28.1.17

SOBRE A GUERRA – J. Krishnamurti


A guerra é a projeção espetacular e cruenta de nossa vida de cada dia. É a guerra a mera manifestação exterior de nosso estado interior, uma ampliação das nossas ações de cada dia. Ela é mais espetacular, mais sanguinolenta, mais devastadora; é porém o resultado coletivo de nossas atividades individuais.

Vós e eu, portanto, somos responsáveis pela guerra. O que podemos fazer para que despareça? É óbvio que a guerra que continuamente nos ameaça não pode ser detida por vós nem por mim, porque ela já está em movimento, já está acontecendo. Há interesses consideráveis e muito numerosos, e todos já estão empenhados em defendê-los.

Mas vós e eu, vendo a casa arder, podemos compreender as causas do incêndio e afastar-nos, e construir outra casa noutro lugar, com materiais diferentes, não inflamáveis, que não possam produzir novas guerras. Vós e eu podemos ver o que determina a guerra e depois, se estivermos interessados em sustá-la, começar a transformação de nós mesmos, que somos os causadores da guerra.

Há alguns anos, durante a guerra, fui procurado por uma senhora americana, que me disse ter perdido um filho na Itália e que desejava salvar seu outro filho, de dezesseis anos de idade. Conversando sobre o assunto, sugeri-lhe que, para salvar o filho, ela deixasse de ser americana, deixasse de ser ambiciosa, de acumular riquezas, de aspirar ao poder e ao domínio, que se tornasse moralmente simples, não apenas simples em relação ao vestuário, às coisas exteriores, mas simples nos pensamentos e sentimentos, simples nas relações.

Respondeu-me ela: “Isto é demais. O senhor pede o impossível. Isto eu não posso fazer, porque as circunstâncias são demasiado poderosas e não posso alterá-las.” Por conseguinte, ela era responsável pela destruição do filho.

Evidentemente a causa da guerra é o desejo de poder, posição, prestígio, dinheiro; também a doença chamada nacionalismo, o culto de uma bandeira e a doença da religião organizada, o culto de um dogma. Tais são as causas da guerra. Se vós como indivíduo pertenceis a qualquer das religiões organizadas, se sois ávido de poder, se sois invejoso, produzireis forçosamente uma sociedade fadada à destruição.

Tudo portanto depende de vós, e não dos líderes, dos chamados estadistas etc.


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