Quanto
mais uma pessoa pratica a meditação, maior silêncio interior e
maior grau de quietude interior ela adquire e, com isso, maior
capacidade terá para as atividades da sua consciência. Por isso ela
se torna mais inteligente. Ter inteligência é ter maior grau de
capacidade mental, intelectual, racional, etc. Significa ter maior
grau de observação, percepção e compreensão. Uma pessoa que
pratica uma boa meditação, quando colhe o resultado principal da
sua prática – a quietude e a serenidade interior – assimila uma
espécie de silêncio que permite a ela escutar e observar melhor. Ou
seja: ela também se torna mais inteligente.
Normalmente,
quando nós não conseguimos ouvir direito é porque existe muito
barulho fora ou dentro da nossa cabeça; e quando não conseguimos
enxergar direito uma situação é porque existe um excesso de
imagens tumultuadas dentro e fora da nossa mente. A prática da
meditação vai substituindo, aos poucos, esse excesso de imagens
interiores por uma lucidez interior cada vez maior. Então, a pessoa
que realiza sua prática regularmente percebe que, paulatinamente,
suas imagens interiores vão diminuindo, enquanto seu grau de lucidez
vai aumentando. Com isso, ela começa a ter condições de observar e
compreender melhor tudo que acontece consigo mesma e tudo que está à
sua volta.
O
rítmo desenfreado é uma grande armadilha.
O que
normalmente acontece com um praticante de meditação é que, após
um período de prática, por conseguir um resultado de quietude
interior, por adquirir mais lucidez, ele começa a utilizar mais a
mente e passa a ter, além das atividades necessárias à sua vida,
muitas outras atividades mentais e intelectuais que não tinha antes.
A partir daí, pode se tornar mentalmente acelerado e com isso corre
o risco de entrar num ritmo desenfreado. Isso representa uma grande
armadilha, porque a aceleração excessiva pode levá-lo a outro tipo
de vício, que é o da pessoa que não consegue “não pensar”,
não consegue “não ter idéia”.
Nesse
caso, o praticante se torna uma pessoa “elétrica”, compulsiva,
que começa a criar sem interrupção, que escreve, pinta, lê, está
sempre demonstrando que é capaz de muitas coisas. E como todas essas
criatividades são referidas a coisas externas da vida, são
referidas a outras pessoas, a trabalhos, criações, invenções,
etc., esse esforço vai acabar exaurindo sua energia, sua
criatividade. Com isso, a pessoa acaba desgastando sua luz interior,
sua lucidez interior e quando já não sobrou mais nada daquela luz,
depois que toda sua lucidez já se desgastou, essa pessoa não
consegue mais deixar de ser assim e isso vai criar um grande conflito
para ela.
O que
acontece, normalmente, quando você passa a ter muitos “insights”
é que seus amigos começam a procurar você, a telefonar para saber
o que está acontecendo, começam a pedir conselhos, pedir idéias a
respeito de suas próprias vidas e como você consegue responder a
todas essas solicitações sem precisar se esforçar muito, termina
se transformando em um “consultor”, até chegar o momento em que
aquele hiper-desgaste vai “descarregar” sua bateria, que vem a
ser, exatamente, a sua serenidade e a sua lucidez e quando isso
acontece, aquelas pessoas que têm laços amarrados com você não
ficam sabendo do ocorrido, por isso continuam procurando por você,
continuam solicitando sua ajuda. Nessa hora, devido aos laços que
tem com elas você não consegue deixar de responder, mas se torna
repetitivo porque também não consegue criar mais nada de novo.
Com
isso, você cai no “círculo vicioso” e diante dessa
circunstância, normalmente, entra em crise, “pifa” porque não
consegue mais se renovar ou continua com a prática de meditação
com a intenção de conseguir, continuamente, alimentar sua
criatividade e se manter em condições de fornecer as informações
solicitadas pelas outras pessoas. Mas nesse caso, o que você perde é
o objetivo da meditação.
A
aceleração excessiva pode levar a um tipo de vício, que é o da
pessoa que não consegue “não pensar”, não consegue “não ter
idéia”.
No
Japão, muitas empresas promovem horários para a prática
obrigatória de meditação para seus executivos, mas não fazem isso
porque os donos das empresas estejam se preocupando ou querendo que
seus executivos se espiritualizem e sim porque querem que eles tenham
paz na cabeça para conseguirem produzir mais. Depois que os
executivos conseguem chegar a esse objetivo e voltam a ficar
estressados, as empresas outra vez promovem as sessões obrigatórias
de meditação para esses empregados, para que eles descansem suas
mentes, criem mais paz nas suas cabeças e produzam mais ainda do que
já produziam. Então, o propósito da prática da meditação, nessa
situação, é invertido.
Aumentar
a inteligência é ótimo, alcançar esse resultado da prática da
meditação é ótimo, mas você não deveria eleger esse resultado
como seu objetivo porque, nesse caso, o propósito inicial da
meditação estaria sendo invertido e se você fizer isso, vai se
transformar em prisioneiro do fenômeno, que deveria ser a
consequência e não a causa da meditação.
A
inteligência aumentada é um acessório, um brinde.
Se você
meditar com a intenção de chegar ao resultado, ao contrário de
chegar ao resultado apenas como uma consequência da prática, você
vai estar esquecendo o princípio da sua prática, que é o caminho
espiritual, ao passo que se você meditar, normalmente, vai acabar
tendo a sua capacidade mental e intelectual aumentadas, mesmo que não
esteja pensando nisso, mesmo que não esteja buscando isso. A
inteligência aumentada é um acessório, um “brinde” que você
ganha, mas se você pensa em trabalhar para ganhar um brinde, vai
estar invertendo o valor do seu trabalho.
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