O que é o amor, para a maioria de
nós? Quando dizemos que amamos uma pessoa, o que queremos dizer?
Queremos dizer que possuímos a pessoa. Da posse nasce o ciúme,
porque se eu o perder ou a perder, o que acontecerá? Eu me sentirei
vazio, perdido. Ora, posse não é amor, é?
O amor, por certo, não é um
sentimento. Ser sentimental, ser emotivo, não é indício de amor,
porque a sentimentalidade e a emoção não passam de meras
sensações. A pessoa religiosa que chora por Jesus, por Krishna, por
seu guru ou por outro qualquer, é apenas sentimental, emotiva.
Está-se deixando dominar pela sensação, que é um processo de
pensamento, e o pensamento não é amor.
Estar cheio de emoção não é amor,
porque uma pessoa sentimental pode ser cruel, quando seus sentimentos
não são correspondidos, quando não pode dar expansão aos
sentimentos. Uma pessoa emotiva pode ser incitada ao ódio, à
guerra, ao morticínio. O homem sentimental, lacrimosamente
religioso, esse homem por certo não tem amor.
Por certo não há amor, quando não
há verdadeiro respeito, quando não respeitamos nossos semelhantes,
seja nosso criado ou nosso amigo. Já notastes que não sabeis
respeitar, que não sabeis ser benevolentes e generosos para com
vossos criados, para com as pessoas ditas subalternas?
Tendes respeito pelos que estão
acima, pelo patrão, pelo milionário, pelo homem que tem uma
suntuosa residência e um título, pelo homem que pode dar-vos uma
posição melhor, um emprego melhor, de quem podeis ganhar alguma
coisa. Mas tratais a pontapés os que estão abaixo de vós; para
estes tendes uma linguagem especial.
Por conseguinte, onde não há
respeito, não existe amor. Onde não há compaixão, caridade,
benevolência, não há amor. Só conhecereis o amor quando não
possuirdes, quando não fordes emocionalmente devotado a um objeto.
Tal devoção é súplica, é busca de alguma coisa, de maneira
diferente.
O homem que reza não conhece o amor.
Visto que tendes inclinação para a posse, visto que buscais um fim,
um resultado, pela devoção, pela oração, que vos faz sentimental,
emotivo, não existe naturalmente amor.
Podeis dizer que tendes respeito, mas
vosso respeito é pelo superior, simples respeito inspirado pelo
desejo de alguma coisa, ou o respeito do temor. Se sentísseis
respeito, realmente, seríeis tão respeitoso para com os mais
humildes como para os chamados superiores. Como não temos esse
respeito, não temos amor.
Quão poucos de nós são generosos,
indulgentes, caridosos! Sois generoso, quando isso vos compensa; sois
caridoso quando esperais alguma retribuição. Quando essas coisas
desaparecerem e deixarem de ocupar vossas mentes, então haverá
amor. E só o amor pode transformar a loucura, a insânia que vai
pelo mundo hoje em dia – e não os sistemas, nem as teorias, quer
da esquerda, quer da direita.
Só amais realmente quando não
possuís, quando não sois invejoso, ávido, quando sois respeitoso,
quando tendes compaixão e caridade, quando tendes consideração
para com vossa esposa, vossos filhos, vosso vizinho, vossos pobres
criados.
O amor não pode ser pensado, o amor
não pode ser cultivado, o amor não pode ser exercitado. A prática
do amor, o exercitar da fraternidade está ainda dentro da esfera da
mente e por conseguinte não é amor. Quando tudo isso tiver cessado,
então nascerá o amor, sabereis então o que é amar. O amor não é
então quantitativo, mas qualitativo.
Só quando houver amor, poderão todos
os problemas ser resolvidos, e conheceremos então sua
bem-aventurança, sua felicidade.

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