28.1.14

ALMA GÊMEA - P. Yogananda

Um estudante de minhas lições em Boston me disse que queria renunciar. Eu lhe disse, “Seu caminho é o casamento.”

"Oh,
não!” ele replicou, “Nunca me casarei!” Uma semana depois encontrou uma bela garota e jurou que estava profundamente apaixonado por ela!

"
Ela não é a pessoa para você,” eu avisei.

"Oh,
mas ela é!” ele exclamou. “Ela é minha alma gêmea.”
Não muito tempo depois ele retornou, envergonhado. “Quero ser um renunciante”, anunciou mais uma vez. A garota o tinha deixado, após gastar seu dinheiro.

"
Você ainda vai encontrar a pessoa certa”, eu disse.
Algum tempo mais tarde, rindo, ele me contou que uma garota gorda e sem atrativos estava interessada nele.

"Aha,”
eu disse, “ela parece ser a pessoa certa!”

"
Não, Swami, não!” ele exclamou, horrorizado. “Você estava certo antes. Por favor não esteja certo dessa vez!”

Levou algum tempo, mas gradualmente ele descobriu que belo caráter ela tinha sob um exterior sem encantos, e se apaixonou profundamente por ela. E mais tarde se casaram.

As pessoas são frequentemente enganadas pelas aparências exteriores.

 

PARAMAHANSA YOGANANDA NA AMÉRICA (III)

O Mestre nos contou de quando seu desapego foi testado.

Eu estava parado certa noite numa esquina escura de Nova York, quando três homens mal-encarados vieram detrás de mim, um deles apontando uma arma.

- Passe-nos seu dinheiro – eles exigiram.

- Aqui está – eu disse, sem me perturbar – mas quero que saibam que não estou dando por medo. Tenho tal riqueza em meu coração que, em comparação, o dinheiro nada significa para mim.

Eles ficaram espantados! Então olhei para eles com o poder de Deus, eles explodiram em lágrimas. Devolvendo meu dinheiro, exclamaram: - Não podemos mais viver deste modo!

Então dominados pela experiência que tiveram, correram embora.

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Em outras ocasiões, também, transformei os corações de criminosos, não eu, mas o poder de Deus através de mim. Certa noite, durante os anos de depressão (após a grande crise financeira de 1929), fiz uma palestra para milhares de pessoas no Carnegie Hall. Falei contra a maneira com que as pessoas ricas estavam tirando vantagem dos pobres. E mencionei alguns nomes. Ao final, várias pessoas me pressionaram para que não fosse sozinho para casa.

"Deus está comigo”, repliquei. “De quem posso ter medo?”

Entrei sozinho numa parte escura da estação de trem, quando um homem se aproximou com uma arma. “Por que você falou contra aquelas pessoas?” ele perguntou.

"Por que não deveria falar?” repliquei. “Deus é para o homem comum tanto quanto é para o rico. Ambos são seus filhos. E Ele não fica satisfeito quando Seus filhos ricos exploram Seus filhos pobres.”

Olhando fixamente nos olhos do homem, eu disse, "Por que você vive assim? Você não é feliz. Ordeno que Satã saia de você, e que você mude!”

O homem começou a tremer. De repente, deixando cair sua arma, ele se ajoelhou ante mim. “O que você fez comigo?”, ele exclamou. “Fui mandado para te matar.”

Pegue sua arma e jogue-a fora,” eu disse. Sua vida foi completamente transformada naquele encontro.

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Certa noite, em Chicago, visitei um parque, numa época em que a cidade era famosa por seus gangsters. Um policial me parou quando ia entrar e avisou-me que era inseguro entrar ali após o anoitecer.

De qualquer modo, eu entrei e sentei-me num banco do parque. Após algum tempo, um homem mal-encarado, muito maior que eu, parou na minha frente.

"Dê-me um dólar”, ele rosnou.

Pus a mão no bolso e lhe dei um dólar.

"Dê-me dois dólares!”, eu lhe dei dois dólares.

Dê-me cinco dólares.”

Comecei a ver que as coisas não estavam melhorando. Então com a consciência do poder de Deus, fiquei em pé e gritei:

"CAIA FORA!!!”

O homem começou a tremer como uma folha. “Não quero seu dinheiro!” ele balbuciou. Afastando-se, ele continuou repetindo, “Não quero seu dinheiro! Não quero seu dinheiro!”

De repente, ele voltou-se e correu como se sua vida estivesse em perigo. Fiquei sentado em paz, observando a lua que aparecia. Mais tarde, quando eu saía do parque, o mesmo policial me viu e perguntou, “O que você disse para aquele homem? Eu o vi com você e não ousei interferir. Ele é um tipo perigoso!”

"Oh,” repliquei, “nós nos entendemos um pouco."

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Se o Mestre se protegia pelo amor, ou por medidas duras, dependia da orientação que ele recebia internamente. Talvez o amor fosse o que ele dava a pessoas que apenas sucumbiam a influências do meio, e dureza para aqueles cuja crueldade era autogerada. Neste sentido ele nos contou de um convidado em Monte Washington (Los Angeles) durante a década de 1920. A irmã desse homem era uma discípula residente ali.

Disse o Mestre: “Eu estava sentado em minha cama certa manhã, meditando, quando Deus me mostrou este homem subindo as escadas para me bater. Ele queria jactar-se publicamente do que faria para desacreditar este trabalho (sua missão).

"Dê-lhe o que ele merece!” disse a voz.

Momentos mais tarde o homem apareceu na porta. “Eu sei por que você veio”, eu lhe disse. “Você pode não perceber, mas sou muito forte; eu poderia facilmente bater você numa luta, se eu quisesse. Mas não descerei a seu nível. Mesmo assim, eu te aviso: não atravesse esta porta!”

"Vamos lá, profeta!” ele replicou. “O que você poderia fazer?”

"Eu te avisei. Você se arrependerá.”

Ignorando minhas palavras, ele entrou no quarto. No momento em que entrou, ele caiu no chão gritando, “Estou pegando fogo! Estou pegando fogo!”

Levantando-se, correu escada abaixo e para fora da casa. Segui atrás e o encontrei rolando no gramado da frente, ainda gritando, “Estou pegando fogo! Estou pegando fogo!”

Quando coloquei minha mão sobre ele, ele ficou bem, embora ainda aterrorizado. “Não me toque!” ele gritou. “Não se aproxime!”

Ele mandou sua irmã buscar suas coisas e partiu imediatamente.


PARAMAHANSA YOGANANDA NA AMÉRICA (II)

Certo dia, em Boston, Massachusetts, o Mestre recebeu uma carta criticando-o por “apadrinhar” Jesus no Ocidente. "Você não sabe que ele nunca existiu?" dizia o autor da carta. "Ele foi um mito inventado para enganar as pessoas." A carta era anônima.

Yogananda orou a Deus para ser guiado até o autor da carta. Uma semana mais tarde ele visitou a biblioteca pública de Boston. Ali, vendo um estranho sentado perto de uma das janelas, ele se aproximou e sentou perto dele.

"Por que me escreveu aquela carta?" o Mestre perguntou.

O homem olhou assustado. "Q...qual carta?"

"Aquela em que você disse que Jesus Cristo era apenas um mito."

"Mas como você soube que eu a escrevi?"

"Eu tenho meios," replicou o Mestre. "E quero que você saiba que o poder pelo qual eu te encontrei também me faz saber com certeza que Jesus Cristo viveu, e que ele foi tudo o que diz a Bíblia. Ele foi um verdadeiro Cristo."

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Em St. Louis certo dia o Mestre visitou um monastério católico. Em meditação foi revelado ao Mestre que o abade era um grande santo. Os outros monges ficaram horrorizados ao ver este “pagão” com a roupa laranja do sannyasin em seu meio. Mas quando o abade chegou no local, ele foi direto para o Mestre e o abraçou calidamente. “Homem de Deus”, ele exclamou, “estou feliz que tenha vindo!"



OS MILAGRES DE HARIDÁS - P. Yogananda

Deus raramente quer que os milagres sejam mostrados publicamente. Sadhu Haridás, um famoso realizador de milagres na Índia do século 18, permaneceu enterrado por quarenta dias. Depois disso, seu corpo foi exumado, um grupo de médicos franceses o examinou, e disseram que ele estava morto. Então, para surpresa deles, ele “voltou a viver”!

Certo dia Sadhu Haridás estava sentado num pequeno bote com um missionário, que tentava convertê-lo ao cristianismo. “Por que eu deveria seguir seu Jesus Cristo?” perguntou Haridás. “O que ele fez que eu não poderia fazer?”

"Os poderes que ele mostrou eram divinos”, redarguiu o missionário. Mirando a água a seu redor, ele continuou, “Ele podia caminhar sobre a água”.

"Isto é tão especial?”, disse Haridas. Pulando do bote, ele caminhou sobre a água, e onde ia o bote o seguia. O missionário ficou mudo de espanto.

O marajá do estado onde vivia Haridás era uma grande alma. Vendo Haridás à distância certo dia, ele disse, "Há algo naquele homem que não me agrada”. Seus súditos protestaram, “Mas ele é um grande santo. Veja as coisas que ele fez.” O marajá replicou, “Mesmo assim, há algo nele que não me agrada.” Ele sentiu que, concentrando-se nos milagres, Sadhu Haridás estava esquecendo Deus.


E ele estava certo. Não muito tempo depois, Haridás deixou suas práticas espirituais, casou-se e levou uma vida mundana. Finalmente ele viu seu erro e retornou a seus discípulos. “Estou de volta”, ele anunciou simplesmente.

Anos mais tarde ele declarou, "Fiz muitas coisas erradas, mas agora o Amado está me chamando”. Entrando em samadhi, ele obteve a liberdade eterna.

Uma discípula perguntou: "Senhor, como ele se levantou novamente tão depressa? Quando uma pessoa cai de um alto estado espiritual, não teria uma punição kármica maior que a punição de um iniciante caído?"


O Mestre balançou negativamente sua cabeça: “Deus não é um tirano. Se uma pessoa que está acostumada a beber néctar começa a comer queijo rançoso, ela logo fica insatisfeita com a mudança. Ela então joga fora o queijo e pede néctar novamente. Deus não lhe negará, se ela perceber seu erro e sinceramente ansiar novamente o amor de Deus.

Falando sobre yogues da Índia, o Mestre disse: "Encontrei um grande santo em minha viagem para a Índia em 1935. Ele ainda vive (em 1950). Seu nome é Yogi Ramaiah. Ele é discípulo de Ramana Maharshi, e uma alma plenamente liberada. Nós caminhamos de mãos dadas ao redor de Ramanashram, embriagados com Deus. Oh! Se eu tivesse passado mais meia hora em sua companhia, não poderia ter deixado a Índia novamente!"

27.1.14

PARAMAHANSA YOGANANDA E FAMOSOS REENCARNADOS - Swami Kriyananda

Às vezes o Mestre fazia referências a vidas passadas de certas figuras públicas.

 "Winston Churchill," ele nos disse, "foi Napoleão. Napoleão quis conquistar a Inglaterra. Churchill, como Primeiro Ministro da Inglaterra, realizou aquela ambição. Napoleão quis destruir a Inglaterra. Como Churchill ele teve de  governar um Império Britânico desintegrado. Napoleão foi mandado ao exílio, e depois voltou novamente ao poder. Churchill, do mesmo modo, foi expulso da política, e após algum tempo, voltou novamente ao poder."

É um fato interessante que Churchill, quando jovem, encontrou inspiração nas explorações militares de Napoleão.

"Hitler," o Mestre continuou, "foi Alexandre o Grande."

Um ponto interessante de comparação aqui é que, na guerra, ambos Hitler e Alexandre empregaram a estratégia dos ataques relâmpagos (blitzkrieg, como Hitler os chamava). No Oriente, é claro, onde as conquistas de Alexandre  foram responsáveis pela destruição de grandes civilizações, seu codinome "o Grande" é dito sarcasticamente.

O Mestre esperava despertar em Hitler o bem conhecido interesse de Alexandre pelos ensinamentos da Índia, e assim dirigir as ambições do ditador para metas mais espirituais. Ele na verdade tentou ver Hitler em 1935, mas sua solicitação por uma entrevista foi negada.

"Mussolini", disse o Mestre, "foi Marco Antonio. Kaiser Wilhelm foi Julius César. Stalin foi Genghis Khan".

"Quem foi Franklin Roosevelt?" perguntei.

"Eu nunca disse a ninguém," o Mestre replicou com um sorriso. "Fiquei temeroso de me meter em encrencas!"

Abraham Lincoln, ele nos disse, tinha sido um yogi nos Himalayas que morreu com um desejo de ajudar a trazer à humanidade a igualdade racial. Seu nascimento como Lincoln foi com o propósito de satisfazer aquele desejo.
"Ele voltou neste século 20," disse o Mestre, "como Charles Lindbergh."

Charles Lindbergh tinha grande interesse em filosofia indiana. Talvez, tendo realizado seu desejo, como yogue, de trabalhar pela igualdade racial, e tendo rejeitado, como Lindbergh, a aclamação da qual se fez merecedor pelo sucesso de Lincoln, ele novamente se tornará em sua próxima vida um yogi.

Sobre pessoas santas, o Mestre disse que Theresa Neumann, a católica estigmatizada de Konnersreuth, Alemanha,  foi Maria Madalena. "É por isso," ele nos disse, "que ela tinha aquelas visões da crucificação de Cristo."

"Lahiri Mahasaya," ele nos disse certa vez, "foi o maior santo de sua época. Numa vida anterior, ele foi o rei  Janaka. Babaji o iniciou naquele palácio de ouro porque ele tinha vivido num palácio antes." O Mestre também disse a outro discípulo que Lahiri Mahasaya foi igualmente o grande místico medieval Kabir.

"Babaji," nos disse o Mestre, "é uma encarnação do maior profeta da Índia, Krishna."

O Mestre então revelou-nos que ele mesmo tinha sido o mais íntimo amigo e discípulo de Krishna, Arjuna.  É fácil de acreditar que ele foi aquele poderoso guerreiro. O incrível poder da vontade, sua liderança inata e sua enorme força física, quando ele queria usá-la, tudo indicava alguém com as características de um poderoso herói.



26.1.14

PARAMAHANSA YOGANANDA NA AMÉRICA (I)

O Mestre convidou um discípulo para um passeio de carro certa tarde. Eles estavam voltando ao anoitecer, e o Mestre subitamente gritou, "Pare o carro!" O carro foi estacionado no meio-fio. Ele desceu e caminhou até um pequeno comércio de variedades. Ali ele escolheu vários itens, nenhum deles era útil. "O que o Mestre quer com essas coisas?" pensou o discípulo. 

No balcão a proprietária, uma mulher idosa, disse o preço. Quando o Mestre pagou, ela rompeu em pranto. 
"Eu precisava justo deste valor hoje!" ela chorou. "O tempo estava se esgotando, e eu quase perdi a esperança de consegui-lo. Abençoado sejas, senhor. O próprio Deus o mandou aqui nesse momento de necessidade!" 

O sorriso silencioso do Mestre revelou que ele conhecia a dificuldade dela. Ele nada explicou. Os objetos comprados, como o discípulo suspeitava, não serviram para nada. 

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Certo dia, o Mestre fez um comentário sobre o elo kármico que existe entre nossa linha de gurus e o grande mestre Jesus. 

"Babaji, Lahiri Mahasaya e Sri Yukteswar," ele disse, "foram os três reis magos que visitaram o Cristo recém-nascido na mangedoura. Quando Jesus ficou adulto, ele devolveu a visita. A narração desta viagem à Índia foi removida do Novo Testamento séculos depois pelos seguidores sectários, que temiam que a passagem pudesse diminuir a grandeza do Cristo aos olhos do mundo." 

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"No plano divino",  Yogananda afirmou em certa ocasião, "Jesus Christo ficou responsável pela evolução do Ocidente, e Krishna (que depois reencarnou como  Babaji), pela evolução do Oriente. Foi planejado que o Ocidente se especializaria no desenvolvimento objetivo, através da lógica e da razão, e que o Oriente se especializaria no desenvolvimento interior, intuitivo. Mas no plano cósmico chegou o tempo de combinar estas duas linhas em uma só. Ocidente e Oriente devem unir-se." 

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"Visualize o Guru," disse o Mestre, "no ponto entre as sobrancelhas, o centro Crístico (ajna chakra). Esta é a estação transmissora no corpo. Chame-o profundamente neste ponto. Então tente sentir sua resposta no seu coração, que é a estação receptora do corpo. Intuitivamente você sentirá sua resposta ali. Ore ao guru profundamente dizendo, "Apresente-me a Deus.'" 

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Disse o Mestre, "O olho espiritual entre as sobrancelhas é o reino de Aum. Ouça! Não é suficiente apenas ouvi-lo. Você deve mergulhar nesse som. Aum é a Mãe Divina." Ele ficou em silêncio por uns minutos. "Om Kali, Om Kali, Om Kali. Ouça. . . ." Ficou em silêncio novamente. "Oh, como é belo! Om Kali, Om Kali, Om Kali!"

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Certa vez o Mestre conversava com um grupo de indianos em Pasadena. Um homem do grupo estava bêbado, e colocando um braço ao redor do Mestre ele falava alto animadamente, como se os dois fossem companheiros de bebedeira. Um discípulo indiano fez um duro comentário em bengali. 

"Não", o Mestre replicou, balançando a cabeça negativamente. A seus olhos aquele homem, apesar de sua condição no momento, merecia o respeito devido a um filho de Deus.

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Em Ranchi, India, quando do retorno do Mestre em 1935, foi planejado um banquete em sua escola, onde crianças recebiam ensino gratuito e noções de yoga. Alguém deveria fazer o discurso e foi recomendado o nome de Gurudas Bannerji, um proeminente juiz, que era muito estimado no local. O mestre foi convidá-lo.

Mas qual não foi sua surpresa, quando o juiz friamente recusou-se a ir. Ele disse que conhecia tudo sobre os chamados "santos" da Índia, e estava olhando para um bem naquele momento. Estes santos eram insinceros, viviam atrás de dinheiro, e ele não tinha tempo para discursar em suas causas indignas. 

O Mestre, apesar de surpreso com essa recepção, não se irritou. Como ele sempre nos dizia, "O louvor não me faz melhor, nem a crítica me faz pior. Sou o que sou perante minha consciência e Deus." Após ouvir o juiz ele replicou num tom amigável, "Bem, talvez você reconsiderará. Ficaríamos muito honrados se você fosse." 

O diretor de uma escola local concordou em fazer o discurso no lugar do juiz. Quando todos tinham se reunido para o banquete, um carro chegou e dele saiu o juiz. Porque ele era muito respeitado na localidade, o diretor prontamente ofereceu seu lugar ao juiz. 

Algumas pessoas fizeram pequenos discursos antes: um se referiu ao crescimento da escola, outro reportou que a Índia logo estaria cheia de monges espalhando a antiga sabedoria da terra indiana. 

Então veio a vez do juiz falar. Levantando, ele disse: "Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Esta manhã vosso Swami Yogananda foi visitar-me. Senti grande alegria quando o vi, mas decidi testá-lo para ver se ele era realmente um homem bom como parecia ser. Dirigi-me a ele rudemente, e mesmo assim ele permaneceu calmo e me respondeu com tanta gentileza, que digo a vocês com toda sinceridade que ele passou pelo teste melhor do que eu suporia possível. E vos direi mais: nunca se preocupem com o número de graduados que se tornarão monges. A Índia tem muitos monges. Mas se puderem produzir apenas um homem como o Swami, não apenas sua escola, nem apenas sua cidade, mas o país inteiro será glorificado!" 

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Um pastor cristão, certa vez, indignado com a presença de um genuíno "pagão" nessa terra cristã (Estados Unidos), e principalmente irritado porque o Mestre não endossava alguns de seus estreitos dogmas, gritou para ele, "Você irá para o inferno!" 
  O Mestre, vendo naquele momento a ira no rosto do homem, replicou amigavelmente, "Bem, eu talvez vá para lá no futuro, mas você já está lá!" 




8.1.14

COMO AGIR NA CRISE – Paul Brunton


Um grande e sagrado mistério jaz encerrado no ruidoso fracasso e na crise aflitiva do mundo. Quando a humanidade se vê com as costas voltadas para um muro intransponível, quando cuida haver chegado ao limite máximo dos desastres, quando a esmaga a agonia do desamparo total, ela está próxima, muito próxima da Porta.

Se, nesses momentos, ela reorientar seus pensamentos no mais sincero abandono de si mesma ao Divino e na mais completa humildade do ego; se ela, além disso, aceitar calmamente o menosprezo de todas as coisas terrenas que a sincera reflexão sobre sua situação deverá propiciar-lhe - terá chegado ao clímax de seu sofrimento exterior e de sua íntima derrota.

Se fazendo suas preces com paciência, arrependimento, desejo de reforma e aceitação do propósito mais alto da vida, estender os braços no escuro e suplicar a volta da Paz, não suplicará em vão. O Eu Supremo entrará em ação e tomará posse da mente consciente, ao menos por alguns momentos memoráveis.

O alívio surgirá misteriosamente e mãos salvadoras se estenderão para ela. Sobrevirá a coragem e lhe será dada a força para suportar o imutável, prometendo assim um coração tranquilo no meio de uma vida tormentosa (*).


*Nota: P.B. se refere aqui a possíveis tempos de profunda crise e desespero que poderão sobrevir para a humanidade, em razão do final da antiga era e começo da nova.

 

A EVOLUÇÃO DO EGO HUMANO – Paul Brunton


Impelidos pelo desejo e necessitados de experiência, egos jovens anseiam por atividade. Desapontados em seus desejos ou saciados de experiência, ou interiormente compelidos para a busca da verdade, egos velhos anseiam por descanso. Quantas séries de existências terrenas, quantas ondas de sucessivas encarnações, separam o primeiro grupo do segundo!

Dúzias de novos renascimentos são necessários para lograr a consciência mais profunda e as percepções mais apuradas, que distinguem as pessoas maduras.

É um resultado inevitável na evolução que surja o apego ao lado animal e físico da vida, e que o egoísmo e as más ações apareçam nas relações entre os egos, e que em certos períodos o mal se torne mais ativo que o bem. Uma criatura má é simplesmente uma criatura insuficientemente evoluída.

Atingiu-se agora uma fase em que isto precisa ser detido e a meta suprema precisa ser relembrada – a meta de elevar a consciência do ego à consciência do Eu Supremo. Isto não precisa ser feito em toda sua plenitude; basta a mais simples e elementar recordação, como a que sugere a religião popular.

O ego é como uma criança que deseja permanecer para todo o sempre na fase da infância. Mas a vida não permitirá que isso aconteça. Soou o momento em que ele deverá cruzar o limiar da responsabilidade espiritual adulta. Terá de enfrentar os sérios problemas da existência, o porquê e o para quê da sua presença na Terra.

Ele só poderá continuar palmilhando a atual estrada se pretender destruir a si próprio. Sua evolução neste planeta já atingiu o clímax final de individualização. Hoje, as necessidades da entidade individual são diferentes. A fim de tornar-se homem (para se individualizar) precisou desenvolver o egoísmo. A fim de ultrapassar o homem, terá de submergir o egoísmo.

As forças animais agressivas do ego estão fazendo um esforço desesperado para manter o antigo domínio. Sua própria resistência feroz se reflete na situação internacional.

Por ter a humanidade no passado vivido num círculo vicioso de dominação e consequente sofrimento, esse círculo agora precisa ser rompido. O mal tem sido levado a excessos, que resultam no ateísmo difundido, no egoísmo agressivo e na franca imoralidade, de tal sorte que surgiu o perigo da completa autodestruição.

A pressão das forças evolutivas está sendo exercida sobre o ego pessoal extrovertido e inflado, para que ele abandone a atual posição e retome o caminho do progresso. Não lhe será permitido aprofundar-se ainda mais na treva.


*Nota: alguns autores espiritualistas modernos são de opinião de que os egos que não pretendem abandonar seu velho egoísmo e agressividade serão levados pelas forças que governam a humanidade, a emigrar a outro planeta mais primitivo e compatível com sua condição mental.  

 

O FINAL DE UMA ERA – Paul Brunton


Toda uma era está sendo encerrada, daí a desintegração de valores e instituições. Estamos presenciando uma imensa liquidação, de proporções planetárias, de formas exteriores, falsas idéias, instituições hipócritas, atitudes egoístas e estagnações espirituais. O bom está sendo desintegrado ao lado do mau, o verdadeiro está sendo varrido com o lixo e o belo também está sendo destruído.

Nesta era de transição, quando as forças evolutivas pressionam a humanidade e atuam sobre ela, as características morais predominantes estão sendo, em toda parte, obrigadas a mostrar-se como realmente são, e sem disfarces. E em toda parte os homens estão colhendo, com dramática inevitabilidade, as consequências a que conduzem tais características.

No fim será tão impossível para eles esconder o que desejam quanto evitar o que merecem. Incumbe à lei de recompensa neste século ajustar as contas de todos os grupos e interesses que foram dominados pelo ego animalístico.

Este é, com efeito, o “dia” (isto é, o período) de juízo de que fala a Bíblia, o tempo em que os pratos da justiça estão em operação para todas as raças, classes, nações e religiões.

O fervilhante fermento de nosso tempo continua. É um período de constante tumulto e de mudança constante. Por quê? Porque a pressão evolutiva de forças ocultas em ação neste planeta está agora impaciente por desviar-nos de um passado obsoleto para um futuro criativamente novo.