26.1.14

PARAMAHANSA YOGANANDA NA AMÉRICA (I)

O Mestre convidou um discípulo para um passeio de carro certa tarde. Eles estavam voltando ao anoitecer, e o Mestre subitamente gritou, "Pare o carro!" O carro foi estacionado no meio-fio. Ele desceu e caminhou até um pequeno comércio de variedades. Ali ele escolheu vários itens, nenhum deles era útil. "O que o Mestre quer com essas coisas?" pensou o discípulo. 

No balcão a proprietária, uma mulher idosa, disse o preço. Quando o Mestre pagou, ela rompeu em pranto. 
"Eu precisava justo deste valor hoje!" ela chorou. "O tempo estava se esgotando, e eu quase perdi a esperança de consegui-lo. Abençoado sejas, senhor. O próprio Deus o mandou aqui nesse momento de necessidade!" 

O sorriso silencioso do Mestre revelou que ele conhecia a dificuldade dela. Ele nada explicou. Os objetos comprados, como o discípulo suspeitava, não serviram para nada. 

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Certo dia, o Mestre fez um comentário sobre o elo kármico que existe entre nossa linha de gurus e o grande mestre Jesus. 

"Babaji, Lahiri Mahasaya e Sri Yukteswar," ele disse, "foram os três reis magos que visitaram o Cristo recém-nascido na mangedoura. Quando Jesus ficou adulto, ele devolveu a visita. A narração desta viagem à Índia foi removida do Novo Testamento séculos depois pelos seguidores sectários, que temiam que a passagem pudesse diminuir a grandeza do Cristo aos olhos do mundo." 

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"No plano divino",  Yogananda afirmou em certa ocasião, "Jesus Christo ficou responsável pela evolução do Ocidente, e Krishna (que depois reencarnou como  Babaji), pela evolução do Oriente. Foi planejado que o Ocidente se especializaria no desenvolvimento objetivo, através da lógica e da razão, e que o Oriente se especializaria no desenvolvimento interior, intuitivo. Mas no plano cósmico chegou o tempo de combinar estas duas linhas em uma só. Ocidente e Oriente devem unir-se." 

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"Visualize o Guru," disse o Mestre, "no ponto entre as sobrancelhas, o centro Crístico (ajna chakra). Esta é a estação transmissora no corpo. Chame-o profundamente neste ponto. Então tente sentir sua resposta no seu coração, que é a estação receptora do corpo. Intuitivamente você sentirá sua resposta ali. Ore ao guru profundamente dizendo, "Apresente-me a Deus.'" 

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Disse o Mestre, "O olho espiritual entre as sobrancelhas é o reino de Aum. Ouça! Não é suficiente apenas ouvi-lo. Você deve mergulhar nesse som. Aum é a Mãe Divina." Ele ficou em silêncio por uns minutos. "Om Kali, Om Kali, Om Kali. Ouça. . . ." Ficou em silêncio novamente. "Oh, como é belo! Om Kali, Om Kali, Om Kali!"

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Certa vez o Mestre conversava com um grupo de indianos em Pasadena. Um homem do grupo estava bêbado, e colocando um braço ao redor do Mestre ele falava alto animadamente, como se os dois fossem companheiros de bebedeira. Um discípulo indiano fez um duro comentário em bengali. 

"Não", o Mestre replicou, balançando a cabeça negativamente. A seus olhos aquele homem, apesar de sua condição no momento, merecia o respeito devido a um filho de Deus.

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Em Ranchi, India, quando do retorno do Mestre em 1935, foi planejado um banquete em sua escola, onde crianças recebiam ensino gratuito e noções de yoga. Alguém deveria fazer o discurso e foi recomendado o nome de Gurudas Bannerji, um proeminente juiz, que era muito estimado no local. O mestre foi convidá-lo.

Mas qual não foi sua surpresa, quando o juiz friamente recusou-se a ir. Ele disse que conhecia tudo sobre os chamados "santos" da Índia, e estava olhando para um bem naquele momento. Estes santos eram insinceros, viviam atrás de dinheiro, e ele não tinha tempo para discursar em suas causas indignas. 

O Mestre, apesar de surpreso com essa recepção, não se irritou. Como ele sempre nos dizia, "O louvor não me faz melhor, nem a crítica me faz pior. Sou o que sou perante minha consciência e Deus." Após ouvir o juiz ele replicou num tom amigável, "Bem, talvez você reconsiderará. Ficaríamos muito honrados se você fosse." 

O diretor de uma escola local concordou em fazer o discurso no lugar do juiz. Quando todos tinham se reunido para o banquete, um carro chegou e dele saiu o juiz. Porque ele era muito respeitado na localidade, o diretor prontamente ofereceu seu lugar ao juiz. 

Algumas pessoas fizeram pequenos discursos antes: um se referiu ao crescimento da escola, outro reportou que a Índia logo estaria cheia de monges espalhando a antiga sabedoria da terra indiana. 

Então veio a vez do juiz falar. Levantando, ele disse: "Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Esta manhã vosso Swami Yogananda foi visitar-me. Senti grande alegria quando o vi, mas decidi testá-lo para ver se ele era realmente um homem bom como parecia ser. Dirigi-me a ele rudemente, e mesmo assim ele permaneceu calmo e me respondeu com tanta gentileza, que digo a vocês com toda sinceridade que ele passou pelo teste melhor do que eu suporia possível. E vos direi mais: nunca se preocupem com o número de graduados que se tornarão monges. A Índia tem muitos monges. Mas se puderem produzir apenas um homem como o Swami, não apenas sua escola, nem apenas sua cidade, mas o país inteiro será glorificado!" 

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Um pastor cristão, certa vez, indignado com a presença de um genuíno "pagão" nessa terra cristã (Estados Unidos), e principalmente irritado porque o Mestre não endossava alguns de seus estreitos dogmas, gritou para ele, "Você irá para o inferno!" 
  O Mestre, vendo naquele momento a ira no rosto do homem, replicou amigavelmente, "Bem, eu talvez vá para lá no futuro, mas você já está lá!" 




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