Nisargadatta Maharaj parecia gostar de J. Krishnamurti. Aparentemente ele o tinha visto andando nas ruas de Mumbai muitos anos antes. Não acho que Krishnamurti o notou. Depois disso, Maharaj sempre falava bem de Krishnamurti e inclusive encorajava as pessoas que fossem vê-lo.
Maharaj tinha enorme respeito por Ramana Maharshi e por seus ensinamentos. Certa vez ele me disse que uma das coisas lamentáveis em sua vida era não tê-lo encontrado em pessoa. Com respeito aos ensinamentos, ele me disse: 'Concordo com tudo que Ramana Maharshi disse, com exceção da questão do coração espiritual estar do lado direito do peito. Nunca tive essa experiência.'
As explicações de Maharaj ampliavam e aprofundavam meu entendimento intelectual dos ensinamentos de Sri Ramana, e sua presença também me dava vislumbres de experiência da verdade à qual ele apontava.
Ganesan, que é neto do irmão de Sri Ramana, certa vez foi visitar Maharaj na década de 1970. Assim que ele chegou, Maharaj levantou-se e começou a empilhar almofadas. Então o fez sentar-se sobre elas e em seguida prostrou-se de corpo inteiro ante ele. Quando levantou-se, disse a Ganesan, 'Nunca tive chance de me prostrar a seu tio-avô Ramana Maharshi, por isso estou me prostrando a você. Essa é minha reverência a ele.'
Então, durante a conversa, Maharaj lhe fez uma oferta surpreendente: 'Se você ficar duas semanas aqui comigo, garanto que partirá no mesmo estado de seu tio-avô Ramana Maharshi.'
Ganesan partiu naquele dia e não voltou. Não pude acreditar que ele recusasse uma oferta como aquela. Se alguém da grandeza de Maharaj tivesse feito uma oferta como aquela para mim, eu imediatamente aceitaria. Quando voltei a Ramanasramam, perguntei a Ganesan por que ele não ficou. 'Não achei que ele estivesse falando sério,' ele replicou. 'Apenas pensei que estivesse brincando.'
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