28.5.17

SHAMBHAVI MUDRÁ, UMA TÉCNICA DE MEDITAÇÃO – Sadhguru


Shambhavi Mahamudrá é uma antiga kriya em que um praticante dedicado experimenta maior equilíbrio emocional, concentração, estabilidade e melhor saúde. Vários estudos científicos foram feitos para avaliar os benefícios de praticar essa kriya regularmente, tanto com respeito à atividade do cérebro durante a kriya, como ao bem-estar e saúde das pessoas.

A razão da maior parte das pessoas serem infelizes ou doentes é que o corpo físico, o corpo mental e o corpo prânico não estão alinhados. Se eles estiverem adequadamente alinhados, uma expressão de alegria aparece dentro do ser humano e a alegria se torna uma condição normal, um modo natural de vida.

Os benefícios de shambhavi mudrá são:
1 - melhor saúde do coração: evita doenças nas coronárias, hipertensão, falha nos batimentos, infarte do miocárdio, e a pessoa adquire maior tolerância a exercícios físicos, o coração responde melhor a situações de estresse.
2 – maior coerência dentro do cérebro entre os hemisférios direito e esquerdo. Essa coerência é conhecida como a medida de como as várias regiões do cérebro estão conectadas. Altos níveis de coerência estão relacionados a maior QI e criatividade, assim como estabilidade emocional e flexibilidade cognitiva.
3 – sono mais tranquilo: o praticante experimenta uma melhor qualidade de sono, reduzindo o número de vezes em que desperta durante a noite.
4 – atenção e concentração melhoradas: a meditação tende a melhorar os recursos da atenção, devido a mudanças estruturais e anatômicas no sistema cognitivo da pessoa.
5 – reduz as desordens menstruais: desordens menstruais têm um grande impacto físico e psicológico na vida das mulheres. Problemas como dismenorréia, sintomas pré-menstruais, irregularidade do ciclo e prejuízos ao trabalho foram drasticamente reduzidos, na ordem de 50 a 70%.

Entre outros benefícios podemos citar: elimina problemas tais como depressão, alergias, asma e outros. 98% dos praticantes relatam ter adquirido maior paz interior, 87% relataram melhor equilíbrio emocional, 80% relataram maior clareza mental, 80% relataram maior nível de energia e autoconfiança, além de melhor concentração e produtividade no trabalho, maior resistência a resfriados e gripes. Esse mudrá desperta o ajna chakra.
Técnica: Shambhavi mudrá pode ser feito de 10 a 20 minutos diários, ou pelo tempo que achar mais adequado sem se cansar. Após praticar pranayama com moderação, continue sentado com a espinha ereta, no chão ou numa cadeira, e com os olhos fechados levante suavemente os olhos para o ponto entre as sobrancelhas, onde está localizado o olho espiritual (ajna chakra). 
Evite demasiada tensão, aja suavemente e com a prática os olhos se dirigirão mais facilmente ao ponto de ajna. Imagine ali o ajna chakra e deseje enxergá-lo como um ponto de luz. É importante praticar com suavidade e gentileza, ou poderá causar a si mesmo alguma dor de cabeça. Mas também é certo que, com a prática e o tempo, a dor de cabeça se faz cada vez menos presente, e uma crescente concentração e sensação de força são experimentadas.
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18.5.17

COMO AQUIETAR OS PENSAMENTOS – Mestre Wu Jyh Cherng



Uma das principais dificuldades do processo da meditação é a dicotomia que se estabelece na mente do praticante, no momento em que ele se senta para meditar e se criam duas forças oponentes que passam a disputar a primazia de seu raciocínio: um lado da mente ordena que o praticante se concentre e faça silêncio, enquanto o outro desfia razões infindáveis para demovê-lo dessa intenção. Isso significa que, no momento em a pessoa se senta para descansar, procurando esvaziar a mente dos pensamentos obsessivos, passa, em vez disso, a se debater perante duas ordens contraditórias, sem conseguir definir a qual das duas deve obedecer.

No processo da meditação, o praticante não pode dar continuidade ao pensamento que surge em sua mente no momento em que ele está procurando concentrar-se em sua respiração, para uni-la com sua consciência. Ou seja: não se deve alimentar pensamentos. A pessoa alimenta um pensamento quando dá livre continuidade ou rejeita rispidamente esse pensamento; isso significa, na primeira situação, deixar-se levar por quimeras e, na segunda, brigar com o pensamento, dizendo para ele, por exemplo: “Vá embora, não se aproxime porque eu não quero dialogar com você”.

Em ambas as situações o praticante terá saído do estado de meditação para conversar com seus pensamentos: na primeira hipótese, uma conversa agradável, fundamentada em fantasias; e, na segunda, uma polêmica disputa de forças.

Se quem conversa durante a meditação não está de fato meditando, a pessoa que conversa com seus pensamentos terá deixado de meditar também, ainda que permaneça em posição de lótus. Como agir diante dessa situação? Para eliminar e controlar rapidamente o pensamento, tão logo ele apareça em sua mente, é preciso tomar consciência de sua existência e, imediatamente, ignorá-lo, voltando sem demora a atenção para a respiração.

A concentração na respiração tem o poder de controlar pensamentos. Quando o praticante age assim, o pensamento perde a força que o mantém ativo na mente, interrompe sua trajetória e se desmancha por si mesmo. Isso é fazer com que ele se torne quieto. A concentração na respiração deve ser feita numa medida em que o praticante consiga contemplar o ar que está respirando, sem apegar-se a ele nem tampouco se desligar dele. E, para conseguir esse resultado, é preciso não se afastar do estado de relaxamento.

A concentração excessivamente forte gera doenças físicas e psíquicas, enquanto a falta de concentração gera devaneios. Por isso, é de essencial importância a pessoa conseguir se manter na medida certa da concentração, se quiser um resultado de excelência para sua prática. É fundamental manter permanentemente a atenção no ar que se respira porque assim, conforme o progresso, o praticante poderá alcançar o estado do Vazio. Desse modo, e envolvido por uma energia harmoniosa, a luz interior alcançará todo seu ser, criando a Plena Iluminação.

O BEABÁ DA MEDITAÇÃO TAOÍSTA – Mestre Wu Jyh Cherng
  • Procure uma posição confortável.
  • Cruze as pernas em posição de lótus ou semilótus.
  • Apóie o dorso das mãos sobre as coxas.
  • A mão esquerda deve ficar sob a direita e os polegares devem se tocar levemente.
  • A coluna deve ficar reta; porém, se houver dificuldade de mantê-la ereta, pode apoiar as costas.
  • Feche os olhos e relaxe o corpo, da cabeça aos pés.
  • Encoste a ponta da língua no céu da boca.
  • Concentre a atenção na respiração, que deve ser suave, lenta e harmoniosa.
  • Mantenha a atenção na respiração, buscando a fusão da mente com a respiração.
  • A completa quietude interior é resultado da fusão da energia com a consciência de uma pessoa, ou seja, da integração da mente com a respiração.
  • Mergulhe nesse estado de integração entre mente e corpo até atingir o estado de extrema quietude.
  • Somente a partir desse ponto é que, na verdade, damos início à meditação…
  Wu Jyh Cherng – Wikipédia, a enciclopédia livre  Wu Jyh Cherng


RESPIRAÇÃO E ECOLOGIA – Mestre Wu Jih Cherng


Os versos de Lao Tsé falam da pressa. Todas as coisas feitas com pressa são feitas de uma maneira superficial. Falam da naturalidade. Todas as coisas têm um tempo próprio para acontecerem. Ao darmos um passo maior do que podemos dar, nos cansamos e não podemos caminhar mais.

Também essas palavras dizem que a cultura moderna é uma cultura de “alargar passos”. Nós consumimos muito rapidamente. Existe uma grande crise na Terra em função do que o ser humano dá um passo maior que a natureza. Ou seja, o homem deixa de se integrar à natureza, com o céu, com a terra, com a floresta e com outros seres, por que tende a dar passos maiores, consumir mais do que pode oferecer.

A terra é rica, mas por mais rica que seja, esse consumo exagerado, esses grandes passos, acabam cansando a terra, cansando o mundo.

Igualmente, passos grandes podem significar o excesso de informações. Temos informação através da visão, da audição, do paladar, das sensações. Nossos sentidos sensoriais e não sensoriais (intelectuais, racionais e memórias) estão em processo muito acelerado. A quantidade de informações é muito grande. São os grandes passos. Isso nos leva ao stress, a uma ruptura.

Se andarmos muito rapidamente com passos grandes, vamos tropeçar, cair e pisar em buracos, sem conseguirmos nos desviar dos obstáculos da estrada. Ou nos cansamos. Isso traz a ruptura, a quebra.

Quando a vida é vivida em excesso de informação, alimentação e preocupações, de efeitos intelectuais, racionais e sensoriais, todo o nosso recurso humano é desgastado rapidamente quando “alargamos os passos” estamos reduzindo nossa distância de vida.

Se a vida é uma estrada que pode ser caminhada durante digamos, até 120 anos, hoje somos capazes de caminhá-la em doze, trinta, cinqüenta anos e terminá-la.

A vida reduz e a intensidade de cada momento aumenta. Isso faz com que a vida se torne muito estressante e curta. O Taoísmo dá muita importância à longevidade, à constância e a fluidez contínua da vida humana. E “alargar os passos” é metaforicamente, uma atitude de redução da vida.

Uma respiração muito apressada não dura muito tempo. Quando a respiração é lenta, podemos respirar por muito tempo. Quem pratica o Tai-Chi, Chi Kun ou meditação sabe disso.



Existe no Taoísmo um conceito que é pouco diferente das outras tradições místicas. As outras tradições dizem que uma pessoa quando nasce já vem com um relativo karma que lhe proporciona a possibilidade de uma certa duração na vida. A maioria das escolas pensa que, dependendo do karma da pessoa, ela pode ter uma vida de menor ou maior duração.

O Taoísmo não vê assim. O Taoísmo diz que quando uma pessoa nasce, de acordo com o seu karma anterior, ela vai ter provavelmente uma certa quantidade de respirações.

Em resumo, se a pessoa conseguir realizar um bom trabalho respiratório, profundo, e não apressado, naturalmente terá um prolongamento de sua vida, independente do seu “merecido karma”. Respiração mais suave e profunda, vida mais longa.

Quem respira profunda e suavemente capta maior quantidade de oxigênio, energia vital e elimina mais gás carbônico e energias impuras. Uma pessoa com uma respiração suave e profunda possui um diafragma mais conservado, sem tensão e sem reter energias do campo emocional.

Na parte superior do corpo, uma boa energização e oxigenação possibilitam uma capacidade mental mais ampla. Na parte inferior do corpo, as energias vitais e sexuais ficarão mais plenas. A pessoa tem mais saúde física e mental.

Por isso o taoísmo prega que quem respira mais suavemente e profundamente, naturalmente terá mais saúdo física, energética, mental e emocional.

Imaginemos nós e um trilhão de pessoas respirando com ansiedade, como seria a energia do planeta? Isso traz os desastres naturais como a alteração do clima, do vento, das tempestades, na Terra.

A alteração emocional altera imediatamente a respiração. A grande alteração emocional coletiva altera a respiração da humanidade”.

Devemos ter equilíbrio para respirar e caminhar integrados com a vida. O Taoísmo tem uma visão da consciência. Uma pessoa com consciência é naturalmente uma pessoa ecológica e sensata.





SEMENTES DA ILUSÃO – Mestre Wu Jih Cherng


Quando nossa consciência ainda está no nível do apego, valorizamos, enobrecemos e admiramos demasiadamente a fama, a fortuna e o poder. O homem pensa que precisa ter prestígio social e, por isso, precisa ter recursos, ser famoso e poderoso. Para ter aquilo que não tem, se sacrifica, trabalha em excesso para ganhar dinheiro. Em alguns casos, rouba, faz truques, mente, engana pessoas.

A preocupação em obter ou manter fama, riqueza e prestígio tira a nossa paz. Uma pessoa, antes de alcançar prestígio, fica com medo e, na batalha pela conquista de destaque social e profissional, fica constantemente em estado de alerta e preocupação. Depois de conquistar posição e riqueza, também fica em estado de alerta: quem tem riqueza e prestígio se mantém em estado de alerta permanente porque tem medo de perder o que conquistou.

Quem não tem e quer ter, dedica toda sua atenção e preocupação para gerar dinheiro e riqueza. Quando conquista o que pretende, fica todo o tempo preocupado em manter a riqueza. É um tipo de preocupação diferente, porém, continua a ser gerada. Temos medo e nos sentimos inseguros quando não temos fama, não temos poder, não temos o controle da situação, não temos riqueza, não podemos dominar pessoas ou situações. No entanto quando temos tudo isso, nós ficamos igualmente com medo porque não queremos perder o que conquistamos.

Quem nada tem ou quer não fica em estado de alerta. Na verdade, o ser humano precisa de muito pouco para sua sobrevivência: comer, vestir, trabalhar, morar adequadamente. Existe aquilo que representa o mínimo necessário para uma vida digna e virtuosa e existe todo o resto, geralmente supérfluo, que pode ser dispensado.

Muitas vezes a pessoa entende como necessário algum valor apenas em função do conceito. Existem pessoas que só tomam uísque importado e outras que só usam roupas de grife. Quando o indivíduo se torna prisioneiro desse tipo de conceito, a vida se torna mais desgastante. Ele tem de trabalhar muito, se esforçar para conquistar coisas e, assim, se tornar feliz (ou pensar que está feliz). O que é preciso deixar claro é que a prisão ao conceito de que isso é indispensável à felicidade pode tornar as pessoas desgastadas e preocupadas.

A conquista de prestígio gera orgulho e a humilhação por não consegui-lo provoca a ira. Uma pessoa que se sinta humilhada cria dentro de si um sentimento de raiva, já que nenhum de nós gosta de ser desprestigiado. Podemos não responder imediatamente nem diretamente, mas, lá dentro do coração, criamos a raiva ou o aborrecimento. Tudo ocorre num nível inconsciente, que nem chegamos a perceber. Estes sentimentos são explícitos ou não; aparecem ou não exteriormente.

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ALÉM DOS MUROS – Mestre Wu Jih Cherng


Equilíbrio é tudo aquilo que consegue harmonizar os opostos e essa harmonia é basicamente resultado de uma consciência que ilumina tanto para dentro, quanto para fora da pessoa. Consciência que ilumina para dentro é a lucidez que leva uma pessoa a compreender-se a si mesma, com todas as suas possibilidades e impossibilidades, aquilo que espera do mundo e de si mesma e aquilo que tem ou não capacidade para realizar; e consciência que ilumina para fora é a lucidez que faz a pessoa compreender o mundo exterior, o pensamento das outras pessoas, de que maneira o mundo reage diante da multiplicidade de solicitações, o que é tolerável e aceito pelo mundo, pelas pessoas com quem ela convive e pelo tempo e lugar em que ela vive.

Se a pessoa continuar avançando na sua prática, mais alto e sutil será o nível de qualidade da quietude.

Esse modelo de comportamento mostra que o taoísmo não encara um Iluminado como se ele fosse uma lâmpada acesa, que precisasse ficar o tempo todo lançando raios de luz para todas as direções, procurando iluminar tudo que considera obscuro; pelo contrário, a pessoa iluminada é aquela que acende, de fato, no seu interior uma luz que não se apaga, mas deixa transparecer essa claridade no exterior demonstrando capacidade em conduzir sua vida sem atritos. Para isso, a pessoa não necessita, nem mesmo, ser um religioso ou místico, basta apenas ter a consciência expandida no nível da completa lucidez, mas para alcançar esse grau de consciência é preciso começar o processo cultivando a quietude, que se expressa em níveis diferentes de qualidade.

Se quietude para uma pessoa, no início da prática da meditação significa manter a calma quando, por exemplo, alguém lhe dirige uma palavra de falsidade ou um gesto descortês que a deixa abalada internamente, depois de alguns anos de prática, a quietude será algo muito mais sutil, a ponto desse mesmo gesto não lhe causar qualquer aborrecimento. Mas se a pessoa continuar avançando na sua prática, mais alto e sutil será o nível de qualidade da quietude que alcançará até chegar a um estágio em que passa a compreender aquele gesto hostil, considerando o contexto e a circunstância em que foi praticado.

VER & ENXERGAR: DESPERTANDO A QUIETUDE INTERIOR...

Prosseguindo com a meditação, a pessoa subirá de nível e finalmente alcançará o estágio de consciência em que enxerga aquele gesto como uma expressão do universo que tem manifestações distintas, dependendo da característica de cada pessoa. Isso mostra que depois de alguns anos meditando, a pessoa percebe que está alcançando degraus cada vez mais altos de quietude, que ela vai galgando na medida em que se mantém com constância no Caminho. A pessoa muda de nível porque a própria quietude também muda de qualidade e assim o praticante vai ampliando sua lucidez e passando a enxergar um universo cada vez maior, que existe ‘do outro lado do muro’.

Quando o muro deixa de existir, o Mistério é revelado.

No taoísmo entendemos que a vida se apresenta como se estivesse cercada por um muro que impede as pessoas de conhecerem o que existe do outro lado. Na medida em que amplia o nível de sua consciência, no entanto, a pessoa vai derrubando aos poucos essa barreira e começa a enxergar cada vez mais longe.

Os muros são infinitos, cada vez mais sutis, de uma dimensão cada vez maior e colocados um atrás do outro; assim, conforme um praticante da meditação do silêncio vai entrando em experiências místicas mais profundas, seus muros vão sendo retirados e aparecendo outros mais sutis, num universo que se amplia infinitamente. É nesse universo ampliado que o Mistério se revela, aos poucos, porque se Mistério é tudo aquilo que está ‘do outro lado do muro’, quando o muro deixa de existir, o Mistério é revelado. Com isso, a pessoa começa a ter contato com um universo cada vez mais amplo e sua compreensão vai se ampliando também, até alcançar o estado da Absoluta Iluminação.

A busca da restauração da lucidez interior, ou Iluminação, é o caminho do taoísmo.

Quem chega a esse estágio de lucidez passa a agir com um grau de consciência mais elevado, que a levará ao equilíbrio e harmonia na convivência de ‘eu comigo mesmo’, ‘eu com os outros’ e ‘os outros comigo’. A harmonia interior gera menos atritos. Se toda a humanidade conseguir diminuir os atritos que surgem na convivência entre as pessoas, haverá mais afeto e paz no mundo. Mas, para chegar a esse ponto, é preciso, primeiro, expandir a consciência para restaurar a lucidez interior. Essa busca da restauração dessa lucidez interior ou Iluminação, é o caminho do taoísmo.

♥ De Coração a Coração ♥: ARCANJO ZADKIEL - A QUIETUDE INTERIOR

Para encontrar a lucidez interior, até chegar à infinitude, precisamos começar cultivando a quietude interior.

Da mesma forma que a alma de uma pessoa está aprisionada dentro do seu corpo, a consciência de cada pessoa está aprisionada dentro de um mundo de impermanência, incerteza e ignorância. Para romper essa barreira e conseguir encontrar a lucidez interior, que vai permitir a ela enxergar o que está além da fronteira da vida e da morte, até chegar à infinitude, ela precisa começar cultivando a quietude interior.


MEDITAÇÃO E INTELIGÊNCIA – Mestre Wu Jih Cherng


Quanto mais uma pessoa pratica a meditação, maior silêncio interior e maior grau de quietude interior ela adquire e, com isso, maior capacidade terá para as atividades da sua consciência. Por isso ela se torna mais inteligente. Ter inteligência é ter maior grau de capacidade mental, intelectual, racional, etc. Significa ter maior grau de observação, percepção e compreensão. Uma pessoa que pratica uma boa meditação, quando colhe o resultado principal da sua prática – a quietude e a serenidade interior – assimila uma espécie de silêncio que permite a ela escutar e observar melhor. Ou seja: ela também se torna mais inteligente.

Normalmente, quando nós não conseguimos ouvir direito é porque existe muito barulho fora ou dentro da nossa cabeça; e quando não conseguimos enxergar direito uma situação é porque existe um excesso de imagens tumultuadas dentro e fora da nossa mente. A prática da meditação vai substituindo, aos poucos, esse excesso de imagens interiores por uma lucidez interior cada vez maior. Então, a pessoa que realiza sua prática regularmente percebe que, paulatinamente, suas imagens interiores vão diminuindo, enquanto seu grau de lucidez vai aumentando. Com isso, ela começa a ter condições de observar e compreender melhor tudo que acontece consigo mesma e tudo que está à sua volta.

O rítmo desenfreado é uma grande armadilha.

O que normalmente acontece com um praticante de meditação é que, após um período de prática, por conseguir um resultado de quietude interior, por adquirir mais lucidez, ele começa a utilizar mais a mente e passa a ter, além das atividades necessárias à sua vida, muitas outras atividades mentais e intelectuais que não tinha antes. A partir daí, pode se tornar mentalmente acelerado e com isso corre o risco de entrar num ritmo desenfreado. Isso representa uma grande armadilha, porque a aceleração excessiva pode levá-lo a outro tipo de vício, que é o da pessoa que não consegue “não pensar”, não consegue “não ter idéia”.

Nesse caso, o praticante se torna uma pessoa “elétrica”, compulsiva, que começa a criar sem interrupção, que escreve, pinta, lê, está sempre demonstrando que é capaz de muitas coisas. E como todas essas criatividades são referidas a coisas externas da vida, são referidas a outras pessoas, a trabalhos, criações, invenções, etc., esse esforço vai acabar exaurindo sua energia, sua criatividade. Com isso, a pessoa acaba desgastando sua luz interior, sua lucidez interior e quando já não sobrou mais nada daquela luz, depois que toda sua lucidez já se desgastou, essa pessoa não consegue mais deixar de ser assim e isso vai criar um grande conflito para ela.

O que acontece, normalmente, quando você passa a ter muitos “insights” é que seus amigos começam a procurar você, a telefonar para saber o que está acontecendo, começam a pedir conselhos, pedir idéias a respeito de suas próprias vidas e como você consegue responder a todas essas solicitações sem precisar se esforçar muito, termina se transformando em um “consultor”, até chegar o momento em que aquele hiper-desgaste vai “descarregar” sua bateria, que vem a ser, exatamente, a sua serenidade e a sua lucidez e quando isso acontece, aquelas pessoas que têm laços amarrados com você não ficam sabendo do ocorrido, por isso continuam procurando por você, continuam solicitando sua ajuda. Nessa hora, devido aos laços que tem com elas você não consegue deixar de responder, mas se torna repetitivo porque também não consegue criar mais nada de novo. 

Com isso, você cai no “círculo vicioso” e diante dessa circunstância, normalmente, entra em crise, “pifa” porque não consegue mais se renovar ou continua com a prática de meditação com a intenção de conseguir, continuamente, alimentar sua criatividade e se manter em condições de fornecer as informações solicitadas pelas outras pessoas. Mas nesse caso, o que você perde é o objetivo da meditação.

A aceleração excessiva pode levar a um tipo de vício, que é o da pessoa que não consegue “não pensar”, não consegue “não ter idéia”.

No Japão, muitas empresas promovem horários para a prática obrigatória de meditação para seus executivos, mas não fazem isso porque os donos das empresas estejam se preocupando ou querendo que seus executivos se espiritualizem e sim porque querem que eles tenham paz na cabeça para conseguirem produzir mais. Depois que os executivos conseguem chegar a esse objetivo e voltam a ficar estressados, as empresas outra vez promovem as sessões obrigatórias de meditação para esses empregados, para que eles descansem suas mentes, criem mais paz nas suas cabeças e produzam mais ainda do que já produziam. Então, o propósito da prática da meditação, nessa situação, é invertido.

Aumentar a inteligência é ótimo, alcançar esse resultado da prática da meditação é ótimo, mas você não deveria eleger esse resultado como seu objetivo porque, nesse caso, o propósito inicial da meditação estaria sendo invertido e se você fizer isso, vai se transformar em prisioneiro do fenômeno, que deveria ser a consequência e não a causa da meditação.

A inteligência aumentada é um acessório, um brinde.

Se você meditar com a intenção de chegar ao resultado, ao contrário de chegar ao resultado apenas como uma consequência da prática, você vai estar esquecendo o princípio da sua prática, que é o caminho espiritual, ao passo que se você meditar, normalmente, vai acabar tendo a sua capacidade mental e intelectual aumentadas, mesmo que não esteja pensando nisso, mesmo que não esteja buscando isso. A inteligência aumentada é um acessório, um “brinde” que você ganha, mas se você pensa em trabalhar para ganhar um brinde, vai estar invertendo o valor do seu trabalho.

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PRIORIDADES – Mestre Wu Jih Cherng


A palavra Tao tem dois significados: literalmente significa Caminho e filosoficamente, para o taoísmo, significa Absoluto. O taoísmo é exatamente um caminho espiritual que propõe uma realização, um curso que nos leva ao estado do Absoluto, que nos leva ao reencontro com o Absoluto, esse vazio que abraça todas as manifestações, o zero que abraça o um. Então, o encontro com a unidade, com a onipotência e, em seguida, com o zero – o Absoluto – é, em última análise, exatamente o Caminho do taoísmo. Obviamente, é um caminho longo e nós o chamamos de “Grande Caminho” ou “Caminho da Realização”.

Nem todas as pessoas são tão “pretensiosas” de quererem chegar à união com o um e com o zero, nem todas as pessoas estão querendo, tão “pretensiosamente” chegar à Sagração do Homem, muitas querem, apenas, encontrar a paz e a harmonia, ser mais tranqüilas, outras querem um pouco mais, querem descobrir o “sentido da vida”, querem sentir a sua identidade libertada, menos limitada. Tudo isso é válido se a pessoa souber o que quer. Uma das coisas que os mestres taoístas costumam perguntar aos discípulos quando estes vão pedir iniciação é o que eles estão buscando, procurando, que objetivos querem alcançar.

Normalmente, com relação ao caminho espiritual, todos os aprendizes devem perguntar a si mesmos o que querem para suas vidas, o que querem dentro do caminho espiritual e onde estão tentando chegar com esse caminho. Essa questão é fundamental porque o caminho espiritual não deveria ser levado de uma maneira impetuosa, impensada, irrefletida, você não deveria ir por um caminho espiritual apenas porque seus amigos estão caminhando nele. Saber o que você está fazendo e até onde, pelo menos nesse momento, você pretende chegar pode facilitar muito a organização da sua prática espiritual, a definição da prioridade da sua vida.



E o que é prioridade? Muitas vezes, uma pessoa começa uma prática espiritual, seja ela qual for, e no meio desse caminho entra em crise. Fica então se perguntando: “É o meu Caminho ou o meu namoro, é o meu Caminho ou o meu dinheiro, é o meu Caminho ou a minha diversão? Não sei o que fazer, estou em crise”. É muito simples: normalmente os Mestres Taoístas “devolvem” a dúvida para essa pessoa, perguntando: “o que é mais importante para você? qual é a prioridade, pelo menos nesse momento, da sua vida?”.

 Você, então, precisa definir essa prioridade e depois deve assumi-la sem temor, sem culpa. Você pode até reconhecer que gosta muito do caminho espiritual, mas naquele momento a sua prioridade é a estabilidade material para ficar bem financeiramente e depois, então, voltar a dar mais atenção ao caminho espiritual. Tudo bem, se esse é o seu voto. Faça isso assumidamente porque quando você assume aquilo que está desejando não vai se sentir culpado, e, sem carregar essa culpa, vai até conseguir trabalhar melhor o lado espiritual.
De modo contrário, quando você não assume aquilo que quer, seja essa prioridade o seu lado espiritual, material, sua família, seus filhos, sua carreira, qualquer um, você vai estar sempre em conflito. A permanência desse estado já significa que você não está mais na prática espiritual, pelo menos no taoísmo, cuja prática espiritual significa, exatamente, reduzir paulatinamente os conflitos interiores, até a sua extinção. O caminho espiritual não é para aumentar os conflitos interiores. Se você segue um caminho espiritual e fica mais confuso, com mais conflitos, não vive essa prática espiritual.

Todos deveriam saber, pelo menos em parte, a direção em que estamos indo, em cada momento da vida. Sabendo o que é prioridade na sua vida, você vai conseguir administrá-la em função dessa prioridade. Algumas vezes, para proteger o que é prioridade ,você deixa para fazer depois o que é secundário na sua vida. Se sobrar tempo, você faz, se não sobrar tempo, você não faz. Mas, pelo menos, aquilo que é prioridade já foi realizado. Se você souber definir o que é prioritário na sua vida vai conseguir realizar essa prioridade sem grandes interferências ou prejuízos, mas se não conseguir estabelecer essa definição, pode, muitas vezes, acabar sem conseguir fazer nada que tenha um bom resultado ou um progresso.

Estabelecer prioridades significa saber distinguir o que é necessário do que não é necessário. Necessário é aquilo que você não poderia deixar de ter. É algo que se faltar, você deixará de ter felicidade, seu sustento material ou sua paz interior. Então, prioridade é aquilo a que você não pode renunciar, sob pena de tornar sua vida extremamente insatisfatória ou até mesmo perdê-la. Mas existem, também, coisas que, se você não as tiver, não irão interferir com a sua sobrevivência espiritual, emocional, física ou material. Essas são as coisas superficiais, não prioritárias, pelo menos com relação às outras essenciais, em determinado momento da sua vida.

A partir da definição da sua prioridade, se essa prioridade for o Caminho espiritual, você parte para o segundo passo, que é saber qual o seu propósito, até onde você pretende chegar, quais os caminhos que pretende seguir: se é um caminho introspectivo, de auto-realização ou um caminho extrovertido, voltado também para os outros seres do planeta. Ou seja: você precisa saber o que está mais de acordo com você, com o seu temperamento. A esse respeito você poderia trabalhar, principalmente, o seu lado devocional, poderia trabalhar com mágica, transmutação, oráculos, filosofia da vida, na área das curas e assistências; você precisa descobrir quais dessas ferramentas mais se adaptam ao que você gosta de fazer.



11.5.17

BOAS AÇÕES ANULAM O MAU KARMA – Ernest Wood


Pela lei do karma, quem não prejudica o semelhante deixará de ser prejudicado, excetuando o que lhe possa advir em conseqüência de más ações cometidas antes de ter descoberto e enveredado pelo verdadeiro caminho.

Segundo a lei do karma, as pessoas recebem aquilo que deram e fizeram aos outros. Esta crença poderia aterrorizar as pessoas perante a possibilidade de terem uma imensa reserva de experiências dolorosas “depositadas”, por assim dizer, em sua conta, prontas a interferir como um fator incalculável ou imprevisto nos seus planos presentes ou futuros.

Estes receios devem, porém, ser afastados por duas razões. Uma, é que nossas vidas são uma mistura de prazer e dor, daquilo que na maior parte das vezes podemos chamar bom e mau, o que mostra que a contrair e pagar dívidas tem sido e é sempre mais ou menos equilibrado, de maneira que não nos podemos imaginar como tendo sido um monstro terrível que tivesse deixado atrás de si uma grande quantidade de pecados.

A outra razão contra o receio é a doutrina de que aquilo que fazemos agora, com uma generosidade verdadeira, anula uma quantidade igual do antigo karma mau que ainda não se revelou em nossa vida presente. A pessoa pode saldar o velho karma com as boas ações espontaneamente praticadas. Por outro lado, uma vez que os resultados das ações estão subordinados a nós, isso significará que de agora em diante obteremos aquilo pelo qual lutarmos.

Muitas pessoas ricas não gostam da idéia da reencarnação, pois pensam que seria horrível não terem seus bens. Mas se os ganharam ou os mereceram serão seus no futuro, desde que não os tenham roubado por qualquer processo.

Há, contudo, na doutrina a noção de que nem todos os karmas do passado podem ser agrupados ao mesmo tempo, numa só existência. Por essa razão, dá-se o agrupamento, durante uma vida, de um certo número de karmas compatíveis. Sendo assim, uma pessoa que enriqueceu honestamente pode ter outros karmas não amadurecidos que o farão voltar pobre em vidas futuras.

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OS PRIMEIROS PASSOS NO YOGA – Ernest Wood


Na Índia, onde a ideia do yoga é familiar aos menos instruídos e onde dificilmente se encontra alguém que não tenha visto um yogue, as pessoas sentem-se surpreendentemente livres de qualquer ansiedade ou de qualquer remorso a respeito de sua evolução espiritual.

Aceitam-se com a maior das tranquilidades. Dizem: “Ainda não estou preparado para o yoga; na verdade não necessito dele por enquanto.” Não encontram qualquer motivo para descontentamento ou remorso. Aceitam-se tal como são e dizem: “Gosto dos prazeres da comida, da conversa e do sexo”, por moderados que estes sejam.

As pessoas têm a ideia de que algum dia se tornarão perfeitas. Mas não é para já, não existe em suas mentes nenhuma luta interior entre o ideal e o real, que provoca tantos danos nas mentes ocidentais. Por vezes, o principiante ocidental deve ser aconselhado a não fazer do yoga um novo motivo de ansiedade.

A grande maioria dos indianos também não têm nenhuma teoria do “agora ou nunca” para se preocupar, porque a crença adquirida na infância é que o futuro infinito lhes proporcionará todas as oportunidades necessárias, quando se sentirem preparados para isso. Não perdem nada com o adiamento, nem se sentem angustiados. Há “mais vidas”.



Na Índia, os aspirantes ao yoga são classificados em três classes: os principiantes, os que adotaram algumas das concepções e práticas do yoga, e os avançados. A última classe se compõe de pessoas que estão à vontade dentro da ciência e das artes do yoga, e conseguem praticar no meio de muitas distrações que seriam perturbadoras para o principiante.

Principiantes são aqueles em quem surgiu o desejo de praticar. É como o “despertar” do misticismo cristão, um despertar para o valor e prazer da vida segundo o yoga. Se pensasse que só haveria prazer no fim do caminho do yoga e não durante o percurso, o candidato contaria com um tempo difícil à sua frente. Mas se cada estágio comporta um novo prazer, então haverá progresso. A felicidade e o progresso vão de mãos dadas.

Para o yogue, o corpo é um instrumento, uma ferramenta para o contato de sua mente com o mundo. O yogue coloca, desde o início de sua prática, os prazeres da mente num plano muito superior aos do corpo.

Uma vez que as pessoas não têm normalmente uma atividade igual de pensamento, sensibilidade e vontade, surgiram escolas de yoga destinadas aos vários tipos de mente, nas quais pode predominar um destes. O Vedanta (Jnana Yoga) representa o caminho das pessoas com maior atividade do pensamento. O Bhagavad Gita (Bhakti Yoga), com sua doutrina de bondade e devoção, representa o caminho dos que têm maior atividade das emoções. E os Yoga Sutras de Patánjali (Raja Yoga) é o caminho no qual a vontade é usada para governar a mente e o corpo.

Estas três escolas de yoga pretendem alcançar a mesma finalidade, por caminhos diferentes.