me dizendo para deixar os negócios, mas eu não o ouvia, até que tive um grande prejuízo e resolvi deixar tudo.” E ao dizer isso riu sentindo-se grato por seu guru ter-lhe mostrado o caminho verdadeiro.
Black fez sua fortuna na indústria automobilística na década de 1920. "É lógico," ele admitia, " que foi meu guru Paramahansa Yogananda que me ajudou a deixar tudo, que me endireitou. Quando o encontrei em minha juventude, tinha receio de ficar distante de uma farmácia. Eu era um hipocondríaco regular. Tomava pílulas como laxativos, aspirinas para dor de cabeça e provavelmente teria tomado tranquilizantes se existissem. Naquele tempo o negócio automobilístico era muito rentável, e sem perceber eu estava cavando minha própria sepultura. Eu tinha mais ou menos 40 anos quando encontrei Yogananda numa reunião privada. Instantaneamente o reconheci como o gigante espiritual que era."
"Ele mudou a direção de toda minha vida. Eu já tinha estudado Hatha Yoga com um mestre indiano que veio para os Estados Unidos. Tinha ouvido todos os sábios do Oriente que passaram por Detroit, e eles diziam a mesma coisa: 'Busque no interior; aprenda a meditar.' Mas nunca me disseram como. Yogananda me ensinou que coisas importantes não são conseguidas da noite para o dia. Disse-me que cada um tem de fazer seu trabalho, nenhum pregador ou sacerdote ou erudito pode fazê-lo por você. Yoga não é religião. É uma ciência, e esta é a idade da ciência.”
O sr. Black descreve um de seus encontros com Yogananda: “Fiquei magnetizado com sua face luminosa, sua risada contagiante, seu amor e amizade divinos. Quando ouvi sua palestra e ele desceu do palco, vi-o de repente transformar-se em deslumbrante luz; ao mesmo tempo uma estranha força me pressionava para cair a seus pés. Antes que eu o fizesse, vi que ele voltava a sua aparência normal. Mas quando despertei de meu choque, percebi que tinha recebido uma mensagem: de que ele era uma alma pura aos olhos de Deus e que faltou-me humildade e respeito. 
Mais tarde, ele me fez entender que me conhecia melhor que eu mesmo: minhas fraquezas e minhas forças. Tudo a meu respeito lhe era conhecido; não havia segredos. Não havia onde me esconder, e logo descobri que não havia como enganá-lo, ele conhecia até meus pensamentos.
Um dia, enquanto estávamos sentados ao seu redor, comecei a pensar: quem era ele? Senti que ele parecia ser onisciente, onipotente, onipresente. Vi que respondia as perguntas das pessoas com grande sabedoria. Coisas milagrosas aconteciam a seu redor. Então eu pensava comigo que ele devia ser Deus, pois parecia ter o poder de Deus. Nesse momento, notei seus olhos penetrantes fixos em mim. Então ele parou a conversa que estava tendo com as outras pessoas e disse: " Bem, vou-lhes dizer uma coisa. Deus não é um homem."
Estar perto dele era experimentar iluminação e inspiração spiritual. Ele irradiava paz, amor divino e força espiritual.
Certo dia eu trouxe minha mãe para conhecê-lo. No caminho ela me perguntou, "O que há de errado com Cristo?" Ela achava errado idolatrar Yogananda como eu fazia. No final da palestra, quando nos juntamos a seu redor, minha mãe quis ficar atrás, pois ela sentia que o Mestre conhecia seus pensamentos. Mas ele não a deixou escapar. Ele disse, "Vem, Mãe, sente-se aqui." E puxou uma cadeira para ela a seu lado. Em pouco tempo ela também estava magnetizada por seu amor, como o resto de nós.
Num outro dia, eu trouxe uma amiga que era católica convicta. Ela tinha decidido em sua mente que, se aquele era um homem de Deus, ela sentiria grande bênção apenas por estar em sua presença. Após a palestra terminar, juntamo-nos em volta de Yogananda, e lá estava ela. Ela não tinha sentido a bênção e não sabia o que pensar. De repente, enquanto estávamos ali, ela a sentiu. Mais tarde ela descreveu a bênção como "um grande e abrangente sentimento de bênção desceu sobre mim." O Mestre encostou a mão em seu braço e perguntou "Como foi?". Ela nunca esqueceu esse grande momento espiritual e até hoje acredita e sabe que ele era, de fato, um homem de Deus.”
A primeira vez que encontrei o Sr. Black foi em setembro de 1967. No mesmo instante senti uma aura de paz, alegria e claridade nele. E aquela alegria parecia alcançar e elevar todos à sua volta, especialmente eu. A partir daquele momento, passei todos os momentos que pude perto dele.
A meditação era o centro dos ensinamentos do sr. Black – ensinamentos que ele sublinhava com seu exemplo. Eu sempre chegava cedo nos encontros de domingo para poder sentar à frente dele e modelar minha postura de meditação de acordo com a dele: espinha ereta, pés cruzados no chão, o queixo paralelo ao chão, palmas para cima descansando sobre as pernas, olhos fechados com o olhar interior levemente levantado, fixo no olho espiritual.
Quando estava com ele, e com outros praticantes de meditação, eu me sentia mais feliz e confiante do que jamais me sentira antes. Após um ano de prática regular, estudo e participação, pude finalmente participar de uma cerimônia de iniciação em Kriya Yoga. A iniciação em Kriya aconteceu em junho de 1968, e considero esta data uma das mais importantes em minha vida.
Certo dia, recebi uma carta do exército convocando-me para servir na guerra do Vietnã. Tinha ouvido falar das milhares de mortes que aconteciam naquela guerra, e além disso não pretendia me separar de minha família espiritual e do sr. Black. Então, num dia em que estava sentado na varanda da casa de meus pais, quem vejo chegando senão o próprio Yogacharya Oliver Black!
Foi uma grande surpresa. Entretanto ali estava ele. Ele fez um gesto para que eu me aproximasse, e eu o fiz. O sr. Black abaixou a janela do carro e falou umas poucas palavras. Tudo que disse foi, “É seu dever, você precisa ir.” Deu-me um olhar penetrante para certificar-se de que eu tinha entendido a mensagem, e então fechou a janela e foi embora. Meu mestre espiritual estava me dizendo que minha convocação não era um erro, era a vontade de Deus, quer eu gostasse ou não.
Anos mais tarde descobri que o único filho do sr. Black tinha morrido como piloto na Segunda Guerra Mundial. De modo que ele estava bem consciente da seriedade do conselho que me deu.
Pela graça de Deus sobrevivi ao Vietnã e voltei aos Estados Unidos. Em 1989 recebi um telefonema que dizia: “Yogacharya Oliver Black deixou o corpo a noite passada.” Naquela noite tive um sonho vívido, no qual o sr. Black me olhava com um sorriso divino nos lábios e dizia, “Venha para cá e ajude a construir a obra do Mestre Yogananda!”
Com a idade de 50 anos e com o final do século XX  se aproximando, deixei meu emprego, empacotei minhas coisas e parti para Michigan em maio de 1999. Vim com um único objetivo: partilhar os ensinamentos dinâmicos de yoga e meditação  que me foram dados pelo grande Yogacharya Sr. Black. E assim a obra continua. 


 

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