28.1.14

OS MILAGRES DE HARIDÁS - P. Yogananda

Deus raramente quer que os milagres sejam mostrados publicamente. Sadhu Haridás, um famoso realizador de milagres na Índia do século 18, permaneceu enterrado por quarenta dias. Depois disso, seu corpo foi exumado, um grupo de médicos franceses o examinou, e disseram que ele estava morto. Então, para surpresa deles, ele “voltou a viver”!

Certo dia Sadhu Haridás estava sentado num pequeno bote com um missionário, que tentava convertê-lo ao cristianismo. “Por que eu deveria seguir seu Jesus Cristo?” perguntou Haridás. “O que ele fez que eu não poderia fazer?”

"Os poderes que ele mostrou eram divinos”, redarguiu o missionário. Mirando a água a seu redor, ele continuou, “Ele podia caminhar sobre a água”.

"Isto é tão especial?”, disse Haridas. Pulando do bote, ele caminhou sobre a água, e onde ia o bote o seguia. O missionário ficou mudo de espanto.

O marajá do estado onde vivia Haridás era uma grande alma. Vendo Haridás à distância certo dia, ele disse, "Há algo naquele homem que não me agrada”. Seus súditos protestaram, “Mas ele é um grande santo. Veja as coisas que ele fez.” O marajá replicou, “Mesmo assim, há algo nele que não me agrada.” Ele sentiu que, concentrando-se nos milagres, Sadhu Haridás estava esquecendo Deus.


E ele estava certo. Não muito tempo depois, Haridás deixou suas práticas espirituais, casou-se e levou uma vida mundana. Finalmente ele viu seu erro e retornou a seus discípulos. “Estou de volta”, ele anunciou simplesmente.

Anos mais tarde ele declarou, "Fiz muitas coisas erradas, mas agora o Amado está me chamando”. Entrando em samadhi, ele obteve a liberdade eterna.

Uma discípula perguntou: "Senhor, como ele se levantou novamente tão depressa? Quando uma pessoa cai de um alto estado espiritual, não teria uma punição kármica maior que a punição de um iniciante caído?"


O Mestre balançou negativamente sua cabeça: “Deus não é um tirano. Se uma pessoa que está acostumada a beber néctar começa a comer queijo rançoso, ela logo fica insatisfeita com a mudança. Ela então joga fora o queijo e pede néctar novamente. Deus não lhe negará, se ela perceber seu erro e sinceramente ansiar novamente o amor de Deus.

Falando sobre yogues da Índia, o Mestre disse: "Encontrei um grande santo em minha viagem para a Índia em 1935. Ele ainda vive (em 1950). Seu nome é Yogi Ramaiah. Ele é discípulo de Ramana Maharshi, e uma alma plenamente liberada. Nós caminhamos de mãos dadas ao redor de Ramanashram, embriagados com Deus. Oh! Se eu tivesse passado mais meia hora em sua companhia, não poderia ter deixado a Índia novamente!"

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