28.1.14

PARAMAHANSA YOGANANDA NA AMÉRICA (III)

O Mestre nos contou de quando seu desapego foi testado.

Eu estava parado certa noite numa esquina escura de Nova York, quando três homens mal-encarados vieram detrás de mim, um deles apontando uma arma.

- Passe-nos seu dinheiro – eles exigiram.

- Aqui está – eu disse, sem me perturbar – mas quero que saibam que não estou dando por medo. Tenho tal riqueza em meu coração que, em comparação, o dinheiro nada significa para mim.

Eles ficaram espantados! Então olhei para eles com o poder de Deus, eles explodiram em lágrimas. Devolvendo meu dinheiro, exclamaram: - Não podemos mais viver deste modo!

Então dominados pela experiência que tiveram, correram embora.

------

Em outras ocasiões, também, transformei os corações de criminosos, não eu, mas o poder de Deus através de mim. Certa noite, durante os anos de depressão (após a grande crise financeira de 1929), fiz uma palestra para milhares de pessoas no Carnegie Hall. Falei contra a maneira com que as pessoas ricas estavam tirando vantagem dos pobres. E mencionei alguns nomes. Ao final, várias pessoas me pressionaram para que não fosse sozinho para casa.

"Deus está comigo”, repliquei. “De quem posso ter medo?”

Entrei sozinho numa parte escura da estação de trem, quando um homem se aproximou com uma arma. “Por que você falou contra aquelas pessoas?” ele perguntou.

"Por que não deveria falar?” repliquei. “Deus é para o homem comum tanto quanto é para o rico. Ambos são seus filhos. E Ele não fica satisfeito quando Seus filhos ricos exploram Seus filhos pobres.”

Olhando fixamente nos olhos do homem, eu disse, "Por que você vive assim? Você não é feliz. Ordeno que Satã saia de você, e que você mude!”

O homem começou a tremer. De repente, deixando cair sua arma, ele se ajoelhou ante mim. “O que você fez comigo?”, ele exclamou. “Fui mandado para te matar.”

Pegue sua arma e jogue-a fora,” eu disse. Sua vida foi completamente transformada naquele encontro.

-----------

Certa noite, em Chicago, visitei um parque, numa época em que a cidade era famosa por seus gangsters. Um policial me parou quando ia entrar e avisou-me que era inseguro entrar ali após o anoitecer.

De qualquer modo, eu entrei e sentei-me num banco do parque. Após algum tempo, um homem mal-encarado, muito maior que eu, parou na minha frente.

"Dê-me um dólar”, ele rosnou.

Pus a mão no bolso e lhe dei um dólar.

"Dê-me dois dólares!”, eu lhe dei dois dólares.

Dê-me cinco dólares.”

Comecei a ver que as coisas não estavam melhorando. Então com a consciência do poder de Deus, fiquei em pé e gritei:

"CAIA FORA!!!”

O homem começou a tremer como uma folha. “Não quero seu dinheiro!” ele balbuciou. Afastando-se, ele continuou repetindo, “Não quero seu dinheiro! Não quero seu dinheiro!”

De repente, ele voltou-se e correu como se sua vida estivesse em perigo. Fiquei sentado em paz, observando a lua que aparecia. Mais tarde, quando eu saía do parque, o mesmo policial me viu e perguntou, “O que você disse para aquele homem? Eu o vi com você e não ousei interferir. Ele é um tipo perigoso!”

"Oh,” repliquei, “nós nos entendemos um pouco."

-----------------


Se o Mestre se protegia pelo amor, ou por medidas duras, dependia da orientação que ele recebia internamente. Talvez o amor fosse o que ele dava a pessoas que apenas sucumbiam a influências do meio, e dureza para aqueles cuja crueldade era autogerada. Neste sentido ele nos contou de um convidado em Monte Washington (Los Angeles) durante a década de 1920. A irmã desse homem era uma discípula residente ali.

Disse o Mestre: “Eu estava sentado em minha cama certa manhã, meditando, quando Deus me mostrou este homem subindo as escadas para me bater. Ele queria jactar-se publicamente do que faria para desacreditar este trabalho (sua missão).

"Dê-lhe o que ele merece!” disse a voz.

Momentos mais tarde o homem apareceu na porta. “Eu sei por que você veio”, eu lhe disse. “Você pode não perceber, mas sou muito forte; eu poderia facilmente bater você numa luta, se eu quisesse. Mas não descerei a seu nível. Mesmo assim, eu te aviso: não atravesse esta porta!”

"Vamos lá, profeta!” ele replicou. “O que você poderia fazer?”

"Eu te avisei. Você se arrependerá.”

Ignorando minhas palavras, ele entrou no quarto. No momento em que entrou, ele caiu no chão gritando, “Estou pegando fogo! Estou pegando fogo!”

Levantando-se, correu escada abaixo e para fora da casa. Segui atrás e o encontrei rolando no gramado da frente, ainda gritando, “Estou pegando fogo! Estou pegando fogo!”

Quando coloquei minha mão sobre ele, ele ficou bem, embora ainda aterrorizado. “Não me toque!” ele gritou. “Não se aproxime!”

Ele mandou sua irmã buscar suas coisas e partiu imediatamente.


Nenhum comentário:

Postar um comentário